O CAMINHO DA PROSPERIDADE

A Torá na Parashá Toledot relata as disputas do patriarca Yitschak quando ele e seus servos tentaram encontrar fontes de água (Bereshit 26:15-22). Depois que seus servos cavaram e descobriram um poço de água fresca, os Felisteus locais brigaram e clamaram que este poço era deles. Portanto, Yitschak deu o nome para este poço de Éssek, o qual denota batalhas e problemas. Isto ocorreu uma segunda vez depois que os homens de Yitschak encontraram outro poço, e então ele deu o nome para este poço de Sitna, significando “ódio”. Finalmente, eles descobriram um terceiro poço, o qual não foi contestado e se chamou Rehovot (“largura”). E assim, o patriarca Yitschak proclamou, כי-עתה הרחיב ה’ לנו ופרינו בארץ Ki-ata Hirhiv Hashem Lanu U’farinu Ba’aretz “Agora que houve a paz, eles podem crescer e prosperar/frutiticar na terra” (Bereshit 26:22). Vemos a essência deste verso em sua gematria (290), a mesma de פרי peri, “fruto” e כרמל carmél, “frutífero”.

A proclamação de Yitschak nos ensina uma lição fundamental sobre os perigos da machloket/contenda/brigas, a saber, que ela nega a habilidade de termos sucesso e prosperidade. Nós sabemos que a Torá não pôde ser dada ao Povo de Israel que estava acampado aos pés do Monte Sinai, até que todos estivessem “como uma pessoa com um só coração” (Ráshi no Shemot 19:2). Os efeitos espirituais da Torá são bloqueados pela contenda e discórdia, e assim a união e paz são pré-requisitos necessários para a Torá. Aqui, na Parashá Toledot, aprendemos que o sucesso material é também impossível sem união e harmonia em todos os nossos contatos (principalmente na casa e família). De fato, os Sábios da Torá ensinam que Mahloket Ahat Doheh Me’a Parnassót, “Uma única briga pode causar a pessoa de perder cem oportunidades de ganhar seu sustento financeiro”. Como sabemos todos, as oportunidades de fazer dinheiro são raras e difíceis de surgirem. Todas as vezes que nos envolvemos em qualquer espécie de discussão ou contenda, dezenas de valiosas oportunidades que de outro modo nos permitiriam de ganhar nosso sustento confortavelmente, desaparecem. Eis o poder destruidor das machloket.

De fato, o grande mestre, o Rabino Chayim Palachi (Turquia, 1788-1869) disse que durante o período da revolta guiada por Kôrach no deserto contra Moshé o nosso mestre, o Maná não caiu do Céu para o Povo de Israel. A machloket que veio disso naquele tempo bloqueou os canais de bênçãos materiais, por assim dizer, e deste modo o Povo de Israel foi negado seu sustento. Enquanto eles estavam envolvido em discussões, eles não puderam receber sustento. E isto não é verdade somente no deserto, mas em todos os tempos e locais, incluindo o hoje e agora, em todos os locais da terra. Veja, um dos “truques” do Satán é nos convencer que devemos literalmente lutar e argumentar para que através do nosso jeito e caminho, possamos conseguir o que desejamos. Ele nos faz crer que se permanecermos em silêncio, se humildemente ignorarmos os insultos e injustiças cometidos contra nós, então colocamos em risco o nosso bem estar. Mas, a verdade é exatamente o oposto disso. É através das brigas e ódio que nós colocamos em risco o nosso bem estar.

Nossos Sábios da Torá ensinam que a amizade e harmonia entre as pessoas é fundamental para reverter os decretos celestiais severos, e deste modo servem para transformar o julgamento Divino, no atributo de bondade. A melhor coisa que podemos fazer para nós mesmos, tanto em termos de Parnassá, sustento material, como em termos de realizações espirituais, é viver em paz e harmonia com as pessoas de nossas vidas. E isso requer que perdoemos, que sejamos pacientes e tolerantes, evitando todo tipo de discussão e brigas, mesmo quando temos certeza que estamos com a razão. É vital nos lembrarmos que toda vez que nós cedemos ao invés de discutir, nós estamos abrindo os portões das bênçãos de Hashem e ajudando a garantir que elas serão despejadas sobre nós e nossas famílias.

