TEMPO DE EXPIAÇÃO

E foi há dois anos atrás, quando no dia 8 de Tishrêi 5774, após a oração de mincha/da tarde no érev-érev/um dia antes do dia anterior de Yom Kipur, pensei primeiro em estudar a parashá Vezôt Habrachá (na leitura do yom chamishi/quinto dia). Já se aproximava o horário da shkiah/pôr-do-sol e logo íamos todos sair para fazer caparót, o antigo ritual de expiação dos pecados para os judeus realizado na véspera de Yom Kipur. Logo antes porém, fui fortemente movido à estudar o primeiro passuk/verso desta porção do quinto dia, que diz ולדן אמר דן גור אריה יזנק מן הבש U’leDan amar Dan gur ariye yezanek min-haBashan, “E sobre Dan ele disse: Dan é um filhote de leão que salta de Bashán” (Devarim 33:22, Vezôt Habrachá). E assim fui instruído de investigar o reshêi tavót de דן גור אריה Dan gur ariye, sendo então as letras dálet-guimel-alef de guemátria 8, tal como o próprio dia de hoje, 8 de Tishrêi. Mais ainda, verifiquei que a guemátria atbash deste reshêi tavót é 700, sendo este o mesmo valor numérico da palavra כפרת caparót. Imediatamente me preenchi de espanto a D-us e exclamei: “Certamente, hoje é tempo de expiação”, baruch Hashem.

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A ESPADA

E está escrito: אם-שנותי ברק חרבי ותאחז במשפט ידי אשיב נקם לצרי ולמשנאי אשלם Im-shanoti barak charbi vetochez bemishpat yadi ashiv nakam letsarai velimsanai ashalem, “Que Eu afiarei a Minha espada brilhante, e a Minha mão segurará o juízo para pagar com vingança aos Meus adversários, e retribuirei aos que Me odeiam” (Devarim 32:41, Ha’azinu). Meditava neste passúk/verso, quando meus pensamentos me levaram a מתושלח Metushélach/Matusalém (Bereshit 5:21). Naqueles tempos antigos pré-diluvianos, as forças do mal eram totalmente reveladas, e a terra amplamente povoada por Nefilim/Anjos Caídos, gigantes e shedim/demônios. Metushélach era um homem reto e santo que conhecia os segredos do universo passados para ele pelo seu pai חנוך Chanóch: um homem extremamente santo e singular quem “andava com Hashem” (Bereshit 5:24) e guardava os segredos do mundo transmitidos desde Adam. De fato, vemos a grande bênção de Metushélach na própria guemátria atbash de seu nome, com o valor numérico 173, o mesmo do verso אנכי ה’ אלקיך Anochí Hashem Elokêcha, “Eu Sou o S-nhor teu D-us” (Shemot 20:2). Em tempo, Metushélach transmitiu as verdades espirituais da Torá para seu neto Nôach (Bamidbar Rabah 4:8). Verdadeiramente, Metushélach era um agente de D-us para rebaixar o mal revelado na terra. Seu próprio nome anunciava sua função santa: מתו Metu/Morte ושלח Shélach/Enviado – ele era o “Enviado da Morte” para os ímpios, como um anjo. Veja, a guemátria albam de מתושלח Metushélach mais uma para o kolel é igual a 214, o valor numérico da palavra ruach/espírito (rêish-vav-chet, 200 + 6 + 8 = 214). Os antigos Midrashim contam que ele possuía uma espada com o Nome Divino de D-us (o “Tetragrama”) gravado nela em ambos os lados da lâmina. E em sua grande kedusha/santidade, ele usava esta arma abençoada para abater os demônios aos milhões, somente parando com o abate após muito tempo e aniquilação destas pragas. Isto ocorreu quando o próprio rei dos shedim (um nome que não revelarei) implorou para que ele não o abatesse, prometendo que os shedim se ocultariam longe das cidades, nos mares, rios e cavernas. Por fim, Hashem postergou o próprio Mabúl/Dilúvio da geração de Nôach por sete dias em respeito ao luto de Metushélach, falecido aos 969 anos de idade (Bereshit Rabah 3:6; Talmud, Sanhedrin 108b).

