EXPELINDO O MAL

E está escrito: כי יביאך ה’ אלקיך אל-הארץ אשר-אתה בא-שמה לרשתה ונשל גוים-רבים מפניך החתי והגרגשי והאמרי והכנעני והפרזי והחוי והיבוסי שבעה גוים רבים ועצומים ממך Quando o Eterno, teu D-us, te levar à terra à qual tu vais para herdá-la, e lançar fora muitas nações de diante de ti – o Hitêu, o Guirgashêu, o Emorêu, o Cananêu, o Perisêu, o Hivêu e o Jebusêu, 7 nações numerosas e mais fortes do que tu” (Devarim 7:1, Va’etchanan). E sobre este verso, ensinou o Ba’al Shem Tov: “Quando tentado a cometer um pecado, que D-us não permita, recite os passukim/versos do pecado em questão. Cantem eles com suas entonações e pontuações, com temor e amor a D-us, e a tentação o deixará. Quando tentado por um traço negativo, que D-us não permita, recite com toda a sua força, com temor e amor a D-us, os nomes das seis nações, um após o outro” (Tzava’at Harivash 13).

Sete nações habitavam a Terra de Israel antes do Povo Judeu lá chegar. Elas eram moralmente corruptas e foram expelidas como trazido na santa parashá Va’etchanan. E como tudo que existe na kedusha/santidade tem contrapartida na tumah/impureza, estas nações misticamente representam as sete midót/características da personalidade da sitra achra/o lado do mal relativas as sete midót da kedusha. Com perplexidade vemos que o Ba’al Shem Tov ensina no seu texto somente sobre seis das nações, mas não sete. De fato, os Guirgashêus são de certa forma excluídos, apenas porque eles fugiram covardemente da terra santa antes que o Povo de Israel os expelisse. Misticamente, eles representam a sefirah de malchut da sitra achra, o último dos atributos de caráter. Como malchut recebe “tudo de cima” e age como um filtro espiritual das sefirót, a correção das seis sefirot da sitra achra relativas às seis nações mencionadas pelo Ba’al Shem Tov implica “automaticamente” na correção do nível final de malchut. Portanto, temos sim sete nações no total que representam os sete traços arquétipos negativos das nações do mundo. E a guemátria absoluta das sete nações como citado na parashá, החתי והגרגשי והאמרי והכנעני והפרזי והחוי והיבוסי “o Hitêu, o Guirgashêu, o Emorêu, o Cananêu, o Perisêu, o Hivêu e o Jebusêu” é igual a 1865, sendo este o mesmo exato valor numérico do passúk/verso que alerta o Povo de Israel para não ter contato ou aliança com estes povos completamente impuros: לא-תכרת להם ולאלהיהם ברית “Nem com eles nem com seus deuses farás alianças” (Shemot 23:32). Além disso, a Torá ensina que a base do mundo são as 70 nações que vieram de Nôach (Bereshit Rabah 39:11 etc.), sem contar o Povo de Israel que foi afinal formado somente no Êxodo do Egito. E o sofêi tavót/letras finais das sete nações arquétipas do mal que aparecem na parashá são sete letras yud, e que tendo valor numérico de 10 cada um, implica, portanto, no total numérico de 70. As conclusões sobre isso são evidentes aos iniciados.

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AS APARÊNCIAS ENGANAM

Hoje, 5 do mês de Av, na parashá Devarim, celebramos o Yarzheit – o dia do falecimento – do mestre maior da Cabalá, o Ari”zal (1534-1572). O livro Shivchei HaArizal, que relato histórias extraordinárias da vida do grande mestre, traz a história do neto do Rabino Ya’acov Berab, o Rabino Ya’acov Abulafia, conhecido como um chacham hakahal/sábio da comunidade. Ele se preparava para uma viagem ao Egito e foi antes visitar o Ari”zal que o concedeu com uma carta de recomendação para os dirigentes no Egito. Ele se uniu a uma caravana de camelos para cruzar o deserto do Sinai, que ao chegarem a um oásis, foi descansar. E quando acordou estava sozinho e se alarmou. Pegou o seu asno e ainda que corresse, não alcançou a caravana. Colocou sua confiança em Hashem e rezou: “Ainda que eu siga pelo vale das sombras da morte nada temerei, pois Tu estarás comigo” (Tehilim 23). Avistou de longe um rebanho de touros conduzido por um pastor e em tempo, viu-se diante de um estranho espetáculo: o tal homem batia no rebanho sem misericórdia até que ele mesmo se convertia em um dos toros e eles também subitamente mudavam as suas formas que viravam humanas e que agora batiam cruelmente nos que estavam na forma animal e assim por diante. Este espetáculo continuava com as formas alternando como explicado. Os homens-touros imploraram que o Rabino Ya’acov pedisse para o Ari”zal ajudá-los a terminar este terrível sofrimento, que mais tarde, quando o Rabino Ya’acov retornou a Tzfat e foi ver o Ari”zal, este o ensinou o que fazer para ajudá-los.

