O HÉREM DAS GERAÇÕES ANTERIORES

A pessoa não pode falar lashón hará sobre pessoas que já faleceram.

  • Existe uma ordenação e hérem (uma proibição feita pelos Sábios da Torá das gerações anteriores) que a pessoa não pode falar de modo depreciativo sobre um indivíduo já falecido (Chafêts Chaím, Vol. I, 8:9).

É considerado ainda mais sério falar de modo depreciativo sobre um talmid chacham (“erudito da Torá“) ou ridicularizar a Torá que ele ensinou (Chafêts Chaím, Vol. I, 8:9).

Mussar (ética e moral):

“‘Pois a vida e a morte estão nas mãos da língua’ [Provérbios 18:21]. Tudo depende da fala. Se a pessoa tem mérito, existe a vida. E se a pessoa não tem mérito, então a morte. Se a pessoa usou sua língua para falar palavras de Torá, ele merecerá vida porque a Torá é a árvore da vida, assim como o verso diz: ‘Pois é uma árvore da vida para aqueles que a seguram’ [Provérbios 3:18]. E ela é também a cura para lashón hará, assim como o verso traz: ‘Para a cura da língua é a árvore da vida, e a pessoa que a distorce será quebrado como o vento’ [Provérbios 15:4]. E ela se ocupa com a lashón hará, ela traz morte sobre ela mesma, pois lashón hará é mais sério do que o assassinato” (Midrash Tanchuma, Metsora 2).

Comentário do Rabino Avraham: “’O verme para o morto é mais difícil do que agulhas na carne do vivo’ [Talmud, Berachót 18b]. Após o hibút hakéver [ou seja, uma das punições da cova] e o luto, a alma ainda se encontra na cova. Então, um outro anjo poderoso a agarra e leva ao processo de transformação espiritual chamado de kaf ha-kélah [ou seja, uma das punições da cova], quando limpezas espirituais necessárias são realizadas devido às conversas fúteis e vãs enquanto em vida. Esta intensa fase a permite também ver com os ‘olhos da mente’ ora as verdades espirituais, ora as falsidades do mundo físico, causando-lhe grande confusão e angústia” (Darósh Darásh, pág. 72). Quando a pessoa viva fala lashón hará de uma falecida ela adicionada angústia e sofrimento para a que se foi. E como sua existência agora é imaterial, portanto sutil e sublime, a força espiritual da lashón hará perturba muito seu haluká d’rabanán [o corpo de energia espiritual] de modo a bloquear seu foco natural evolutivo, além da desonra causada. E isto é como um assassinato. Sua punição por ousar a aumentar sofrimento para os que já foram julgados pela corte celestial e buscam agora somente a luz será como tudo: medida por medida.

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NÃO É PERMITIDO FALAR LASHÓN HARÁ DE… (Parte 3)

A pessoa não pode falar lashón hará sobre uma pessoa, seja ela aparentada ou não (Chafêts Chaím Vol I, 8:1).

  • Falar lashón hará sobre um parente é proibido apesar de que usualmente, o parente não se importa. Adicionalmente, mesmo que o motivo (da lashón hará) não seja para depreciar o parente, mas sim uma expressão de um desejo pela verdade, a pessoa é proibida de falar lashón hará.

A pessoa não pode falar lashón hará sobre sua própria esposa (Chafêts Chaím Vol I, 8:2).

  • É muito comum cair neste tipo de lashón hará, por exemplo, quando o marido fala (lashón hará) para os seus parentes sobre a sua esposa ou a família dela.
Comentário do Rabino Avraham: Pela Providência Divina, a leitura de hoje da Torá (Gênesis 13:5, terceira porção, Lech Lechá) traz o assunto de falar sobre parentes: “E disse Avraham a [seu sobrinho] Lóte: Não haja, te rogo, briga entre mim e ti, e entre meus pastores e teus pastores, porque homens irmãos somos nós” (Gênesis 13:8). E porque Avraham então comentou sobre o grupo todo de pastores e ainda mais sendo eles todos parentes? Porque, primeiro, seu comentário não foi depreciativo (algo impensável para o patriarca Avraham). E segundo, pois verdadeiramente, “Os pastores de Lóte eram perversos” (Ráshi no Gênesis 13:7). E sobre os perversos hereges é uma mitsvá falar mal (Chofêts Chaím, Kelát 8:5. Contudo, existem definições e parâmetros adicionais importantes sobre este assunto. Ver Talmud, Sanhédrin 99b; Kelát 8:7, Mekor HaChaím et. al.). Em outro nível, sobre o escrito, “homens irmãos somos nós”, Ráshi explica que “Eles [Avraham e Lóte] pareciam um com o outro nas suas feições”. A guemátria (mispár gadól) de domín (“eles pareciam”) é 110, a mesma de ám (“povo”). O acaso é Hashem agindo no anonimato, mas Sua Providência é perfeita. Todos os parentes de uma pessoa formam um grupo ou “povo” com “feições parecidas”, misticamente significando os partsúfim (“faces”) – os grupos de características espirituais que estas pessoas representam e que exatamente através de sua união familiar propiciam reais oportunidades de retificação para todos deste “povo”. Isto é assim uma vez que cada atributo que um membro do grupo não possui, se encontra revelado em outro parente por desígnio Divino. Portanto, quando se fala mal de um parente, se deprecia uma qualidade ainda latente do próprio falante ele mesmo. E certamente ele muito necessita da sublimação do seu caráter no ponto particular deste atributo de caráter enxergado e julgado no parente. Agora, quando um parente é inquestionavelmente um rashá (“maldoso”) – se todos do “povo” concordarem com isso – ele então representa o refugo mais intenso de todos deste grupo. E certamente uma kilpah (“força negativa”) tão intensa precisa ser expurgada do povo, assim “Destruindo sua impureza e consumindo sua sujeira” (Ezequiel 24:11). E assim são as histórias da vida encenadas em arquétipos pelos patriarcas (ma’aseh avót siman le vanim, “os atos dos patriarcas são sinais para sua descendência”), pois como está escrito: “[E Avraham disse a Lóte]: Separa-te, rogo, de mim; se vais à esquerda, irei à direita, e se à direita vais, irei à esquerda” (Gênesis 13:9). É preciso ainda falar sobre o assunto da esposa. O Rabi Yossêf Chaim (o “Ben Ish Chái“) nos recorda que “uma das primeiras mitsvót da Torá [igualmente aplicáveis aos judeus e os não judeus] é amar a esposa, assim como está escrito: ‘O homem deve deixar seu pai e sua mãe e unir-se à sua mulher, e assim serão como uma só carne’ [Gênesis 2:25]. O casamento com a esposa é uma indicação de alma gêmea, portanto é essencial que o casamento seja permeado por amor e devoção de um para o outro. Segue que qualquer forma de alienação [sem justificativas sérias] de um para com o outro [proposital, inadvertida, pelo marido ou sua esposa] implica em uma transgressão direta da lei de Hashem” (Chukêi HaNassím cap. 2, com meus parêntesis). Mais ainda, todo aquele que fomenta discórdia entre marido e sua esposa – podendo até causar o divórcio – será amaldiçoado. Agora, é evidente que no mundo secular que é antagônico a Hashem, o divórcio se tornou um “meio de vida” que visa destruir a humanidade. E isso é um assunto muito antigo e de grande conhecimento das forças do mal que confundem e iludem aos tolos e arrogantes sem entendimento espiritual. Veja: está escrito, “Não é bom que o homem fique sozinho etc.” (Gênesis 2:18). E sobre isso comenta Ráshi: “Para que ninguém dissesse que existem duas autoridades no mundo – Hashem, que é único nos domínios superiores, e Ele não tem companheira; e este aqui [o homem], único nos domínios inferiores, e ele não tem companheira”. E como a sítra áchra (“lado do mal”) deseja exatamente que o homem pense sobre si como um deus inferior – a sua própria autoridade superior – inflando sua arrogância e tolice para se corromper e ao mundo, então grandes e evidentes planos maléficos têm obtido êxito para estabelecer o divórcio como sendo algo comum e inócuo na consciência caída dos homens. Aprenda isso muito bem.