Agora, o reshêi tavót/acróstico de Im-shanoti barak charbi, “Que Eu afiarei a Minha espada brilhante” (alef- shin-bet-chet, 1 + 300 + 2 + 8) tem guemátria absoluta 311, a mesma de איש ish/homem e האשה ha-ishah/a mulher. E o sofei tavót/letras finais (mem-yud-kuf-yud, 40 + 10 + 100 + 10) tem guemátria absoluta 160, a mesma de צלם tsélem/sombra (tsadik-lamed-mem, 90 + 30 + 40 = 160). O Ari”zal explica que “A tsélem feminina é a força – significando os estados de guevurah – que guardam a alma de danos. Contudo, oposto a esta sombra existe a sombra do mal” (Sefer HaLikutim, ). E assim eu entendo: a referência à sombra feminina do mal significa as forças que buscam se apropriar da energia vital das “sementes” dos homens, através delas serem despejadas de modo inapropriado, em vão. Vemos que a “espada brilhante” que é cuidada representa para o judeu, o zelo com seu Brit Kôdesh (e para as Nações, mas em grau menor, o cumprir da mitsvá de “não cometer relações ilícitas”). E assim como os mestres ensinam, “Temei vós a espada… para saberdes que há um juízo” (Shemot Rabah 30:24 citando 19:29), onde a espada – aqui pronunciada shadún/juízo mas escrita shedim/demônio – é um símbolo para o julgamento. A espada com o Tetragrama possui a força espiritual do Brit Kôdesh, que deste modo abate os shedim com o seu shadún. E quando então misticamente se faz a shechitá (“abate ritual da Torá“) dos shedim, o “sangue” deles – a sua força vital – são shedim também, da mesma maneira que na Makah/Praga dos Tsefardeah/Sapos no Mitsrayim/Egito, quando alguém batia neles eles então se multiplicavam (Ráshi no Shemot 8:2). Entretanto, metaforicamente, se a espada é “afiada” (ou seja, se existe zelo no Brit, novamente, um assunto estritamente judaico), todos estes “filhos das pragas demoníacas” perecem também. Contudo, se houver erro na shechitá, porque a espada tinha falhas na lâmina (pois a lâmina do abate ritual da Torá precisa ser perfeita para o abate ser válido) ou nas kavanót/intenções místicas na hora do ato, isso pode trazer tsarót/problemas com os shedim que sobreviverem na força vital das gotas diminutas derramadas em vão, porque como é sabido, um animal ferido é sempre mais perigoso. Veja, a espada é brilhante e mortal às forças das trevas, porque o brilho da santidade anula e destrói as luzes inferiores do mal. Este barak/brilho na espada é como um “flash de luz” (ref. Ezequiel 21:15; ver Rashi no Devarim 32:41, Ha’azinu). E de mesmo modo, os demônios são um flash de luz para alguém infelizmente venha a vislumbrá-los. E assim como está escrito nesta parashá, מזי רעב ולחמי רשף וקטב מרירי Mezei raav ulechumei reshef veketev meriri, “Serão consumidos pela fome, atacados pelos demônios [reshef] e cortados pelo demônio Meriri, etc.” (Devarim 32:24, Ha’azinu). De fato, uma outra tradução para רשף reshef é “raio de luz”. Estas pragas voam para o alto (ver 5:7) na aparência de raios, mas a espada brilhante anula eles completamente. Portanto, vemos que a barak charvi, que é o próprio Brit Kôdesh pode ser usada para o bem – através das relações conjugais apropriadas que cuidam do órgão procriador – ou para o mal, se ele for profanado (e no caso das nações, apesar de não existir Brit, as relações sexuais ilícitas, profanam a pessoa). Incrivelmente, a guemátria atbash de חרב chérev/espada é 363, sendo este o mesmo valor numérico de HaMashiach/O Messias, ou o “nêmesis” do mundo, HaNachash/O Serpente. Tudo no mundo depende da orientação: se para o mal, atrasando e dando força ao lado do Serpente, que D-us não permita, ou para o bem – apressando a vinda do verdadeiro Mashiach, muito em breve em nossos dias amém.

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AMÉM!

