CABEÇAS ERGUIDAS

Ka’asher tsiva Hashem et-moshe vayifkedem bemidbar sinai, “Como YKVK ordenara a Moshe, contou-os no deserto de Sinai” (Bamidar 1:19). Veja: a palavra ויפקדם vayifkedem, (“contou-os”) tem guemátria 240, e surpreendentemente a guemátria atbash dela também é 240. No método de guemátria atbash, a primeira letra do alfabeto (alef) é substituída pela última (tav), a segunda (bet) pela penúltima (shin) e assim por diante invertendo o alfabeto. Este método busca na palavra ou frase a “mensagem secreta” oculta no resultado. Conceitualmente, o segredo neste caso é a própria palavra original, querendo dizer que “contar” é o próprio Sód (“o nível oculto/íntimo da Torá”) de “contar”. Isto é na verdade algo profundo e ao mesmo tempo em que pertence à natureza dos números. De modo geral, quando pensamos em um número, sabemos que ele representa alguma quantidade objetiva. Contar é a ação de encontrar o número de elementos de um conjunto finito de objetos, de estabelecer a correspondência entre o conjunto sendo contado e o conjunto de números (maior). Em outro nível, contar é “estabelecer”, no sentido de afirmar a existência e identidade. Portanto, a contagem do Bnei Israel identifica-o no mundo de modo revelado, permitindo assim a sua afirmação como um grupo escolhido, o seu reconhecimento. Sobre a contagem, o Bamidbar 1:2 usa a expressão S’eu et rosh kol adat bnei Israel, que significa literalmente, “Erga a cabeça de todos os filhos de Israel”. E o Shem M’Shmuel neste passúk comenta que, “O censo deu força ao Ego do povo”. Ou seja, o fato de que todos foram contados individualmente foi uma maneira de enfatizar a autoestima de cada judeu que assim vivenciou o “erguer de sua cabeça”.

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BEHAR: “A MÍSTICA DO SHABAT”

Um vórt (“breves palavras de Torá”) sobre o Vayicrá 25:2, parashá Behar 5774.

Nota: este shiur (avançado) da parashá Behar (5768) foi encontrado na parashá Bamidbar 5774 (em 19-05-2014). O Rabino Avraham disse: “Ele estava perdido bamidbar [‘no deserto’], mas sua fagulha brilhou em Iyar e foi assim resgatado, baruch Hashem”.

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MATANDO A FOME

ואכלתם לחמכם לשבע Va-achaltem lachmechem la-sova, “E comereis vosso pão a fartar” (Vayicra 26:5). A guemátria atbash aqui é 1000, sendo este o mesmo valor numérico do milúi (“soletrar”) de Kel Shakai “D-us Todo Poderoso” (mais o valor do kolel), um dos Shemot Kodashim (“Nomes Santos de D-us”). Ou seja, Kel Shakai é escrito: alef-lamed e depois shin-dalet-yud = (1 + 30) + (300 + 4 + 10) = 345. E quando estas letras são “soletradas” temos, Alefalef-lamed-pei (1 + 30 + 80 = 111); Lamed: lamed-mem-dalet (30 + 40 + 4 = 74); Shin: shin-yud-nun (300 + 10 + 50 = 360); Dalet: dalet-lamed-tav (4 + 30 + 400 = 434); e Yud: yud-vav-dalet (10 + 6 + 4 = 20). E o total é 999 + 1 (kolel) = 1000. O Ari”zal explica que “Este valor de 1000 [élef em Hebraico] é em Binah, aonde este Shemot Kodashim se manifestam… e este é o significado místico da frase alef-bet etc.” (Sha’ar HaPesukim, Devarim). E esta frase (alef-beit) pode ser interpretada como significando “aprenda a compreender”, uma vez que a palavra alef também significa “aprender”, e a palavra para “compreender/compreensão”, binah, inicia com a letra bet. A palavra alef é soletrada da mesma maneira que a palavra élef (“um mil”). Portanto, a frase alef-binah também pode ser lida como “o mil de binah”, relacionando assim o número 1000 e a guemátria do valor do milúi dos Shemot Kodashim (Kel Shakai). Disso tudo aprendemos que o sustento provém de um nível muito elevado e que ele é ligado também à necessidade da compreensão do indivíduo sobre a regência de Hashem no mundo e de Suas leis. Quando a pessoa verdadeiramente entende que Ele é o Ribono Shel Olám (“Mestre do Universo”), uma “força espiritual” extraordinária troveja nos céus e faz “cair o Mán [‘maná’]”, que é o sustento (e o meio para subsistir) que Hashem dá ao Seu povo de Israel tão querido e ao mundo também. E veja: a guemátria atbash de Va-achaltem “E comereis” é 541, a mesma de Israel; a guemátria atbash de Lachmechem “Vosso pão” é 130, que equivale a 5 x 26, sendo cinco os estados de Guevurá (“Força Divina”) e 26 a guemátria do Tetragrama (yud-kei-vav-kei, 10 + 5 + 6 + 5 = 26); e a guemátria atbash de La-sova “A fartar/se satisfazer” é 329, a mesma de מזי רעב Mezêi ra’av, “Consumidos pela fome (Devarim 32:24). Se cumprirem as mitsvot e buscarem a compreensão sincera sobre as verdades da Torá, então Israel (e todos que amarem este Povo e a Torá) terá a bênção da força Divina que sobrepuja todas as dificuldades do sustento no mundo físico, anulando assim a “fome”, que é também a falta de entendimento. E deste modo, “Comereis vosso pão a fartar”, amém. Existem ainda inúmeras outras considerações, aqui sendo apenas um início, baruch Hashem.

