O BA’AL LASHÓN HARÁ

A pessoa quem regularmente fala lashón hará e não faz esforço algum para tentar se restringir de continuar a cometer este pecado, é referida pelos nossos Sábios como um

Ba’al lashón hará

(literalmente o mestre da lashón hará) e sua punição é mais severa ainda.

Mussar (ética e moral):

“Nossos Sábios disseram: Existem três pecados pelos quais o homem é arrebatado deste mundo e que também previnem ele receber uma porção no mundo vindouro. Eles são: adorar falsos deuses, relações sexuais ilícitas, assassinato. Mas, a proibição de falar lashón hará é equivalente a todos eles. E os Sábios trouxeram prova das Escrituras para sustentar esta opinião. E nossos mestres anteriores explicaram que eles se referiam às pessoas que se se tornaram acostumadas de violar constantemente esta proibição e que não fazem tentativa alguma para se restringir, pois eles vêem isso como sendo permitido” (Chafêts Chaím, Vol. I, 1:4).

Comentário do Rabino Avraham: Mesmo pessoas mais dignas e retas estão sujeitas a cair através da lashón hará. Em um mundo tão profundamente irreverente, repleto de escárnio e falta absoluta de pudor em tudo, é uma tarefa enorme se restringir de fazer (e ouvir) lashón hará. De fato, é a marca de um gigante espiritual, pois como disseram os Sábios: “Quem é poderoso? Aquele que subjuga a sua má inclinação” (Pirkê Avót 4:1). Para os retos é fácil observar a perversidade de um ba’al lashón hará (mesmo se disfarçada). Mas como pode uma pessoa mais simples tomar consciência sobre alguém assim, para que se afaste dele correndo? Está escrito: “Quando a pessoa faz lashón hará, todos os seus membros são manchados… Esta fala maldosa sobe para o Alto e chama para baixo, para a pessoa, um espírito ruim” (Zohar 53a, Metsora). Ela fica possuída. E na linguagem comum vê-se isso quando é observado como esta pessoa é “afetada”, seja com maneirismos bizarros , através de suas noções morais ultrajantes e que quando exibidas fazem os tolos e baixos rirem insensatamente (tipicamente nos bares, festas e reuniões familiares), das suas ações ‘estranhas’ (uma palavra pesada na Torá usada para idolatria), entre inúmeras outras formas. É vital se afastar de um ba’al lashón hará, pois ele representa perigo de vida (para si mesmo) e mais ainda, para quem o escuta. Aprenda isso bem.

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MANTENDO-A ERGUIDA

Pela Graça de D-us:

Caros amigos do Beit Arizal,

Vivemos em tempos complexos e repletos de desafios nunca antes imaginados. A grande missão do Beit Arizal é trazer entendimento cashér sobre as causas e consequências de nossas ações na vida através da luz da Torá. E para que possamos continuar com esta missão nobre e tão importante, precisamos da ajuda de vocês que aqui estudam e têm recebido este entendimento profundo há anos. Precisamos agora e sempre de sua tzedakah para que o Beit Arizal tenha condições materiais de continuar a existir, se D-us quiser. Quando uma pessoa contribui para o sustento da Torá, ela é chamada de uma “perna da Torá“, pois através deste sustento vital a Torá é mantida erguida. Fazemos este apelo para que todos pensem bem sobre o papel que exercem no mundo. Veja, influenciados pela Torá e com maior entendimento sobre as realidades que nos circundam, todos têm a obrigação de difundir esta luz superior para assim revelá-la no mundo, transformando-o em um local digno e reto. Assim, ajudando a manter o Beit Arizal vocês estão investindo em sua próprias vidas, tornando-as “recipientes” de bênçãos de paz, sustento e segurança se D-us quiser.