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NÃO É PERMITIDO FALAR LASHÓN HARÁ DE… (Parte 2)

A pessoa não pode falar lashón hará sobre um talmid chacham ou sobre uma pessoa que não é educada na Torá (Chafêts Chaím Vol I, 8:4).

  • Falar lashón hará sobre um talmid chacham (“estudioso/erudito da Torá“) é uma transgressão extremamente séria e pode causar dano espiritual adicional.

A pessoa não pode falar lashón hará sobre um adulto ou uma criança (Chafêts Chaím Vol I, 8:3).

  • Falar lashón hará sobre uma criança é proibido porque pode prejudica-la ou causar-lhe constrangimento.
Comentário do Rabino Avraham: Os juízos de Hashem são independentes dos pensamentos dos homens, assim como está escrito: “Os Meus pensamentos não são iguais aos vossos, nem Meus caminhos são os que trilhais – diz o Eterno. Assim como muito acima da terra estão os céus, Meus caminhos são mais elevados que os vossos, e Meus pensamentos muito mais profundos que os vossos” (Isaías 55:8). Deste modo, o fato de uma pessoa julgar que outra não é um talmid chacham (mesmo se devido à sua shitah, “filiação religiosa partidária judaica”), não significa que, em primeiro lugar, a pessoa sobre quem se falou lashón hará não seja verdadeiramente um talmid chacham de acordo com o julgamento do Céu. E em segundo lugar, que deste modo o falante da lashón hará ficará eximido do grande peso adicional de ter falado lashón hará sobre um talmid chacham.

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NÃO É PERMITIDO FALAR LASHÓN HARÁ DE… (Parte 1)

A pessoa não pode falar lashón hará sobre um indivíduo ou um grupo (Chafêts Chaím Vol I, 5:8).

É um pecado sério falar de modo depreciativo sobre todo um grupo ou comunidade.

Por exemplo, não é permitido dizer:

  • “Todos os alunos do quinto grau são lentos em aprender”
  • “Todos os residentes da tal cidade são inóspitos”.
  • “Pessoas que provêm de tal lugar, geralmente, não são misericordiosas”.

Mussar (ética e moral):

E Rav Chisda disse no nome de Mar Ukva: ‘Quem fala lashón hará sobre seu amigo, Hashem diz, ‘ele e Eu não podemos residir juntos no mundo’. Assim como é dito: ‘Aquele que secretamente calunia seu próximo eu destruirei; aos de olhar insolente e coração presunçoso não tolerarei’ [Salmo 101:5]. Não leia tolerarei ‘ele’, mas sim ‘com ele'” (Talmud, Arachin 15a).

 

Comentário do Rabino Avraham: Absolutamente tudo no mundo é de acordo com o juízo de Hashem. Ainda que as Suas decisões pendam para o lado da misericórdia, pois caso contrário o mundo não sobreviveria, os “acusadores celestiais” (que registram os pecados dos homens) demandam sempre a lei de midah k’négued midah (“medida por medida”). E aqueles indivíduos que têm mérito precisam cuidar de seus erros de “generalização”, pois em acordo com a midah k’négued midah, eles também poderão ser julgados “dentro da maioria”, que afinal os anulará de um modo geral. E por isso os Sábios da Torá ensinaram: “Uma vez que a permissão é dada ao anjo destruidor, ele não distingue entre os retos e os perversos” (TalmudBava Kama 60a). E sobre os juízos que são entregues no mundo, está escrito também: “Não se mostre lá fora [em público] para que o Julgamento não repouse sobre você… E no tempo em que a Benevolência repousa sobre o mundo, ela repousa sobre tudo. Mas também, quando o Julgamento paira sobre o mundo, ele paira sobre tudo. Aquele que arrisca sobre isso será pego” (Zohar 54a, Metsora)”. E “não se mostrar lá fora” significa também, não julgar grupos inteiros, locais e cidades, pois assim como o seu julgamento “irradia no todo” (se mostrando “lá fora”, por assim dizer), o todo irradia no particular (ou seja, no falante de lashón hará). Por isso é proibido pela halachá (“lei da Torá“) viver em um bairro aonde a lashón hará é falada pela maioria (Chafêts Chaím, Kelát 9:4): para que a pessoa correta não seja contada como como um maldoso. Contudo, se houverem dez retos na cidade, ela será poupada, assim como está escrito: “E Hashem disse a Avraham: ‘Pela causa de dez retos Eu não destruirei'” (Gênesis 18:32). Por isso é vital que a pessoa se ligue a um reto e sempre “Ame a retidão e abomine a maldade” (Salmo 45:8), pois “O reto é a fundação eterna do mundo” (Provérbios 10:25). Existem muitos outros detalhes sobre estes assuntos que não posso revelar aqui.