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BECHUCOTAI: “PARTE DA SOLUÇÃO OU DO PROBLEMA”

PALAVRAS CHAVES: A tsedacá/caridade, é necessário porém não suficiente só estudar Torá, a prática das mitsvót (“mandamentos”), alinhamento com D-us depende do cumprimento das mitsvót, se fixar no estudo de Torá sem prática é (quase) como heresia, o problema do acadêmico no Judaísmo, intelectualização arrogante e o auto-sistema de crença, a admoestação desta parashá sobre não cumprir o desejo de D-us, a Torá é nossa “aliança” espiritual com Hashem, o erro do teórico, tikún (“retificação”), a pessoa que anda na Torá ajuda a retificar o mundo, Yesód: o “conector” espiritual entre o mundo físico e o espiritual, Yesód é o justo: a fundação do mundo, a causa do caos no mundo, alinhamento espiritual e as bênçãos, a interrupção da luz e a dor do homem, comportamentos errados: criando caos no mundo, klipót (“forças do mal”), os julgamentos de Íma/Binah, o subjugar da misericórdia, o aumento dos julgamentos aumenta a discórdia entre as pessoas, os atos corretos/mistvót subjugam os julgamentos, o jugo Divino, a escravidão dos desejos, os preconceitos da vida secular, a tsedacá salva da morte, Nôach unificou as luzes das sefirót, trazendo Mashiach, teshuvá (“retorno a D-us”), a tsedacá “adoça” os decretos Divinos, se preocupando com fazer o que é certo, a “doce” Era de Mashiach.

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A DURA EXTRAÇÃO PURA

E está escrito: אמת מארץ תצמח Emet meieretz tizmach, “Da terra sairá a verdade” (Tehilim 85:12). O reshit tavót aqui também é emet/verdade. E a terra também é chamada de adamah, aludindo assim ao corpo, o homem/adam. Veja, no processo de revelação existem mais revelações, assim como escrito: “Tão logo Adam foi criado, tudo na terra foi revelado, ou seja, a terra começou a mostrar os seus poderes e produtos que estavam nela implantados” (Zohar 97a, Vayerá). E este é o grau verdadeiro de birúr (“purificação/extração”). A prova está no tserúf/anagrama do sofei tavót אמת מארץ תצמח (tsadi-chet-tav), que soletra a palavra tzchat (“puro/claro”). Purificação requer esforços tremendos e não o caminho do que é mais confortável/fácil, pois as dificuldades da extração da verdade provém da mentira – a própria dor que a encapsula, prevenindo sua revelação.

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PROCLAME!

Ukeratem deror ba’arets – “E proclamareis liberdade em toda a terra” (Vayicra 25:10). A liberdade da “terra”, que representa a pessoa e seu mundo, demanda uma proclamação. Ou seja, é necessário afirmar com força e verdade que a liberdade é a única opção. Mas, se a pessoa não faz isso, se ela não proclama, ela se mantém presa e rendida pelas klipót que são a essência da terra. De fato, este passúk ensina isso, pois o tsêruf (“anagrama”) do sofêi tavót (“letras finais”) aqui é mem-tzadi-rêish, formando a palavra Mêitser (“Restrição” e a raiz da palavra Mitsrayim/Egito). Proclame em voz alta seu desejo de liberdade, e Hashem o salvará: Hashem tzuri v’goali, “Hashem minha Rocha e meu Redentor” (Tehilim 19:5), com guemátria de 382, a mesma de b’yesha (“com salvação”). E v’goali (“meu Redentor”) tem guemátria 50, o assunto de yovêl (“jubileu”) – o tempo de liberdade – desta parashá santa. Proclame!

