O HÉREM DAS GERAÇÕES ANTERIORES

A pessoa não pode falar lashón hará sobre pessoas que já faleceram.

  • Existe uma ordenação e hérem (uma proibição feita pelos Sábios da Torá das gerações anteriores) que a pessoa não pode falar de modo depreciativo sobre um indivíduo já falecido (Chafêts Chaím, Vol. I, 8:9).

É considerado ainda mais sério falar de modo depreciativo sobre um talmid chacham (“erudito da Torá“) ou ridicularizar a Torá que ele ensinou (Chafêts Chaím, Vol. I, 8:9).

Mussar (ética e moral):

“‘Pois a vida e a morte estão nas mãos da língua’ [Provérbios 18:21]. Tudo depende da fala. Se a pessoa tem mérito, existe a vida. E se a pessoa não tem mérito, então a morte. Se a pessoa usou sua língua para falar palavras de Torá, ele merecerá vida porque a Torá é a árvore da vida, assim como o verso diz: ‘Pois é uma árvore da vida para aqueles que a seguram’ [Provérbios 3:18]. E ela é também a cura para lashón hará, assim como o verso traz: ‘Para a cura da língua é a árvore da vida, e a pessoa que a distorce será quebrado como o vento’ [Provérbios 15:4]. E ela se ocupa com a lashón hará, ela traz morte sobre ela mesma, pois lashón hará é mais sério do que o assassinato” (Midrash Tanchuma, Metsora 2).

Comentário do Rabino Avraham: “’O verme para o morto é mais difícil do que agulhas na carne do vivo’ [Talmud, Berachót 18b]. Após o hibút hakéver [ou seja, uma das punições da cova] e o luto, a alma ainda se encontra na cova. Então, um outro anjo poderoso a agarra e leva ao processo de transformação espiritual chamado de kaf ha-kélah [ou seja, uma das punições da cova], quando limpezas espirituais necessárias são realizadas devido às conversas fúteis e vãs enquanto em vida. Esta intensa fase a permite também ver com os ‘olhos da mente’ ora as verdades espirituais, ora as falsidades do mundo físico, causando-lhe grande confusão e angústia” (Darósh Darásh, pág. 72). Quando a pessoa viva fala lashón hará de uma falecida ela adicionada angústia e sofrimento para a que se foi. E como sua existência agora é imaterial, portanto sutil e sublime, a força espiritual da lashón hará perturba muito seu haluká d’rabanán [o corpo de energia espiritual] de modo a bloquear seu foco natural evolutivo, além da desonra causada. E isto é como um assassinato. Sua punição por ousar a aumentar sofrimento para os que já foram julgados pela corte celestial e buscam agora somente a luz será como tudo: medida por medida.

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NÃO É PERMITIDO FALAR LASHÓN HARÁ DE… (Parte 3)

A pessoa não pode falar lashón hará sobre uma pessoa, seja ela aparentada ou não (Chafêts Chaím Vol I, 8:1).

  • Falar lashón hará sobre um parente é proibido apesar de que usualmente, o parente não se importa. Adicionalmente, mesmo que o motivo (da lashón hará) não seja para depreciar o parente, mas sim uma expressão de um desejo pela verdade, a pessoa é proibida de falar lashón hará.

A pessoa não pode falar lashón hará sobre sua própria esposa (Chafêts Chaím Vol I, 8:2).

