POR QUE OS BEBÊS CHORAM?

Sobre o papel das mulheres na “agenda oculta”, a saber, a maneira que o mal opera no mundo, é vital para uma mulher perceber que quando ela anda em sua casa ou ainda mais se sai dela com roupas sem modéstia, ela peca e traz multidões a pecar. Além da sua responsabilidade espiritual que dela será cobrada no Yom HaDin/Dia do Juízo, existem outros aspectos importantes a serem revelados, com a ajuda do Céu. Toda falta de tsiniyut/modéstia no vestir, ou seja, toda parte do corpo descoberta e em transgressão da lei equivale ao “esburacar” na alma refletido no próprio corpo físico, assim como um imagem do mal, e que por sua vez esburaca a alma em cima. E sobre isso está escrito: “E fizerdes estátua à imagem de alguma coisa, e fizerdes o que parece mal aos olhos do Eterno, vosso D-us, para irá-Lo” (Devarim 4:25). Este passúk/verso (entre vários outros do Tanach) ensina que elementos severos (guevurót) da raiva celestial vem em resposta às transgressões destas vaidades rebeldes incorrendo assim em maldições, pois a raiva/evrah é amaldiçoada: ארור אפם Arur apam, “Maldita seja a sua raiva” (Bereshit 49:7, Vayechi). Ou seja, exibindo partes proibidas de seu corpo, a pessoa se liga aos anjos destruidores da raiva que são eles mesmos maldições. “Eles se ligam literalmente aos cabelos e unhas das mulheres, pois estes são elementos estranhos/não vitais do corpo, assim como as klipót são forças estranhas” (Shnei Luchot HaBrit, Masechet Pesachim). E incrivelmente, a guemátria de ארור אפם Arur apam é 528, sendo este o mesmo valor numérico de לא תצאו Ló tetsú, “Não sairás [de sua casa]” (Shemot 12:22), expondo as partes descobertas de seu corpo. Veja, isso sempre foi assim, pois imediatamente após se perceberem nus (Bereshit 3:10) e em resposta a indagação de YKVK sobre esta vergonha que agora tomaram consciência, Chava disse: האשה הנחש השיאני ואכל Haisha hanachash hishiani vaochel, “[E disse/vatomer] a mulher: O serpente me enganou e eu comi” (Bereshit 3:13). E o sofêi tevót/letras finais destas quatro palavras é השלי chashli, “criar uma ilusão”, e a guemátria de “me enganou e eu comi”/hishiani vaochel (mais dois do kolel de cada palavra) é 435, a mesma de ha’alot (“as maldições”). E como explicam os mestres, o Nachash/Serpente muito desejou ter relações sexuais com Chava (e assim o fez), quem era completamente santa. Ele criou uma ilusão que ela infelizmente sucumbiu, para assim poder vê-la sem tsiniyut, seu corpo exposto e profanado. E todos os que participaram desta cena dramática foram amaldiçoados, como traz a Torá, ligando o corpo revelado impropriamente às ilusões que levam às maldições. E por isso que os bebês choram assim que nascem, pois a primeira coisa que implica na revelação do nascimento é expor o corpo por inteiro pela primeira vez no mundo físico. E as almas que ocupam as crianças, ainda tão próximas do shamáyim/Céu, entendem bem que isso é algo “Que parece mal aos olhos do Eterno, vosso D-us, para irá-Lo”. Então, elas choram por isso, mas instintivamente as mães fazem o tikún/retificação de cobri-los, assim como YKVK fez no Gan Éden: Vaya’as Hashem Elokim le-Adam ule-ishto kotnot ór vayalbishem, “E o S-nhor D-us fez para o homem e para sua mulher kotnót ór/túnicas de pele e os fez vestir” (Bereshit 3:21). E nossos sábios ensinam: “Depois que Adam e Chava pecaram, YKVK fez kotnót ór [ór escrito com a letra áyin, não mais com álef, que significaria luz] para eles. Ou seja, Adam perdeu a sua “Vestimenta de Luz”, sua cobertura santa, que aliás, o Nachash tinha grande ciúmes. E esta nova cobertura de pele (com a letra áyin) é a pele do Nachash, que deverá ser purificada na duração do mundo. Assim, ervah/nudez (e ervah é um tserúf/anagrama e evrah/raiva) e pritsút/falta de recato no vestir em qualquer nível é uma afronta direta a YKVK, pois a exposição indevida do corpo caído, criado da klipah nogah/da “casca” translúcida, despreza e portanto zomba da queda espiritual humana no Gan Éden que afinal trouxe todas as maldiçoes que assolam os homens até hoje. E eis um grande tikún: é exatamente através da tsiniyut do corpo de carne da klipah nogah que os traços negativos de caráter são subjugados e removidos. E subjugar estes traços da personalidade é o mais importante de tudo, pois isso dá poder para a pessoa crescer em retidão e kedusha/santidade. Ou seja, neste olam ha-shéker/mundo da mentira, tudo é visto ao contrário, pois a única “remoção de vestimentas” que deve ocorrer de fato é a dos maus traços de caráter. E quando a retificação do mundo se completar, o áyin se erguerá ao álef novamente, e a luz ocultada no Éden para o tempo vindouro será novamente revelada pelo verdadeiro Mashiach, muito em breve amém.

