ATRAVESSANDO UNIVERSOS

E está escrito, “No altar existe uma rampa… lá existem miríades de legiões de seres celestiais… Existem seis bilhões de legiões… Eles estão em cada canto da rampa e sobre eles existe um ser designado. Todos vestem um efod [como os kohanim] e eles lá estão para carregar o serviço do altar, que corresponde aos seres inferiores no Templo. [Aqui o santo Zohar continua a explicar diferentes ações destas legiões – como os que estão em diferentes posições na rampa – com grande temor, tremendo de tanto medo etc.]… E quando o fogo de Yitzchak alcança o altar, inúmeras fagulhas voam para cima e para baixo e para todos os lados e alguns dos poderosos guerreiros do mundo são iluminados por elas. Se não fosse pelo kohen quem ficava no altar arrumando a madeira, o mundo não seria capaz de aguenta-los. As costas das criaturas vivas são incendiadas por estes carvões iluminados e pelas fagulhas quem provém deles, assim como está escrito: ‘E quanto à aparência das criaturas vivas, assemelhavam-se a carvões de fogo, acesos como tochas, que faiscavam de um lado a outro entre os seres’ [Ezequiel 1:3]” (Zohar 30a, Tsav). Agora, vejo assim o significado desta passagem: Algo da nossa realidade física (o Olam HaAsiyah) atravessa os universos instantaneamente, por assim dizer, afetando os seres espirituais de outros planos. Entretanto, aqui temos um efeito de nossa realidade diretamente nas superiores. Este também não é um resultado do esforço e intenções humanas no avodat Hashem/serviço a D-us (ref. mayin nukvin/”águas femininas”), mas sim algo dinâmico que ocorre devido à natureza de ambas as realidades. As criaturas vivas espirituais se incandescem pelas faíscas que voam dos carvões em brasa do altar. O fogo/plasma é energia e como nos outros olamót/mundos espirituais, os seres vivos são feitos de fogo e ar, existe a transferência direta e reconhecível no mundo deles, com uma grande ampliação devido à expansão dimensional. Ou seja, uma pequena fagulha aqui atinge uma imensa luminosidade de várias “cores” nos outros olamót. O incandescer provém da kedusha/santidade destas fagulhas que afinal tem origem no altar do Templo. E a kedusha permeia todos os múltiplos universos, como é sabido. Existem muitas outras considerações que somente com sabedoria intuitiva/psíquica podem ser alcançadas, para outra oportunidade se D-us quiser.

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SOMOS TODOS ÚNICOS

Está escrito lá: “Quando o aspecto do Julgamento [Guevurah] é direcionado a uma pessoa para que ela deixe e ascenda deste mundo, mas ela é salva depois [e não morre], então o aspecto do Julgamento não a deixa até que Lhe seja dado um ‘resgate’ que tome o lugar dela [a saber, outra pessoa precisar morrer em seu lugar]” (Maguid Mesharim, parashá Vayicrá, com meus parêntesis). Uma pessoa somente pode subir de nível espiritual se outra “desocupar” a posição a ser alcançada. E assim que ela desocupa a sua “posição atual”, outra pessoa pode assumir esta nova posição. Isto é incrível, pois significa que todos nós somos muito mais individuais e únicos do que realmente imaginamos. O Maguid Mesharim traz o extremo deste conceito, pois se uma pessoa foi marcada para morrer (e a morte é um tikkún/ascensão também), isto significa que a sua “posição espiritual” é então vagada. Esta posição seria então obrigatoriamente preenchida por outra pessoa. Entretanto, um milagre ocorreu (no Maguid Mesharim, isso ocorreu devido às almas justas que rezaram pelo Rabi Yossef Karo, graças aos seus méritos). Assim, Hashem decidiu salvá-la. Agora, o julgamento Divino é exato. Mas será que a pessoa salva retorna à sua “posição espiritual” original após este milagre, portanto esta posição não ficando mais vaga? De fato, quando isso ocorre, outra pessoa precisará morrer, pois a posição original ficou sim vaga (e será ocupada por outra pessoa em ascensão). A pessoa salva da morte não retorna jamais a posição anterior ao milagre. Ela terá outra posição – aquela que era ocupada por aquele que precisou morrer como um “resgate”.