  • É muito comum cair neste tipo de lashón hará, por exemplo, quando o marido fala (lashón hará) para os seus parentes sobre a sua esposa ou a família dela.
Comentário do Rabino Avraham: Pela Providência Divina, a leitura de hoje da Torá (Gênesis 13:5, terceira porção, Lech Lechá) traz o assunto de falar sobre parentes: “E disse Avraham a [seu sobrinho] Lóte: Não haja, te rogo, briga entre mim e ti, e entre meus pastores e teus pastores, porque homens irmãos somos nós” (Gênesis 13:8). E porque Avraham então comentou sobre o grupo todo de pastores e ainda mais sendo eles todos parentes? Porque, primeiro, seu comentário não foi depreciativo (algo impensável para o patriarca Avraham). E segundo, pois verdadeiramente, “Os pastores de Lóte eram perversos” (Ráshi no Gênesis 13:7). E sobre os perversos hereges é uma mitsvá falar mal (Chofêts Chaím, Kelát 8:5. Contudo, existem definições e parâmetros adicionais importantes sobre este assunto. Ver Talmud, Sanhédrin 99b; Kelát 8:7, Mekor HaChaím et. al.). Em outro nível, sobre o escrito, “homens irmãos somos nós”, Ráshi explica que “Eles [Avraham e Lóte] pareciam um com o outro nas suas feições”. A guemátria (mispár gadól) de domín (“eles pareciam”) é 110, a mesma de ám (“povo”). O acaso é Hashem agindo no anonimato, mas Sua Providência é perfeita. Todos os parentes de uma pessoa formam um grupo ou “povo” com “feições parecidas”, misticamente significando os partsúfim (“faces”) – os grupos de características espirituais que estas pessoas representam e que exatamente através de sua união familiar propiciam reais oportunidades de retificação para todos deste “povo”. Isto é assim uma vez que cada atributo que um membro do grupo não possui, se encontra revelado em outro parente por desígnio Divino. Portanto, quando se fala mal de um parente, se deprecia uma qualidade ainda latente do próprio falante ele mesmo. E certamente ele muito necessita da sublimação do seu caráter no ponto particular deste atributo de caráter enxergado e julgado no parente. Agora, quando um parente é inquestionavelmente um rashá (“maldoso”) – se todos do “povo” concordarem com isso – ele então representa o refugo mais intenso de todos deste grupo. E certamente uma kilpah (“força negativa”) tão intensa precisa ser expurgada do povo, assim “Destruindo sua impureza e consumindo sua sujeira” (Ezequiel 24:11). E assim são as histórias da vida encenadas em arquétipos pelos patriarcas (ma’aseh avót siman le vanim, “os atos dos patriarcas são sinais para sua descendência”), pois como está escrito: “[E Avraham disse a Lóte]: Separa-te, rogo, de mim; se vais à esquerda, irei à direita, e se à direita vais, irei à esquerda” (Gênesis 13:9). É preciso ainda falar sobre o assunto da esposa. O Rabi Yossêf Chaim (o “Ben Ish Chái“) nos recorda que “uma das primeiras mitsvót da Torá [igualmente aplicáveis aos judeus e os não judeus] é amar a esposa, assim como está escrito: ‘O homem deve deixar seu pai e sua mãe e unir-se à sua mulher, e assim serão como uma só carne’ [Gênesis 2:25]. O casamento com a esposa é uma indicação de alma gêmea, portanto é essencial que o casamento seja permeado por amor e devoção de um para o outro. Segue que qualquer forma de alienação [sem justificativas sérias] de um para com o outro [proposital, inadvertida, pelo marido ou sua esposa] implica em uma transgressão direta da lei de Hashem” (Chukêi HaNassím cap. 2, com meus parêntesis). Mais ainda, todo aquele que fomenta discórdia entre marido e sua esposa – podendo até causar o divórcio – será amaldiçoado. Agora, é evidente que no mundo secular que é antagônico a Hashem, o divórcio se tornou um “meio de vida” que visa destruir a humanidade. E isso é um assunto muito antigo e de grande conhecimento das forças do mal que confundem e iludem aos tolos e arrogantes sem entendimento espiritual. Veja: está escrito, “Não é bom que o homem fique sozinho etc.” (Gênesis 2:18). E sobre isso comenta Ráshi: “Para que ninguém dissesse que existem duas autoridades no mundo – Hashem, que é único nos domínios superiores, e Ele não tem companheira; e este aqui [o homem], único nos domínios inferiores, e ele não tem companheira”. E como a sítra áchra (“lado do mal”) deseja exatamente que o homem pense sobre si como um deus inferior – a sua própria autoridade superior – inflando sua arrogância e tolice para se corromper e ao mundo, então grandes e evidentes planos maléficos têm obtido êxito para estabelecer o divórcio como sendo algo comum e inócuo na consciência caída dos homens. Aprenda isso muito bem.

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NÃO É PERMITIDO FALAR LASHÓN HARÁ DE… (Parte 2)

A pessoa não pode falar lashón hará sobre um talmid chacham ou sobre uma pessoa que não é educada na Torá (Chafêts Chaím Vol I, 8:4).

  • Falar lashón hará sobre um talmid chacham (“estudioso/erudito da Torá“) é uma transgressão extremamente séria e pode causar dano espiritual adicional.

A pessoa não pode falar lashón hará sobre um adulto ou uma criança (Chafêts Chaím Vol I, 8:3).

  • Falar lashón hará sobre uma criança é proibido porque pode prejudica-la ou causar-lhe constrangimento.
Comentário do Rabino Avraham: Os juízos de Hashem são independentes dos pensamentos dos homens, assim como está escrito: “Os Meus pensamentos não são iguais aos vossos, nem Meus caminhos são os que trilhais – diz o Eterno. Assim como muito acima da terra estão os céus, Meus caminhos são mais elevados que os vossos, e Meus pensamentos muito mais profundos que os vossos” (Isaías 55:8). Deste modo, o fato de uma pessoa julgar que outra não é um talmid chacham (mesmo se devido à sua shitah, “filiação religiosa partidária judaica”), não significa que, em primeiro lugar, a pessoa sobre quem se falou lashón hará não seja verdadeiramente um talmid chacham de acordo com o julgamento do Céu. E em segundo lugar, que deste modo o falante da lashón hará ficará eximido do grande peso adicional de ter falado lashón hará sobre um talmid chacham.