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SOBRE E PARA QUEM NÃO SE PODE FALAR LASHÓN HARÁ

A proibição de falar lashón hará existe mesmo quando a pessoa é pressionada a falar.

 

Mussar (ética e moral):

Hashem disse: ‘Se você deseja escapar da punição do Guehinôm [Inferno], se distancie da lashón hará, e você merecerá ambos este mundo e o mundo vindouro'” (Midrash Tanchuma, Metsora).

Comentário do Rabino AvrahamTofteh, o conhecido “apelido” para o Guehinôm, já explica algo importante sobre este domínio espiritual: “MiTafteh significa ‘se abrir’ para a sua iêtser hará [‘má inclinação’]; e vocês [que permitem este ‘acesso’ dela] são aqueles que caem lá” (Rabi Yehuda Fatiyah, Minchat Yehudah, Yeshayah, siman lamed, pêi bet, pg. 123. Ver Ráshi no Talmud, Eruvin 19a). É preciso entender que ser pressionado a transgredir as proibições de lashón hará é algo que inclui a incrível “pressão interior” que a má inclinação exerce quando uma “oportunidade” se abre para que se transgride assim. É como se as palavras criassem vida, e subissem do fôlego dos pulmões, passando para a garganta, crescendo na boca e língua e chegando até os dentes da pessoa, como a lava quente que sobe de um vulcão. No entanto, saiba que é por isso que a língua é cercada dos dentes, para que estes sirvam como uma barreira para a lashón hará.

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LASHÓN HARÁ FALADA NA PRESENÇA OU AUSÊNCIA DE UMA PESSOA

Não faz diferença alguma se a pessoa sobre quem está se falando lashón hará está presente ou não (Chafêts Chaím, Vol. I, 3:1).

 

Cada um das duas situações é grave por uma razão que não se aplica a outra.

  1. Se a pessoa sobre quem está se falando lashón hará não está presente:
    • então o falante transgride a proibição de “Amaldiçoado aquele que ferir ao seu companheiro em segredo” (Deuteronômio 27:24).
  2. Se a pessoa sobre quem está se falando lashón hará sim está presente:
    • então o falante, à parte de transgredir a proibição de lashón hará, é também considerado como sendo um descarado e semeador do ódio.
Comentário do Rabino Avraham: O ausente está sempre errado, portanto falar mal de alguém em sua ausência é além de tudo, um ato de covardia espiritual – uma forma de abdução e abuso. Isto é assim, pois quando se fala mal, o foco mental do falante atinge a alma da pessoa sendo maldita, amarrando e sequestrando-a espiritualmente – obrigando ela a ser atormentada pela lashón hará. Por isso, o verso imediatamente seguinte (Deuteronômio 27:25) afirma: “Amaldiçoado aquele que receber suborno para matar uma pessoa de sangue inocente”, querendo dizer, o falante da lashón haráé “subornado” pelo seu próprio orgulho, que é força angelical ruim dos homens chamada de “má inclinação”. E é deste modo, pois a má inclinação afirma na mente do incauto, assim sussurrando: “Você quer se desabafar, pois julgou como culpada e com razão uma pessoa, seja porque você não concorda ou gosta dela etc., certo? Muito bem. Então eu trarei para fora este seu julgamento, um desabafo tão razoável, mas somente se você abrir a boca e falar mal dela, pois isso é como ‘matar uma pessoa de sangue inocente’ e a vitalidade deste sangue é o meu preço para te ‘ajudar'”. Alguém poderia pensar: “Como é possível que uma pessoa ausente tenha a vitalidade de seu sangue usada pelas forças do mal? Afinal, a lei da Torá diz: ki néfesh kol bassár damo hu, ‘a alma da carne está no sangue’ (Levítico 17:14). No entanto, eis o engodo das forças do mal: o dito “sangue inocente” é do próprio falante de lashón hará que será por sua transgressão amaldiçoado, ou seja, ligado às forças nefastas.

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LASHÓN HARÁ SOBRE UM PALESTRANTE OU PROFESSOR

A pessoa não pode dizer sobre um palestrante ou professor (Chafêts Chaím, Vol. I, 2:2 e notas in loco):

  • “Não vale a pena ouvi-lo”.

  • Ele não sabe o que está falando.

  • Ele só fala porque gosta de se escutar

Muitas pessoas não são cuidadosas e caçoam do palestrante ou professor depois de escutar uma aula ou palestra. Eles não têm consciência de que:

  • Eles causam embaraço e aflição ao palestrante, professor etc., o que frequentemente causa perda financeira também.

  • Costumeiramente, estas pessoas cometem estas transgressões publicamente, só aumentando a gravidade de seus pecados.

  • Geralmente, a qualidade do palestrante depende do ouvinte e cada pessoa tem sua impressão baseada nos suas próprias necessidades.

  • Este tipo de denigrir usualmente inclui exagero e em geral, falsidade direta.

Comentário do Rabino Avraham: O santo Zohar explica (Raya Mehemna, 43a), que “Hashem preparou o Trono Celestial com as hierarquias angelicais para assim servi-Lo: os malachim, erêlim, seráfim, chayót, ofaním, hamshalím, êlim, elohím, bnêi elohím, íshim”. Se todos os anjos celestiais servem o Criador, que dirá os homens? Absolutamente, todos as criaturas e em todos os instantes são Seus súditos. Isso é verdade mesmo sem que entendam isso. Qualquer indivíduo ou coisa no universo pode ser um emissário de mensagens apropriadas aos ouvintes que assim necessitam ouvi-las e de ações determinadas a ocorrerem por juízo celestial. Portanto, nunca se deve debochar de nada e ninguém: a mensagem ouvida pode ser vital para a pessoa. De fato, até o Samech-Mem, o “Anjo do Mal” e a própria “má inclinação” do homem – ainda que se apresente como rebelde à vontade de Hashem – cumprem sim Seus desígnios (ver Zohar 163a, Terumah).

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DUAS PESSOAS QUE FALAM LASHÓN HARÁ

O pecado é ainda maior quando duas pessoas falam lashón hará. A pessoa que está escutando dará maior credibilidade se duas pessoas contam a mesma história, do que ela daria se tivesse sido somente uma pessoa que a contasse. Consequentemente, o dano causado é maior (Chafêts Chaím, Vol. I, 5:8).

