AJUDADO PELO ALTO

Certa vez, no dia 20 de Kislev 5772 (sexta-feira, 16 de Dezembro, 2011) um jovem judeu veio até minha casa para conversar sobre assuntos pessoais. Nesta conversa, eu explicava sobre o erro comum das pessoas sem Torá de acharem que somente na transgressão existe o prazer. Em sua honestidade, então me disse sobre um relacionamento não sancionado pela Torá, no qual ele muito se “perdeu”. E afirmou coisas sobre isso, até mesmo de ter feito músicas para esta pessoa etc., mas no final das contas confessou que ela “o fazia passar pelo inferno”. Ainda muito iniciante na Torá, este jovem precisava de sérios aconselhamentos. E eu disse a ele que soubesse que todos os assuntos do mundo estão sempre na parashá e comentários santos. A Torá é o “mapa” espiriutal da realidade, e lá tudo é encontrado: do passado, presente e futuro. Mas, para isso, certamente é preciso entender como os incontáveis temas da vida que surgem sempre em linguagens tão distintas, são conectados na parashá/porção semanal da Torá. E eu continuei explicando a ele que diferentes manifestações que procedem de uma mesma kavaná/intenção atingem olamot/dimensões/mundos diferentes, mas se mantêm conectados, como em um holograma multidimensional, por assim dizer, unindo tudo o que fazemos, sentimos e pensamos. Verdadeirmanete, quanto mais em uníssono nossos pensamentos, sentimentos e ações estão, mais forte é o nosso poder de alterar a realidade. A realidade é primeiro construída na mente, depois ela “desce” para os níveis inferiores (ou seja, mais materiais) do domínio das emoções e por fim, das ações. E se ele deseja retificar suas ações, ele precisa entender sobre a unicidade de Hashem, e se focar muito no devekut/união e ligação com Ele de modo direto e simples, compreendendo que tudo é Ele. E se realmente existe o desejo de alteração de comportamentos errados, de reavaliação da mentalidade para que o desejo de amadurecimento tenha frutos reais, então isto é totalmente possível e de fato, devido. Evoluir é uma obrigação espiritual da Torá. Veja, quando uma pessoa deseja se elevar, ela é ajudada por um ruach/espírito do Alto (assim como ensina o Talmud: Haba Litaher messayin oto, “Aquele que quer se purificar é ajudado pelo Alto”, Yoma 38b); contudo, o contrário também é verdadeiro: quando ela deseja se profanar, ela é “ajudada” por um ruach rah/espírito ruim para que possa cair e se poluir ainda mais, que D-us nunca permita. Enfim, após tudo isso, eu falei que iria com certeza achar algo relevante na parashá sobre o quê ele acabava de me revelar, a saber, da tal mulher que o fazia sofrer tanto etc. Como é sabido, nesta parashá Vayeshev, a Torá traz a história do Yossêf/José na casa do Potifar, que tinha uma esposa que muito tentou Yossêf a se profanar com ela através de uma relação ilícita que ela desejava, que D-us nunca permita. No entanto, ele resistiu totalmente e disso recebeu da Torá o título HaTsadik/O Justo, pois o órgão reprodutor é associado à sefirá de yessód que misticamente é o canal do tsadik/tsédek/tsedacá, todos termos ligados ao conceito de justo/justiça. E como ele não profanou o seu órgão, ele assim protegeu a sefirá de yessód o que então lhe conferiu (e a todos que assim agem) o atributo de tsadik/justo. E foi então que eu abri a Torá na sexta leitura da semana (ou seja, a leitura desta sexta-feira) aonde encontramos o passúk/verso: ויהי כדברה אל-יוסף יום יום ולא-שמע אליה לשכב אצלה להיות עמה Vayehi kedabrah el-Yossêf yom yom velo-shama eleyha lishkav etzlah lihyót imah, “E ela ficava falando com Yossêf dia após dia, mas ele não lhe dava ouvidos, para se deitar perto dela e estar com ela” (Bereshit 39:10, Vayeshev). E incrivelmente, a expressão להיות עמה lihyót imah, “estar com ela” tem guemátria albam 548, a mesma (com mais um para o kolel) de לתח גיחנם l’toach Guehinôm, “No meio do Inferno”. E graças a D-us, depois desta experiência comigo este jovem judeu iniciou um real processo de teshuvá/retorno a uma vida judaica legítima, e foi muito abençoado. Ele conheceu uma mulher digna e honrada, se casou, e hoje tem um lindo filho, tudo de acordo com as leis da Torá e a Providência Divina.

