INTELECTOS BEM DIFERENTES

E está escrito: “Assim como todos os partsufim santos [‘grupos de sefirót‘] possuem intelecto, também é do mesmo modo com todos os partsufim impuros, ambos masculino e feminino. Entretanto, a diferença é esta: os partsufim masculino e feminino do mal possuem somente dois mochin/cérebros [chochmah e binah], enquanto os partsufim santos masculinos possuem três: chochmah, binah e da’at. Os partsufim santos femininos também possuem somente dois mochin/cérebros [chochmah e binah], pois como somos ensinados, ‘o da’at das mulheres é leve’ [Talmud, Shabat 33b]” (o Ari”zal, Etz Chayim 48:2). Chochmah é o flash de insight que penetra através do véu do inconsciente na mente consciente. É uma experiência efêmera, uma vez que pela sua própria natureza, o insight é estranho à estrutura mental na qual ele é introduzido. Sendo uma entidade estranha, se ela não é de alguma maneira integrada na mente, ela simplesmente desaparece e é esquecida. Portanto, a tarefa de binah é integrar este novo insight nas estruturas mentais e padrões de pensamentos que o indivíduo já possui. Este é um processo de tradução e avaliação: traduzindo o insight em termos familiares e avaliando as estruturas mentais existentes e ideias em termos do novo insight. Este novo insight confirma ou contradiz o que eu já conheço e acredito, e se existe a confirmação, qual sua extensão? E assim por diante. Binah, portanto, distingue (Hebraico: bêin) entre a realidade como refletida no insight e como concebida antes do insight, e reconstrói (Hebraico: boneh) a mentalidade da pessoa no despertar do insight. Mesmo assim, tudo isso é atividade mental abstrata. É a função do terceiro componente do intelecto, da’at, trazer relevância e significado para esta nova figura da realidade no dia-a-dia da pessoa. Agora que eu entendo a realidade de uma maneira nova e mais elevada, o que este entendimento diz a respeito da maneira que eu tenho vivido a minha vida e como de fato eu deveria vive-la doravante? E assim começamos a ver a diferença essencial entre o bem e o mal, ou mais precisamente, santidade e o mundano. A força motriz do intelecto santo/elevado é sempre de buscar a relevância do insight, compreensão e conhecimento. O intelecto do mal/mundano não possui esta força motriz. Ele é completamente contente de focar na experiência do insight – no “uáu” ou “deslumbramento momentâneo” sem se “poluir” com as preocupações morais ou a relevância. Para este tipo de intelecto, a vida é apenas uma sucessão de experiências estéreis, excitantes por e em si mesmas, mas que não produzem nenhum fruto durador ou mudanças na vida do indivíduo ou sociedade. Esta é a razão que milhares estudam Torá, em particular Cabalá, e mesmo assim nada verdadeiramente significante ocorre, a saber, não existe transformação real, implicando no crescimento necessário das observâncias haláchicas. Isto é importante se o indivíduo deseja se calibrar com Hashem. O que ocorre é que tudo é principalmente tratado como uma nova forma de entretenimento e a experiência do “uáu” descerebrado que ocorre ao ouvir os conceitos elevados. Existem mais conclusões, para outra tempo e local.

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EVITANDO OS ESTRAGOS

A sensibilidade ao próximo, com a sua dor e circunstâncias é o pilar das ações retas da Torá. Este pilar pode erguer um mundo, pois quando se é sensível ao próximo e ações de reparo são prometidas, o “recipiente” acredita na bondade que lhe é estendida. E o crer nesta bondade lhe traz esperanças e conforto – isso é de imensa grandeza, trazendo iluminações para o mundo. Entretanto, somente para Hashem os pensamentos são ações diretas. Os homens precisam “pôr em prática” a bondade que prometem a outros, pois se não este pilar vital é corroído e muita destruição ocorre, que D-us não permita. A moral é que, a “linha” entre o fazer o bem e o deixar de fazer o bem é a sensibilidade. Eis o grande diferencial entre as pessoas. E por isso está escrito: “Corra para fazer uma mitsvá…” (Pirkê Avót 4:2), porque diante de uma necessidade de reparo no mundo – a função das mitsvót – quando mais rápido isso ocorrer, menor a chance que o estrago que precisa de reparo aumente, que D-us não permita. E o aumentar de qualquer estrago no mundo significa dor. Corra para cumprir uma mitsvá para evitar a dor. Absolutamente tudo precisa ser feito sempre para evitar a dor, pois ela é a corporificação do dano espiritual no mundo.