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NÃO É PERMITIDO FALAR LASHÓN HARÁ DE… (Parte 1)

A pessoa não pode falar lashón hará sobre um indivíduo ou um grupo (Chafêts Chaím Vol I, 5:8).

É um pecado sério falar de modo depreciativo sobre todo um grupo ou comunidade.

Por exemplo, não é permitido dizer:

  • “Todos os alunos do quinto grau são lentos em aprender”
  • “Todos os residentes da tal cidade são inóspitos”.
  • “Pessoas que provêm de tal lugar, geralmente, não são misericordiosas”.

Mussar (ética e moral):

E Rav Chisda disse no nome de Mar Ukva: ‘Quem fala lashón hará sobre seu amigo, Hashem diz, ‘ele e Eu não podemos residir juntos no mundo’. Assim como é dito: ‘Aquele que secretamente calunia seu próximo eu destruirei; aos de olhar insolente e coração presunçoso não tolerarei’ [Salmo 101:5]. Não leia tolerarei ‘ele’, mas sim ‘com ele'” (Talmud, Arachin 15a).

 

Comentário do Rabino Avraham: Absolutamente tudo no mundo é de acordo com o juízo de Hashem. Ainda que as Suas decisões pendam para o lado da misericórdia, pois caso contrário o mundo não sobreviveria, os “acusadores celestiais” (que registram os pecados dos homens) demandam sempre a lei de midah k’négued midah (“medida por medida”). E aqueles indivíduos que têm mérito precisam cuidar de seus erros de “generalização”, pois em acordo com a midah k’négued midah, eles também poderão ser julgados “dentro da maioria”, que afinal os anulará de um modo geral. E por isso os Sábios da Torá ensinaram: “Uma vez que a permissão é dada ao anjo destruidor, ele não distingue entre os retos e os perversos” (TalmudBava Kama 60a). E sobre os juízos que são entregues no mundo, está escrito também: “Não se mostre lá fora [em público] para que o Julgamento não repouse sobre você… E no tempo em que a Benevolência repousa sobre o mundo, ela repousa sobre tudo. Mas também, quando o Julgamento paira sobre o mundo, ele paira sobre tudo. Aquele que arrisca sobre isso será pego” (Zohar 54a, Metsora)”. E “não se mostrar lá fora” significa também, não julgar grupos inteiros, locais e cidades, pois assim como o seu julgamento “irradia no todo” (se mostrando “lá fora”, por assim dizer), o todo irradia no particular (ou seja, no falante de lashón hará). Por isso é proibido pela halachá (“lei da Torá“) viver em um bairro aonde a lashón hará é falada pela maioria (Chafêts Chaím, Kelát 9:4): para que a pessoa correta não seja contada como como um maldoso. Contudo, se houverem dez retos na cidade, ela será poupada, assim como está escrito: “E Hashem disse a Avraham: ‘Pela causa de dez retos Eu não destruirei'” (Gênesis 18:32). Por isso é vital que a pessoa se ligue a um reto e sempre “Ame a retidão e abomine a maldade” (Salmo 45:8), pois “O reto é a fundação eterna do mundo” (Provérbios 10:25). Existem muitos outros detalhes sobre estes assuntos que não posso revelar aqui.

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SOBRE E PARA QUEM NÃO SE PODE FALAR LASHÓN HARÁ

A proibição de falar lashón hará existe mesmo quando a pessoa é pressionada a falar.

 

Mussar (ética e moral):

Hashem disse: ‘Se você deseja escapar da punição do Guehinôm [Inferno], se distancie da lashón hará, e você merecerá ambos este mundo e o mundo vindouro'” (Midrash Tanchuma, Metsora).

Comentário do Rabino AvrahamTofteh, o conhecido “apelido” para o Guehinôm, já explica algo importante sobre este domínio espiritual: “MiTafteh significa ‘se abrir’ para a sua iêtser hará [‘má inclinação’]; e vocês [que permitem este ‘acesso’ dela] são aqueles que caem lá” (Rabi Yehuda Fatiyah, Minchat Yehudah, Yeshayah, siman lamed, pêi bet, pg. 123. Ver Ráshi no Talmud, Eruvin 19a). É preciso entender que ser pressionado a transgredir as proibições de lashón hará é algo que inclui a incrível “pressão interior” que a má inclinação exerce quando uma “oportunidade” se abre para que se transgride assim. É como se as palavras criassem vida, e subissem do fôlego dos pulmões, passando para a garganta, crescendo na boca e língua e chegando até os dentes da pessoa, como a lava quente que sobe de um vulcão. No entanto, saiba que é por isso que a língua é cercada dos dentes, para que estes sirvam como uma barreira para a lashón hará.