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RESGATANDO AS PERNAS

E está escrito: על-כן לא-יאכלו בני-ישראל את-גיד הנשה Al-ken lo-yochlu venei-Israel et-guid hanasheh, “Portanto os filhos de Israel não comem o tendão encolhido [nervo ciático] que está sobre a juntura da coxa até este dia etc.” (Bereshit 32:33, Vayishlach). Depois de lutar uma noite inteira com o anjo de seu irmão Essáv, e este, vendo que o amanhecer chegava (e ele perderia sua força) e que não venceria Ya’acov, então o anjo deslocou o nervo ciático do patriarca. Agora, o Povo Judeu é proibido pela Torá de comer este nervo de um animal casher, pois misticamente significa a força do mal que deve ser subjugada. De fato, explica o santo Zohar que, “Se a força não tivesse faltado a Ya’acov neste único ponto de seu corpo, ele então teria derrubado o anjo do mal em baixo e em cima” (170b, Vayishlach). Em seguida, continua o mesmo trecho do Zohar perguntando e explicando: “Qual a diferença da profecia de Moshé e a dos outros profetas? Moshé olhava profeticamente como em um espelho límpido, enquanto todos os outros profetas profetizaram como se olhando através de um espelho turvo. Somente ele entendeu a profecia por completo e de modo erguido, fortificado. Mas, todos os outros profetas caiam no chão e se enfraqueciam, porque eles não podiam entender a profecia claramente. E porque isso? כי נגע בכף-ירך יעקב בגיד הנשה Ki naga bechaf-yerech Ya’akov beguid hanasheh, ‘pois [o anjo] tocou na juntura da coxa de Jacob, no tendão encolhido’ [o final do verso em Bereshit 32:33]. E assim Ya’acov ficou machucado e todos os profetas, salvo Moshé, foram limitados em sua conceituação e compreensão”. A relação entre o machucado na coxa do patriarca e o “defeito” na profecia de todos os profetas depois de Moshé, não é revelada pelo Zohar. A razão é a seguinte. Moshé era diferente, porque ele foi elegido por Hashem para que fosse o Mashiach, e o mundo então teria terminado sua retificação, se o povo não tivesse pecado com o bezerro de ouro (um assunto para outra oportunidade, se D-us quiser). Veja, Moshé falava com Hashem diretamente, como um amigo fala com outro. Este grau foi unicamente atingido por ele. Mesmo os patriarcas, e antes deles, mesmo Nôach e mesmo Adam não tiveram tamanho mérito. Ele não somente tinha este grau de profecia perfeito, mas seu entendimento da mensagem Divina era igualmente incomparável. No entanto, após o pecado do povo, aspectos que haviam sido completamente retificados se romperam novamente, assim como uma ferida que antes de ter curado e secado por completo, se abre devido a algum movimento brusco. A origem espiritual da profecia, ou seja, o grau nas sefirót de onde provém a inspiração Divina enquanto ela existia no mundo (ou seja, até a destruição do Segundo Templo em Jerusalém), é das sefirót de Nêtsach e Hód. Estes canais Divinos de iluminação dos mundos são chamados de as “pernas”, e de fato quando falamos destas luzes, elas estão sempre juntas, como as duas pernas do homem que necessitam uma da outra. Quando o anjo do mal tocou e machucou a coxa de Ya’acov, ele assim o fez propositalmente, porque como Ya’acov representa cosmicamente a Ets Chayim/Árvore da Vida (as Sefirót). E então feri-lo na perna foi a ação como das presas de um leão feroz que ataca por debaixo para imobilizar a presa nas suas pernas, significando espiritualmente o bloquear de um nível das sefirót associadas às “pernas”: Nêtsach e Hód. Portanto, salvo a profecia de Moshé que era totalmente clara, estando acima de qualquer impedimento espiritual, porque ele foi especialmente escolhido por Hashem, todos os outros graus de profecia que vieram depois foram menos claros. Até mesmo a profecia de Yehoshúa/Josué, o discípulo de Moshé que finalmente levou o Povo de Israel a cruzar o Jordão e chegar até a Terra Santa prometida, bem como todos os outros grandes profetas que vieram depois, todos tiveram acesso à “perna machucada”. Mas, com a vinda do Terceiro Templo Sagrado, então será o tempo do verdadeiro Mashiach, que será “O pastor que resgata as duas pernas da boca do leão… então assim também será resgatado o Povo de Israel” (Amós 3:12) e a profecia proliferará na terra novamente, amém.