Mussar (ética e moral):

Rabi Eliézar ben Parta ensinou: Venha e veja o poder negativo da lashón hará. Como isto pode ser visto? Através do relato sobre os espiões enviados para viajar na Terra de Israel [Números 13]. Se os espiões que apenas falaram pejorativamente sobre as árvores e pedras foram severamente punidos, quem fala de modo depreciativo sobre um amigo é verdadeiramente sujeito à punição severa” (Talmud, Arachín 15a).

Comentário do Rabino Avraham: Na medida em que a pessoa se imbui da lashón hará em todo seu corpo e alma – com todo o seu coração – maior ainda é a gravidade contabilizada desta transgressão. Segue que, os ambientes familiares (e íntimos em geral) precisam ser muito cuidados e preservados desta praga. E isto é difícil exatamente devido à intimidade e amizade que geram naturalmente um sentimento de permissibilidade, justificativa e empatia sobre o assunto e a pessoa que faz lashón hará. Os pais precisam dar exemplos para seus filhos, jamais cometendo esta transgressão com eles, pois além de tudo, quando os filhos são menores do que a idade que o pecado é contado – vinte anos – o débito da transgressão recairá quase que integralmente sobre os próprios pais, porque eles que são espiritualmente responsáveis pelos filhos. Cuidado! Sua alma pode estar em perigo.

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FALANDO LASHÓN HARÁ EM PÚBLICO

Quantas maior o número de pessoas falando lashón hará, tanto maior o pecado do falante, que causa mais pessoas de transgredirem (Chafêts Chaím, Introdução, Quarta Proibição).

Portanto, a pessoa que regularmente fala em público – por exemplo, um político, palestrante ou professor etc. – deveria ser excessivamente cuidadoso para se restringir de falar qualquer coisa que seja depreciativo em seu pronunciamento.

Mussar (ética e moral):

“O poder da fala do homem é  uma força espiritual e tem grande efeito nas esferas mais altas. Consequentemente, o dano causado pela fala inapropriada nos mundos superiores é severa e espantosa. E quanto maior o dano, tanto maior a punição” (Shmirát HaLashón, Sha’ar Hazchirah, cap.1 ).

Comentário do Rabino Avraham: O mundo é marcado por comportamentos anti-Torá, significando, anti-D’us. É comum cada vez mais pessoas se encontrarem para se embriagarem, rirem muito (com grande força e deboche), tendo como foco falar mal de outras pessoas. E tudo é “justificado” pelo falso valor do entretenimento vazio que eles buscam. E este é o caminho do perverso: daqueles que vivem estritamente pela idolatria de seu corpo e suas vontades passageiras, da sua arrogância. E assim como está escrito: “‘Seguindo seu próprio coração’ [Números 15:39], e isto se refere á heresia. E ‘O tolo diz em seu coração: Hashem não existe’ [Salmos 14:1], e isso o leva à imoralidade etc.” (Talmud, Berachót 12b). Aliás, uma das características mais marcantes da sociedade secular, dos valores imorais e da vida baixa e sem Hashem é o traço de caráter de ser o “palhaço” de um grupo de pessoas – de constantemente buscar fazer o outro rir, contando piadas e de insistir continuamente em fazer humor de tudo. Existe uma pesada klipah/força negativa chamada de lêitz (“zombador” ou “escarnecedor”) que é a origem espiritual deste traço tão negativo de caráter. Não é à toa que o mal no seu retrato da iêtser hará/má inclinação é chamado também de “O velho e tolo rei” (Eclesiastes 4:13.). A tolice do palhaço o faz cair nas profundezas da transgressão das leis de YKVK, levando outros junto com ele.Ainda que uma pessoa acumule enormes transgressões ao causar outros de caírem, os tolos que assim se permitem cair, também serão responsabilizados por seus atos contrários a uma vida digna e reta.

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O BA’AL LASHÓN HARÁ

A pessoa quem regularmente fala lashón hará e não faz esforço algum para tentar se restringir de continuar a cometer este pecado, é referida pelos nossos Sábios como um

Ba’al lashón hará

(literalmente o mestre da lashón hará) e sua punição é mais severa ainda.

Mussar (ética e moral):

“Nossos Sábios disseram: Existem três pecados pelos quais o homem é arrebatado deste mundo e que também previnem ele receber uma porção no mundo vindouro. Eles são: adorar falsos deuses, relações sexuais ilícitas, assassinato. Mas, a proibição de falar lashón hará é equivalente a todos eles. E os Sábios trouxeram prova das Escrituras para sustentar esta opinião. E nossos mestres anteriores explicaram que eles se referiam às pessoas que se se tornaram acostumadas de violar constantemente esta proibição e que não fazem tentativa alguma para se restringir, pois eles vêem isso como sendo permitido” (Chafêts Chaím, Vol. I, 1:4).

Comentário do Rabino Avraham: Mesmo pessoas mais dignas e retas estão sujeitas a cair através da lashón hará. Em um mundo tão profundamente irreverente, repleto de escárnio e falta absoluta de pudor em tudo, é uma tarefa enorme se restringir de fazer (e ouvir) lashón hará. De fato, é a marca de um gigante espiritual, pois como disseram os Sábios: “Quem é poderoso? Aquele que subjuga a sua má inclinação” (Pirkê Avót 4:1). Para os retos é fácil observar a perversidade de um ba’al lashón hará (mesmo se disfarçada). Mas como pode uma pessoa mais simples tomar consciência sobre alguém assim, para que se afaste dele correndo? Está escrito: “Quando a pessoa faz lashón hará, todos os seus membros são manchados… Esta fala maldosa sobe para o Alto e chama para baixo, para a pessoa, um espírito ruim” (Zohar 53a, Metsora). Ela fica possuída. E na linguagem comum vê-se isso quando é observado como esta pessoa é “afetada”, seja com maneirismos bizarros , através de suas noções morais ultrajantes e que quando exibidas fazem os tolos e baixos rirem insensatamente (tipicamente nos bares, festas e reuniões familiares), das suas ações ‘estranhas’ (uma palavra pesada na Torá usada para idolatria), entre inúmeras outras formas. É vital se afastar de um ba’al lashón hará, pois ele representa perigo de vida (para si mesmo) e mais ainda, para quem o escuta. Aprenda isso bem.

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A SEVERIDADE DE FALAR LASHÓN HARÁ

Alguns exemplos aonde a severidade da proibição de Lashón Hará é particularmente grande.