E está escrito nesta parashá santa: וחרה אפי בו ביום-ההוא ועזבתים והסתרתי פני מהם והיה לאכל ומצאהו רעות רבות וצרות ואמר ביום ההוא הלא על כי-אין אלקי בקרבי מצאוני הרעות האלה “Então Meu furor crescerá contra ele naquele dia, e o abandonarei, e esconderei o Meu rosto dele, e será por presa, e o alcançarão muitos males e angústias, de sorte que dirá naquele dia: ‘Certamente, por meu D-us não estar no meio de mim, me alcançaram estes males.’ E Eu, certamente, esconderei o Meu rosto naquele dia por todo o mal que fizera, por se haver voltado para outros deuses” (Devarim 31:17-18, Vayêlech).

Agora, se voltar aos “outros deuses” é um código para qualquer desligamento de Hashem. Isto pode ocorrer na forma mais revelada de qualquer espécie de idolatria – uma perversão da consciência sobre D-us – ou do desdenhar das leis, ordenamentos e orientações d’Ele. Tudo conta, nada é deixado de ser contabilizado. Cada ato, emoções e pensamentos são anotados no Alto. Cada aspecto do ser é visto e julgado pelos seus méritos e deméritos. E a balança celestial é perfeita, pois Ele é o Juiz da Verdade. Mesmo um “simples” Amém* tem peso incalculável. Veja, “Aprendemos que todo aquele que descende até אבדון Avadón, o local [no Guehinom/Inferno] também chamado de תחתית Tachtit, ‘o fundo’, nunca mais sobe novamente. E este homem é chamado de ‘o homem que foi destruído e perdeu todos os mundos’. E aprendemos que para este lugar terrível são baixados aqueles homens que desprezam dizer Amém [quando ouvem uma brachá/bênção legítima da Torá]. Tal homem é punido no Guehinom pelos tantos Améns que eles perdeu, os quais ele não considerou, e ele é então baixado para o compartimento mais inferior, que não tem abertura alguma. E ele é perdido para nunca mais se erguer de lá” (Zohar 286a, Vayêlech). E eu vi que a guemátria de Avadón (alef-bet-dálet-vav-nun, ou 1 + 2 + 4 + 6 + 50) é igual a 63, sendo este valor numérico das letras sámech e guímel (60 + 3). Estas duas letras juntas formam a raiz da palavra “refugo” [SiGuim], como no verso, “Todos são refugo, completamente sujos” (Tehilim 53:4).

Agora, é o chamado gas ruach (“espírito grosseiro”) do indivíduo que faz ele desprezar Hashem e Sua Torá, portanto o fundamental ato de testemunho e santificar o Seu Nome que é dizer Amém para uma brachá. E o Zohar é tão contundente sobre isso, que podemos inferir que negar dizer Amém para uma brachá é a quintessência do espírito baixo de um orgulhoso. O orgulhoso se prostra aos outros deuses, principalmente ao o maior de todos: seu “deus interior”. Daí sua punição ser tão severa, como descrita neste verso atemorizante da Torá. E veja: o único tsêruf/anagrama de SaG é GaS; e a guemátria albam de Avadón mais o kolel é igual a 214, a mesma guemátria de ruach (rêish-vav-chet = 200 + 6 + 8 = 214) que significa espírito. Avadón é sim o lugar dos que têm um gas ruach. E para aqueles que ousam a descrer que estas punições venham a persegui-lo até mesmo depois da vida – o tempo de retribuições- a Torá revela que não é assim de forma alguma. Sendo uma mensagem Divina, cada letra e verso da Torá são infinitos portais de entendimento. Todas as verdades do universo são lá encontrados. O passúk/verso verso afirma sobre os que ignoram a Hashem, que ומצאהו רעות רבות וצרות umetsauhu raót rabót vetsarót, “e o alcançarão muitos males e angústias”, com guemátria albam 728: o mesmo valor numérico da expressão חיים אחר המות chayim achar hamót “vida depois da morte”. Mesmo depois da vida física existe vida, e o acerto de contas seguirá como prometido na Torá. E ainda quando tratamos de algo que parece ser tão “menor”, como um simples Amém, se este for desprezado, então “o alcançarão muitos males e angústias”, incrivelmente, com guemátria katán 91: o valor numérico da palavra Amém (alef-men-nun, 1 + 40 + 50 = 91); e a guemátria atbash de é 1309, a mesma de מהתחתנות mehaTachtonot, “do fundo”. É tempo de despertar!