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E ELE FOI UNGIDO

E está escrito: ויצא יעקב מבאר שבע וילך חרנה Vayetsê Ya’akov miber shava vayêlech charana, “E Jacob saíu de Beer-Sheba, e seguiu para Haran” (Bereshit 28:10, Vayetsê).

No final da parashá anterior (Toledot), o comentarista Ráshi explica que “Ya’acov se ocultou [do seu irmão, o perverso Essáv] para estudar por 14 anos na yeshivá/academia de Torá de Éber [o descendente reto de Shem, filho de Nôach] e só depois é que ele foi para Haran” (no Bereshit 28:9). Agora, a guemátria do reshêi tevót/acróstico do verso acima (Bereshit 28:10) é 370, um número muito importante que será agora explicado com a ajuda de D-us. De acordo com a Cabalá, existem 370 luzes de kedusha/santidade que são ditas como “brilhando” (para quem tem mérito) dos níveis de Kéter, um nível altíssimo de iluminação espiritual pura e santa. Este brilho, por assim dizer, implica na manifestação de tremenda boa vontade e misericórdia. Ainda de modo mais específico, estas 370 luzes são “estados” de chéssed/bondade que em última instância, descem até o grau de yessód (a força motivacional para agir). Isto significa que, misticamente, quando este “recebimento” chega ao grau emocional (chamado de Z’eir Anpin), as emoções sofrem uma “ignição” por esta boa vontade e misericórdia. Veja, o intelecto abstrato do homem é um fator de distinção humana, entretanto por si só, ou seja, sem as respostas emocionais adequadas, ele tem pouco valor. De modo semelhante, a pessoa pode ter todo o tipo de boas intenções e desejos que somente se tornam parte efetiva da realidade à partir da resposta emocional, o que por sua vez vem a servir como a motivação para a “descida final da luz”, que são as ações. No nosso mundo de Asiyah, as ações são o que mais conta. Portanto, podemos dizer que a jornada de Ya’acov foi extremamente abençoada por Hashem, que “despejou” (abençoou) estas 370 luzes misericordiosas nele. Ya’acov precisava ainda evoluir mais para poder cumprir o seu grandioso papel cósmico. E este crescimento veio em estágios fundamentais e sucessivos, os quais incluíram a sua saída da casa de seus pais e o seu afastamento do perverso irmão Essáv. Mais ainda, os seus 14 anos na yeshivá tiveram grande significado na sua evolução espiritual, pois lá ele pode se dedicar integralmente a Torá antes de receber os novos desafios que culminaram nos seus 12 filhos – a base da formação do povo santo que iria se formar mais tarde como Bnêi Israel/Povo Judeu na saída do cativeiro do Egito e o auge espiritual do recebimento da Torá. Deste modo, era vital que todas as lições que Ya’acov recebeu fossem realmente aprendidas de modo profundo e completo.

