KAF

Ver resenha do título ÁLEF.

PALAVRAS CHAVES: O Kaf é a décima primeira letra e tem valor 20 e não 11, as letras do alfabeto Hebraico são os “blocos fundamentais da realidade” que a conferem com coerência, como exemplos: graças à letra Vav entendemos as hierarquias no universo, a alma é composta por letras do alfabeto Hebraico, a letra Hêi implica no elemente de criação, e a letra Chet é um “portal” que permite alteração da consciência etc., estamos ainda no primeiro nível do entendimento do alfabeto Hebraico chamado de “Mundos”, aprendendo um pouco sobre os “instrumentos” divinos que são as letras, o desenvolvimento espiritual e psicológico através deste estudo, o kaf tem a forma do universo que ocupa o espaço acima do horizonte, teoria geocêntrica, um estudo sobre os corpos celestiais, o Dirá b’Tachtonim (“a moradia santificada para D-us”) nos mundos inferiores, movimentos celestias e a Presença Divina, contrariando as tendências naturais, outros elementos da natureza além do homem se prostram diante de D-us, o Pérek Shirá, os astros são “recipientes” para os anjos, o Salmo 8, a letra Kaf é a capacidade de sermos “impressionados” pelo infinito, em Hebraico o Kaf é também metaforicamente a palma da mão e as nuvens, o Kaf como verbo alude ao poder de coerção/supressão, o Salmo 128, estudo sobre o poder de coerção positivo e negativo, a era de Mashiach, a kedusha/santidade não se mistura com a tumah/impureza, Yossêf é vendido (na parashá Vayeshev) por 20/Kaf moedas, estudo sobre os pés e os sapatos, a “sarça ardente” e a remoção dos sapatos de Moshé, o significado da venda de Yossêf.

Música: A Shtetl Nigun (autor desconhecido).

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SENTANDO PARA ANDAR

“Disse o Rabi Shimon… ואשב בהר ארבעים יום וארבעים לילה לחם Vaeshev bahar arbaim yom vearbaim laila lechem, ‘E então eu habitei na montanha [har em Hebraico] por quarenta dias a quarenta noites’ [Devarim 9:9]. Verdadeiramente, sabedoria não se assenta sobre o homem que anda, mas somente quando ele apenas se senta… como dito, ‘Eu habito’ de fato ‘sento/yeshev’. Agora devemos repousar. E todos sentaram” (Zohar 223a, Vayechi). Eu sempre busco ensinar sobre a importância de lutar contra a inquietude e como ela é um “termômetro” sobre a superficialidade. Contudo, se sentar é algo elevado quando na realização de uma mitsvá. Por exemplo, ישראל וישב על-המטה Yisrael vayeshev al-hamita, “Israel [Ya’acov] se sentou na cama” (Bereshit 48:2, Vayechi), para abençoar Yossêf. E וישבו לאכל-לחם Vayeshvu leechol-lechem, “E eles [os irmãos de Yossêf] se sentaram para comer pão” (Bereshit 37:25), etc. Agora, quando o sentar é vão e fútil, ele é considerado como se sentar em julgamento. Veja, a palavra para montanha é har, escrita hêi-rêish. E sua guemátria absoluta é 205. E este é o mesmo valor numérico da regressão do “Nome Elokim” (alef-lamed-hei-yud-mem): alef, alef-lamed, alef-lamed-hei, alef-lamed-hei-yud, alef-lamed-hei-yud-mem. E vemos que o valor numérico desta regressão então é: 1 + (1 + 30) + (1 + 30 + 5) + (1 + 30 + 5 +10) + (1 + 30 + 5 + 10 + 40) = 5(1) + 4(30) + 3(5) + 2(10) + 1(40) = 5 + 120 + 15 + 20 + 40 = 200. Por fim, somamos mais 5, para o valor das cinco letras do Nome Elokim, e temos o total de 205. Como é sabido, o Nome Elokim é sempre associado a guevurah (o atributo Divino do julgamento e severidade), e a sua “remoção” (implicada pela regressão do próprio Nome), significa uma situação especialmente negativa, na qual a beneficência Divina é severamente limitada. A consciência Divina sugerida por tal situação não é suficiente para “civilizar” a realidade (pois se a pessoa não faz nada pela retificação/adoçamento da realidade, ela é então dominada por ela), portanto deixa a realidade fora de seu próprio domínio, a saber, como em um deserto que é então completamente vazio da consciência Divina. Isso é fazer nada, sentado. Portanto, se sentar sem fazer algo para fomentar a consciência Divina que civiliza a realidade – para cumprir uma mitsvá – ou cuidar do corpo (uma mitsvá também) etc., faz a pessoa “se sentar na montanha”, ou seja, se sentar diante da regressão do Nome Elokim: do julgamento severo. Toda ação que contribui para a elevação da realidade tem o poder de “adoçamento” dela mesma. Ainda que sentado, a pessoa pode e deve elevar a realidade, ou seja, erguer as 288 fagulhas Divinas das sefirot de Tohu que caíram e se aprisionaram nos mundos inferiores (o assunto do Shevirat HaKelim). A guemátria ordinal de Vaeshev bahar arbaim yom vearbaim laila lechem, “E então eu habitei na montanha por quarenta dias a quarenta noites” é 288. Algo que precisa ser mais explicado em outra oportunidade, se D-us quiser.