* Amém é um acróstico de א-ל מלך נאמן KEl Mélech Ne’emán, “D-us é o Rei Fiel” (Talmud Shabat 119b).

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VOCÊ TEM O MEU PERDÃO

O Talmud (Rosh HaShaná 17a, ver Ráshi lá) ensina que uma das maneiras de melhorarmos as nossas chances para um bom julgamento Divino, e sermos inscritos no “Livro da Vida” em Rósh HaShaná. E a sugestão dos mestres é que a pessoa se torne um Ma’avir Ól Midosóv (“um que deixa passar os pecados dos outros”). Ou seja, aqui se trata da pessoa que sinceramente busca ativar a sua capacidade de ceder e de não ser tão estrita com os outros que não se comportaram ou fizeram as coisas do seu jeito particular – do melhor jeito que poderiam se tivessem sido mais sensíveis – e que assim falharam claramente com ela. Deste modo, o Bêit Din Shel Ma’alah (“O Tribunal Celestial”) também não aplicará escrutínio estrito sobre as averót/pecados da pessoa que assim adoçou o seu coração e por fim perdoou gratuitamente . E podemos então entender que todos estes “excedentes” de dores causados por outras pessoas são simplesmente a pura bondade de Hashem nos dando chances reais, logo antes do Yom HaDin/Dia do Juízo, para que “adocemos” os nossos próprios julgamentos celestiais, quando examinados lá no Alto, através de perdoar os erros comportamentais das pessoas que nos feriram. Aprendam esta lição muito bem.

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O SEU TRONO DO REINO

E está escrito: וישב ה’ לי כצדקתי כברי לנגד עיניו Vayashêv Hashem li ke’tsidkati kevori leneguéd einav, “Portanto Hashem me recompensou de acordo com a minha retidão/tsedacá, de acordo com a minha pureza em Seus olhos” (Shmuel II 22:25). E a guemátria ordinal (mispar siduri) de Vayashêv Hashem li ke’tsidkati, “Portanto Hashem me recompensou de acordo com a minha retidão/tsedacá” é igual a 187. Este é o mesmo valor numérico da expressão כסא המלוכה Kissê hameluchá, “Trono do reino” (Melachim/Reis I 1:46). E isso precisa ser explicado, com a ajuda do Céu. Cada pessoa é devida de dar forças ao Reino do Céu, para que deste modo ela ajude a rebaixar o Reino do “Outro Lado” (sítra áchra). Isto ocorre quando o indivíduo cumpre e estuda Torá com entusiasmo e sinceridade. Quando a pessoa dá forças ao lado da kedusha/santidade, o seu “reino particular” – o seu malchut – é fortificado pelas bênçãos de Hashem. E como está escrito, “Os caminhos de Hashem são retos, e os justos andam neles enquanto os pecadores neles caem” (Hoshêa 14:10). Então, quando a pessoa anda em retidão fazendo tsedacá (aonde retidão, justiça e caridade em Hebraico, todas têm a mesma raiz), ela é permitida de se sentar no “Trono do seu reino”, ou seja, de ter uma vida abençoada, equilibrada e em paz. Os ímpios andam em remorsos, caos e vazio interior. Suas vidas nunca têm paz. E este verso de Shmuel/Samuel ensina também, kevori leneguéd einav, “De acordo com a minha pureza em Seus olhos”. Na medida em que a pessoa faz tsedacá ela se retifica, e deste modo purifica sua alma que é vista por completa por Hashem, e singularmente em Rósh Hashaná, o Dia do Juízo, quando todas as criaturas passam pelo Juiz Supremo: uma a uma para sempre julgadas se serão inscritas no “Livro da Vida” ou não. E a guemátria deste verso (187) também é igual ao nome אליועיני Elioenái, que significa: “Para D-us [soletrado Yud-Kei, mas falamos Kah] meus olhos” (Ezra 10:22). Portanto, a pessoa que entrega “seus olhos” para Hashem, buscando um caminho digno, evitando o fitar nas coisas proibidas, é positivamente vista pelos “olhos de D-us”, como dito no passúk/verso de Shmuel. E nosso sábios da Torá ensinam, וישב ה’ לי כצדקתי “Anule a sua vontade diante da vontade d’Ele”… כדי שיבטל רצון אחרים מפני רצונך “para que Ele anule a vontade dos outros diante da sua vontade” (Pirkêi Avót). Os olhos representam toda a captação da realidade material, preenchida pela sítra áchra. Quando a pessoa anula seus olhos e busca ver apenas o que é correto e santo, ela de fato rebaixa sua má inclinação e dá forças ao Reino do Céu, ao próprio Rei do Mundo. E então, sua vida não é prejudicado pelos perversos, e seu reino/malchut é cuidado e permitido de existir por Hashem Ele mesmo. E veja, a guemátria ordinal de “Anule a sua vontade diante da vontade d’Ele” é 210, a mesma do nome וצדק Iohtzadak, “Kah é reto/justo/caridoso” (Ezra 5:2), e a guemátria katán de “para que Ele anule a vontade dos outros diante da sua vontade” é 105, a mesma do nome מלכיה Malkiah, “Kah é Rei”.

