AS APARÊNCIAS ENGANAM

Hoje, 5 do mês de Av, na parashá Devarim, celebramos o Yarzheit – o dia do falecimento – do mestre maior da Cabalá, o Ari”zal (1534-1572). O livro Shivchei HaArizal, que relato histórias extraordinárias da vida do grande mestre, traz a história do neto do Rabino Ya’acov Berab, o Rabino Ya’acov Abulafia, conhecido como um chacham hakahal/sábio da comunidade. Ele se preparava para uma viagem ao Egito e foi antes visitar o Ari”zal que o concedeu com uma carta de recomendação para os dirigentes no Egito. Ele se uniu a uma caravana de camelos para cruzar o deserto do Sinai, que ao chegarem a um oásis, foi descansar. E quando acordou estava sozinho e se alarmou. Pegou o seu asno e ainda que corresse, não alcançou a caravana. Colocou sua confiança em Hashem e rezou: “Ainda que eu siga pelo vale das sombras da morte nada temerei, pois Tu estarás comigo” (Tehilim 23). Avistou de longe um rebanho de touros conduzido por um pastor e em tempo, viu-se diante de um estranho espetáculo: o tal homem batia no rebanho sem misericórdia até que ele mesmo se convertia em um dos toros e eles também subitamente mudavam as suas formas que viravam humanas e que agora batiam cruelmente nos que estavam na forma animal e assim por diante. Este espetáculo continuava com as formas alternando como explicado. Os homens-touros imploraram que o Rabino Ya’acov pedisse para o Ari”zal ajudá-los a terminar este terrível sofrimento, que mais tarde, quando o Rabino Ya’acov retornou a Tzfat e foi ver o Ari”zal, este o ensinou o que fazer para ajudá-los.

Esta história é muito importante, pois prova um assunto que é oculto na realidade e que somente os cabalistas os conhecem, e as forças do mal também. O assunto é sobre shapeshifting (“alterando a forma”). Estamos falando da habilidade de alteração da forma física para outra, totalmente diferente. Este é um assunto extenso, e nem tudo pode ser aqui revelado. Aqui, não está se referindo às trocas de “vestimentas” dos anjos – que assumem a vestimenta/corpo humano, assim como está o Tanach descreve várias vezes, de acordo com as leis naturais do nosso universo físico – mas sim da capacidade de alterar a aparência com total controle de modo a assumir outra forma humana, ou de outra espécie animal ou ainda de uma entidade. Mais ainda, isso pode ocorrer involuntariamente, ao comando de outra pessoa também. O fato desta história ser afirmada sobre o Ari”zal mostra que foi um din/decreto de Hashem para punir estes indivíduos e uma verdade inegável. E como tudo que existe na kedusha/santidade tem contrapartida na impureza/tumah (ref. Eclesiastes 7:14), este mesmo processo de modo não sancionado foi e ainda é usado pelo lado do mal. E foi desta maneira que os Nefilim/Gigantes “desaparecerem”. O Zohar e outras fontes santas, inclusive nos Midrashim e o Sefer Chanoch etc. afirmam sobre a “Terra Interior” e suas passagens secretas, tal como em Hevron (em Machpelah) – daí a luta antiga e constante por esta região. O Zohar chega a dizer que existem sete camadas ou terras interiores. O Gan Éden existia em um destes níveis assim como o Guehinom em outro, com sol interior e tudo mais. Estes ambientes interiores contam com mais de 300 espécies de criaturas estranhas vivendo neste níveis diversos. E supostamente, estes seres do mal – os gigantes e shedim/demônios – adentraram a Terra Interior quando veio o Mabúl/Dilúvio e depois também etc. E eles continuam a atuar com a sua influência nefasta no mundo. O Sefer Chanoch garante que na era de Mashiach eles (e os anjos guardiões que atrapalham a vida do homem com suas influências desviadas do propósito original) serão todos punidos. Existem relatos – “lendas urbanas” – de pessoas vistas com “aspectos” reveladores de sua identidade oculta de shapeshifter, mas que podem ser percebidas por alguém com “olhos treinados”. Afirma-se, verdade ou não, que estes seres capazes de transformação são da mesma raça reptiliana do Serpente no Gan Éden: inteligente, astuto e capaz também de telepatia. Existe um “truque” telepático para identificá-los: se um for avistado (que D-us não permita), pensar em silêncio que a sua identidade secreta agora não é mais oculta. Isso deveria trazer alguma reação, portanto pode não recomendável. Enfim, este assunto demanda muita fé, ele está na nossa Torá e quem sabe algum dia eu revelarei mais, se D-us quiser.