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VOLTAI E COMPRAI

E está escrito: ויאמר אבינו שבו שברו-לנו מעט-אכל Vayomer avinu shuvu shivru-lanu me’at-ochel, “E nosso pai disse: Voltai e comprai um pouco de alimento para nós” (Bereshit 44:25, Vayigash). Incrivelmente, dentro deste passúk/verso, temos as nove letras (que estão sublinhadas no texto em Hebraico) que compõem a expressão שימושא רבא Shimusha Rabah, “O Grande Serviço”. Agora, no início da parashá Vayigash, Yehudah disse a Yossêf que depois que os irmãos voltaram de Mitsrayim/Egito e contaram a Ya’acov que Shimon havia sido preso e era mantido como refém, o patriarca então ordenou: Shuvu shivru-lanu me’at-ochel. E Ya’acov os informou que deveriam fazer isso sem levar Binyamin, apesar de que Yossêf os tinha avisado para não voltar sem ele. Porque Ya’acov disse para trazerem apenas um pouco de comida? E porque ele pensou que poderia envia-los de volta sem Binyamin? O Rabino Yonatan Eibushitz (século 17) diz que Ya’acov queria enganar Yossêf. Antes de continuar, é preciso se lembrar que a grande astúcia de Ya’acov é uma de suas “marcas espirituais”. A pessoa precisa sempre enxergar além da realidade revelada, se focando nas verdades que a tudo sublinham. E como explica o Rabino Eibushitz, “Yossêf interpretou o sonho sobre os sete anos de fome etc. Entretanto, Ya’acov viu com ruach hakodesh/inspiração divina que este período terminaria após somente dois anos devido ao seu z’chut/mérito [de Ya’acov ele mesmo]. Ele queria que as Shevatim/Tribos de Israel [que são seus doze filhos] fossem para Mitsrayim e pedissem somente um pouco de comida e dissessem a Yossêf que trariam Binyamin na próxima viagem, uma vez que certamente precisariam de mais suprimentos para sobreviver os sete anos. E deste modo Yossêf, libertaria Shimon. E Ya’acov planejou apropriadamente de acordo com a sua visão. Ele sabia que esta quantidade mínima de comida seria o suficiente para sustentá-los até o final da fome e eles jamais voltariam”.

