DIVRÊI YOÉL – AULA 2

Divrêi Yoél (“Palavras de Joél”) faz parte da nova série de shiurim do Rabino Avraham Chachamovits sobre as profecias do Tanach.

Música: Avraham Chachamovits, Inosculação No. 2 para Violoncelo e Piano.

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MARCHE ADIANTE COM FÉ

E está escrito nesta parashá santa, ויאמר ה’ אל-משה מה-תצעק אלי דבר אל-בני-ישראל ויסעו Vayomer Hashem el-Moshe ma titsak elai daber el-benei-Yisrael veyisau, “E o S-nhor disse a Moshé: Porque você chora para Mim? Fale para os povo de Israel, que eles marchem adiante” (Shemot 14:15, Beshalach). O Rashi neste verso explica que Moshé estava erguido de pé em intensa oração (diante da situação terrível que o povo se encontrava: com as tropas do Faraó ao encalço e o mar no outro lado). E Hashem disse a ele, “Agora não é hora de rezar de modo prolongado, pois Israel está em perigo e ação imediata precisa ser tomada”. A expressão מה-תצעק אלי Ma titsak elai, “Porque você chora para Mim?” mostra que o pranto e oração de Moshé foram perfeitos, querendo dizer, trouxeram a própria essência do choro na oração. Vemos isso, pois a guemátria atbash aqui é 577, e este é o mesmo valor da palavra תזעק tisak, “chorar”. A “realidade dentro da realidade”, revela a essência mais pura deste avodat Hashem (“trabalho espiritual”). De fato, tão perfeito foi este choro de Moshé que vemos que a guemátria katán é igual a 35, revelando assim o Nome Divino Kah que é o grande Nome da Salvação, de mesma guemátria. Assim, Moshé chorou e clamou de modo a “ativar” a inefável benevolência Divina através do Nome Santo Kah. Contudo, o Rashi continua: “דבר אל-בני-ישראל ויסעו daber el-benei-Yisrael veyisau, ‘Fale para os povo de Israel, que eles marchem adiante’ – Não há nada para eles a fazerem, somente continuar a viagem. Porque o mar não é uma barreira para eles. O mérito de seus patriarcas – Avraham, Yitschak Ya’acov – e deles mesmos, e a fé que eles tiverem em Mim quando deixaram o Egito são o suficiente para que o mar seja partido por eles”. E investigando o passúk, vemos a força dos patriarcas no próprio DNA do verso, na realidade dentro da realidade da Torá Viva. A guemátria ordinal do verso é 182, a mesma de Ya’akov (yud-ayin-kuf-beit = 10 + 70 + 100 + 2 = 182). Mas, 182 também é igual a YKVK (guemátria 26) x 7. Agora, Yitschak (yud-tzadik-chet-kuf = 10 + 90 + 8 + 100 = 208), é o valor de Ya’akov (182) + YKVK (26, que veio de Ya’acov) = 208. E Avraham (alef-beit-reish-hei-mem = 1 + 2 + 200 + 5 + 40 = 248) é Ya’acov + o valor numérico do Nome Divino Adni, mais um do kolel. Ou seja, Ya’acov (182) + Adni (alef-dalet-nun-yud = 1 + 4 + 50 + 10 = 65) + 1 = 248 (Avraham). Falta apenas descobrirmos da onde vem o Nome Santo Adni (que significa S-nhor). Veja, o sofêi tavót deste verso é רלילו (reish-lámed-yud-lámed-vav). E a sua guemátria ordinal é 60, com mais 5 das letras deste sofêi tavót, temos então o valor numérico 65 = Adni. Ainda assim, Hashem determinou que ao invés deles pararem e esperarem seus méritos de protegê-los, que eles deveriam seguir em frente, fazendo o seu próprio esforço para superar esta situação tão difícil. E aí e somente então Hashem os abençoaria com os Seus feitos maravilhosos. Certamente uma lição muito importante para todos.