Mussar (ética e moral):

“E a maneira mais importante na qual a pessoa pode ganhar uma porção no mundo vindouro é guardar a sua fala. E isso é maior do que toda a Torá e as boas ações, pois fala é o mais santo do santo”  (O Gaón de Vilna, Iguéret HaGra).

Comentário do Rabino Avraham: Veja a profundidade desta transgressão! De fato, poucas se comparam a ela em termos de seu efeito maléfico. Aprendemos na porção Shelách Lechá que devido a lashón hará feita pelos espiões de Moshe Nosso Mestre (sobre a terra santa, prometida por Hashem ao Povo de Israel) o povo não foi permitido de entrar nela. Mais ainda, esta geração toda (menos Josué e Caléb) que testemunhou a milagrosa outorga da Torá no Sinái pelo D-us Vivo, morreu no deserto. O santo Zohar ensina que “Todo aquele que ousou a adentrar a terra de Israel naquele tempo, morreu imediatamente ao entrar. Que mal terrível foi feito pela lashón hará” (Zohar 161a, Shelách Lechá). E por gerações e gerações o povo judeu teve que chorar e se lamentar pelo decreto Divino deste incidente. A terra santa de Israel é um intenso aspecto do mundo vindouro que então foi negada ao povo até aquela primeira geração que saiu do Egito morrer, mas que mais presenciou milagres esplendorosos em toda história humana: “Mesmo uma escrava que atravessou o Mar Morto viu mais revelações proféticas do que o profeta Ezequiel” (Zohar 22b, Vayicrá). Portanto, entendemos que guardando a língua, a pessoa merecerá uma porção do mundo vindouro – de ser permitida entrar na Terra Santa de Israel, se D-us quiser.

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A LASHÓN HARÁ “AMÁVEL”

A proibição de lashón hará inclui falar sobre uma pessoa como se o falante não soubesse que o assunto discutido era lashón hará, ou relatar algo sem mencionar nomes quando é conhecimento comum que a história diz respeito a um indivíduo específico (Chafêts Chaím, Vol. I, 3:5).

Mussar (ética e moral):

“‘Não digas ao anjo que foi inadvertido’ [Eclesiastes 5:5]. Sobre isso, a pessoa não deve dizer (a si mesma), ‘Eu farei lashón hará e ninguém saberá’.  Hashem diz para a pessoa, ‘Saiba que Eu enviei um anjo e ele se está ao seu lado e grava tudo que você diz sobre as outras pessoas’. E de onde isto é derivado? O verso [em Eclesiastes 10:20] afirma: ‘Mesmo em seus pensamentos não amaldiçoe um rei’ E porque é dito isso? ‘Pois os pássaros no céu carregarão a voz’ [íbid. Eclesiastes]. E qual o significado de ‘aqueles com asas recontarão’ [íbid.]? Isto se refere aos anjos, sobre quem é dito: ‘E eles tinham seis asas, seis asas atrás deles’ (Isaías 6:2)” (Midrash, Devarim Rabah 6:5).

Comentário do Rabino Avraham: O assunto de responsabilidade espiritual sublinha todas estas halachót/leis. A paz gerada pelos comportamentos retos é um “recipiente espiritual” para as bênçãos na vida da pessoa. Qualquer coisa – sabida ou não – que perturbe a paz implica no afastar do fluxo de bênçãos da vida da pessoa, pois a Presença Divina jamais paira aonde existe a contenda. A lashón hará tem uma grande força perturbadora e é responsável pela destruição de mundos: eis o poder da fala. E sem entendimento, a pessoa que faz lashón hará destrói, inclusive, o seu próprio mundo, diminuindo assim o fluxo de seu sustento, vida e filhos. Aprenda isso bem

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QUANDO A IMPLICAÇÃO DO DEPOIMENTO DEPENDE SOBRE QUEM É FALADO

A mesma conversa pode ser lisonjeira quando falada sobre Reuvên ou depreciativa quando falada sobre Shimón (Chafêts Chaím, Vol. I, 4:6).

 

  • A HISTÓRIA: Ele estuda Torá três horas por dia.
  • ELOGIO: Se a pessoa sobre quem se falou precisa trabalhar longas horas para ganhar seu sustento.
  • DEPRECIATIVO: Se a pessoa tem um tempo livre considerável.
  • ———————————————————————————-
  • A HISTÓRIA: Ele deu “x” quantidade de dinheiro para tsedacá ou para comprar comida para o Shabat.
  • ELOGIO: Se a pessoa é pobre.
  • DEPRECIATIVO: Se a pessoa é rica.
  • ———————————————————————————-
  • A HISTÓRIA: Descrevendo como a pessoa trata seus empregados.
  • ELOGIO: Se a pessoa é um indivíduo simples.
  • DEPRECIATIVO: Se a pessoa é um indivíduo de grande reputação moral.

Falas semelhantes que constituem um elogio para Reuvên e depreciação para Shimón abrangem todas as áreas da vida.

Comentário do Rabino Avraham: Como tudo na Torá, as leis de tsedacá são inúmeros. Não somente dinheiro é considerado tsedacá, ainda que  seja o mais comum. exemplo sobre a comida para o Shabat é estritamente aplicável aos judeus, mas certamente outras situações semelhantes poderiam ser exemplificadas para uma aplicação geral. O ponto é a relatividade do que se fala sem pensar e conhecer as leis de Hashem, mas os erros desta espécie podem ser lashón hará absolutas. Por isso que uma pessoa que busca crescer espiritualmente precisa antes de mais nada aprender a não presumir nada. Nada! E sim, perguntar a uma autoridade qualificada, um homem de D-us de fato. O Talmud explica muito bem este ponto e diz: “Se um rabino [que você procura para te ensinar] é como um anjo de D-us, então busque aprender Torá dele [e seja  muito humilde]. Contudo, se ele não é como um anjo de D-us, não busque aprender Torá dele” (Tratado de Moêd Katan 17a).

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ASSUNTOS INCLUÍDOS NA PROIBIÇÃO DE LASHÓN HARÁ – PARTE 8

8. Depreciando uma pessoa por sua falta de alguma qualidade a qual qualquer pessoa deseja possuir.

Sobre a riqueza (Chafêts Chaím, Vol. I, 5:5):

  • Um indivíduo não pode dizer que outra pessoa não é tão rica quando as pessoas pensam ou que ele está muito endividado.