Agora, é preciso explicar mais sobre o processo de entendimento que um aluno – no caso o patriarca Ya’acov – precisa passar com o mestre, no caso Éber, para que com o tempo adequado estas lições e as subsequente evoluções ocorram verdadeiramente. Veja, “Como é sabido, a mentalidade de Ába entra a mentalidade de Ima e o yessód de Ába estende para baixo até o yessód de Íma” (o Arizal, Likutêi Torá, Vayishlach). Isto significa que, o insight de chochmah/intelecto intuitivo é o material “cru” – o conteúdo – que binah/intelecto racional processa. Ainda que este insight inicial seja a fagulha original de inspiração, o seu yessód, ou seja, a força de auto realização, é ainda mais poderosa e se estende para baixo até mais do que binah. Ou seja, o insight inicial, apesar de ser uma experiência intelectual, contém dentro de si um “elemento” de consciência que transcende o intelecto e assim não é limitado por ele. Continua o Ari”zal, “Agora, a mentalidade de Ába não entra completamente a mentalidade de Íma, até que a mentalidade imatura é expelida”. O objetivo central da infusão da mentalidade de Ába/chochmah em Íma/binah é que este poder mental se transforme no poder mental de Z’eir Anpin/emoções. Ou seja, o objetivo de qualquer insight intelectual é o revitalizar a visão do mundo da pessoa para verdadeiramente “recriá-la”. A medida disso é o tanto que a relação emocional/Z’eir Anpin com a realidade é de fato refeita. Entretanto, o desenvolvimento da mentalidade de Z’eir Anpin (o aspecto emocional e do caráter do indivíduo) progride através de três estágios: a mentalidade embrionária, a mentalidade infantil e a mentalidade madura. A progressão de um estágio para o outro depende do “desalojar” da velha mentalidade (ou reação emocional à realidade) por a nova mentalidade. Isto é fundamental. E toda a dificuldade de recebimento do aluno provém da “luta” espiritual que surge do yessód de Ába para transcender seu domínio e chegar em Z’eir Anpin, pois se o conteúdo intelectual atuar nas emoções, a pessoa muda. Mas se a sua força emocional (não retificada), o seu “Ego”, for maior do que a força intelectual que é despertada pelo insight (das explicações do mestre) ela então “resistirá” e não permitirá que aja a “descida da luz” de Ába/chochmah/insight até o seu centro emocional. Ela é refratária à iluminação, se mantendo então espiritualmente-mentalmente imatura. E toda imaturidade é uma severidade, querendo dizer, algo que conecta a pessoa ao Mal. Esta severidade ou “amargura” metaforicamente falando, precisa ser então “adoçada” (mitigada) através da sua evolução, ou seja, de uma nova mentalidade. Portanto, a saída do patriarca Ya’acov é abençoada com grandes “doçuras” espirituais para erguê-lo diante do seu papel tão fundamental na realidade. Deste modo, o despejar destas luzes altas significou que Ya’acov foi ungido por Hashem, e assim, suas “severidades” (ou seja, qualquer falta de entendimento), adoçadas/retificadas. E incrivelmente, o reshêi tevót (com guemátria 370) do passúk/verso deste estudo é exatamente וימשוח Vayimshach, que significa “E ele foi ungido”.