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AJUDA APROVADA NO ALTO

Baruch Hashem, quando eu ouvi as boas notícias sobre uma tsedacá fui guiado à meditar no passúk/verso do Bamidbar 35:2 (parashá Maasêi), צו את-בני ישראל ונתנו ללוים מנחלת אחזתם ערים לשבת ומגרש לערים סביבתיהם תתנו ללוים “Ordena aos filhos de Israel que dêem aos Levitas cidades para habitar, da herança de sua possessão; e dareis aos Levitas terrenos baldios para as cidades, em seus arredores”. Em particular, eu me focava nas três palavras ישראל ונתנו ללוים Israel venatnu la’Leviyim, pois a tsedacá viria de um membro da tribo de Israel* para mim, que afinal ensino Torá como os Levitas faziam. E foi então que o Shem Havaya que se manifestou muito se movia como sempre ocorre, pois Ele é o D-us Vivo. E eu vi o Nome soletrado assim (ainda que omita aqui vários detalhes): Yud, YudVavDálet; Hêi, HêiHêi; Vav, VavVav; Hêi, HêiHêi. O Nome Santo se apresentou verticalmente em fogo, a saber, o Yud soletrado no alto, o Hêi abaixo, depois o Vav e abaixo dele o Hêi, todos soletrados como expliquei e com as nekudot/vogais também. E em Asiyah, YKVK é soletrado completamente com a letra Hêi. Este Nome é chamado Havaya d’Hehin e é conhecido como Shem BeN, de guemátria 52. E como explica o Ari’zal na parashá Lech Lechá, as klipot que são as sobras, portanto o mal, que foram separadas deste reis caídos. Apesar de que são 7 reis que caíram, na verdade são 9 correspondentes as 9 letras do Shem Havaya de 52 letras. E o Shem da meditação é este exato com as mesmas nekudot. Mais tarde eu vi que a guemátria ordinal (versão sofít) de אברהם Avraham é 52. Aqui vemos como absolutamente tudo que ocorre no mundo primeiro precisa ser aprovado no Céus, baruch Hashem.

* Os judeus são divididos atualmente em três tribos: Cohen, Levi e a maioria, Israel.

Nota: Como explicou o Rabino Avraham para a Equipe Beit Arizal, este é mais um exemplo de um recebimento místico que não é para ser racionalmente entendido, mas sim, mostra a compreensão do rabino em um nível intuitivo-psíquico avançado. Só um grande arrogante ousaria a comentar este texto. Ele deve ser apenas apreciado.

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MANTENDO-A ERGUIDA

Pela Graça de D-us:

Caros amigos do Beit Arizal,

Vivemos em tempos complexos e repletos de desafios nunca antes imaginados. A grande missão do Beit Arizal é trazer entendimento cashér sobre as causas e consequências de nossas ações na vida através da luz da Torá. E para que possamos continuar com esta missão nobre e tão importante, precisamos da ajuda de vocês que aqui estudam e têm recebido este entendimento profundo há anos. Precisamos agora e sempre de sua tzedakah para que o Beit Arizal tenha condições materiais de continuar a existir, se D-us quiser. Quando uma pessoa contribui para o sustento da Torá, ela é chamada de uma “perna da Torá“, pois através deste sustento vital a Torá é mantida erguida. Fazemos este apelo para que todos pensem bem sobre o papel que exercem no mundo. Veja, influenciados pela Torá e com maior entendimento sobre as realidades que nos circundam, todos têm a obrigação de difundir esta luz superior para assim revelá-la no mundo, transformando-o em um local digno e reto. Assim, ajudando a manter o Beit Arizal vocês estão investindo em sua próprias vidas, tornando-as “recipientes” de bênçãos de paz, sustento e segurança se D-us quiser.

Façam tzedakah, e ajudem a manter a Torá aqui revelada.
Rabino Avraham Chachamovits

