A VERDADE SOBRE OS SONHOS

Neste shiur de referência legítima judaica no assunto de sonhos, o Rabino Avraham Chachamovits traz uma abordagem ampla e singular. Além do material judaico autêntico, principalmente baseado no santo Zohar e no Talmud, o rabino traz insights psicológicos inovadores sobre a origem, natureza e desdobramentos dos sonhos, suas espécies e funções. O shiur aborda a parashá Mikêts, quando Yossêf, filho do patriarca Ya’acov, interpretou com total maestria o sonho do Faraó do Egito. Com um enfoque profundo sobre a simbologia dos sonhos, o Rabino Avraham explica também conceitos que se tornaram clássicos na psicologia Junguiana. Além do enfoque psicológico, também são revelados aspectos espirituais sobre os sonhos de origem angelical e demoníaca. Certamente, todos que buscam esclarecimentos verdadeiros sobre este assunto tão importante e misterioso precisam ouvir e estudar esta aula inusitada.

(Recomenda-se também os áudio-shiurim da série “A CABALÁ DOS SONHOS“, e o texto “RETIDÃO NOS SONHOS“).

Música: O Bostoner Rebe shlit”a, Ma’oz Tzur (מעוז צור), na Sétima noite de Chanuká em Goivat
Pinchas, Har Nof (Israel), Chanuká 5774.

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RETIDÃO NOS SONHOS

No Shabat Mikêts 5770, um judeu se aproximou de mim e me revelou que tinha tido um sonho muito difícil. Neste, a sua própria esposa trazia outras mulheres para ele profanar o seu brit – o pacto sagrado judaico da circuncisão (chaz v’shalom). E que quando diante desta cena tão perigosa – aonde estas mulheres o aliciavam – ele imediatamente percebeu o que podia acontecer, e então rapidamente se virou e saiu correndo. Eu procedi citando o passúk/verso desta parashá: ויריצהו מן-הבור Vayeritsuhu min-habor, “E fizeram-no [Yossêf] sair precipitadamente do cárcere” (Bereshit 41:14). Sobre este verso, o Rabi Shimon bar Yochai explica que, “Até o ‘incidente’ com a esposa de Potifar, ‘Yossêf não era chamado de tsadik/justo’, mas depois que ele guardou seu brit kodesh – não pecando sexualmente com ela – ele então foi chamado de tsadik” (Zohar 194b, Mikêts). E continua este Zohar dizendo que, “E isso resultou que o grau de Yessód o decorasse”. Isto significa, eu expliquei, o estabelecer da ligação arquétipa entre Yossêf e o nível de Yessód, que é o grau espiritual do tsadik. Mais ainda, traz este mesmo trecho do Zohar sagrado, “Aquilo que estava primeiro no cárcere, a klipah [as forças antagônicas a kedusha/santidade], se ergueu com ele… E ele ascendeu da klipah e foi adornado com a fonte das águas vivas, a Shechina/Presença Divina”. Assim termina este Zohar. E eu prossegui explicando que este sonho representava o teste do seu brit, e no imperativo de se distanciar das intensas tentações sexuais que sua esposa – quem representa a Shechina – ela mesma colocou diante de dele. E deste modo, agindo com retidão diante deste momento dramático, ele pode ascender ao nível que ascendeu, baruch Hashem. De fato, ao investigar, vemos que o passúk citado nos revela que este “sair precipitadamente do cárcere” simboliza a ascensão espiritual. Vemos que o mispar katan (versão sofit) deste passúk é 56, a mesma guemátria de ‘לה (la’YKVK), literalmente, “para D-us”. Portanto, significando o sair precipitadamente do cárcere para Hashem. Em outro nível, vemos que esta saída do cárcere que é a própria klipah implica na ligação com a Verdade – o romper com as auto ilusões. Em lashón kodesh (“língua santa” que é o Hebraico), a palavra Emêt (alef-me-tav) significa Verdade, e é o acrônimo de Elokim Melech Tamid (“Hashem é a Verdade Eterna”), de guemátria absoluta 630, a mesma de Vayeritsuhu min-habor, “E fizeram-no sair precipitadamente do cárcere”. Sua atitude, mesmo no sonho, foi verdadeiramente ideal, baruch Hashem.

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