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LASHÓN HARÁ FALADA NA PRESENÇA OU AUSÊNCIA DE UMA PESSOA

Não faz diferença alguma se a pessoa sobre quem está se falando lashón hará está presente ou não (Chafêts Chaím, Vol. I, 3:1).

 

Cada um das duas situações é grave por uma razão que não se aplica a outra.

  1. Se a pessoa sobre quem está se falando lashón hará não está presente:
    • então o falante transgride a proibição de “Amaldiçoado aquele que ferir ao seu companheiro em segredo” (Deuteronômio 27:24).
  2. Se a pessoa sobre quem está se falando lashón hará sim está presente:
    • então o falante, à parte de transgredir a proibição de lashón hará, é também considerado como sendo um descarado e semeador do ódio.
Comentário do Rabino Avraham: O ausente está sempre errado, portanto falar mal de alguém em sua ausência é além de tudo, um ato de covardia espiritual – uma forma de abdução e abuso. Isto é assim, pois quando se fala mal, o foco mental do falante atinge a alma da pessoa sendo maldita, amarrando e sequestrando-a espiritualmente – obrigando ela a ser atormentada pela lashón hará. Por isso, o verso imediatamente seguinte (Deuteronômio 27:25) afirma: “Amaldiçoado aquele que receber suborno para matar uma pessoa de sangue inocente”, querendo dizer, o falante da lashón haráé “subornado” pelo seu próprio orgulho, que é força angelical ruim dos homens chamada de “má inclinação”. E é deste modo, pois a má inclinação afirma na mente do incauto, assim sussurrando: “Você quer se desabafar, pois julgou como culpada e com razão uma pessoa, seja porque você não concorda ou gosta dela etc., certo? Muito bem. Então eu trarei para fora este seu julgamento, um desabafo tão razoável, mas somente se você abrir a boca e falar mal dela, pois isso é como ‘matar uma pessoa de sangue inocente’ e a vitalidade deste sangue é o meu preço para te ‘ajudar'”. Alguém poderia pensar: “Como é possível que uma pessoa ausente tenha a vitalidade de seu sangue usada pelas forças do mal? Afinal, a lei da Torá diz: ki néfesh kol bassár damo hu, ‘a alma da carne está no sangue’ (Levítico 17:14). No entanto, eis o engodo das forças do mal: o dito “sangue inocente” é do próprio falante de lashón hará que será por sua transgressão amaldiçoado, ou seja, ligado às forças nefastas.

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LASHÓN HARÁ SOBRE UM PALESTRANTE OU PROFESSOR

A pessoa não pode dizer sobre um palestrante ou professor (Chafêts Chaím, Vol. I, 2:2 e notas in loco):

  • “Não vale a pena ouvi-lo”.

  • Ele não sabe o que está falando.

  • Ele só fala porque gosta de se escutar

Muitas pessoas não são cuidadosas e caçoam do palestrante ou professor depois de escutar uma aula ou palestra. Eles não têm consciência de que:

  • Eles causam embaraço e aflição ao palestrante, professor etc., o que frequentemente causa perda financeira também.

  • Costumeiramente, estas pessoas cometem estas transgressões publicamente, só aumentando a gravidade de seus pecados.

  • Geralmente, a qualidade do palestrante depende do ouvinte e cada pessoa tem sua impressão baseada nos suas próprias necessidades.

  • Este tipo de denigrir usualmente inclui exagero e em geral, falsidade direta.

Comentário do Rabino Avraham: O santo Zohar explica (Raya Mehemna, 43a), que “Hashem preparou o Trono Celestial com as hierarquias angelicais para assim servi-Lo: os malachim, erêlim, seráfim, chayót, ofaním, hamshalím, êlim, elohím, bnêi elohím, íshim”. Se todos os anjos celestiais servem o Criador, que dirá os homens? Absolutamente, todos as criaturas e em todos os instantes são Seus súditos. Isso é verdade mesmo sem que entendam isso. Qualquer indivíduo ou coisa no universo pode ser um emissário de mensagens apropriadas aos ouvintes que assim necessitam ouvi-las e de ações determinadas a ocorrerem por juízo celestial. Portanto, nunca se deve debochar de nada e ninguém: a mensagem ouvida pode ser vital para a pessoa. De fato, até o Samech-Mem, o “Anjo do Mal” e a própria “má inclinação” do homem – ainda que se apresente como rebelde à vontade de Hashem – cumprem sim Seus desígnios (ver Zohar 163a, Terumah).

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