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SILÊNCIO!

Silencie-se diante de Hashem. A sua oração deveria ser: que não seja o meu desejo, mas a Sua vontade que seja feita. Eu sou Teu servo. A vida e a morte diante de Ti são o mesmo. De nós não é esperado agir como anjos, mas é esperado a cada momento que devemos agir como seres humanos e assim buscar atingir os potenciais mais altos possíveis da nossa humanidade. É isso que o Céu espera e demanda de nós, pois todas as almas chegam a este mundo para aprender e crescer. E a preocupação com o próximo é um aspecto fundamental da escola da vida. E saiba que nenhum mal jamais descende do Céu. O mal apenas ascende dos corações dos homens, e ainda que a vida seja complexa, a simplicidade é a chave para abrir os segredos da vida. O foco deve ser no agora e a única questão de valor real é: eu como posso ser uma pessoa melhor. O que posso fazer para melhorar as coisas? Mashiach não virá para o mundo antes que venha para o indivíduo. A redenção começa em cada um, retificando a fagulha de Mashiach que existe em si. Cresça!

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RECALCITRÂNCIA

O caminho da Torá significa a transformação, evolução, retificação e a afirmação da mente humana para que exista integração devida com a realidade. Quando a realidade é integrada com a verdade, temos tikkun, a cura. Agora, devido ao pecado da “Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal”, a mente humana se turvou. E deste modo, não temos a clareza de distinguir os pensamentos das emoções. Ambos a mente e o coração precisam existir em harmonia. O caminho da Torá ensina a harmonia necessária para a evolução vital humana. Agora, rejeitar evoluir – a recalcitrância espiritual – é a maior arma da sítra áchra (“o lado do mal”). A recalcitrância é a característica que garante ao indivíduo que ele seja enredado pelos engodos e falsidades do mundo, pela trapaça e sedução do mal. O mal se ergue pela mentira e tolice, e o recalcitrante se abre somente para isso. Ele se distrai do caminho natural de Hashem, ele perde o foco e acredita só na ilusão que o mal o concede: que tudo está bem como está, não existe necessidade de crescer, de se retificar, de evoluir e de afirmar a sua mente mais do que já é feito. Veja: quando uma pessoa é iluminada pela Torá, mas ela se fecha e rejeita a luz, para aonde vai esta energia positiva de iluminação? Ela escoa para o lado do mal, que se aproveita da rejeição ignorante da pessoa, assim como um cão que fica próximo a uma mesa repleta de alimentos, e quando uma comida cai (ou seja, a luz é rejeitada), a besta rapidamente se apossa do pedaço caído, engolindo-o com voracidade. E por isso é tão grave rejeitar o caminho evolucionário da Torá, pois o indivíduo que a assim o faz, sustenta diretamente as forças negativas que buscam estritamente que o homem “involua”, retrocedendo assim a um estado em que a sua mente se desintegra da realidade, promovendo apenas a turbidez de suas emoções e o caos resultante de suas ações fundamentadas em suas ilusões. É preciso se focar no que é realmente importante: na singularidade do universo que é Hashem. E quando a pessoa faz isso, ela então é chamada de um ser criado à imagem de D-us.

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A TSEDAKA SALVA DA MORTE (E DO ROUBO)