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PROTEGENDO A TORÁ

E está escrito, פינחס בן-אלעזר בן-אהרן הכהן השיב את-חמתי מעל בני-ישראל בקנאו את-קנאתי בתוכם ולא-כליתי את-בני-ישראל בקנאתי “Pinchas ben Elazar, o neto de Aharon, o sacerdote, desviou Minha ira de sobre os filhos de Israel, ao levar Minha vingança entre eles, e assim não consumi os filhos de Israel com Minha ira” (Bamidbar 25:11, Pinchas). Veja, “Quando o Nome Havayah [YKVK] se uni com o Nome Elokim, a negatividade do Nome Elokim/Julgamento é “adoçada” pela misericórdia do Nome Havaya” (Ari”zal, parashá Pinchas). Assim como o Nome Elokim é associado com o atributo Divino de Julgamento, o Nome Havaya é associado com o atributo Divino de Misericórdia. Julgamento não é algo intrinsecamente negativo, uma vez que discernimento apropriado é necessário para reconhecer o bem e o mal e separá-los. É somente quando o julgamento é permitido de sobrepujar a consciência da pessoa, que ele se torna uma força negativa, resultando eventualmente na raiva. Portanto, cuidado precisa ser tomado para moderar e mitigar o julgamento com a misericórdia. Mais ainda, misticamente, a raiva impele o mundo a reverter ao estado inicial de Tohu/Caos, pois através da severidade, julgamento e auto centrismo (que é o próprio manifestar da raiva) o indivíduo causa a regressão da “harmonia espiritual” das sefirot na realidade atual. E o Ari”zal continua: “Quando o Nome Havayah é então separado do Nome Elokim, isto produz o estado de julgamento severo, o qual por sua vez leva à raiva. A raiz desta raiva são as 120 permutações do Nome Elokim… O Nome Elokim expande até os elohim acheirim, ‘outros deuses’ [idolatria na linguagem da Torá], ou seja ele expande nas 120 permutações, todas as quais ainda se encontram no domínio da santidade. Contudo, tudo aquilo que expande além disso se torna os ‘outros deuses’ que são enraizados nestas permutações”.

A explicação é a seguinte: quando o julgamento do Nome Elokim é permitido de se estender além de suas “fronteiras naturais”, ou seja, quando a pessoa julga excessivamente com rigor, isto se torna a “receita para idolatria”. A pessoa vem então a negar a unicidade de Hashem, que implica que tudo no mundo é causado e dirigido diretamente por Hashem. Esta forma sutil de idolatria leva, como dito, à raiva. E continua o Ari”zal, “Hashem disse para Moshé o Nosso Mestre, ‘Eles fizeram um bezerro fundido’ [Shemot 32:8]. A guemátria da palavra para fundido [masêcha, mem-samech-chaf-hei] é 125, aludindo as 120 permutações das 5 letras do Nome Elokim… Este é o significado místico do mandamento, ‘Elokêi masechá lo taá-selach’ – Deuses fundidos não faças para ti – Shemot 34:17. Ou seja: não permita que o Nome Elokim se expanda até suas 120 permutações – 120 sendo o valor numérico/guemátria de masechá – pois isso faz com que isso se torne a fonte das forças do mal, conhecidas como ‘outros deuses’”. Note que 120 é também a guemátria de tsel/sombra. Misticamente, o tsel/tsélem protegem a alma da pessoa, que quando transgride as leis de D-us, cria aberturas para que elementos espirituais antagônicos – os outros deuses – “entrem” nesta proteção pessoal, portanto, preenchendo e ligando a alma da pessoa com estas forças, como foi explicado. (Não trarei mais detalhes sobre isso aqui). É por isso que quando a pessoa então expressa sua raiva e peca com a lashon hará, a transgressão particularmente associada a tsa’arat/lepra espiritual entre outras transgressões, ela se mancha com intensidade, revelando a tsa’arat, pois todos os membros do seu corpo são afetados, uma vez que a fala ruim sobe ao Alto e chama para baixo um ruach ra’ah/espírito ruim (ver Zohar 53a, Metsorá). Vemos então que a regressão da realidade mencionada, produto da raiva, significa que na sua essência, a raiva é uma forma idolatria (pois inicia o processo de abertura aos ‘outros deuses’). E note que vimos anteriormente (em Tazria) que o verso que diz, Veôr-bessarô le-nêga tsa’arat, “E se tornar na pele de sua carne como chaga/praga de lepra” (Vayicra 13:2) alude a isso, pois a sua guemátria atbash (1027) equivale exatamente ao verso Elokêi masechá lo taá-selach “Deuses fundidos não faças para ti”. Mas, se a pessoa faz teshuva verdadeiro, ela será והובא אל-הכהן vehuvá el-hakohen, “Será trazida ao cohen/sacerdote/rabino”, que a ajuda em sua recuperação espiritual. E se ela não faz teshuva, ela é trazida para Samakel (o nome do anjo conhecido como Satán e que é o “anti-sacerdote”) de guemátria regular 131, a mesma de vehuvá el-hakohen.