כְּתִיבָה וְחֲתִימָה טוֹבָה
K’tiva ve chatimá tová
Que vocês sejam inscritos no Livro da Vida, amém.
שָׁנָה טוֹבָה וּמְתוּקָה
Shaná Tová u’metuká, Um ano bom e doce.

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ESCOLHA A VIDA

E está escrito: העדתי בכם היום את-השמים ואת-הארץ החיים והמות נתתי לפניך הברכה והקללה ובחרת בחיים Haidoti vachem hayóm et-hashamáyim veêt-haárets hachayím vehamavêt natáti lefanêicha haberachá vehaklalá uvachárta bacháyim, “Tomo hoje os céus e a terra por testemunhas contra vós, que tenho dado perante vós a vida e a morte, a bênção e a maldição; ‘escolha a vida’ etc.” (Devarim 30:19, Nitsavim). Agora, diz o profeta: כי הלבישני בגדי-ישע מעיל צדקה Ki hilbisháni bigdêi-yeshá meíl tsedacá, “Porque me cobriu com vestes de salvação e Me envolveu com o ‘manto da justiça'” (Isaías 61:10). A Torá ensina que Avraham avinu (“o patriarca Abraão“) foi o protótipo de chésed/bondade, dando tsedacápara as pessoas. Ele foi o pilar moral que o mundo se sustentava. A sua vida foi uma de se importar com os outros e de ajudá-los com tsedacá de várias maneiras. E por sua vez, esta maneira de viver o ergueu e vitalizou a níveis extraordinários. E graças a isso, Hashem considerou todos os seus atos virtuosos como pura tsedacá (ver Bereshit 15:6), dotando Avraham com um espiritual meíl tsedacá – um “manto de justiça” santo – para assim coroar a “completude de seus anos” (ver Bereshit 25:8). Uma dica disso, a guemátria atbash de מעיל צדקה meíl tsedacá é a mesma da guemátria absoluta de חיי אברהם chái Avraham, “A vida de Avraham“. Verdadeiramente, tsedacá é vida! Mais ainda, בחרת בחיים vachárta bacháyim, “Escolha a vida”, tem guemátria atbash 814. Este é o mesmo valor numérico que a guemátria milúi (“soletrar/preencher”) do Nome de D-us Sha-dái (shin-yud-nun, dalet-lamed-tav, yud-vav-dalet, ou [300+10+50] + [4+30+400] + [10+6+4] = 814). O Nome Sha-dái também corresponde ao nível na Divindade chamado de Shechiná (“Presença Divina”). Quando a pessoa dá tsedacá ela literalmente “escolhe a vida”, pois se conecta diretamente com a Shechiná, a Origem de toda a vida no universo. E assim foi com o patriarca Avraham**, e também pode ser com qualquer um, amém.

* Na verdade não é uma palavra que é melhor traduzida do Hebraico como “caridade”, mas sim como justiça. Quando ajudamos alguém com tsedacá, estamos de fato usando o “manto da justiça”.
** No primeiro contato que Hashem fez com Avraham (Bereshit 15:1), a Torá usa o Nome Santo Sha-dái/Todo Poderoso (ver também Zohar 88b, Lech Lechá).

 

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