NÃO É PERMITIDO FALAR LASHÓN HARÁ DE… (Parte 3)

A pessoa não pode falar lashón hará sobre uma pessoa, seja ela aparentada ou não (Chafêts Chaím Vol I, 8:1).

  • Falar lashón hará sobre um parente é proibido apesar de que usualmente, o parente não se importa. Adicionalmente, mesmo que o motivo (da lashón hará) não seja para depreciar o parente, mas sim uma expressão de um desejo pela verdade, a pessoa é proibida de falar lashón hará.

A pessoa não pode falar lashón hará sobre sua própria esposa (Chafêts Chaím Vol I, 8:2).

  • É muito comum cair neste tipo de lashón hará, por exemplo, quando o marido fala (lashón hará) para os seus parentes sobre a sua esposa ou a família dela.
Comentário do Rabino Avraham: Pela Providência Divina, a leitura de hoje da Torá (Gênesis 13:5, terceira porção, Lech Lechá) traz o assunto de falar sobre parentes: “E disse Avraham a [seu sobrinho] Lóte: Não haja, te rogo, briga entre mim e ti, e entre meus pastores e teus pastores, porque homens irmãos somos nós” (Gênesis 13:8). E porque Avraham então comentou sobre o grupo todo de pastores e ainda mais sendo eles todos parentes? Porque, primeiro, seu comentário não foi depreciativo (algo impensável para o patriarca Avraham). E segundo, pois verdadeiramente, “Os pastores de Lóte eram perversos” (Ráshi no Gênesis 13:7). E sobre os perversos hereges é uma mitsvá falar mal (Chofêts Chaím, Kelát 8:5. Contudo, existem definições e parâmetros adicionais importantes sobre este assunto. Ver Talmud, Sanhédrin 99b; Kelát 8:7, Mekor HaChaím et. al.). Em outro nível, sobre o escrito, “homens irmãos somos nós”, Ráshi explica que “Eles [Avraham e Lóte] pareciam um com o outro nas suas feições”. A guemátria (mispár gadól) de domín (“eles pareciam”) é 110, a mesma de ám (“povo”). O acaso é Hashem agindo no anonimato, mas Sua Providência é perfeita. Todos os parentes de uma pessoa formam um grupo ou “povo” com “feições parecidas”, misticamente significando os partsúfim (“faces”) – os grupos de características espirituais que estas pessoas representam e que exatamente através de sua união familiar propiciam reais oportunidades de retificação para todos deste “povo”. Isto é assim uma vez que cada atributo que um membro do grupo não possui, se encontra revelado em outro parente por desígnio Divino. Portanto, quando se fala mal de um parente, se deprecia uma qualidade ainda latente do próprio falante ele mesmo. E certamente ele muito necessita da sublimação do seu caráter no ponto particular deste atributo de caráter enxergado e julgado no parente. Agora, quando um parente é inquestionavelmente um rashá (“maldoso”) – se todos do “povo” concordarem com isso – ele então representa o refugo mais intenso de todos deste grupo. E certamente uma kilpah (“força negativa”) tão intensa precisa ser expurgada do povo, assim “Destruindo sua impureza e consumindo sua sujeira” (Ezequiel 24:11). E assim são as histórias da vida encenadas em arquétipos pelos patriarcas (ma’aseh avót siman le vanim, “os atos dos patriarcas são sinais para sua descendência”), pois como está escrito: “[E Avraham disse a Lóte]: Separa-te, rogo, de mim; se vais à esquerda, irei à direita, e se à direita vais, irei à esquerda” (Gênesis 13:9). É preciso ainda falar sobre o assunto da esposa. O Rabi Yossêf Chaim (o “Ben Ish Chái“) nos recorda que “uma das primeiras mitsvót da Torá [igualmente aplicáveis aos judeus e os não judeus] é amar a esposa, assim como está escrito: ‘O homem deve deixar seu pai e sua mãe e unir-se à sua mulher, e assim serão como uma só carne’ [Gênesis 2:25]. O casamento com a esposa é uma indicação de alma gêmea, portanto é essencial que o casamento seja permeado por amor e devoção de um para o outro. Segue que qualquer forma de alienação [sem justificativas sérias] de um para com o outro [proposital, inadvertida, pelo marido ou sua esposa] implica em uma transgressão direta da lei de Hashem” (Chukêi HaNassím cap. 2, com meus parêntesis). Mais ainda, todo aquele que fomenta discórdia entre marido e sua esposa – podendo até causar o divórcio – será amaldiçoado. Agora, é evidente que no mundo secular que é antagônico a Hashem, o divórcio se tornou um “meio de vida” que visa destruir a humanidade. E isso é um assunto muito antigo e de grande conhecimento das forças do mal que confundem e iludem aos tolos e arrogantes sem entendimento espiritual. Veja: está escrito, “Não é bom que o homem fique sozinho etc.” (Gênesis 2:18). E sobre isso comenta Ráshi: “Para que ninguém dissesse que existem duas autoridades no mundo – Hashem, que é único nos domínios superiores, e Ele não tem companheira; e este aqui [o homem], único nos domínios inferiores, e ele não tem companheira”. E como a sítra áchra (“lado do mal”) deseja exatamente que o homem pense sobre si como um deus inferior – a sua própria autoridade superior – inflando sua arrogância e tolice para se corromper e ao mundo, então grandes e evidentes planos maléficos têm obtido êxito para estabelecer o divórcio como sendo algo comum e inócuo na consciência caída dos homens. Aprenda isso muito bem.

tzedakah

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