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REAJEITE A SUA COROA

Nesta parashá santa é feito uma promessa extraordinária: “Se ouvires atentamente a voz de YKVK e fizeres o direito a Seus olhos, escutares Seus mandamentos e guardares todos os Seus estatutos, toda enfermidade que enviei aos egípcios [leia, a todos que negam a Torá] não porei sobre ti, pois Eu sou o Eterno, que te cura” (Shemot 15:26. Beshalach). Todos que desejam podem se curar, literalmente. E o processo inicia com a reavaliação, com a mudança de suas vontades. Veja, o passúk diz: כי אני ה’ רפאך Ki Ani Hashem Rofêcha, “Eu sou o Eterno que te cura”. E o reshit tavót (acrônimo) é chaf-alef-yud-rêish, formando assim a palavra Arich. E misticamente, Arich é a origem de todos os desejos, do poder das vontades que está acima do consciente, do nível chamado de Kéter que é como a “coroa” (kéter em Hebraico) da alma. “Reajeite” a sua coroa e altere toda a sua vida. Todo novo estado do ser se inicia com o poder da vontade que emana e assim cria um “mundo” ou ambiente mental apropriado para propagar e assentar o novo estado de consciência. Esta qualidade paciente e profunda da alma possibilita que reavaliações reais da pessoa tragam resultados inovadores, como um novo domínio que se inaugura na sua realidade. Isto é o significado do amadurecimento, do abandonar da visão infantil, da repetição dos julgamentos, e dos hábitos e estilos que retardam a evolução espiritual da pessoa – a sua obrigação “religiosa” maior na vida – o revelar do seu tachlit (“propósito na vida”). A bênção diante de você, mas somente se as escolhas certas forem feitas. É através da reavaliação de seus conceitos e preconceitos, decência e sensibilidade, que vem a oportunidade esplendorosa de fazer uma elevação de sua mente e liberar a sua alma, e assim crescer no seu contato real com o Divino. Aproveite isso em quanto a tempo e que você tenha refuah shleimah (“cura completa”) amém.

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FIQUE CALADO!

E está escrito: ה’ ילחם לכם ואתם תחרשון Hashem yilachem lachem veatem tacharishun, “Hashem lutará por vós, e vós fiqueis calados” (Shemot 14:14. Beshalach). A guemátria ordinal deste passuk é 238, a mesma de ויברך Vayevarech, “E abençoou”. Aprende-se aqui que é preciso se abnegar diante das coisas e saber que Hashem manda no mundo, e Ele cuida sempre dos retos. O silêncio ordenado no passuk representa o parar de buscar controlar tudo, e lançar os problemas para Hashem. Isso é bitachón – confiança em D’us – e as bênçãos imensas e doces resultam disso. E este é o caminho do patriarca Ya’acov, do Povo de Israel: fé simples e confiança em Hashem. Disso resulta a maturidade do entendimento sobre a realidade. De fato, o reshit tavót do verso citado são as letras יילות (yud-yud-lámed-vav-tav). E a guemátria atbash deste reshit tavót é 181, mais um do kolel, temos 182, o valor numérico de Ya’acov (yud-ayin-kuf-beit = 10 + 70 + 100 + 2 = 182. 7 x 26 = 182). E a maturidade do entendimento espiritual provém da perfeição das sete midót (“qualidades de caráter”), vista pelo fato de que 182 = 7 x 26, sendo 26 a guemátria de Hashem (YKVK). É bom meditar nas letras יילות para ganhar este aspecto da força de Ya’acov, mas faça-o calado!

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CORES INTENSAS

Certa noite na semana da parashá Bô, no mês de Tevet 5774, meditava como sempre faço, expandindo minha consciência com os exercícios mentais milenares da Torá. E foi quando subitamente adentrei em algo – era outro “ambiente”. Quando me dei conta desta translação dimensional, imediatamente comecei a sentir uma grande ansiedade primitiva, gerada pelo instinto biológico que aguça os sentidos quando nos encontramos em um habitat desconhecido. Meu coração acelerou. E com os olhos da mente, lá eu via um ambiente todo escuro, mas não como a escuridão da noite, mas sim como se de algum modo faltasse o sol durante o dia. Nesta grande região, reluziam com intensas cores variadas as diferentes coisas e objetos presentes. As cores eram muito fortes, quase que saturadas. E a única luz que existia lá eram as luzes dessas coisas e objetos, pois todo o resto era a mais pura escuridão. Não haviam estrelas reluzentes, ou astros visíveis, nada. Apenas a escuridão intensa e as coisas e objetos com suas cores fortes e brilhantes que iluminavam os caminhos do lugar. Pensei estar em outra dimensão, sendo permitido de ver outro local físico no universo. Eu até me preparei para um possível encontro com algum ser. No entanto, neste momento perdi o foco e voltei ao estado que me encontrava antes da meditação. Mas, poucos segundos depois, retornei a este lugar e a mesma ansiedade me assolou. Não vi nada diferente nesta segunda experiência, mas apenas confirmei as visões da primeira: escuridão plena e objetos de tamanhos variados com cores intensas que eram a única fonte de luz no lugar. E eu via tudo como se estivesse pouco acima do chão, ou no topo de um monte. Ambas as experiências duraram pouco, talvez um minuto, mas que pareceu uma eternidade… E foi quando comecei a meditar novamente e logo em seguida ouvi o que ouvi: “O que você viu foi verdadeiramente a escuridão singular da Makat Choshech [‘a praga da escuridão’]. As luzes coloridas eram as fagulhas divinas excelentemente reveladas dos objetos e tesouros que os judeus pegaram durante os três dias desta praga. E por isso está escrito que ולכל בני ישראל היה אור במושבתם Ulechol-bnei Israel haya ór bemoshvotam, ‘Todos os filhos de Israel tinham luz nas suas moradias’ [Shemot 10:23]”. E assim terminei a meditação. Depois desta mais uma experiência incrível, investiguei que a guemátria atbash deste passúk/verso citado é 2370, ou seja, 10 vezes 237, sendo esta a guemátria de Zichri (“Minha lembrança”, soletrado: zayin-chaf-rêish-yud = 7 + 20 + 200 + 10 = 237) – o termo usado por Hashem ao Se revelar a Moshe (Shemot 3:15) e Se referir ao Shem Havaya (YKVK) dizendo “Este é Meu Nome para sempre” e “A Minha lembrança [zichri] eterna”. Entendi que a relação aqui é que tudo que Hashem faz é eterno e pode ser lembrado, ou seja, “acessado” e vivenciado. A Torá ela toda são infinitos portais do espaço-tempo. Quando a pessoa estuda, medita e entende a Torá como algo vivo e dinâmico, as luzes brilham em sua “moradia”: sua mente e vida.