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E ALI VIMOS NEFILIM

E como está escrito: “E ali vimos Nefilim [Vesham rainu et-haNefilim], os filhos de [gigantes] Anak que vieram de Nefilim; e nos consideramos a nossos olhos como gafanhotos, e assim éramos aos seus olhos” (Bamidbar 13:33, parashá Shelach Lecha). O reshit tavót (acróstico) de ושם ראינו את הנפילים Vesham rainu et-haNefilim, “E ali vimos Nefilim” tem guemátria 212, a mesma de charêd (“tremer”). De alguma maneira, os gigantes sobreviveram o mabúl/dilúvio, pois estes citados no Bamidbar estavam em Eretz Israel/Terra Santa no tempo de Moshe Rabeinu/nosso mestre. Muitos da geração de Nôach foram (e ainda estão) para dentro da terra – nos mundos interiores. Os gigantes aprenderam dos bnei Elokim aonde se encontravam os portais para entrar na Terra Interior. Explica o Zohar que descendentes de Kayin, muitos deles gigantes (e outros, seres de tamanho diminuto), foram para o interior da terra, num local chamado de Arka: o antepenúltimo mundo mais profundo de sete do interior da terra. E veja: “Eis que hoje me expulsas de sobre a face da terra, mas da Tua presença não me poderei ocultar, e serei errante e fugitivo na terra, e acontecerá que todo aquele que me encontrar matar-me-á… E o Eterno pôs em Kayin um sinal para que quem quer que o encontrasse não o ferisse” (Bereshit 4:14-15). Kayin o perverso filho de Adam, precisou do sinal misericordioso de Hashem para protegê-lo, pois ainda que no nível humano existissem somente Adam e Chava, ele temia muito os seres da terra interior.

Continuando, outros destes monstros ainda sobrevirem, pois estavam próximos a Eretz Israel que foi o único local no mundo que não sofreu o mabúl. Isto explica também como na parashá Shelach Lecha, eles são lá avistados pelos meraglim/espiões. Veja, no início da parashá Chaiyê Sarah é dito: “E Sarah morreu em Kriyat-Arba [ou seja, Hevron] na terra de Canaan…” (Bereshit 23:2). E o grande comentarista da Torá, o Ráshi, explica que Kriyat-Arba (“Cidade dos Quatro”), assim “É chamada pelos quatro gigantes que lá estiveram: Ahiuan, Sheshai, Talmai e o pai deles [Bereshit Rabah 58:4]”. De modo mais específico, estes gigantes eram Nefilim, filhos de Anak quem Caleb e os espiões viram no Monte Hevron (Bamidbar 13:22). Posteriormente, eles foram expulsos da terra santa e abatidos (Yehoshua 15:14; Shofetim 1:10). Ou, não estavam próximos de lá, mas entraram na terra santa através de um portal/vórtice, levando-os a locais como Machpelah (aonde estão enterrados Adam e Chava e todos os patriarcas e as matriarcas, salvo Rachel) em Hevron. Afinal, isso é evidente, pois está escrito: “E no 14º ano da revolta, veio Kedorlaômer e os reis que estavam com ele, e feriram aos Refaim em Ashterot-Carnáim, aos Zuzim em Ham, aos Emim em Shave-Kiriatáim, e ao Horítas em seu monte de Sêir, até El-Parán, que está junto ao deserto” (Bereshit 14:5-6, parashá Lech Lechá). Porém, os Refaim, Zuzim, Emim e Horitas são todos diferentes grupos de gigantes, e estas batalhas intensas ocorreram na época de Avraham avinu, após o mabúl que teria supostamente extinguido a todos os seres vivos da terra. Eles não foram extinguidos. Estas batalhas sangrentas foram destemidas. Mais ainda, os gigantes se agrupavam em pequenos grupos, geralmente um macho e algumas fêmeas, o que facilitou a sua derrota em muitos casos. Os mestres ensinam que os Zuzim aqui são os Zamzumim mais tarde trazidos na Torá (Devarim 2:20). Eles eram os mais “ilustres” (Bereshit Rabah 42:6), seu nome derivado de Zivtane bahêm (“O brilho deles”, conectando Zuzim com ziv e ham com bahêm, Bereshit Rabah 42:6). Algumas fontes dizem que eles eram ferozes guerreiros (Midrash Abkir). E os Horitas eram diferentes, pois viviam em um local separado e livres do domínio de Nimrod (ibid. Midrash), indicando, eu assim entendo, uma inteligência superior. De fato, o nome Horita deriva de cherút (“liberdade”). Podemos ver que eles não foram dizimados também, pois seus descendentes são mencionados no Bereshit 36:21 (parashá Vayishlach) como sendo ligados à casa de Essav o perverso filho do patriarca Yitschak. Saibam que estes gigantes perversos também aprenderem dos bnei Elokim a arte mágica de shapeshifting (“metamorfose”), e assim tem penetrado na humanidade desde então, espalhando a agenda oculta da sitra achra/lado do mal. Eles assumem outras formas humanas ou não, enganando os homens até hoje. Quando um deles é percebido, alguém com treino mental pode intimidá-los por telepatia, afirmando mentalmente que a sua identidade secreta foi percebida. Contudo, ao receberam a mensagem telepática, eles podem reagir. Não posso revelar mais em público, mas existem muitos outros detalhes profundos.

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