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VAYIGASH: “PARA PRESERVAR VIDAS”

Um vórt (“breves palavras de Torá”) sobre o Bereshit 45:5, parashá Vayigash 5775.

Música: O cantor Belzer, Reb Y. Damen no casamento Satmar de Reb Aharon Teitelbaum.

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A VERDADE SOBRE OS SONHOS

Neste shiur de referência legítima judaica no assunto de sonhos, o Rabino Avraham Chachamovits traz uma abordagem ampla e singular. Além do material judaico autêntico, principalmente baseado no santo Zohar e no Talmud, o rabino traz insights psicológicos inovadores sobre a origem, natureza e desdobramentos dos sonhos, suas espécies e funções. O shiur aborda a parashá Mikêts, quando Yossêf, filho do patriarca Ya’acov, interpretou com total maestria o sonho do Faraó do Egito. Com um enfoque profundo sobre a simbologia dos sonhos, o Rabino Avraham explica também conceitos que se tornaram clássicos na psicologia Junguiana. Além do enfoque psicológico, também são revelados aspectos espirituais sobre os sonhos de origem angelical e demoníaca. Certamente, todos que buscam esclarecimentos verdadeiros sobre este assunto tão importante e misterioso precisam ouvir e estudar esta aula inusitada.

(Recomenda-se também os áudio-shiurim da série “A CABALÁ DOS SONHOS“, e o texto “RETIDÃO NOS SONHOS“).

Música: O Bostoner Rebe shlit”a, Ma’oz Tzur (מעוז צור), na Sétima noite de Chanuká em Goivat
Pinchas, Har Nof (Israel), Chanuká 5774.