Façam tzedakah, e ajudem a manter a Torá aqui revelada.
Rabino Avraham Chachamovits

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PROTEGENDO A TORÁ

E está escrito, פינחס בן-אלעזר בן-אהרן הכהן השיב את-חמתי מעל בני-ישראל בקנאו את-קנאתי בתוכם ולא-כליתי את-בני-ישראל בקנאתי “Pinchas ben Elazar, o neto de Aharon, o sacerdote, desviou Minha ira de sobre os filhos de Israel, ao levar Minha vingança entre eles, e assim não consumi os filhos de Israel com Minha ira” (Bamidbar 25:11, Pinchas). Veja, “Quando o Nome Havayah [YKVK] se uni com o Nome Elokim, a negatividade do Nome Elokim/Julgamento é “adoçada” pela misericórdia do Nome Havaya” (Ari”zal, parashá Pinchas). Assim como o Nome Elokim é associado com o atributo Divino de Julgamento, o Nome Havaya é associado com o atributo Divino de Misericórdia. Julgamento não é algo intrinsecamente negativo, uma vez que discernimento apropriado é necessário para reconhecer o bem e o mal e separá-los. É somente quando o julgamento é permitido de sobrepujar a consciência da pessoa, que ele se torna uma força negativa, resultando eventualmente na raiva. Portanto, cuidado precisa ser tomado para moderar e mitigar o julgamento com a misericórdia. Mais ainda, misticamente, a raiva impele o mundo a reverter ao estado inicial de Tohu/Caos, pois através da severidade, julgamento e auto centrismo (que é o próprio manifestar da raiva) o indivíduo causa a regressão da “harmonia espiritual” das sefirot na realidade atual. E o Ari”zal continua: “Quando o Nome Havayah é então separado do Nome Elokim, isto produz o estado de julgamento severo, o qual por sua vez leva à raiva. A raiz desta raiva são as 120 permutações do Nome Elokim… O Nome Elokim expande até os elohim acheirim, ‘outros deuses’ [idolatria na linguagem da Torá], ou seja ele expande nas 120 permutações, todas as quais ainda se encontram no domínio da santidade. Contudo, tudo aquilo que expande além disso se torna os ‘outros deuses’ que são enraizados nestas permutações”.

A explicação é a seguinte: quando o julgamento do Nome Elokim é permitido de se estender além de suas “fronteiras naturais”, ou seja, quando a pessoa julga excessivamente com rigor, isto se torna a “receita para idolatria”. A pessoa vem então a negar a unicidade de Hashem, que implica que tudo no mundo é causado e dirigido diretamente por Hashem. Esta forma sutil de idolatria leva, como dito, à raiva. E continua o Ari”zal, “Hashem disse para Moshé o Nosso Mestre, ‘Eles fizeram um bezerro fundido’ [Shemot 32:8]. A guemátria da palavra para fundido [masêcha, mem-samech-chaf-hei] é 125, aludindo as 120 permutações das 5 letras do Nome Elokim… Este é o significado místico do mandamento, ‘Elokêi masechá lo taá-selach’ – Deuses fundidos não faças para ti – Shemot 34:17. Ou seja: não permita que o Nome Elokim se expanda até suas 120 permutações – 120 sendo o valor numérico/guemátria de masechá – pois isso faz com que isso se torne a fonte das forças do mal, conhecidas como ‘outros deuses’”. Note que 120 é também a guemátria de tsel/sombra. Misticamente, o tsel/tsélem protegem a alma da pessoa, que quando transgride as leis de D-us, cria aberturas para que elementos espirituais antagônicos – os outros deuses – “entrem” nesta proteção pessoal, portanto, preenchendo e ligando a alma da pessoa com estas forças, como foi explicado. (Não trarei mais detalhes sobre isso aqui). É por isso que quando a pessoa então expressa sua raiva e peca com a lashon hará, a transgressão particularmente associada a tsa’arat/lepra espiritual entre outras transgressões, ela se mancha com intensidade, revelando a tsa’arat, pois todos os membros do seu corpo são afetados, uma vez que a fala ruim sobe ao Alto e chama para baixo um ruach ra’ah/espírito ruim (ver Zohar 53a, Metsorá). Vemos então que a regressão da realidade mencionada, produto da raiva, significa que na sua essência, a raiva é uma forma idolatria (pois inicia o processo de abertura aos ‘outros deuses’). E note que vimos anteriormente (em Tazria) que o verso que diz, Veôr-bessarô le-nêga tsa’arat, “E se tornar na pele de sua carne como chaga/praga de lepra” (Vayicra 13:2) alude a isso, pois a sua guemátria atbash (1027) equivale exatamente ao verso Elokêi masechá lo taá-selach “Deuses fundidos não faças para ti”. Mas, se a pessoa faz teshuva verdadeiro, ela será והובא אל-הכהן vehuvá el-hakohen, “Será trazida ao cohen/sacerdote/rabino”, que a ajuda em sua recuperação espiritual. E se ela não faz teshuva, ela é trazida para Samakel (o nome do anjo conhecido como Satán e que é o “anti-sacerdote”) de guemátria regular 131, a mesma de vehuvá el-hakohen.