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A PRAGA DA IMATURIDADE RACIONAL

“Considere um rasha/perverso que de alguma maneira se encontra no Gan Eden, indo e vindo entre os tsadikim/justos que sentam no resplendor de suas coroas de glória, se banhando na luz da Shechina. Os tsadikim vivenciam lá prazeres indescritíveis, ele, no entanto, sofre incomensuravelmente. Completamente não acostumado à espiritualidade, para o rasha, este Gan Eden é um desconforto inigualável. Esta então é a essência da makat choshech [‘a praga da escuridão’]. E assim trouxe Moshe a escuridão para baixo, pois ele ‘estendeu sua mão por cima dos Céus’ [Shemot 10:21] e o Egito caiu em uma escuridão como nunca visto antes” (O Slonimer Rebe, Netivot Shalom, Parashá Bô).

A makat choshech significou um tsimtsum (“constrição e restrição”) da luz de Hashem e sua manifestação física. Verdadeiramente, primeiro ocorreu o tsimtsum no nível espiritual, no grau de נטה ידך על-השמים Nete yadechá al’hashamayim, “Estende a tua mão aos céus” (Shemot 10:21), que foi a ordem que Hashem deu a Moshe para iniciar esta praga sobre o Egito. E a guemátria ordinal (mispar siduri, na versão sofit) deste verso é 166. Este é valor numérico da “regressão” (ou seja, a visão da parte posterior/achorayim) do Shem SaG (Nome de Hashem soletrado com 63 letras, sendo a guemátria de SaG igual a 63). O Shem SaG é associado a Binah, e que no homem é o poder do intelecto racional. Quando o Nome Santo é “regredido”, isso indica uma diminuição ou imaturidade no entendimento racional – um estado de constrição da consciência. Em um nível, a escuridão indica exatamente a incapacidade de ver e assim compreender racionalmente, o que decorre da ausência de Luz divina. Já no grau físico, a escuridão material é o próprio resultado desta regressão espiritual. E por isso em seguida o verso diz: “E que haja escuridão sobre a terra do Egito, mais que a escuridão da noite”. Agora, podemos entender algo mais. Para o aluno ainda distante da Torá, tudo é estranho, inconfortável e sem significado. A luz da Torá, através das palavras do mestre, é tão forte que os alunos fecham os olhos e se escondem com medo da grande intensidade desta irradiação Divina. Neste tempo então eles existem diante de uma escuridão dobrada e redobrada, em um estado de imaturidade racional. Com os olhos completamente cerrados, eles temem abri-los e vivenciam então a realidade restrita do (seu próprio e particular) Egito. Com tempo e muita paciência do mestre, na medida em que eles iniciam o abrir de seus olhos tão sem o costume de enxergar as verdades espirituais, a luz enfim penetra, ao menos um pouco. Finalmente, eles começam a perceber que há אור במושבתם Ór bemoshvotám, “luz nas suas habitações” (Shemot 10:23). De fato, a guemátria do milui/soletrar deste verso é 997, com mais dois para o kolel de cada uma das duas palavras, temos 999 – o mesmo valor numérico do Nome Santo, Kel Shakái (“D-us o Todo Poderoso”) que se refere ao nível de “Criador do mundo”*. E agora, mais iluminados, eles podem se curar e redimir, e assim revelar o aspecto de Mashiach que existe dentro de cada um, se D-us quiser.

 

* Os sábios notam que a palavra shakai pode ser interpretada como significando “Ele quem [sha-] disse ‘basta’ [-dái] para a expansão do mundo, no final da semana da criação” (TalmudChaguiga 12a).

 

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