Esta história é muito importante, pois prova um assunto que é oculto na realidade e que somente os cabalistas os conhecem, e as forças do mal também. O assunto é sobre shapeshifting (“alterando a forma”). Estamos falando da habilidade de alteração da forma física para outra, totalmente diferente. Este é um assunto extenso, e nem tudo pode ser aqui revelado. Aqui, não está se referindo às trocas de “vestimentas” dos anjos – que assumem a vestimenta/corpo humano, assim como está o Tanach descreve várias vezes, de acordo com as leis naturais do nosso universo físico – mas sim da capacidade de alterar a aparência com total controle de modo a assumir outra forma humana, ou de outra espécie animal ou ainda de uma entidade. Mais ainda, isso pode ocorrer involuntariamente, ao comando de outra pessoa também. O fato desta história ser afirmada sobre o Ari”zal mostra que foi um din/decreto de Hashem para punir estes indivíduos e uma verdade inegável. E como tudo que existe na kedusha/santidade tem contrapartida na impureza/tumah (ref. Eclesiastes 7:14), este mesmo processo de modo não sancionado foi e ainda é usado pelo lado do mal. E foi desta maneira que os Nefilim/Gigantes “desaparecerem”. O Zohar e outras fontes santas, inclusive nos Midrashim e o Sefer Chanoch etc. afirmam sobre a “Terra Interior” e suas passagens secretas, tal como em Hevron (em Machpelah) – daí a luta antiga e constante por esta região. O Zohar chega a dizer que existem sete camadas ou terras interiores. O Gan Éden existia em um destes níveis assim como o Guehinom em outro, com sol interior e tudo mais. Estes ambientes interiores contam com mais de 300 espécies de criaturas estranhas vivendo neste níveis diversos. E supostamente, estes seres do mal – os gigantes e shedim/demônios – adentraram a Terra Interior quando veio o Mabúl/Dilúvio e depois também etc. E eles continuam a atuar com a sua influência nefasta no mundo. O Sefer Chanoch garante que na era de Mashiach eles (e os anjos guardiões que atrapalham a vida do homem com suas influências desviadas do propósito original) serão todos punidos. Existem relatos – “lendas urbanas” – de pessoas vistas com “aspectos” reveladores de sua identidade oculta de shapeshifter, mas que podem ser percebidas por alguém com “olhos treinados”. Afirma-se, verdade ou não, que estes seres capazes de transformação são da mesma raça reptiliana do Serpente no Gan Éden: inteligente, astuto e capaz também de telepatia. Existe um “truque” telepático para identificá-los: se um for avistado (que D-us não permita), pensar em silêncio que a sua identidade secreta agora não é mais oculta. Isso deveria trazer alguma reação, portanto pode não recomendável. Enfim, este assunto demanda muita fé, ele está na nossa Torá e quem sabe algum dia eu revelarei mais, se D-us quiser.

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ESCOLHA A SUA JORNADA

Nesta parashá dupla, Matót-Maasêi, está escrito: אלה מסעי בני-ישראל אשר יצאו מארץ מצרים לצבאתם Ele massêi venei-Israel ashér yatsu meérets Mitsrayim letsivotam, “Estas são as jornadas do Povo de Israel, pelas quais eles saíram da terra do Egito com seus exércitos etc.” (Bamidbar 33:1, Maasêi). Vemos que a guemátria atbash do início deste passúk/verso, אלה מסעי בני-ישראל “Estas são as jornadas do Povo de Israel” é igual a 819, a mesma da guemátria absoluta de משמרת הקדש Mishmeret Ha-Kódesh, “Vigília Santa”. Esta expressão aparece primeiro na Torá de forma integral como Shomrei Mishmeret Ha-Kódesh, “Os Guardas da Vigília Santa” (Bamidbar 3:28). As jornadas que Hashem designou para o Povo de Israel representam os estágios ascendentes da vida, mas somente para aqueles que obedecem a “Vigília Santa” mesmo sem entender seu significado ou função. Ao se abnegar diante das mudanças e viagens impostas a cada um, o judeu se torna um que “guarda” os desígnios de Hashem. Ou seja, a proteção dos Céus unicamente paira para os que ouvem o chamado da ‘קול ה Kol Hashem, “Voz de D-us”, com guemátria absoluta 162, a mesma da guemátria ordinal do verso citado. E ainda que seja difícil levantar acampamento e partir em jornada quando os Céus assim determinam, ele se preenche de alegria e esperança que na mais nova mudança de local, enfim virá a redenção. Mais ainda, estas jornadas santas são um arquétipo para todos os homens do mundo que se ligam a Torá de modo apropriado, como vemos na guemátria katán deste verso sendo 45, a mesma de אדם adam/homem. De fato, o milui (“expansão”) do sofít tavót (“letras finais”, הייל) do verso אלה מסעי בני-ישראל “Estas são as jornadas do Povo de Israel” é הא יוד יוד למד, e que este milui tem guemátria 120, a mesma da guemátria absoluta de בני נח Bnei Nâoch, “Filhos de Noé“. Vemos que no aspecto da “final/sofit da expansão/milui” do Bnêi Israel/Povo Judeu encontram-se os Noéticos – não judeus que assumem de observar rigorosamente as “Sete Leis” da Torá para as Nações do mundo*.