Agora, a minha de’ah/visão deste assunto é a seguinte: o judeu precisa buscar realizar seu Shimusha Rabah/Grande Serviço espiritual, tendo a intenção desta sua missão ser uma real oportunidade para fazer mituk hadinim/adoçamento espiritual. Isso é assim, pois as severidades da iêtser hará/má inclinação no final da galut/exílio que vivemos é enraizada nos dinim/decretos celestiais que caem sobre o mundo devido aos pecados dos homens, necessitando então de grande “astúcia e armamentos” certos para que estas severidades sejam corretamente “adoçadas”. De fato, é preciso grande esperteza (como aprendemos do patriarca Ya’acov) para subjugar as forças que buscam bloquear a luz de YKVK no mundo. E por isso este passúk de Vayigash é tão significativo. Veja: é preciso primeiro entender que em Cabalá as doze tribos são associadas às dozes linhas requeridas para desenhar um cubo, que é a forma geométrica básica das três dimensões do espaço físico e do “espaço” espiritual. Deste modo, elas são associadas com as seis emoções (em Hebraico, midót, que significa literalmente “medidas” de espaço) e que anatomicamente compreendem o “corpo” Divino, ou na linguagem mística, o partsuf/configuração sefirótica de Z’eir Anpin. Apesar de que os patriarcas são associados as três midot primárias (chéssed-guevurá-tiféret), os filhos de Ya’acov, os chefes e progenitores das Shevatim, são associados as midót como um todo, particularmente na maneira que elas são projetadas nos mundos inferiores de Beriyah, Yetsirah e Asiyah (na realidade prática). Dito isso, qual o assunto de Shimon? Será pidiyón shivuyin/resgate dos prisioneiros e Ya’acov planejou com astúcia uma maneira para cumprir esta mitsvá? É possível, mas eu creio ser algo diferente. Quando tratamos do assunto da midát zerizút (“zelo” ou também “raiva Divina”) pela Torá, vemos que assim como toda força espiritual, esta midah/característica emocional pode ser corrompida, inclusive inadvertidamente. Mas, é possível retificar e adoçar estes erros na sua origem. Por exemplo, podemos retificar midát guevurá (“as emoções severas”) na sua origem, ou seja, em binah/intelecto. Isso ocorre quando antes que despertem os sentimentos duros e severos na pessoa que partiram afinal de seu julgamento (um processo mental/binah) este é “adoçado/mitigado”, evitando assim a descida desta força para o grau emocional e por fim, nas ações severas.

Agora, Pinchas é um exemplo elevado da midát zerizut, pois o resultado da sua expressão de raiva Divina revela a raiva sem o ego. Ele foi zeloso ao extremo por YKVK. E o resultado deste seu uso retificado foi sua inclusão na kohanut/função sacerdotal (Bamidbar 25:12). Continuando, a tribo de Levi também foi caracterizada pelo zelo extremo por YKVK. Levi e seu irmão Shimon se vingaram no povo de Shéchem pela violência sexual contra a sua irmã Dinah (Bereshit 34:25). Quando Moshe desceu do Har Sinai e viu o povo adorando o bezerro de ouro, ele disse: “Quem é por YKVK, venha a mim” (Shemot 32:26-28). E toda a tribo de Levi veio a ele e mataram os idólatras. E pelo outro lado, uma das funções principais dos kohanim/sacerdotes, além de oficiar os sacrifícios rituais no Beit HaMikdash/Templo Sagrado, era abençoar o povo todos os dias com paz. E o Ari”zal explica (Likutêi Torah, Pinchas) que a passagem que descreve esta função sacerdotal (Bamidbar 6:22-27) contém 150 letras (que com um do kolel é 151, a guemátria de kuf-nun-alef, que é a raiz da palavra “vingança” Divina usada em relação a Pinchas). Isto significa que através dos kohanim/Leviim, estes retificarem o atributo de raiva Divina/zelo, e eles então agiram como condutores da paz e irmandade para todo o povo de Israel. E YKVK afirmou isso para Pinchas, dando-lhe o “pacto da paz” (Bamidbar 25:12). Isto tudo resolve a questão do zelo de Levi, mas não de Shimon. Como é sabido, Levi e Shimon têm origem no lado da Severidade (Binah/Guevurah). E em a sua retidão, lutaram contra as forças do mal representadas por Shechem ben Chamór (que significa “Asno”, uma klipah terrível. Chamór é cognato de chomêr, “materialismo”). O Zohar traz também que “Shimon era do mazál/signo de Shór/Touro, o lado de guevurah da kedusha/santidade… e ele lutou e hostilizou muito seu inimigo Chamór, o shór do lado da klipah…” (173a, Vayishlach). E ele lutou bravamente contra as forças do materialismo que insensibiliza, neutraliza e destrói a consciência sobre o Divino. Ele hostilizou Chamór. Contudo, a sua guevurá/severidade, a sua “raiva Divina” não havia sido ainda suficientemente retificada. Ele errou nas suas kavanót/intenções, pois assim como está escrito: “Porque Shimon se associou a Levi ao invés de, por exemplo, Reuven, quem também era seu irmão completo? A razão foi que quando ele viu que Levi vinha do lado do Julgamento/Guevurá, ele então quis se ligar a este mesmo lado. Portanto, ele pensou que se Levi se juntasse a ele, eles poderiam conquistar o mundo” (Zohar 62b, Acharêi Mot). Mas, Levi se retificou como explicado, enquanto Shimon insistiu com obstinação em tentar “conquistar” o chamór: o mundo insensível e tolo com sua luz adoentada. Ainda que ela fosse zelosa, faltava o elemento da paz que Levi entendeu e foi recompensado mais tarde por YKVK. Por fim, o Zohar explica o resultado do erro de guevurá de Shimon: foi um erro inadvertido de falta de maturidade, mas que corrompeu a força do zelo, pois esta raiva Divina ainda tinha “Ego”. E agora o Zohar: “E o que YKVK fez [diante desta kavana/intenção de Shimon]? Ele pegou Levi e deu sua porção, mas YKVK isolou Shimon”. Os erros de maturidade causam isolamento na pessoa. E assim e agora eu entendo a seguinte trecho do Talmud sobre um “outro” (grande) Shimon: “O Rabi Shimon bar Yochai [Shimon filho de Yochai], quem revelou o Zohar para o mundo, e seu filho Rabi Eliezar viveram doze anos numa caverna. Aí, um dia o profeta Eliyahu/Elias veio e ficou na entrada da caverna e proclamou: ‘Quem informará ao filho de Yochai que o imperador César morreu e o decreto contra os judeus foi anulado?’ O Rabi Shimon bar Yochai e seu filho ouviram isso e emergiram da caverna. E na medida em que se aventuraram de volta à civilização, viram algumas pessoas que estavam arando o campo e plantando algumas colheitas. E enraivecido com esta visão o Rabi Shimon bar Yochai declarou: ‘Estas pessoas estão abandonando a busca da vida no Mundo Vindouro e se ocupando ao invés com preocupações da vida transitória!’ E daí em diante aonde quer que o Rabi Shimon bar Yochai e seu filho fitavam os seus olhares, o objeto de sua visão era imediatamente incinerado [pois, devido a sua altura espiritual, tudo o que eles percebiam como mal cessava de existir]. Finalmente, uma voz celestial ressoou e proclamou para eles: ‘Vocês emergiram de seu isolamento para destruir o Meu mundo? Voltem para a sua caverna!’ E então os dois foram e voltaram para a caverna e residiram lá por mais doze meses. E neste ponto eles disseram para si mesmo: ‘A sentença dos perversos no Guehinom/Inferno não dura mais do que doze meses. Talvez a nossa sentença tenha também já expirou. E uma voz celestial ressoou e proclamou: ‘Emerjam de sua caverna’” (Talmud, Shabat 33b). E o adoçamento que traz o “Grande Serviço” (Shimusha Rabah) a YKVK é de fato um tikún/retificação de um longo período de crescimento e retificações em isolamento que vem agora para adoçar e limpar estas marcas espirituais do passado, para que possamos inaugurar e assim “emergir” para uma nova fase doce de nossas vidas, aonde o zelo existe mais do que nunca, mas nunca mais do que a paz. De fato, vemos que a essência deste serviço ao Criador se encontra aqui, na expressão do verso citado, Shuvu Shivru (“Voltai e comprai”), que tem guemátria 816, a mesma de v’Kidashta (“E se santificar”). Veja, comprar é de fato “adquirir”. E para o judeu adquirir o bem maior no mundo que é kedusha, ele precisa fazer teshuva – a “volta” à vida de Torá e assim viver alinhada D-us, e assim as nações do mundo finalmente se inspirarão e abandonarão a sua falta de paz. E como está escrito: “E ele – o verdadeiro Mashiach – falará somente de paz às Nações. Seu domínio se estenderá de um mar a outro, e desde o rio Eufrates até os confins da terra” (Zacarias 9:10), amém.