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AUTO-CURA

O santo Zohar traz que “Originalmente, as vestimentas da alma de Adam eram sublimes – um corpo santo inclinado à espiritualidade” (229b, Pecudê). E assim será também no futuro, quando “A terra será preenchida pelo conhecimento de D-us” (Habakuk 2:14), a saber, mesmo a materialidade do corpo será inteiramente intelecto e conhecimento Divino, tal como foi para Adam antes do pecado. E isto ao meu ver significa a promessa da era Messiânica que o corpo, e desta maneira todos os órgãos, terão inteligência para agir de modo diferente de como atuam hoje, e assim receberão instruções para se curarem por vontade da própria pessoa. Que seja em breve, amém.

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DIVRÊI YOÉL – AULA 4

Divrêi Yoél (“Palavras de Joél”) faz parte da nova série de shiurim do Rabino Avraham Chachamovits sobre as profecias do Tanach.

Leilui Nishamat/Para elevação da alma de
Mordechai ben Tsvi z”l
16 de Adar, 5737

Profecia de Yoél

Música: Avraham Chachamovits, Inosculação No. 2 para Violoncelo e Piano.

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VESTIMENTAS SANTAS

“E o Rabi Shimon disse a alguém nas alturas celestiais: Eu certamente estou consciente que você está vestido lá [no Gan Éden/Paraíso] com um manto precioso de puro santo corpo espiritual [do grau do ruach/espírito, chamado de haluka d’ rabanám/a vestimenta espiritual]. E em algum momento existiu algo assim aqui neste mundo físico, de uma pessoa que se apresenta aqui no seu corpo físico que é semelhante ao seu corpo espiritual? E o Rabi Shimon também disse a ele: saiba que este assunto me foi perguntado por dois jovens na presença do Rosh Yeshiva/Diretor da escola rabínica. Eles estavam vestidos entre nós, depois de sofrerem dor sobre um pecado que é inapropriado revelar, e eles perguntaram esta questão para o Rosh Yeshiva. E ele respondeu que houve tal ocorrência no mundo físico. E como nós sabemos? Uma vez que está escrito: ‘Ao 3º dia, Ester se aprontou com seus trajes reais/malchut [Ester 5:1]. E aquele manto que ela vestiu era na mesma maneira do mundo espiritual, em malchut, a origem do Espírito Divino. Pois o Reino do céu sopra um vento [ruach] do espírito do ar daquele mundo, e este vestiu Ester. Quando ela entrou na presença do rei Achashveros e ele viu seu manto de luz, a forma dela para ele foi como a de um malach/anjo de Hashem, e ele então perdeu a sua alma por um instante” (Zohar 169b, Shelach Lechá).

Disso eu então percebi que o passúk/verso citado (Ester 5:1) e assim verificar o sofêi tavót/letra finais: ותלבש אסתר מלכות Vatilbash Ester Malchut, “Ester vestiu as vestimentas reais [malchut]”: E a guemátria deste sofêi tavót (תשר, shin-rêish-tav) é 900, a mesma de נפשתיכם nafshotêichem (“As suas almas”). Este achado especial apenas confirma o que foi dito no Zohar sobre as vestimentas santas de Ester que iluminaram a fizeram aparecer para o rei como um malach. E como é sabido sobre estas aparições, elas podem causar grande espanto e até remover a alma, o que de fato ocorreu com ele diante desta beleza iluminada. Meu pensamento foi magneticamente atraído pela revelação do Rabi Shimon e deste modo, fui guiado a perceber algo de sua origem. E assim continuei a receber: Da mesma maneira que diante da kedusha/santidade – da roupagem de malchut – a alma do góy/não judeu partiu por um instante, a alma santa de um judeu também o faz quando diante da falta de uma vestimenta apropriada, ou seja, da pritsut/falta de recato. Em um nível, Ester nos ensina aqui o valor da tsiniyut/recato/modéstia, que bani a escuridão e traz as bênçãos da Shechinah/Presença Divina que somente paira aonde existe a modéstia e recato. E quando o indivíduo perde a sua alma por um momento, ele então se abre para que as hitzonim (“forças externas”) que adentrem o seu corpo, dominando-o e ele assim cai em escuridão e perigo de vida física e espiritual. Desta maneira, é preciso proteger todas “As suas almas”, do Bnêi Israel, contra este mal. E ao verificar a leitura da parashá de hoje (yom rishon/primeiro dia) em Ki Tissá, em espanto vi escrito: לכפר על-נפשתיכם Lechapêr al nafshotêichem, “Para expiar a suas almas” (Shemot 30:15). Tudo é conectado, baruch Hashem.

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