Agora, a Torá ensina neste mesmo verso, a condição sine qua non para que as jornadas sejam abençoadas: o desligamento de Mitsrayim/Egito – a palavra código que significa “domínio do Mal”, ou seja, das idolatrias. Veja, o reshêi tavót (acróstico) de יצאו מארץ מצרים לצבאתם “eles saíram da terra do Egito com seus exércitos” é יממל (yud-mem-mem-lámed), de guemátria 120. Veja, o Nome Elokim (que corresponde as guevurót/severidades) compreende cinco letras (alef-lámed-hei-yud-mem), e cinco letras produzem 120 permutações: 5! = 5 x 4 x 3 x 2 x 1 = 120. E as diferentes permutações deste Nome Santo indicam todos os tipos dos vários julgamentos sobre as forças que derivam benefício do final da santidade (destas 120 permutações). Este é o domínio do Mal, e estes são os juízos severos das mazalót/constelações e planetas (ou seja, tudo que é ligado à astrologia), e em geral de qualquer espécie de “intermediários” na devoção do homem a D-us. Todas estas espécies do mal – estrelas, ídolos, pessoas etc. – são meras forças inferiores e limitadas chamadas de elohim achêirim (“deuses inferiores”) e que constituem a idolatria enraizada nestas permutações, negando o Um D-us. Se a pessoa acredita nestas impurezas ela perde completamente a proteção Divina misericordiosa e agora fica subjugada aos poderes baixos, e as suas jornadas que poderiam ser abençoadas se tornam meras “jornadas das estrelas” – os caminhos espirituais estranhos. E deste modo, ela não tem porção alguma da “Vigília Santa”, e é então regida somente pelas forças tolas dos fracos de mente e coração que compreendem a maioria no mundo. O julgamento Divino e alerta neste verso é visto aqui de outro modo também, pois a guemátria katán de אשר יצאו מארץ מצרים לצבאתם “pelas quais eles saíram da terra do Egito com seus exércitos” (que agora inclui a expressão אשר ashér, “pelas quais”), é 86 – a mesma da guemátria absoluta de Elokim.

 

* Isto significa que os noéticos se encontram no limite final da kedushá/santidade, quase em conjunção com o “outro lado”, como será explicado a seguir sobre a guemátria 120. Alegoricamente, é como se o final da kedushá representa uma cerca entre duas propriedades, por assim dizer. Os noéticos estão do “outro lado” da cerca, mas encostados nela.

 

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BOM HÁLITO

E como está escrito, פינחס בן-אלעזר בן-אהרן הכהן השיב את-חמתי מעל בני-ישראל Pinchas ben-Elazar ben-Aharon ha-kohen heshiv et-chamati meal bnei-Israel, “Pinchas filho de Elazar filho de Arão o sacerdote, desviou Minha ira de sobre os filhos de Israel etc.” (Bamidbar 25:11, Parashá Pinchas).