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VIRE AS COSTAS E SAIA CORRENDO

E está escrito: וישלח פרעה ויקרא את-יוסף ויריצהו מן-הבור Vayishlach Paroh vayikra et-Yossêf vayeritsuhu min-habór, “E o Faraó enviou e chamou a Yossêf; e fizeram-no sair precipitadamente do cárcere” (Bereshit 41:14, Mikêts). E foi no dia 2 de Tevet do ano de 5770 (19 de Dezembro de 2009), no Shabat de tarde desta parashá Mikêts que meu talmid/aluno, o Reb Yitschak, veio me visitar em casa. E ele parecia muito perturbado, o que me fez imediatamente pensar no passúk/verso desta parashá que trata do sonho perturbador que o Faraó teve, assim como escrito: ויהי בבקר ותפעם רוחו Vayehi vaboker vatipaem rucho, “Pela manhã, seu espírito estava perturbado” (Bereshit 41:8). E de fato, em seguida e sem demora, ele me pediu que o ajudasse com o sonho terrível que o perturbou tanto. Como é sabido, o sonho precisa ser interpretado por alguém que goste da pessoa, que traga uma interpretação positiva, se D-us quiser, pois o sonho é realizado em parte através do efeito da interpretação (ver Talmud, Berachot 55a). E assim ele me revelou: “Eu tive um sonho muito vívido no qual a minha própria esposa me trazia outras mulheres para me tentar! Quando diante da cena tão perigosa aonde estas mulheres me aliciavam, eu imediatamente percebi o perigo que estava acontecendo e no próprio sonho virei às costas e sai correndo”. Veja, eu disse a ele, sobre o verso ‘E fizeram-no sair precipitadamente do cárcere’, o santo Zohar diz: “Até antes do ‘incidente’ com a esposa de Potifar, Yossêf não era chamado de um tsadik/justo. Mas, depois que ele guardou o brit kodesh/o pacto santo da circuncisão somente dos judeus – não pecando com a esposa de Potifar – ele então foi chamado de tsadik” (194b, Mikêts). E o Zohar então continua, “E isto resultou em que o grau espiritual de Yessód o decorasse’, estabelecendo assim a ligação arquétipa entre Yossêf e o nível de Yessód, o nível do justo… Aquilo que estava primeiro no cárcere, a klipah, se ergueu com ele… E ele ascendeu da klipah e foi adornado com a fonte das águas vivas, a Shechina/Presença Divina”. E então eu expliquei a ele que este sonho tão ligado a parashá desta semana (e também com Vayeshev), representou um teste do seu brit, a saber, de sua força moral e capacidade de se distanciar das intensas tentações sexuais que no sonho, a sua esposa – representando a Shechina – ela mesma colocou diante de dele. E como ele passou o teste, pois “saiu precipitadamente do cárcere”, então a Shechina o acompanhou e abençoou e ele pode então ascender ao nível que ascendeu, graças a D-us. E então eu disse a ele que para cancelar um sonho difícil, o costume é jejuar e/ou dar tzedakah. E veja, a guemátria ordinal (versão sofit) de ויהי בבקר ותפעם רוחו “Pela manhã, seu espírito estava perturbado” é 199, este sendo o mesmo valor numérico da palavra צדרה tzedakah.