Fazer isso pode causar indivíduos de cessarem de emprestar dinheiro para esta pessoa ou estender mais crédito.

Sobre o caráter da pessoa (Chafêts Chaím, Vol. I, 4:9):

  • Um indivíduo não pode dizer que outra pessoa é arrogante ou que ela facilmente se enraivesse.

É possível que a pessoa se arrependa sinceramente por seus maus hábitos ou que ela seja inconsciente das proibições que são relativas aos traços de caráter.

Comentário do Rabino Avraham: Mesmo se for verdade, falar de modo depreciativo sobre uma pessoa é lashón hará, portanto uma transgressão da Torá. Da mesma forma como hoje em dia inúmeros comportamentos imorais se tornaram comuns, a maledicência é feita sem pudor algum. Pelo contrário, pois aquele que quer se afastar dela é criticado e zombado. Isto é produto do rebaixamento humano crescente e não do que é natural e correto, ou seja, das Leis da Hashem. Existem várias formas de revelar os constantes pensamentos severos das pessoas. Todas são formas de imposição egotista que desdenham a paz e harmonia necessárias para o mundo. A lashón hará é um hábito arraigado que muitas pessoas até se espantam (e se ofendem) quando corrigidas. Isto é sintomático dos constantes julgamentos severos que pessoas fazem sobre outras pessoas e de sua distância de Hashem. Esta distância é a força anti-D’us chamada de ego, orgulho e arrogância. Estes são os demônios mais nefastos! Enfim, deste modo (ou seja, devido aos julgamentos severos que as pessoas fazem sobre outras pessoas e as coisas da vida), a realidade se torna um recipiente preenchido por juízos, dor e angústia. Portanto, é vital romper com esta praga da maledicência e de fato, julgar o próximo com benevolência e mérito. Saiba que no modo que a pessoa julga, assim ela é também julgada pelo Alto.

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ASSUNTOS INCLUÍDOS NA PROIBIÇÃO DE LASHÓN HARÁ – PARTE 7

7. Depreciando uma pessoa por sua falta de alguma qualidade a qual qualquer pessoa deseja possuir.

Sobre as habilidades (Chafêts Chaím, Vol. I, 5:4):

  • Um indivíduo não pode dizer que outra pessoa não é habilidosa no seu trabalho.

Fazer isso pode causar perda real para a pessoa, pois como resultado outros indivíduos podem relutar em contratá-la.

Sobre os bens (Chafêts Chaím, Vol. I, 5:7):

  • Uma pessoa não pode falar de modo depreciativo sobre os bens que outra pessoa vende.

Por exemplo, uma pessoa não pode dizer que os bens vendidos por um lojista são inferiores porque ao fazer isso é possível causar-lhe perda substancial. Este tipo de fala é muito comum entre competidores etc.

Comentário do Rabino Avraham: Sobre as habilidades, cada pessoa vem ao mundo com virtudes e defeitos específicos e singulares, que se combinam em sua vida e que são o meio exato pelo qual a pessoa deve aproveitar a chance de sua vida para se retificar. Antes da alma descer para o mundo físico, a ela é revelada todas as habilidades e deficiências que terá na vida terrestre. No domínio superior, a alma tem a oportunidade de aceitar ou negar a sua missão. Isto é assim, pois Hashem é o Daiyán HaEmêt/Juiz da Verdade, e tudo vem ao mundo pelo din/juízo perfeito d’Ele. Veja: um sábio não pode se orgulhar de sua facilidade em ter sabedoria, porque esta é uma virtude natural sua. Assim como um homem forte vem ao mundo com força maior do que outros, mas de fato isso é apenas natural a ele etc. Agora, sobre os bens vendidos, aqui vivemos no olám ha-shéker/o mundo da mentira. Algo pode “parecer” superficialmente melhor, mas sua raiz espiritual ser bem inferior. Existem incontáveis exemplos disso. Evidentemente que nos assuntos materiais é preciso sim estar atento sobre a qualidade e honestidade dos produtos e quem os vendem. Não se deve “prestigiar” locais idólatras (em particular próximo às datas que celebram as entidades idolatradas por estes indivíduos), imorais e corruptos, lá “comprando e frequentando”, pois o dinheiro certamente será usado para perpetuar estes desvios nefastas (e tão comuns na sociedade secular pagã e idólatra) e assim escurecer o mundo, que D-us tenha misericórdia. Aliás, din é a raiz da palavra “dinheiro”, significando que a maneira como a pessoa gasta seu dinheiro é contabilizada no “livro” do seu registro de vida para assim ser julgado no tempo certo. Enfim, nunca se deve causar dano a alguém como ensinado sobre a lashón hará, pois este é o caminho dos perversos. As exceções sobre este assunto serão tratadas aqui oportunamente, se D-us quiser.

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ASSUNTOS INCLUÍDOS NA PROIBIÇÃO DE LASHÓN HARÁ – PARTE 6

6. Depreciando uma pessoa por sua falta de alguma qualidade a qual qualquer pessoa deseja possuir.

Sobre a sabedoria (Chafêts Chaím, Vol. I, 5:2):

  • Um indivíduo não pode dizer que outra pessoa é pouco inteligente/boba.

Fazer isso pode causar angústia ou mesmo perda real. Por exemplo, se a pessoa sobre quem se falou não é casada, uma parceira potencial pode decidir evitar o casamento com ele devido ao que foi falado. De modo semelhante, se a pessoa trabalha com negócios, outras pessoas podem decidir não lidar com ela por isso.

Sobre a força física (Chafêts Chaím, Vol. I, 5:5):

  • Um indivíduo não pode dizer que outra pessoa é fraca fisicamente.

Fazer isso pode causar perda substancial para uma pessoa. Por exemplo, se ele é um trabalhador assalariado e seu empregador escuta que ele é fisicamente fraco, ele pode perder seu emprego.

Comentário do Rabino Avraham: A arrogância do homem traz incontáveis danos à sua própria realidade e ao mundo. Existe uma manifestação “sutil” do orgulho que é a severidade no julgamento do próximo. Ou seja, salvo quem foi (por algum motivo de interesse) “elegido” pela pessoa como merecedor de apreciação e deferência, os outros em geral são sempre julgados para baixo – com falhas e deficiências notáveis. O orgulho se encarrega de presumir que o outro está sempre errado e é inferior. Os sábios da Torá ensinam com clareza inequívoca: Havêi dán et kól ha-adam lekáf z’chut, “Julgue a cada pessoa favoravelmente” (Pirkê Avót 1:6). Eis o caminho a seguir sempre.