Traz o Zohar: “Através das ações humanas, a ishtemoda partsufa [‘forma espiritual’] é reconhecida pairando sobre as ações e em sua aparência… E na forma da face que paira sobre o indivíduo é aparente a face das chaiyot ha-kodesh [‘animais espirituais santos’] que reside sobre ele, seja a de um leão, um boi, uma águia ou um homem. Assim, seja a merkava [‘carruagem celestial’] do Sagrado Um, abençoado seja Ele e Sua Shechina/Presença Divina, ou do anjo chefe príncipe da Merkava perversa, o Samech-Mem/Satán, ou da Merkava dos quatro elementos do universo os quais não contêm nem as boas inclinações e nem as más inclinações, mas são como bestas comuns. Portanto, existem vários tipos de ‘hálitos’ nas pessoas, cada um de acordo com seu próprio tipo” (Zohar, Ra’ya Mehemna 4:42, Pinchas). Este Zohar, ainda que usando uma linguagem oculta é bastante claro e revelador. Assim eu o entendo, com a ajuda do Céu: Para o indivíduo reto e sensível espiritualmente, cada pessoa lhe revela na face sua força principal, seja ela do lado da kedusha/santidade, do lado da tumah/impureza, ou em algum estágio transitório intermediário. Através da força das suas ações, estes estados se firmam, por assim dizer, sendo que se do lado da kedusha, a pessoa se ilumina devido à Presença Divina que paira sobre ela. Neste mundo escuro, esta luz pode ter vários efeitos, não necessariamente excludentes: o de facilitar a influência para que os judeus façam teshuva/retornem aos caminhos da Torá, ou de receber forte rejeição devido à projeção do mal de outros bem menos elevados que sem saber, ficam diante desta luz que os cegam e incomodam, e seus egos explodem. Este é o assunto que explica a vida difícil dos neviím/profetas e dos bnei neviim/filhos dos profetas. Agora, se uma besta comum, provavelmente indica que esta pessoa é anda em uma ponte estreita sob um desfiladeiro, um passo em falso a mais, e ela pode cair e se ligar ao lado da tumah, cada qual com as suas características particulares e tipo. Neste abismo, criaturas horrendas e funestas de origem na merkava impura do Samech-Mem engolem o indivíduo que se torna um e todo ligado a uma (ou mais) destas formas temerosas impuras, assim representando-as no mundo físico, difundindo suas formas e tipos particulares de pecado associado a elas; contaminando tudo que toca, tanto a sua realidade particular como o mundo de modo mais geral. Veja, no início antes do pecado primordial, “Todas as criaturas de todos os mundos tremiam diante de Adam e o temiam, pois ele foi criado b’Tselem Elokim/na imagem de D-us” (Zohar 38a, HeichalotBereshit). De fato, “Quando as criaturas olhavam para o homem, encontravam sua forma espiritual sagrada nele impressa e assim, se preenchiam de temor que os fazia temer. Contudo, após pecar, o homem é transformado, sua aparência muda [literalmente], e agora são eles que temem e receiam o resto do mundo animal” (Zohar 71a, Nôach). Ou seja, “Pecar [degrada e assim] transfere domínio do homem para os animais, ele agora as temendo revertendo a ordem natural das coisas. Portanto, quando Nôach saiu da Arca, o Sagrado, abençoado seja Ele o abençoou como está escrito: ‘A Hashem abençoou Nôach e seus filhos etc.’ [Bereshit 9:1]” (ibid. Zohar). E por isso que em Sua incompreensível misericórdia, Hashem concedeu um “sinal especial” para erguer espiritualmente e assim proteger Cain das feras, a saber, dos homens arrogantes e impiedosos que vivem como bestas terríveis, pois “‘Após o pecado, Cain estava muito aterrorizado, pois ele viu diante dele figuras, como guerreiros armados vindo em sua direção para matá-lo’ [Zohar 36b, Bereshit]. Na sua capacidade de gigante espiritual caído, ele podia ainda sim ver aspectos do domínio espiritual, a saber, os mekatriguim [‘acusadores celestiais’] e mashchitim [‘espíritos destruidores’] que ele mesmo criou [resultado de suas ações, como explica o Pirkê Avót 4:11] Feliz é aquele que teme ao S-nhor e guarda os mandamentos da Torá” (Rab. A. Chachamovits, Darósh Darásh, págs. 109-110; 122).

E foi Pinchas o retificador quem “adoçou” a realidade e fez com que a praga sobre Israel cessasse (ref. Bamidbar 25:8, Parashá Balak). O povo foi balsamdo por ele. E qual o “hálito” deste justo, o seu cheiro doce e celestial? Veja, a guemátria avgad de seu nome inteiro, פינחס בן-אלעזר Pinchas ben-Elazar é 742, sendo este o mesmo valor numérico da palavra בשמת besamet que significa a fragrância do bálsamo. Está tudo na Torá, se a pessoa abrir seus olhos e coração, que seja assim amém.

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BALAK: “O ENGANADOR”

Um vórt (“breves palavras de Torá”) sobre o Bamidbar 22:5, parashá Balak 5776.

Música: Rabino Avraham Chachamovits, Nigun DevekutEt-kolecha shamati bagan” (Bereshit 3:10).

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