PUXANDO AS ORELHAS

Era uma vez um rasha/perverso que veio até um tsadik/justo dizendo que queria aprender Torá. Na verdade ele não queria mesmo, pois desejava só incomodar o tsadik. O tsadik disse para ele: “Então vamos começar pelo Alef-bet. Esta é a letra Alef”. E o rasha respondeu: “Como você sabe que esta é a letra Alef?”. O tsadik pegou a orelha do rasha e a puxou. O rasha disse: “Ai, você está esticando minha orelha”. E o tsadik disse: “Que tem disse que esta é sua orelha?”. Deste mashál/história aprendemos sobre a natureza da yetser hará/má inclinação. Veja: ela conhece bem a yetser hatóv/boa inclinação. Ela diz para ela: “Vai lá fazer uma mitsva, vai estudar Torá ou rezar”. Mas no fundo ela não quer que mitsva alguma seja realizada. Então quando a pessoa vai cumprir a mitsva, como na tefilah, a yetser hará vem e atrapalha ela. Agora, a yetser hatóv também conhece muito bem a yetser hará, afinal elas estão sempre em guerra. Então ela diz para a yetser hará que desta vez sim ela pode fazer uma averah (chaz v’shalom). Aí, a yetser hará fica contente e chega bem perto fazendo a pessoa transgredir, mas antes disso, a yetser hatóv arranca a yetser hará, com se tivesse a puxando (suas orelhas) para longe da averah, deixando-a desanimada e subjugada. E sobre as palavras desta parashá Beha’alotecha, הצר הצרר אתכם chatzer hatzorer etchem, “O adversário que te oprime” (Bamidbar 10:9) o Shlach HaKôdesh diz: “Estas são uma alusão bastante clara para a yetser hará, uma vez que nenhum inimigo nos incomoda tanto como o Sámech-Mém [o Satán]… Existe uma constante guerra entre o homem e sua yetser hará. Por vezes o homem a sobrepuja nesta luta, e em outros momentos as forças do Sámech-Mém ganham ascensão. De qualquer maneira, ambos estão constantemente envolvidos em um estado de guerra”. De fato, a yetser hará é o “inimigo” que somente traz o que é מרת morát, (“amargo”) para o homem. E este termo tem guemátria atbash de 640, a mesma do passúk/verso chatzer hatzorer etchem. Mas, se o homem aprende a subjugar a yetser hará, ele então anda no דרך הקדש dérech ha-kôdesh, (“caminho santo”), de guemátria 633, a mesma da guemátria albam deste passúk.

tzedakah