Agora, a ‘raiva santa’ de Pinchas – que afinal protegeu a Torá e fez cessar a praga que matou vinte e quatro mil homens (ver Bamidbar 25:9) – foi completamente diferente da raiva degenerada e ordinária (explicada anteriormente). Pinchas agiu com grande zelo pela Torá. E ainda que este não seja um comportamento simples e nem comum, querendo dizer, são poucos os indivíduos no mundo que possuem o nível espiritual para agir desta maneira zelosa, ainda sim, foi algo sancionado pelo Céus, pois foi produto da Sabedoria Divina que o influenciou e agitou neste momento dramático quando a Torá precisava ser cuidada. Veja, השיב את-חמתי מעל בני-ישראל Heshív et-chamáti meál bnei-Israel, “Ele [Pinchas] desviou Minha ira de sobre os filhos de Israel“. E a guemátria ordinal mais seis para o kolel das seis palavras deste verso é igual a 251, este sendo o mesmo valor numérico de בחכמה העליונה b’chochmah ha-eliyona, “Com sabedoria superior”. Existem muitas outras considerações, para outra oportunidade se D-us quiser.

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FRUSTRANDO OS PERVERSOS

E está escrito: ועתה שבו נא בזה גם אתם הלילה Veatá shevú na vazê gám-atém ha-láila, “E agora, tu também ficai aqui, rogo-vos, esta noite” (Bamidbar 22:19, Balak). O comentarista Ráshi traz neste passúk/verso sobre o profeta profano Bila’am, na expressão gám-atém que: “Sua boca o tropeçou [ou seja, ele involuntariamente previu a sua queda]. ‘Tu também’ é destinado a ir embora com um espírito abatido, tal como os outros primeiros [ou seja, que vieram também a ti a mando do rei Balak, pedindo sua intervenção para amaldiçoar o povo de Israel]”. O Zohar na parashá Chukat diz que, quando uma pessoa fala algo que não diria “normalmente”, isto é por que houve de fato um decreto celestial que agora será assim e então realizado no mundo, ou em sua vida. Vemos que o “deslize” da fala de Bila’am foi um din/juízo para rebaixá-lo. Veja: a guemátria atbash de gam-atém é 621. O Ari”zal explica que: “Z’eir Anpin possui todos os três álefs, significando três tipos completos de luz, ou seja, três vezes o valor numérico da palavra ór [‘luz’] 207, o valor de kéter [620 mais o kolel]. Isto indica que kéter de Z’eir Anpin está completo” (Sefer HaLikutim, Ki Tazria). E como é sabido, quando a luz de chéssed/bondade (que provém de Ima que é binah, assim como uma “inspiração”) chega ao nível do kéter de Z’eir Anpin, o desejo é influenciado (o Ari”zal, Ta’amei HaMitsvot, Beha’alotecha). Assim eu entendo que o “tropeço” da fala de Bila’am foi produto da influência celestial que bondosamente protegeu de mais esta maneira o povo de Israel e o mundo, rebaixando este rashá/perverso. O seu desejo natural foi alterado, fazendo-o afirmar algo distinto e que seria revelado e assim feito: mais uma de suas quedas. De fato, a mudança de desejo foi uma elevação, a saber, seu desejo foi amadurecido, pois a influência veio do chéssed celestial. O fluxo de energia positiva enraizado na kedusha/santidade modifica as emoções (Z’eir Anpin), amadurecendo-as (ou seja, quanto mais elevado a pessoa é, tanto mais ela é amadurecida psicologicamente/emocionalmente). Em um reto ou mesmo em uma pessoa comum, esta luz ergue a pessoa nos insights (o grau de chochmah) e desenvolvimento intelectual (binah). No rashá, este fluxo diminui seus atributos negativos, fazendo-o errar nos seus julgamentos. Ele é influenciado a “tropeçar” nos seus planos: Hashem hefir atsat goyim heni machshevot amim, “D-us frustra o projeto das nações e anula os intentos dos povos” (Tehilim 33:10) e “Ele confunde seus pensamentos profundos para que eles não possam reger e não permanecerem no mundo” (Zohar 199b, Balak). Aprenda isso bem.