Agora, a ‘raiva santa’ de Pinchas – que afinal protegeu a Torá e fez cessar a praga que matou vinte e quatro mil homens (ver Bamidbar 25:9) – foi completamente diferente da raiva degenerada e ordinária (explicada anteriormente). Pinchas agiu com grande zelo pela Torá. E ainda que este não seja um comportamento simples e nem comum, querendo dizer, são poucos os indivíduos no mundo que possuem o nível espiritual para agir desta maneira zelosa, ainda sim, foi algo sancionado pelo Céus, pois foi produto da Sabedoria Divina que o influenciou e agitou neste momento dramático quando a Torá precisava ser cuidada. Veja, השיב את-חמתי מעל בני-ישראל Heshív et-chamáti meál bnei-Israel, “Ele [Pinchas] desviou Minha ira de sobre os filhos de Israel“. E a guemátria ordinal mais seis para o kolel das seis palavras deste verso é igual a 251, este sendo o mesmo valor numérico de בחכמה העליונה b’chochmah ha-eliyona, “Com sabedoria superior”. Existem muitas outras considerações, para outra oportunidade se D-us quiser.

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FRUSTRANDO OS PERVERSOS

E está escrito: ועתה שבו נא בזה גם אתם הלילה Veatá shevú na vazê gám-atém ha-láila, “E agora, tu também ficai aqui, rogo-vos, esta noite” (Bamidbar 22:19, Balak). O comentarista Ráshi traz neste passúk/verso sobre o profeta profano Bila’am, na expressão gám-atém que: “Sua boca o tropeçou [ou seja, ele involuntariamente previu a sua queda]. ‘Tu também’ é destinado a ir embora com um espírito abatido, tal como os outros primeiros [ou seja, que vieram também a ti a mando do rei Balak, pedindo sua intervenção para amaldiçoar o povo de Israel]”. O Zohar na parashá Chukat diz que, quando uma pessoa fala algo que não diria “normalmente”, isto é por que houve de fato um decreto celestial que agora será assim e então realizado no mundo, ou em sua vida. Vemos que o “deslize” da fala de Bila’am foi um din/juízo para rebaixá-lo. Veja: a guemátria atbash de gam-atém é 621. O Ari”zal explica que: “Z’eir Anpin possui todos os três álefs, significando três tipos completos de luz, ou seja, três vezes o valor numérico da palavra ór [‘luz’] 207, o valor de kéter [620 mais o kolel]. Isto indica que kéter de Z’eir Anpin está completo” (Sefer HaLikutim, Ki Tazria). E como é sabido, quando a luz de chéssed/bondade (que provém de Ima que é binah, assim como uma “inspiração”) chega ao nível do kéter de Z’eir Anpin, o desejo é influenciado (o Ari”zal, Ta’amei HaMitsvot, Beha’alotecha). Assim eu entendo que o “tropeço” da fala de Bila’am foi produto da influência celestial que bondosamente protegeu de mais esta maneira o povo de Israel e o mundo, rebaixando este rashá/perverso. O seu desejo natural foi alterado, fazendo-o afirmar algo distinto e que seria revelado e assim feito: mais uma de suas quedas. De fato, a mudança de desejo foi uma elevação, a saber, seu desejo foi amadurecido, pois a influência veio do chéssed celestial. O fluxo de energia positiva enraizado na kedusha/santidade modifica as emoções (Z’eir Anpin), amadurecendo-as (ou seja, quanto mais elevado a pessoa é, tanto mais ela é amadurecida psicologicamente/emocionalmente). Em um reto ou mesmo em uma pessoa comum, esta luz ergue a pessoa nos insights (o grau de chochmah) e desenvolvimento intelectual (binah). No rashá, este fluxo diminui seus atributos negativos, fazendo-o errar nos seus julgamentos. Ele é influenciado a “tropeçar” nos seus planos: Hashem hefir atsat goyim heni machshevot amim, “D-us frustra o projeto das nações e anula os intentos dos povos” (Tehilim 33:10) e “Ele confunde seus pensamentos profundos para que eles não possam reger e não permanecerem no mundo” (Zohar 199b, Balak). Aprenda isso bem.