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NARIZ EM CHAMAS

Eretz Israel/Terra Santa* vive momentos terríveis com mais uma conflito armado contra a investida dos árabes ímpios e violentos do Hamás em Gaza. Agora, no nível da guerra espiritual, o armamento poderoso do Tehilim 83 foi pedido e usado pelo mundo judaico (e também o 130 e 142) para combater estas forças ímpias. E como é sabido, tudo está na parashá. A guemátria de 83 é be’af (“com ira”) um dos assuntos principais desta parashá/porção semanal: וישטם עשו את-יעקב על-הברכה אשר ברכו אביו ויאמר עשו בלבו יקרבו ימי אבל אבי ואהרגה את-יעקב אחי “E Essav guardou ódio de Ya’acov pela bênção com que o abençoou seu pai, e Essav disse em seu coração: Chegarão os dias de luto de meu pai, e matarei meu irmão Ya’acov” (Bereshit 27:41, Toledot). Contudo, o ódio de Essav, dos inimigos de Israel/Ya’acov se defronta com a ira de YKVK. Como é sabido, a palavra em Hebraico para nariz é af também. De modo mais preciso, a expressão na Torá para raiva é charón-af (literalmente, “nariz em chamas”), assim como quando uma pessoa fica irada, suas narinas se abrem. E YKVK é referido por vezes como Érech Apáyim, ou seja, “Nariz Cumprido”, uma metáfora para descrever a Sua paciência inefável com os erros humanos. Mais ainda, quando a praga foi enviada por YKVK pelos atos de Kôrach, então Aharon foi ordenado por Moshé a preparar o ketoret para apaziguar a ira Divina (Bamidbar 16:7 etc.). O odor agradável do incenso acalmou a ira, querendo dizer, o incenso foi “colocado no nariz”, como escrito: Yasimu ketorah b’apecha “Eles colocaram incenso em Tua narina” (Devarim 33:10). Enfim tudo conectado com o antigo ódio árabe, que nunca se conformou com a esperteza santa de Ya’acov. E a origem deste ódio é mais antiga ainda, como escrito: Vatishachet ha’arets lifnêi ha’Elokim vatimale ha’arets hamás, “E a terra corrompera-se diante de Elokim, e a terra se enchera de violência/hamás” (Bereshit 6:11). E sobre tudo isso eu pensei que seria muito bom um míssil israelense (um ketoret, por assim dizer) atingir o “nariz do inimigo”, ou seja, por onde ele “respira” – de onde vem seu ar: Gaza. Verdadeirmaente, a parashá Toledot trata da luta entre o Bem/Ya’acov e o Mal/Essav no nível arquétipo. E isto é bem sabido pelos iniciados. Contudo, em outro nível, vemos Ya’acov lutando para firmar-se como pilar do Povo de Israel, ou seja, de ser apropriadamente “estabelecido” como uma fundação no terreno físico e espiritual. E Essav representa a “conturbação” da terra/adamah/Edom (como vemos nesta semana no ataque do Hamás que é Ishmael/Essav) sendo “atirada e removida” de seu contato com a kedusha/santidade através da esperteza de Ya’acov, ao enganar seu irmão rasha/perverso e conseguir a primogenitura. De fato, Essav diz sobre Ya’acov: yaakvêini, “ele me enganou” (Bereshit 27:36). As klipót estão sempre próximas da kedusha, pois precisam da luz para se nutrir. E é explicado que “Ya’acov nasceu agarrado ao calcanhar de Essav etc. indicando que ele era próximo de Essav, ou seja, a sitra achra estava próxima da kedusha. Então Ya’acov precisou pegar o calcanhar de Essav e trazê-lo para baixo, para seu domínio escuro a fim de se distanciar do mal completamente (Zohar 138a, Toledot). A propósito, a relação de Ishmael com Essav é íntima, pois além de parentes, o fim da parashá traz que Essav se casou com a filha de Ishmael (Bereshit 28:9). Os árabes e a humanidade vivem e obedecem aos planos Divinos sem mesmo saberem e se importarem. Mas YKVK comanda tudo. E todos os que não são alinhados a Hashem, são regidos apenas pelos planetas e constelações, a “sorte” impiedosa da astrologia. De fato, o sofêi tevót (as “letras finais”, e que semanticamente significam, “no final das contas”) do verso “E Essav guardou ódio de Ya’acov pela bênção com que o abençoou seu pai etc.” é םותבלהרוורווויליהתבי, e tem a guemátria katán 77, o mesmo valor numérico da palavra מזל mazál (mem-zayin-lamed = 40 + 7 + 30 = 77), indicando que todos os que odeiam Israel (o outro nome de Ya’acov), serão regidos apenas pela astrologia, e nunca pelas bênçãos e proteção de Hashem, amém.