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A SEVERIDADE DE FALAR LASHÓN HARÁ

Alguns exemplos aonde a severidade da proibição de Lashón Hará é particularmente grande.

Mussar (ética e moral):

“E a maneira mais importante na qual a pessoa pode ganhar uma porção no mundo vindouro é guardar a sua fala. E isso é maior do que toda a Torá e as boas ações, pois fala é o mais santo do santo”  (O Gaón de Vilna, Iguéret HaGra).

Comentário do Rabino Avraham: Veja a profundidade desta transgressão! De fato, poucas se comparam a ela em termos de seu efeito maléfico. Aprendemos na porção Shelách Lechá que devido a lashón hará feita pelos espiões de Moshe Nosso Mestre (sobre a terra santa, prometida por Hashem ao Povo de Israel) o povo não foi permitido de entrar nela. Mais ainda, esta geração toda (menos Josué e Caléb) que testemunhou a milagrosa outorga da Torá no Sinái pelo D-us Vivo, morreu no deserto. O santo Zohar ensina que “Todo aquele que ousou a adentrar a terra de Israel naquele tempo, morreu imediatamente ao entrar. Que mal terrível foi feito pela lashón hará” (Zohar 161a, Shelách Lechá). E por gerações e gerações o povo judeu teve que chorar e se lamentar pelo decreto Divino deste incidente. A terra santa de Israel é um intenso aspecto do mundo vindouro que então foi negada ao povo até aquela primeira geração que saiu do Egito morrer, mas que mais presenciou milagres esplendorosos em toda história humana: “Mesmo uma escrava que atravessou o Mar Morto viu mais revelações proféticas do que o profeta Ezequiel” (Zohar 22b, Vayicrá). Portanto, entendemos que guardando a língua, a pessoa merecerá uma porção do mundo vindouro – de ser permitida entrar na Terra Santa de Israel, se D-us quiser.

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A LASHÓN HARÁ “AMÁVEL”

A proibição de lashón hará inclui falar sobre uma pessoa como se o falante não soubesse que o assunto discutido era lashón hará, ou relatar algo sem mencionar nomes quando é conhecimento comum que a história diz respeito a um indivíduo específico (Chafêts Chaím, Vol. I, 3:5).

Mussar (ética e moral):

“‘Não digas ao anjo que foi inadvertido’ [Eclesiastes 5:5]. Sobre isso, a pessoa não deve dizer (a si mesma), ‘Eu farei lashón hará e ninguém saberá’.  Hashem diz para a pessoa, ‘Saiba que Eu enviei um anjo e ele se está ao seu lado e grava tudo que você diz sobre as outras pessoas’. E de onde isto é derivado? O verso [em Eclesiastes 10:20] afirma: ‘Mesmo em seus pensamentos não amaldiçoe um rei’ E porque é dito isso? ‘Pois os pássaros no céu carregarão a voz’ [íbid. Eclesiastes]. E qual o significado de ‘aqueles com asas recontarão’ [íbid.]? Isto se refere aos anjos, sobre quem é dito: ‘E eles tinham seis asas, seis asas atrás deles’ (Isaías 6:2)” (Midrash, Devarim Rabah 6:5).

Comentário do Rabino Avraham: O assunto de responsabilidade espiritual sublinha todas estas halachót/leis. A paz gerada pelos comportamentos retos é um “recipiente espiritual” para as bênçãos na vida da pessoa. Qualquer coisa – sabida ou não – que perturbe a paz implica no afastar do fluxo de bênçãos da vida da pessoa, pois a Presença Divina jamais paira aonde existe a contenda. A lashón hará tem uma grande força perturbadora e é responsável pela destruição de mundos: eis o poder da fala. E sem entendimento, a pessoa que faz lashón hará destrói, inclusive, o seu próprio mundo, diminuindo assim o fluxo de seu sustento, vida e filhos. Aprenda isso bem

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