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SEJA INFLUENCIADO

E está escrito: דבר אל-אהרן ואמרת אליו בהעלתך את-הנרת אל-מול פני המנורה יאירו שבעת הנרות Dabêr el-Aharón veamárta eláv behaalotechá et-hanerót el-múl penêi hamenorá yairú shivát hanerót, “Fala a Aarão e diz-lhe: Quando acenderes as lâmpadas, faz de modo que as 7 lâmpadas iluminem a lâmpada central do candelabro” (Bamidbar 8:2, ‎Behaalotechá). Veja que a guemátria katán deste verso é 204, sendo este o mesmo valor numérico da palavra tsadik/justo. Agora, qual a ligação do justo/reto com a Menorá/candelabro? O santo Zohar explica: “O tsadik é a vida do universo”. E que, metaforicamente, “Hashem mantém o mundo pela Sua força”, e o tsadik é o representante “da Sua força” (Zohar, Bereshit). É claro que existem muitos diferentes graus e níveis de tsadikim/justos. Cada um tem sua psique particular e capacidade de recebimento das mensagens divinas da Torá e ordenamentos para revelá-las. Mas, de fato, cada um traz “vida” para o mundo, pois o propósito de sua existência é iluminar a realidade no nível que for o seu quinhão. E isso ocorre na medida em que um justo traz para baixo, na realidade material, o chéssed/bondade do “Intelecto Superior” (chamado de Íma/Binah). Ou seja, o real e autêntico entendimento da Torá. Quando esta luz de chéssed de binah/bondade do intelecto – um entendimento intenso e verdadeiro – atinge as pessoas que “podem ser atingidas” (uma vez que algumas são arrogantes e teimosas demais para serem influenciadas), algo profundo ocorre: uma mudança na mentalidade da pessoa. Esta transformação e limpeza lenta e gradual é produto desta luz especial atingir o que é chamado de o Kéter das Midót/caráter, ou seja, o ponto “mais alto” do sistema emocional do indivíduo/caráter e assim, o estágio mais próximo do seu intelecto abstrato. Sim, pois antes que as emoções/sentimentos se manifestem, existe um ponto inicial, por assim dizer, que deriva do entendimento intelectual abstrato que a pessoa faz sobre algum assunto/julgamento na realidade. Logo antes da manifestação emocional, na fase de “transição” entre o intelecto e as emoções, portanto do ponto de máxima influência nas emoções primárias, lá a luz do tsadik atua, deste modo influenciando o desejo e vontade da pessoa. Veja, o desejo não é algo consciente. Uma pessoa não sabe dizer porque gosta mais de chocolate amargo do que do branco. O poder das vontades/desejos da pessoa está “acima” do entendimento, assim como uma coroa (Kéter em Hebraico) que se assenta no topo da cabeça/intelecto. Daí a relação entre afetar o caráter/emoções da pessoa num estágio não consciente, o que muitas vezes leva às transformações dela. Em outras palavras, o justo tem em algum grau, a bênção de influenciar pessoas para que elas amadureçam seus caráteres, e deste modo busquem se retificar e assim se aproximar de Hashem. Mais ainda, de modo geral, o reto pode tanto ajudar uma pessoa no caminho da Torá a se erguer ainda mais, bem como a “ajudar” um rashá/malvado a se rebaixar mais, e “se perder” em sua maldade. De fato, as pessoas que são influenciadas pelo tsadik são aquelas que se encontram em sua “rede espiritual” e as vezes, dependendo do “tamanho espiritual” do justo, até pessoas que não tiveram contato com ele, e até mesmo o mundo todo!

Veja, ‎Behaalotchá et-hanerót, “Quando acenderes as lâmpadas” tem guemátria katán 44, o mesmo valor numérico da palavra להט lahát, “flamejante”. E o reshêi tevót/acróstico de “as 7 lâmpadas iluminem a lâmpada central do candelabro” tem guemátria ordinal 72, que é o valor numérico da palavra chéssed/benevolência. Portanto, temos aqui uma alusão do candelabro ao justo, pois a bondade flamejante/o fogo do tsadik é um brilho que ilumina/influencia o desejo do indivíduo para que esta sua vontade se torne o desejo de Hashem. Todas as vezes que uma pessoa busca influenciar positivamente outra, ou seja, de estrito acordo com as leis e orientações da Torá, ela naquele momento vivencia uma medida do poder do tsadik. Aprenda isso bem.

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A EVOLUÇÃO DIVINA

ל”ג בעומר Lag Ba’Ômer, o grande dia do recebimento da Cabalá há 2.000 atrás, é uma expressão com guemátria 351. Este valor numérico é o valor/número triangular de 26, sendo que o valor triangular é a soma de cada número inteiro de 1 a 26, ou calculado pela fórmula (n² + n)/2. Os número triangulares exibem qualidades “evolucionárias”. Como exemplo, o verso que inicia a Torá, בראשית ברא אלקים את השמים ואת הארץ “No início D-us criou o céu e a terra” (Bereshit 1:1) contém 7 palavras, num total de 28 letras. E o valor triangular de 7 é 28 = (7² + 7)/2. Deste modo, ilustra-se a relação evolucionária entre o Criador e a criação. Vemos então que a guemátria de Lag Ba’Ômer (351) representa a evolução da Sabedoria Divina da Cabalá disseminada neste novo estágio do mundo pelo Rabi Shimon Bar Yochai, sendo que 26 é a guemátria do Tetragrama (YKVK), ou Hashem.

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