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RETIDÃO NOS SONHOS

No Shabat Mikêts 5770, um judeu se aproximou de mim e me revelou que tinha tido um sonho muito difícil. Neste, a sua própria esposa trazia outras mulheres para ele profanar o seu brit – o pacto sagrado judaico da circuncisão (chaz v’shalom). E que quando diante desta cena tão perigosa – aonde estas mulheres o aliciavam – ele imediatamente percebeu o que podia acontecer, e então rapidamente se virou e saiu correndo. Eu procedi citando o passúk/verso desta parashá: ויריצהו מן-הבור Vayeritsuhu min-habor, “E fizeram-no [Yossêf] sair precipitadamente do cárcere” (Bereshit 41:14). Sobre este verso, o Rabi Shimon bar Yochai explica que, “Até o ‘incidente’ com a esposa de Potifar, ‘Yossêf não era chamado de tsadik/justo’, mas depois que ele guardou seu brit kodesh – não pecando sexualmente com ela – ele então foi chamado de tsadik” (Zohar 194b, Mikêts). E continua este Zohar dizendo que, “E isso resultou que o grau de Yessód o decorasse”. Isto significa, eu expliquei, o estabelecer da ligação arquétipa entre Yossêf e o nível de Yessód, que é o grau espiritual do tsadik. Mais ainda, traz este mesmo trecho do Zohar sagrado, “Aquilo que estava primeiro no cárcere, a klipah [as forças antagônicas a kedusha/santidade], se ergueu com ele… E ele ascendeu da klipah e foi adornado com a fonte das águas vivas, a Shechina/Presença Divina”. Assim termina este Zohar. E eu prossegui explicando que este sonho representava o teste do seu brit, e no imperativo de se distanciar das intensas tentações sexuais que sua esposa – quem representa a Shechina – ela mesma colocou diante de dele. E deste modo, agindo com retidão diante deste momento dramático, ele pode ascender ao nível que ascendeu, baruch Hashem. De fato, ao investigar, vemos que o passúk citado nos revela que este “sair precipitadamente do cárcere” simboliza a ascensão espiritual. Vemos que o mispar katan (versão sofit) deste passúk é 56, a mesma guemátria de ‘לה (la’YKVK), literalmente, “para D-us”. Portanto, significando o sair precipitadamente do cárcere para Hashem. Em outro nível, vemos que esta saída do cárcere que é a própria klipah implica na ligação com a Verdade – o romper com as auto ilusões. Em lashón kodesh (“língua santa” que é o Hebraico), a palavra Emêt (alef-me-tav) significa Verdade, e é o acrônimo de Elokim Melech Tamid (“Hashem é a Verdade Eterna”), de guemátria absoluta 630, a mesma de Vayeritsuhu min-habor, “E fizeram-no sair precipitadamente do cárcere”. Sua atitude, mesmo no sonho, foi verdadeiramente ideal, baruch Hashem.

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A VIAGEM DE YOSSÊF

Misticamente, as Arba Mitot Bet Din (“As Quatro Punições Capitais Bíblicas da Corte”) – queimando, abatendo pela espada/decapitando, estrangulando e apedrejando – são o lado da severidade sem adoçamento algum para o que foram então os testes dos patriarcas; indicando que estes testes ainda que difíceis, tiveram constante misericórdia divina. Veja: Avraham avinu passou pela fogueira; Yitschak avinu pelo abate da faca; Ya’acov avinu lutou com o anjo e passou o estrangulamento. Agora, Yosseêf HaTsadik sobreviveu o apedrejamento. Mas, como é que Yossêf foi apedrejado?. E assim entendi que os dez irmãos de Yossêf usaram um Shem Kodesh (“Nome Santo de Hashem”) para imobilizá-lo, deixando-o completamente confuso e perdido, tal como uma pedra atinge uma pessoa na cabeça e ela então cai inconsciente. Sua queda foi profunda, como em um poço. E é dito: “Bohu [‘confusão’] alude ao apedrejamento por pedras – ‘pedras de confusão’ [Isaías 34:11] – que se afundam no grande abismo para punir os perversos” (Zohar 11a, Prólogo). E a sua intensa confusão eram as “cobras e escorpiões” – os shedim/demônios do “poço” de sua consciência que o atacaram e criaram as distorções da realidade a que ele foi submetido neste duro teste – um longo sonho turbulento – e que só terminou com os perfumes doces que Yossêf cheirou e despertou quando colocado na “Caravana de ismaelitas que vinha de Guilad, e seus camelos levavam cera, bálsamo e goma odorífera” (Bereshit 37:25, Vayeshev). A moral aqui também é psicológica: somente ao lidar com a psique/subconsciente ela poderá então ser retificada, e a pessoa curada e amadurecida. A “viagem” de Yossêf foi este arquétipo.

Eu entendi também que a guemátria ordinal (mispar siduri, na versão com sofit) do passúk/verso אל תשפכו דם השליכו אתו אל הבור הזה Al tishpechu-dam hashelichu oto el-habor haze, “Não derrameis sangue! Jogai-o neste poço que está no deserto” (Bereshit 37:22) é 275, a mesma que encontrada para o passúk de Ezequiel 32:8, ou seja, הרע ha-Ra’ah, “o Mal”. Jogar Yossêf no poço foi um grande “mal” feito a ele, mas que no fim levou ao bem maior, pois a Providência Divina estava come ele, baruch Hashem.

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