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ASSUNTOS INCLUÍDOS NA PROIBIÇÃO DE LASHÓN HARÁ – PARTE 5

5. Depreciando uma pessoa por sua falta de alguma qualidade a qual qualquer pessoa deseja possuir.

Sobre o estudo da Torá (Chafêts Chaím, Vol. I, 5:4):

  • Uma pessoa não pode falar sobre alguém considerado um erudito da Torá que a ele falta algum conhecimento particular em alguma área.

Ao fazer isso, o falante diminui o respeito que o erudito da Torá tem, assim como causando-o dano monetário. Além disso, este tipo de fala causa a honra da Torá ela mesma de ser diminuída.

  • Uma pessoa não pode dizer que um rabino ou educador da Torá não é um erudito da Torá.

Além da afronta pessoal feita sobre quem se está falando, este tipo de fala causa a honra da Torá de ser diminuída, podendo resultar no declínio geral no grau de cumprimento religioso.

Comentário do Rabino Avraham: Este assunto da honra do erudito só é aplicável de fato na própria comunidade judaica. É preciso dizer que existem vários indivíduos não preparados para ensinar nada sobre Judaísmo, mas que fazem uso dos meios de comunicação como a Internet etc. para disseminar conhecimento sem valor de Torá, distorcidos de modo que inclusive prejudica os não judeus que desejam aprender sobre as “Sete Leis dos Filhos de Nôach“, bem como mentindo sobre a possibilidade de conversões (no Brasil), Anussím, “Cabala”, etc. Isto é muito grave. Estes indivíduos não são eruditos da Torá e todos os não judeus precisam ser muito cuidadosos com suas almas e não achar que podem confiar em qualquer pessoa que os aceita em qualquer grau, assim como é feito normalmente em outras religiões. Estes que procuram Hashem, mas em sua ignorância caem nas garras destes ímpios se tornam presas fáceis, pois não têm conhecimento algum de Judaísmo e se impressionam com qualquer coisa, principalmente com indivíduos que tudo facilitam e dizem que toda a Torá é sim aplicável aos não judeus etc. Se estes indivíduos enganando judeus e não judeus são de fato do Povo de Israel, eles são completamente rejeitados pela comunidade observante (ortodoxa) da Torá e suas palavras não têm qualquer valor. Eles são grande pecadores que serão duramente julgados no tempo certo. Se estes indivíduos nem são judeus de fato (ou seja e unicamente, se nascidos de ventre materno judeu ou convertidos pela halachá/lei judaica ortodoxa), então é absurdo, insensato e infantil ouvi-los, pois a Torá é do Povo de Israel. Portanto, é vital ter muito cuidado com estes charlatões perigosos e que se multiplicam em nosso tempo cínico e dissimulado. Cuidado! Sua alma pode estar em perigo.

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ASSUNTOS INCLUÍDOS NA PROIBIÇÃO DE LASHÓN HARÁ – PARTE 4

4. Referências as mitsvót ou proibições entre o homem e seu próximo (Chafêts Chaím, Vol I, 5:1).

Por exemplo:

  • Um indivíduo não pode relatar que uma pessoa se recusa a dar empréstimos.
  • Um indivíduo não pode relatar que uma pessoa é descortês/rude ou que ela se recusa a ajudar ao próximo.
  • Um indivíduo não pode relatar que uma pessoa é vingativa.
  • Um indivíduo não pode relatar que uma pessoa é contenciosa nos negócios ou tira proveito injusto de outros (Chafêtz Chaím, Vol. I, 4; Be’er Mayim Chaím 3).
Comentário do Rabino Avraham: Estas leis não se aplicam “em toda a sua dimensão” aos não judeus (Noéticos). Contudo, toda conduta digna e moralmente exemplar certamente avança o estado de retificação da pessoa e ajuda no estabelecer de um mundo mais santificado. E isto é igualmente verdadeiro para os gentios, pois afinal a halachá afirma (ver Mishnêi Torá) que muitas mitsvót são permitidas de serem cumpridas pelos gentios Noéticos para que recebam mérito (z’chút) e aumentem sua porção no mundo vindouro.

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ASSUNTOS INCLUÍDOS NA PROIBIÇÃO DE LASHÓN HARÁ – PARTE 3

3. Referências as mitsvót ou proibições entre o homem e D-us (Chafêts Chaím, Vol. I, 4:1).

Por exemplo:

  • Um indivíduo não pode relatar que uma pessoa violou ou falhou em cumprir uma proibição da Torá ou requerimento. (Exemplo: o fato desta pessoa não estudar Torá ou que ela tem o hábito de mentir. É importante observar que apesar de ser um tipo de fala muito comum e o potencial constrangedor é consideravelmente menor, é considerado lashón hará).
  • Um indivíduo não pode relatar que uma pessoa não é zelosa no cumprimento dos detalhes das mitsvót. (Exemplo: que uma pessoa é avarenta. Ou, que ela não honra o Shabat de modo apropriado*).
  • Um indivíduo não pode relatar que uma pessoa é negligente em cumprir os decretos Rabínicos de acordo com o modo preferido deles serem realizados (Chafêts Chaím, Vol. I, 4:2).

Mesmo se estas coisas são verdadeiras, ainda sim elas são proibidas como lashón hará. Um indivíduo deve assumir que que a pessoa ou falhou inadvertidamente de agir de modo apropriado e não sabia que suas ações eram proibidas ou assumir que a proibição que ele violou foi apenas de um rigor opcional.

Comentário do Rabino Avraham: Sobre a questão de ser avarenta, isso é devido ao fato que toda pessoa que acredita em Hashém e Sua Providência constante deveria dar tsedacá de acordo com suas possibilidades etc., sem temer que este valor doado para uma causa justa  lhe faltará. De fato, é muito pelo contrário. Ela será abençoada por este ato retificador. Sobre o não honrar do Shabat, obviamente, um assunto estritamente judaico. É proibição da Torá e perigo de vida para um não judeu buscar cumprir o Shabat. Sobre o assunto de “rigor opcional”, ou chidurím, existem níveis de cumprimento das mistvót que vão além da halachá (“lei”), como os rigores dos cabalistas, para que possam viver uma vida mais santificada. Raros são os indivíduos que vivem assim, mas alguns rigores e os minhaguim (“costumes da comunidade ou família”) são frequentes no mundo judaico ortodoxo.