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O PATRIARCA COHEN

Após Avraham ter guerreado contra os reis para salvar o seu sobrinho Lote (Bereshit 14:14-17), ele tem um encontro fundamental com Melkizedek (“rei da retidão”) de Shalem (ou melhor, Shem ben Nôach, como explicam os sábios). Os comportamentos retos de Avraham só o fizeram crescer em “atenção celestial”. Deste modo, ele foi escolhido por Hashem para ser o próximo na sucessão especial do entendimento Divino passado (para raríssimos indivíduos) desde Adam. Shem foi o sumo sacerdote do mundo, assim como seu pai Nôach. Através deste encontro, Avraham (ainda chamado Avram) é iniciado na kohanut (“sacerdócio”). Agora, Avraham seria o receptor Divino do sumo sacerdócio para o mundo. Esta herança foi passada para seus filhos etc. Este sacerdócio tem a função de servir o mundo, trazendo a luz de D-us para a humanidade. Esta é sua “assinatura espiritual”. Portanto, temos algumas características essenciais de Avraham: seus questionamentos, sua iconoclastia, zelo e retidão, sua coragem e agora, o sacerdócio. O assunto de sacerdócio é provavelmente o menos compreendido. Ser um cohen significa a honra de se dedicar integralmente ao avodat Hashem (“serviço Divino”). O kabalát ól (“jugo Divino”) da Torá e mitsvot é exatamente este sacerdócio, a saber, a honra de servir o povo e o mundo, “Para ensina-los sobre os estatutos e as leis e os farás saber o caminho por onde andarão e a obra que farão” (Shemot 18:20). Pois como está escrito: “Vós sereis para Mim um reino de cohanim e um góy kadósh [‘povo santo’]” (Shemot 19:6). Agora, Avraham se auto intitulou (e Hashem também) de servo. Como está escrito: “Os homens bons são humildes e modestos e são registrados no livro de D-us como Seus servos… E Hashem chamou Avraham de Seu servo [Bereshit 18]” (Midrash Tehilim §18). E está escrito: “Avraham era dedicado a ensinar as verdades que ele havia descoberto. Sua missão foi a de reintroduzir Hashem à humanidade e opor vigorosamente todas as formas de idolatria. E Avraham somente poderia completar esta missão em uma área populosa” (Sforno no Bereshit 20:1). De modo marcante, Avraham buscou reintroduzir D-us na vida das pessoas, o aumento da devoção e conexão com Ele e o combate à idolatria com grande vigor. Agora, o diálogo de Avraham e Hashem, quando ele tentou salvar Sodom e Gomorra (Bereshit 18:23-33), no meu entendimento, sobre sua procura de pessoas retas em Sodom (para que ela fosse poupada) não ocorreu de modo “contínuo”. Quando Avraham ouviu que se “encontrasse 50 retos”, Hashem então não destruiria a cidade (verso 26), ele foi literalmente até Sodom procurar pessoas retas. E durante algum tempo ele questionou e investigou com profundidade, inclusive usando sua intuição psíquica altamente desenvolvida para perceber os arredores e as pessoas. Avraham perguntou se encontrasse 50 justos, Hashem pouparia a cidade. Ele foi buscar os chamishei tzadikim, guemátria 1762 (+ 1 do kolel, 1763), e a notícia não foi boa: “E o Eterno disse a Moshe: Aquele que pecou contra Mim, riscá-lo-ei de Meu livro” (Shemot 32:33), guemátria 1763. Depois voltou e perguntou a Hashem se fossem 45 (arbayim va’chamisha) de guemátria 1242 (+ 1 do kolel, 1243), se Ele pouparia a cidade, o passuk de mesma guemátria falou: “Muitos são os sofrimentos do ímpio, porém aquele que confia no Eterno, a benevolência o envolve” (Tehilim 32:10). Fez o mesmo depois para ha-arbayim (“os 40”), de guemátria 888 e descobriu que foi a um pechatet, “Um lugar baixo” (Rashi no Vayicra 13:55), de mesma guemátria. Novamente, em seu caráter corajoso e reto, Avraham foi procurar ao menos sheloshim (“trinta”) justos, palavra de guemátria 1249, pois Hashem disse que pouparia se os encontrasse. Mas a verdade sobre a cidade se revelou novamente: “Nem a peste que se propaga nas trevas, nem tampouco o destruidor que ataca ao meio-dia” (Tehilim 91:6), de mesma guemátria. Então Avraham pediu clemência se encontrasse esrim (20) retos, de guemátria 1180. E novamente recebeu psiquicamente o passuk da Torá: “E aquele que maldisser a seu pai ou a sua mãe, certamente será morto” (Shemot 21:17). E por fim, tentou encontrar assêrah (10) retos, pois Hashem concederia. Mas o passuk foi contundente e exclamou em sua mente sobre os habitantes da cidade: ha’rasha (“o perverso”), de mesma guemátria como no Devarim 25:1. Este era o caráter de Avraham: sempre buscando retos no mundo para que não viesse à destruição.

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