 

* Texto originalmente escrito em Rosh Chodesh Kislev, 5773 (Novembro 15, 2012), parashá Toledot, durante o conflito de Israel em Gaza neste mesmo ano.

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MEDIDA POR MEDIDA

E está escrito: ויהיו חיי שרה מאה שנה ועשרים שנה ושבע שנים שני חיי שרה Vayihyu chayei Sarah mea shana veesrim shana vesheva shanim shenei chayei Sarah, “E a vida de Sarah foram 127 anos; estes foram os anos de vida de Sarah” (Bereshit 23:1, Chaiyê Sarah). O Talmud (Sanhedrin 95a) relata algo extraordinário sobre o rei David e seu sobrinho Avishái. Em certo momento, ambos estiveram envolvidos numa luta feroz contra o gigante Yishbi B’Nóv, irmão do infame Golias. E eu recebi que a morte deste gigante perverso que muito tentou abater David (assim como seu irmão Golias tinha feito no passado, em II Samuel 22), foi um tikún/retificação para a morte da matriarca Sarah. Veja, neste trecho do Talmud é relatado que David e Avishái perceberam que mesmo juntos, não teriam forças para abater este gigante do mal. Existem vários detalhes extraordinários desta passagem (incluindo o uso de Shemót Kodashím/Nomes Santos para alterar a realidade por David HaMélech/rei David), mas que aqui não os citarei. Enfim, eles tentaram uma nova tática para matar o malvado: Eles disseram a Yishbi B’Nóv: “Vá e encontre a sua mãe Orpah na cova, pois nós a matamos!”. Quando eles mencionaram o nome de sua mãe e disseram que a haviam abatido, a força do gigante se esvaiu por completo e aí então eles o mataram. Agora, o Midrash revela a conhecida passagem que o Satán visitou Sarah enquanto Avraham e Yitschak estavam no Monte Moriyah para o Akedat Yitschak/Sacrifício de Isaac. E ao ouvir a notícia pelo Satán que a mando de Hashem, Avraham ia sacrificar Yitzchak como um corbán/oferenda, “A sua alma voou e ela faleceu” (Ráshi no Bereshit 23:1; Pirkê de Rabi Eliezar etc.) . “Aparentemente”, o lado do mal prevaleceu aqui, que D-us nunca permita, pois o estresse causado na santa mãe do patriarca Yitschak a abateu. Mas, de certo o lado do bem prevaleceu, fazendo um tikún, pois o estresse causado no gigante pela notícia do falecimento de sua mãe permitiu que este grande agente do mal fosse agora aniquilado, midá kenégued midá/medida por medida. Mais ainda, os Sábios da Torá explicam que שני חיי שרה shenei chayei Sarah, “estes foram os anos de vida de Sarah” significa que “Todos eles foram igualmente bons” (Ráshi no Bereshit 23:1). Ela viveu plenamente, e quando seu tempo terminou nada faltava para ela completar a sua missão no mundo. Foi tudo perfeito, assim como vemos na dica da guemátria atbash de shenei chayei Sarah sendo 286. E este valor numérico é igual a guemátria do Tetragrama/YKVK (guemátria 26) vezes 11. E o valor numérico 11 é a guemátria da palavra טב tóv, “bom” (escrito sem o Vav). Portanto, como a multiplicação significa psicologicamente o “fortalecimento em estágios”, vemos então que a cada estágio da vida de Sarah, tudo foi bom (26 x 11 = 286). Do início ao fim, sua vida foi abençoada. Veja, o sofêi tevót/letras finais de חיי שרה chaiyê Sarah, “vida de Sarah” são as duas letras yud e hei, que formam o Nome Divino Kah/D-us. Verdadeiramente, tudo segue sempre de acordo com o Plano Divino.

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