PROTEGENDO A TORÁ

E está escrito, פינחס בן-אלעזר בן-אהרן הכהן השיב את-חמתי מעל בני-ישראל בקנאו את-קנאתי בתוכם ולא-כליתי את-בני-ישראל בקנאתי “Pinchas ben Elazar, o neto de Aharon, o sacerdote, desviou Minha ira de sobre os filhos de Israel, ao levar Minha vingança entre eles, e assim não consumi os filhos de Israel com Minha ira” (Bamidbar 25:11, Pinchas). Veja, “Quando o Nome Havayah [YKVK] se uni com o Nome Elokim, a negatividade do Nome Elokim/Julgamento é “adoçada” pela misericórdia do Nome Havaya” (Ari”zal, parashá Pinchas). Assim como o Nome Elokim é associado com o atributo Divino de Julgamento, o Nome Havaya é associado com o atributo Divino de Misericórdia. Julgamento não é algo intrinsecamente negativo, uma vez que discernimento apropriado é necessário para reconhecer o bem e o mal e separá-los. É somente quando o julgamento é permitido de sobrepujar a consciência da pessoa, que ele se torna uma força negativa, resultando eventualmente na raiva. Portanto, cuidado precisa ser tomado para moderar e mitigar o julgamento com a misericórdia. Mais ainda, misticamente, a raiva impele o mundo a reverter ao estado inicial de Tohu/Caos, pois através da severidade, julgamento e auto centrismo (que é o próprio manifestar da raiva) o indivíduo causa a regressão da “harmonia espiritual” das sefirot na realidade atual. E o Ari”zal continua: “Quando o Nome Havayah é então separado do Nome Elokim, isto produz o estado de julgamento severo, o qual por sua vez leva à raiva. A raiz desta raiva são as 120 permutações do Nome Elokim… O Nome Elokim expande até os elohim acheirim, ‘outros deuses’ [idolatria na linguagem da Torá], ou seja ele expande nas 120 permutações, todas as quais ainda se encontram no domínio da santidade. Contudo, tudo aquilo que expande além disso se torna os ‘outros deuses’ que são enraizados nestas permutações”.

A explicação é a seguinte: quando o julgamento do Nome Elokim é permitido de se estender além de suas “fronteiras naturais”, ou seja, quando a pessoa julga excessivamente com rigor, isto se torna a “receita para idolatria”. A pessoa vem então a negar a unicidade de Hashem, que implica que tudo no mundo é causado e dirigido diretamente por Hashem. Esta forma sutil de idolatria leva, como dito, à raiva. E continua o Ari”zal, “Hashem disse para Moshé o Nosso Mestre, ‘Eles fizeram um bezerro fundido’ [Shemot 32:8]. A guemátria da palavra para fundido [masêcha, mem-samech-chaf-hei] é 125, aludindo as 120 permutações das 5 letras do Nome Elokim… Este é o significado místico do mandamento, ‘Elokêi masechá lo taá-selach’ – Deuses fundidos não faças para ti – Shemot 34:17. Ou seja: não permita que o Nome Elokim se expanda até suas 120 permutações – 120 sendo o valor numérico/guemátria de masechá – pois isso faz com que isso se torne a fonte das forças do mal, conhecidas como ‘outros deuses’”. Note que 120 é também a guemátria de tsel/sombra. Misticamente, o tsel/tsélem protegem a alma da pessoa, que quando transgride as leis de D-us, cria aberturas para que elementos espirituais antagônicos – os outros deuses – “entrem” nesta proteção pessoal, portanto, preenchendo e ligando a alma da pessoa com estas forças, como foi explicado. (Não trarei mais detalhes sobre isso aqui). É por isso que quando a pessoa então expressa sua raiva e peca com a lashon hará, a transgressão particularmente associada a tsa’arat/lepra espiritual entre outras transgressões, ela se mancha com intensidade, revelando a tsa’arat, pois todos os membros do seu corpo são afetados, uma vez que a fala ruim sobe ao Alto e chama para baixo um ruach ra’ah/espírito ruim (ver Zohar 53a, Metsorá). Vemos então que a regressão da realidade mencionada, produto da raiva, significa que na sua essência, a raiva é uma forma idolatria (pois inicia o processo de abertura aos ‘outros deuses’). E note que vimos anteriormente (em Tazria) que o verso que diz, Veôr-bessarô le-nêga tsa’arat, “E se tornar na pele de sua carne como chaga/praga de lepra” (Vayicra 13:2) alude a isso, pois a sua guemátria atbash (1027) equivale exatamente ao verso Elokêi masechá lo taá-selach “Deuses fundidos não faças para ti”. Mas, se a pessoa faz teshuva verdadeiro, ela será והובא אל-הכהן vehuvá el-hakohen, “Será trazida ao cohen/sacerdote/rabino”, que a ajuda em sua recuperação espiritual. E se ela não faz teshuva, ela é trazida para Samakel (o nome do anjo conhecido como Satán e que é o “anti-sacerdote”) de guemátria regular 131, a mesma de vehuvá el-hakohen.

Agora, a ‘raiva santa’ de Pinchas – que afinal protegeu a Torá e fez cessar a praga que matou vinte e quatro mil homens (ver Bamidbar 25:9) – foi completamente diferente da raiva degenerada e ordinária (explicada anteriormente). Pinchas agiu com grande zelo pela Torá. E ainda que este não seja um comportamento simples e nem comum, querendo dizer, são poucos os indivíduos no mundo que possuem o nível espiritual para agir desta maneira zelosa, ainda sim, foi algo sancionado pelo Céus, pois foi produto da Sabedoria Divina que o influenciou e agitou neste momento dramático quando a Torá precisava ser cuidada. Veja, השיב את-חמתי מעל בני-ישראל Heshív et-chamáti meál bnei-Israel, “Ele [Pinchas] desviou Minha ira de sobre os filhos de Israel“. E a guemátria ordinal mais seis para o kolel das seis palavras deste verso é igual a 251, este sendo o mesmo valor numérico de בחכמה העליונה b’chochmah ha-eliyona, “Com sabedoria superior”. Existem muitas outras considerações, para outra oportunidade se D-us quiser.

tzedakah

 

Um pensamento sobre “PROTEGENDO A TORÁ

  1. Em meu pequeníssimo entendimento, aprendo com o Mestre que a consciência da pessoa está nela reconhecer que em tudo que ocorre, Hashem está no controle e em sendo assim os atributos necessários serão dosados de acordo com a ocasião e com a vontade de Hashem. A pessoa deve estar em sintonia e atento para os desígnios de Hashem como no caso de Pinchas aqui citado onde o julgamento severo da forma que ocorreu foi para proteger a Torá. Quando a pessoa não tem esse reconhecimento demostra ter um baixo nível espiritual, ou seja pouco conhecimento de Hashem, e sua conduta muitas vezes ocorre sem a dose certa dos atributos, ou até mesmo da maneira que ela acha que deve ser agindo assim com arrogância, questionando a vontade de Hashem, podendo assim gerar um ato de idolatria.

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