Nada é mais Torá do que aprender a emular o Criador. E nenhuma emulação d’Ele é maior do que a de ser generoso. Seja mais generoso e isso o aproximará do Criador. O Zohar (Ra’aya Mehemna, Tsav) explica algo muito importante e extremamente pertinente hoje em dia: “Judeus não observantes da Torá e até não judeus, precisam fazer favores e buscar ajudar dando tsedaka os judeus shomer mitsvot [“cumpridores das mitsvót”]”, pois isso ajuda muito as retificações de suas nefashot (“o único e apenas grau de alma que a excedente maioria no mundo têm”). E está escrito: “Por que o ignorante deve ser paciente com o talmid chacham [“estudioso da Torá”]? Uma vez que um talmid da Torá é como o dia de Shabat, o ignorante deve ser como um indivíduo que não tem nada próprio [tal como um dia da semana e que precisa se preparar para o Shabat]. Se o homem ignorante é generoso para ele com seu dinheiro e tem o hábito de fazer seu desejo, de cuidar dele e cumprir os preceitos como ele deseja etc., então o que é dito: ‘Hashem, Tu preservas homem e besta [como um ignorante da Torá]’ [Salmo 36:7] será realizado. E Ele assim preservará a pessoa do roubo e do Malach HaMavêt [‘Anjo da Morte’], para que ele não tenha poder de abatê-la com a sua faca imperfeita. Tudo aquilo que é abatido com uma faca imperfeita é uma nevilah [‘carcaça’, portanto, não abatida ritualmente e proibida para um judeu de comer], sobre a qual está escrito: ‘Ao cão a jogareis’ [Shemot 22:30], quem é na verdade o Samech-Mem (o Satán), chamado de “cão”. Baseado neste Zohar, eu entendo por que é dito que: “Ele preservará a pessoa do roubo e do Malach HaMavêt”. Por que justamente isso? O assunto do Anjo da Morte é evidente. Estando o ignorante sempre ligado a sitra achra (o lado das forças antagônicas a kedusha/santidade), ele chama para si a própria morte, chaz v’shalom. Portanto, esta proteção da tsedaka é vital para ele, verdadeiramente. Agora, sobre o roubo a explicação é a seguinte. Um homem que usa a maior parte do seu ser para acumular fortuna, e ela de fato cresce, está sempre sujeito aos diversos tipos de roubos através de suas transações e funcionários. Até porque, ele não tem como controlar tudo que ele é dono. E para que ele possa ajudar o talmid chacham, é fundamental que ele possa usar suas finanças também para a tsedaka. Portanto, mesmo que impuro e cheio de defeitos, ele é protegido no mérito da tsedaka e para que possa adquirir mais mérito de tsedaka e redimir a sua alma do Malach HaMavêt.

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PERSEVERANÇA

É importante sempre fazer o Hishdátlut – a perseverança nas ações possíveis que a nós são cabíveis e devidas para nossos fins – para assim poder contar com Hashem nas ações não cabíveis e devidas a nós, ou seja, nas impossibilidades que são resolvidas pela graça e misericórdia Divina e que completam nossos fins. Aprenda isso bem.

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RETOS COMO AS PALMEIRAS

A Torá ensina que os retos são como as palmeiras. Isto é porque outras árvores não crescem retas para o alto, mas se expandem em diferentes direções. A palmeira é diferente: ela cresce reta para o alto, sem os múltiplos membros que se expandem e dividem em inúmeras direções das outras árvores. De mesma maneira são os retos, que não se dobram para as diferentes direções, mas se mantêm sempre na direção ascendente para Hashem, sem se desviar jamais. Crescendo reto e para o alto é como se a palmeira dissesse que Hashem é reto e Ele não Se aproximará de alguém a não ser que este indivíduo seja reto e alto em seus caminhos. Não existe retidão verdadeira sem a busca das verdades espirituais da Torá. Isto é assim, pois estas verdades são Hashem Ele mesmo que sublinha toda a realidade. Para entender isso é preciso limpar o coração e atingir o estado de Nachón Libí Elokim (Salmo 108:2) – Meu coração é firme com D-us. Para ser reto é vital tomar contato com a mente interior, ou seja a psicologia do homem e não se perder nos conceitos intelectuais nebulosos. Para ser reto é preciso internalizar de fato tudo que é aprendido na Torá: as orientações e conceitos, a ética e moral, as posturas retificadas, e os atos de bondade gratuita. Se o aprendizado de Torá não inspira o indivíduo a se tornar uma pessoa melhor, então não houve aprendizado algum, mas apenas um devaneio intelectual vazio, acadêmico e frio. A palmeira cresce muito porque não se espalha no alto – no intelecto e coração – mas se espalha sim nas suas raízes – no temor ao pecado, no entendimento das leis para atuar de modo digno no mundo. E por isso está escrito: “A pessoa cuja sabedoria excede suas ações retas, a que ele é comparado? A uma árvore cujos galhos são numerosos porém suas raízes são poucas, e o vento vem, arranca-a e vira-a de cabeça para baixo. Mas aquele cujas ações retas excedem sua sabedoria, a que ele é comparado? A uma árvore cujos galhos são poucos mas cujas raízes são numerosas, de modo que mesmo que viessem todos os ventos do mundo e soprassem sobre ela, não conseguiriam movê-la de seu lugar” (Pirkê Avót 3:17).

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