NÃO É PERMITIDO FALAR LASHÓN HARÁ DE… (Parte 1)

A pessoa não pode falar lashón hará sobre um indivíduo ou um grupo (Chafêts Chaím Vol I, 5:8).

É um pecado sério falar de modo depreciativo sobre todo um grupo ou comunidade.

Por exemplo, não é permitido dizer:

  • “Todos os alunos do quinto grau são lentos em aprender”
  • “Todos os residentes da tal cidade são inóspitos”.
  • “Pessoas que provêm de tal lugar, geralmente, não são misericordiosas”.

Mussar (ética e moral):

E Rav Chisda disse no nome de Mar Ukva: ‘Quem fala lashón hará sobre seu amigo, Hashem diz, ‘ele e Eu não podemos residir juntos no mundo’. Assim como é dito: ‘Aquele que secretamente calunia seu próximo eu destruirei; aos de olhar insolente e coração presunçoso não tolerarei’ [Salmo 101:5]. Não leia tolerarei ‘ele’, mas sim ‘com ele'” (Talmud, Arachin 15a).

 

Comentário do Rabino Avraham: Absolutamente tudo no mundo é de acordo com o juízo de Hashem. Ainda que as Suas decisões pendam para o lado da misericórdia, pois caso contrário o mundo não sobreviveria, os “acusadores celestiais” (que registram os pecados dos homens) demandam sempre a lei de midah k’négued midah (“medida por medida”). E aqueles indivíduos que têm mérito precisam cuidar de seus erros de “generalização”, pois em acordo com a midah k’négued midah, eles também poderão ser julgados “dentro da maioria”, que afinal os anulará de um modo geral. E por isso os Sábios da Torá ensinaram: “Uma vez que a permissão é dada ao anjo destruidor, ele não distingue entre os retos e os perversos” (TalmudBava Kama 60a). E sobre os juízos que são entregues no mundo, está escrito também: “Não se mostre lá fora [em público] para que o Julgamento não repouse sobre você… E no tempo em que a Benevolência repousa sobre o mundo, ela repousa sobre tudo. Mas também, quando o Julgamento paira sobre o mundo, ele paira sobre tudo. Aquele que arrisca sobre isso será pego” (Zohar 54a, Metsora)”. E “não se mostrar lá fora” significa também, não julgar grupos inteiros, locais e cidades, pois assim como o seu julgamento “irradia no todo” (se mostrando “lá fora”, por assim dizer), o todo irradia no particular (ou seja, no falante de lashón hará). Por isso é proibido pela halachá (“lei da Torá“) viver em um bairro aonde a lashón hará é falada pela maioria (Chafêts Chaím, Kelát 9:4): para que a pessoa correta não seja contada como como um maldoso. Contudo, se houverem dez retos na cidade, ela será poupada, assim como está escrito: “E Hashem disse a Avraham: ‘Pela causa de dez retos Eu não destruirei'” (Gênesis 18:32). Por isso é vital que a pessoa se ligue a um reto e sempre “Ame a retidão e abomine a maldade” (Salmo 45:8), pois “O reto é a fundação eterna do mundo” (Provérbios 10:25). Existem muitos outros detalhes sobre estes assuntos que não posso revelar aqui.

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SOBRE E PARA QUEM NÃO SE PODE FALAR LASHÓN HARÁ

A proibição de falar lashón hará existe mesmo quando a pessoa é pressionada a falar.

 

Mussar (ética e moral):

Hashem disse: ‘Se você deseja escapar da punição do Guehinôm [Inferno], se distancie da lashón hará, e você merecerá ambos este mundo e o mundo vindouro'” (Midrash Tanchuma, Metsora).

Comentário do Rabino AvrahamTofteh, o conhecido “apelido” para o Guehinôm, já explica algo importante sobre este domínio espiritual: “MiTafteh significa ‘se abrir’ para a sua iêtser hará [‘má inclinação’]; e vocês [que permitem este ‘acesso’ dela] são aqueles que caem lá” (Rabi Yehuda Fatiyah, Minchat Yehudah, Yeshayah, siman lamed, pêi bet, pg. 123. Ver Ráshi no Talmud, Eruvin 19a). É preciso entender que ser pressionado a transgredir as proibições de lashón hará é algo que inclui a incrível “pressão interior” que a má inclinação exerce quando uma “oportunidade” se abre para que se transgride assim. É como se as palavras criassem vida, e subissem do fôlego dos pulmões, passando para a garganta, crescendo na boca e língua e chegando até os dentes da pessoa, como a lava quente que sobe de um vulcão. No entanto, saiba que é por isso que a língua é cercada dos dentes, para que estes sirvam como uma barreira para a lashón hará.

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LASHÓN HARÁ FALADA NA PRESENÇA OU AUSÊNCIA DE UMA PESSOA

Não faz diferença alguma se a pessoa sobre quem está se falando lashón hará está presente ou não (Chafêts Chaím, Vol. I, 3:1).

 

Cada um das duas situações é grave por uma razão que não se aplica a outra.

  1. Se a pessoa sobre quem está se falando lashón hará não está presente:
    • então o falante transgride a proibição de “Amaldiçoado aquele que ferir ao seu companheiro em segredo” (Deuteronômio 27:24).
  2. Se a pessoa sobre quem está se falando lashón hará sim está presente:
    • então o falante, à parte de transgredir a proibição de lashón hará, é também considerado como sendo um descarado e semeador do ódio.
Comentário do Rabino Avraham: O ausente está sempre errado, portanto falar mal de alguém em sua ausência é além de tudo, um ato de covardia espiritual – uma forma de abdução e abuso. Isto é assim, pois quando se fala mal, o foco mental do falante atinge a alma da pessoa sendo maldita, amarrando e sequestrando-a espiritualmente – obrigando ela a ser atormentada pela lashón hará. Por isso, o verso imediatamente seguinte (Deuteronômio 27:25) afirma: “Amaldiçoado aquele que receber suborno para matar uma pessoa de sangue inocente”, querendo dizer, o falante da lashón haráé “subornado” pelo seu próprio orgulho, que é força angelical ruim dos homens chamada de “má inclinação”. E é deste modo, pois a má inclinação afirma na mente do incauto, assim sussurrando: “Você quer se desabafar, pois julgou como culpada e com razão uma pessoa, seja porque você não concorda ou gosta dela etc., certo? Muito bem. Então eu trarei para fora este seu julgamento, um desabafo tão razoável, mas somente se você abrir a boca e falar mal dela, pois isso é como ‘matar uma pessoa de sangue inocente’ e a vitalidade deste sangue é o meu preço para te ‘ajudar'”. Alguém poderia pensar: “Como é possível que uma pessoa ausente tenha a vitalidade de seu sangue usada pelas forças do mal? Afinal, a lei da Torá diz: ki néfesh kol bassár damo hu, ‘a alma da carne está no sangue’ (Levítico 17:14). No entanto, eis o engodo das forças do mal: o dito “sangue inocente” é do próprio falante de lashón hará que será por sua transgressão amaldiçoado, ou seja, ligado às forças nefastas.

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