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A TÚNICA DE YOSSÊF

E está escrito: וישלחו את-כתנת הפסים ויביאו אל-אביהם ויאמרו זאת מצאנו הכר-נא הכתנת בנך הוא אם-לא Vayeshalchu et-ketonet hapasim vayaviu el-avihem vayomru zot matsanu haker-na haketonet bincha hiv im-lo, “E levaram a túnica listrada, trouxeram-na a seu pai e disseram: Encontramos isto; reconhece, por favor, se a túnica é do teu filho ou não” (Bereshit 37:32, Vayeshev). Ao retornar para o patriarca Ya’acov com a túnica com sangue, os irmãos de Yossêf nunca afirmaram de fato que ele havia morrido. Eles sim induziram o pai a pensar isso, mas havia algo mais. Agora, é possível que a mentalidade de Ya’acov o predispôs também para ser enganado pelos seus filhos, como vemos no assunto de Elifaz. Veja, como traz o Ráshi na parashá Vayetse sobre a palavra ויבך vayevech (“ele chorou” ao encontrar Rachel): “‘Eu venho de mãos vazias…’, pois Elifaz ben Essáv o caçou para matá-lo de acordo com a ordem de seu pai. Elifaz o alcançou, mas como ele cresceu no colo do patriarca Yitschak, ele segurou sua mão. E Elifaz disse a Ya’acov: ‘O que eu farei sobre as ordens de meu pai?’. E Ya’acov respondeu: ‘Pegue tudo o que eu tenho, pois um homem sem nada [pobre] é contado como morto’ [Bereshit Rabati do Rabi Moshe Hadarshan; Talmud, Nedarim 64b]” (no Bereshit 29:11). E assim, muitos anos depois quando Ya’acov viu a túnica de seu filho Yossêf, eu vejo que ele pensou de mesmo modo: “Um homem sem nada é contado como morto”. Agora, este passúk/verso de Vayetse é profético. Aqui mesmo, o Ráshi também diz: “[Ele chorou] porque viu através de ruach haKodesh/inspiração Divina que ela não entraria com ele para ser enterrada [Bereshit Rabah 70:12]”. E veja: eu investiguei e vi que vayevech tem guemátria 38 e o atbash é 450, a mesma guemátria de מתי meti (“minha morta/meu morto”). E a primeira vez que esta palavra aparece na Torá é no passúk גר ותושב אנכי עמכם תנו לי אחזת קבר עמכם ואקברה מתי מלפני Guer-vetoshav anochi imachem tenu li achuzat-kever imachem veekbera meti milfanai, “Peregrino e morador sou entre vós; daime posse de um terreno para sepultura, entre vós, e enterrarei minha morta que está diante de mim” (Bereshit 23:4, Chaiyê Sarah). É aqui que o patriarca Avraham busca enterrar Sarah na caverna de Machpelah (e ele mesmo seria enterrado lá junto com ela). Mas, o Midrash vê que no caso de Ya’acov e Rachel isso não ocorreria. E por isso Ya’acov chorou em uma ocasião alegre como esta – do seu encontro e beijo com Rachel. Contudo, como é a natureza da profecia, existem outras possibilidades para a sua realização. Está escrito: וישק יעקב לרחל וישא את קלו ויבך Vayishak Ya’akov le-Rachel vayisa et-kolo vayevech, “E Ya’acov beijou a Rachel, e levantou sua voz e chorou”. A guemátria albam destas quatro palavras (vayisa et-kolo vayevech/e levantou sua voz e chorou) do verso é 1379, com mais o kolel para cada um das palavras temos o valor de 1383 – a mesma guemátria do passúk ויקנאו בו אחיו ואביו שמר את הדבר Vayekanu-vo echav veaviv shamar et-hadavar, “E seus irmãos invejaram-no, e seu pai esperou o fato” (Bereshit 37:11, Vayeshev) e a mesma de “E eles então escaparão pela sua maldade? Em Tua ira, subjuga Seu povo, ó Eterno” (Tehilim 56:7). Entretanto, eles não escaparam e de fato os irmãos de Yossêf precisaram de expiação. O Ari”zal explica que os Assarah Haruguêi Malchut (“Os Dez Mártires”) foram um guilgul/reencarnação dos irmãos de Yossêf (Sha’ar HaGuilgulim, hakdamah 34-39). E pelo seu kibud av (a mitsvá de “honrar o pai”) e por ter se restringido de matar Ya’acov, Elifaz ganhou zechut/mérito. O kibud av também foi uma mitsvá de seu pai Essáv, assim como a restrição de tentar matar, pois Essáv disse que somente “Quando chegarem os dias de luto de meu pai, então matarei meu irmão Ya’acov” (Bereshit 27:41). Elifaz era ligado b’sód/misticamente ao seu primo mais jovem Reuven, ambos primogênitos, quem agiu como ele: Vayishma Reuven vayatsilehu miyadam vayomer lo nakenu nafesh, “E Reuven escutou, e livrou-o das mãos deles e disse: Não o mataremos” (Bereshit 37:21, Vayeshev). Reuven “escutou” em seu coração o ruach/espírito de Elifaz. E a guemátria de ראובן Reuven é 259, a mesma de אליפז בן עדה Elifaz ben Adah (Bereshit 36:10, Vayishlach).

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