VOCÊ TEM O MEU PERDÃO

O Talmud (Rosh HaShaná 17a, ver Ráshi lá) ensina que uma das maneiras de melhorarmos as nossas chances para um bom julgamento Divino, e sermos inscritos no “Livro da Vida” em Rósh HaShaná. E a sugestão dos mestres é que a pessoa se torne um Ma’avir Ól Midosóv (“um que deixa passar os pecados dos outros”). Ou seja, aqui se trata da pessoa que sinceramente busca ativar a sua capacidade de ceder e de não ser tão estrita com os outros que não se comportaram ou fizeram as coisas do seu jeito particular – do melhor jeito que poderiam se tivessem sido mais sensíveis – e que assim falharam claramente com ela. Deste modo, o Bêit Din Shel Ma’alah (“O Tribunal Celestial”) também não aplicará escrutínio estrito sobre as averót/pecados da pessoa que assim adoçou o seu coração e por fim perdoou gratuitamente . E podemos então entender que todos estes “excedentes” de dores causados por outras pessoas são simplesmente a pura bondade de Hashem nos dando chances reais, logo antes do Yom HaDin/Dia do Juízo, para que “adocemos” os nossos próprios julgamentos celestiais, quando examinados lá no Alto, através de perdoar os erros comportamentais das pessoas que nos feriram. Aprendam esta lição muito bem.

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O SEU TRONO DO REINO

E está escrito: וישב ה’ לי כצדקתי כברי לנגד עיניו Vayashêv Hashem li ke’tsidkati kevori leneguéd einav, “Portanto Hashem me recompensou de acordo com a minha retidão/tsedacá, de acordo com a minha pureza em Seus olhos” (Shmuel II 22:25). E a guemátria ordinal (mispar siduri) de Vayashêv Hashem li ke’tsidkati, “Portanto Hashem me recompensou de acordo com a minha retidão/tsedacá” é igual a 187. Este é o mesmo valor numérico da expressão כסא המלוכה Kissê hameluchá, “Trono do reino” (Melachim/Reis I 1:46). E isso precisa ser explicado, com a ajuda do Céu. Cada pessoa é devida de dar forças ao Reino do Céu, para que deste modo ela ajude a rebaixar o Reino do “Outro Lado” (sítra áchra). Isto ocorre quando o indivíduo cumpre e estuda Torá com entusiasmo e sinceridade. Quando a pessoa dá forças ao lado da kedusha/santidade, o seu “reino particular” – o seu malchut – é fortificado pelas bênçãos de Hashem. E como está escrito, “Os caminhos de Hashem são retos, e os justos andam neles enquanto os pecadores neles caem” (Hoshêa 14:10). Então, quando a pessoa anda em retidão fazendo tsedacá (aonde retidão, justiça e caridade em Hebraico, todas têm a mesma raiz), ela é permitida de se sentar no “Trono do seu reino”, ou seja, de ter uma vida abençoada, equilibrada e em paz. Os ímpios andam em remorsos, caos e vazio interior. Suas vidas nunca têm paz. E este verso de Shmuel/Samuel ensina também, kevori leneguéd einav, “De acordo com a minha pureza em Seus olhos”. Na medida em que a pessoa faz tsedacá ela se retifica, e deste modo purifica sua alma que é vista por completa por Hashem, e singularmente em Rósh Hashaná, o Dia do Juízo, quando todas as criaturas passam pelo Juiz Supremo: uma a uma para sempre julgadas se serão inscritas no “Livro da Vida” ou não. E a guemátria deste verso (187) também é igual ao nome אליועיני Elioenái, que significa: “Para D-us [soletrado Yud-Kei, mas falamos Kah] meus olhos” (Ezra 10:22). Portanto, a pessoa que entrega “seus olhos” para Hashem, buscando um caminho digno, evitando o fitar nas coisas proibidas, é positivamente vista pelos “olhos de D-us”, como dito no passúk/verso de Shmuel. E nosso sábios da Torá ensinam, וישב ה’ לי כצדקתי “Anule a sua vontade diante da vontade d’Ele”… כדי שיבטל רצון אחרים מפני רצונך “para que Ele anule a vontade dos outros diante da sua vontade” (Pirkêi Avót). Os olhos representam toda a captação da realidade material, preenchida pela sítra áchra. Quando a pessoa anula seus olhos e busca ver apenas o que é correto e santo, ela de fato rebaixa sua má inclinação e dá forças ao Reino do Céu, ao próprio Rei do Mundo. E então, sua vida não é prejudicado pelos perversos, e seu reino/malchut é cuidado e permitido de existir por Hashem Ele mesmo. E veja, a guemátria ordinal de “Anule a sua vontade diante da vontade d’Ele” é 210, a mesma do nome וצדק Iohtzadak, “Kah é reto/justo/caridoso” (Ezra 5:2), e a guemátria katán de “para que Ele anule a vontade dos outros diante da sua vontade” é 105, a mesma do nome מלכיה Malkiah, “Kah é Rei”.

כְּתִיבָה וְחֲתִימָה טוֹבָה
K’tiva ve chatimá tová
Que vocês sejam inscritos no Livro da Vida, amém.
שָׁנָה טוֹבָה וּמְתוּקָה
Shaná Tová u’metuká, Um ano bom e doce.

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