* Note que o Shabat is um mandamento exclusivo do Povo de Israel.

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ASSUNTOS INCLUÍDOS NA PROIBIÇÃO DE LASHÓN HARÁ – PARTE 2

1. Referências às ações dos ancestrais de uma pessoa ou seus parentes (Chafêts Chaím, Vol. I, 4:1)

Por exemplo:

  • “O pai de Reuvên era conhecido como uma pessoa corrupta”.
  • “Eu conheci o avô de Shimón. Era difícil fazer negócios com ele”.

2. Referências às ações anteriores de uma pessoa (Chafêts Chaím, Vol. I, 4:1)

Por exemplo:

  • “Quando criança, ele não era considerado um bom aluno”.
  • “Até alguns anos atrás, ele não era tão cuidadoso sobre cumprir as mitsvót como ele é agora”.

Estes tipos de referências são depreciativas (Chafêts Chaím, Vol. I, 4:1) e não tem valor algum (retornaremos a este assunto mais adiante, se D-us quiser).

A pessoa sobre quem é falado algo negativo pode ter mudado e um indivíduo não pode falar sobre os erros anteriores desta pessoa e nem sobre o s seus ancestrais.

Comentário do Rabino Avraham: O assunto de “ter mudado” é fundamental. Uma pessoa que busca retificação a alcançará de acordo com seu desejo fiel de se ligar a Hashem e corrigir os seus inúmeros erros e distorções de caráter. Este é o propósito real do homem na vida: a correção de seu caráter.  E quando o aluno está pronto, o mestre aparece.

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ASSUNTOS INCLUÍDOS NA PROIBIÇÃO DE LASHÓN HARÁ – PARTE 1

A fala depreciativa sobre uma pessoa abrange muitas áreas. Nos próximos posts, faremos um esboço de muitas delas, incluindo:

  • referências às ações dos ancestrais da pessoa ou às ações do seu passado.
  • referências aos mandamentos e proibições entre o homem e Hashém (Mitsvót Bêin Adam L’Makóm).
  • referências as mitsvót (“mandamentos”) e proibições entre o homem e seu próximo (Mitsvót Bêin Adam L‘Chaveirô).
  • referências aos traços de caráter de uma pessoa.

Mussar (ética e moral):

Hashem disse a Israel: ‘Meus filhos amados, estou Eu faltando em algo que preciso pedir-lhe para prover? E o que eu peço de vocês? Que vocês amem uns aos outros, que vocês respeitem uns aos outros e que vocês temam uns aos outros” (Tanna D’vei Eliyahu, cap. 28).

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O QUE É LASHÓN HARÁ?

1. Falar de modo depreciativo sobre outra pessoa (Chafêts Chaím, Vol. I, 1:1; 5:1-2)

Torá proíbe falar de modo depreciativo sobre alguém

  • mesmo se nenhum dano é causado como resultado (Chafêts Chaím, Vol. I, 3-6)
  • mesmo se o falante tem certeza que nenhum dano resultará no futuro.

2. Fala que possa causar prejuízo para outra pessoa, ou sua propriedade, ou que possa causar-lhe dor ou a amedrontar (Chafêts Chaím, Vol. I, 3:6)

  • Fala que possa causar qualquer forma de dano monetário, dor ou constrangimento é proibida mesmo se não for depreciativa.
Comentário do Rabino Avraham: Vale ressaltar que o significa de dor aqui tem várias interpretações, desde a física até qualquer aspecto emocional. A questão da dor física é complexa, pois uma lashón hará pode causar com que eventos ocorram e até levem a atos perversos. Contudo, mesmo causar dor emocional por lashon hará é proibido. Note que a dor emocional tem um componente físico também, uma vez que o domínio emocional tem um aspecto abstrato/mental e um físico/biológico.

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O QUE CONSTITUI LASHÓN HARÁ?

Formas de fala proibidas como Lashón Hará

“Muitas pessoas no Dia do Juízo serão mostradas uma lista de seus atos meritórios. Falhando em reconhecer alguns deles, eles dirão: ‘Nós nunca fizemos isso!’ A eles será dito que os feitos se realizaram através das pessoas que falaram de modo depreciativo sobre eles. De modo semelhante, quando aqueles que falaram mal de alguém descobrirem que atos bons realizados não foram contabilizados, eles ficarão pasmos e se perguntarão: o que foi feito deles? E a eles será explicado pela Corte Celestial: ‘Eles foram removidos de sua contabilidade espiritual e creditados na conta da pessoa sobre quem vocês falaram mal’. Adicionalmente, eles encontrarão registros de atos negativos que nunca cometeram de fato. Quando eles disserem, ‘Nós nunca fizemos isso!’, eles serão informados que estas ações foram debitadas deles, pois eles falaram mal de alguém” (Chovót HaLevavót, Sha’ar Hakniah 7).

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INTRODUÇÃO

O Chafêts Chaím

O grande sábio, o Rabino Israel Meir HaCohen Kagan, de abençoada santa memória, é comumente conhecido como o Chafêts Chaím, o nome de sua famosa obra sobre o “guardar da língua”. Ele nasceu em Zhetel, Polônia no dia 6 de Fevereiro de 1838. O maior legado do Chafêts Chaím foram os 21 sefarím (“livros santos”) que ele publicou. A sua primeira obra chamada de Chafêts Chaím (1873) foi sua tentativa inicial de organizar e clarificar as leis sobre a fala maldosa e fofocas. Este assunto vital na Torá é obviamente judaico. Contudo, vários rabinos no mundo concordam que os Noéticos (não judeus que desejam se alinhar a Torá) também devem seguir estas leis. Eu sou um deles, pois afinal a essência das Sete Leis dos Filhos de Nôach é promulgar a consciência sobre Hashem e criar um ambiente mundial harmônico. A lashón hará tem efeitos físico e espirituais devastadores para o homem e o mundo em geral. Portanto, uma sociedade digna e no caminho evolucionário real precisa aprender a romper com o vício danoso de falar mal de outrem e espalhar boatos. Esta é a missão deste material iluminado, com a ajuda do Céu, amém.

Rabino Avraham Chachamovits

 

Nota: Todo este material – com a exceção da introdução e de meus comentários – provém do livro Taharas Halashon do Rabino Ze’ev Greenwald.

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