SEJA INFLUENCIADO

E está escrito: דבר אל-אהרן ואמרת אליו בהעלתך את-הנרת אל-מול פני המנורה יאירו שבעת הנרות Dabêr el-Aharón veamárta eláv behaalotechá et-hanerót el-múl penêi hamenorá yairú shivát hanerót, “Fala a Aarão e diz-lhe: Quando acenderes as lâmpadas, faz de modo que as 7 lâmpadas iluminem a lâmpada central do candelabro” (Bamidbar 8:2, ‎Behaalotechá). Veja que a guemátria katán deste verso é 204, sendo este o mesmo valor numérico da palavra tsadik/justo. Agora, qual a ligação do justo/reto com a Menorá/candelabro? O santo Zohar explica: “O tsadik é a vida do universo”. E que, metaforicamente, “Hashem mantém o mundo pela Sua força”, e o tsadik é o representante “da Sua força” (Zohar, Bereshit). É claro que existem muitos diferentes graus e níveis de tsadikim/justos. Cada um tem sua psique particular e capacidade de recebimento das mensagens divinas da Torá e ordenamentos para revelá-las. Mas, de fato, cada um traz “vida” para o mundo, pois o propósito de sua existência é iluminar a realidade no nível que for o seu quinhão. E isso ocorre na medida em que um justo traz para baixo, na realidade material, o chéssed/bondade do “Intelecto Superior” (chamado de Íma/Binah). Ou seja, o real e autêntico entendimento da Torá. Quando esta luz de chéssed de binah/bondade do intelecto – um entendimento intenso e verdadeiro – atinge as pessoas que “podem ser atingidas” (uma vez que algumas são arrogantes e teimosas demais para serem influenciadas), algo profundo ocorre: uma mudança na mentalidade da pessoa. Esta transformação e limpeza lenta e gradual é produto desta luz especial atingir o que é chamado de o Kéter das Midót/caráter, ou seja, o ponto “mais alto” do sistema emocional do indivíduo/caráter e assim, o estágio mais próximo do seu intelecto abstrato. Sim, pois antes que as emoções/sentimentos se manifestem, existe um ponto inicial, por assim dizer, que deriva do entendimento intelectual abstrato que a pessoa faz sobre algum assunto/julgamento na realidade. Logo antes da manifestação emocional, na fase de “transição” entre o intelecto e as emoções, portanto do ponto de máxima influência nas emoções primárias, lá a luz do tsadik atua, deste modo influenciando o desejo e vontade da pessoa. Veja, o desejo não é algo consciente. Uma pessoa não sabe dizer porque gosta mais de chocolate amargo do que do branco. O poder das vontades/desejos da pessoa está “acima” do entendimento, assim como uma coroa (Kéter em Hebraico) que se assenta no topo da cabeça/intelecto. Daí a relação entre afetar o caráter/emoções da pessoa num estágio não consciente, o que muitas vezes leva às transformações dela. Em outras palavras, o justo tem em algum grau, a bênção de influenciar pessoas para que elas amadureçam seus caráteres, e deste modo busquem se retificar e assim se aproximar de Hashem. Mais ainda, de modo geral, o reto pode tanto ajudar uma pessoa no caminho da Torá a se erguer ainda mais, bem como a “ajudar” um rashá/malvado a se rebaixar mais, e “se perder” em sua maldade. De fato, as pessoas que são influenciadas pelo tsadik são aquelas que se encontram em sua “rede espiritual” e as vezes, dependendo do “tamanho espiritual” do justo, até pessoas que não tiveram contato com ele, e até mesmo o mundo todo!

Veja, ‎Behaalotchá et-hanerót, “Quando acenderes as lâmpadas” tem guemátria katán 44, o mesmo valor numérico da palavra להט lahát, “flamejante”. E o reshêi tevót/acróstico de “as 7 lâmpadas iluminem a lâmpada central do candelabro” tem guemátria ordinal 72, que é o valor numérico da palavra chéssed/benevolência. Portanto, temos aqui uma alusão do candelabro ao justo, pois a bondade flamejante/o fogo do tsadik é um brilho que ilumina/influencia o desejo do indivíduo para que esta sua vontade se torne o desejo de Hashem. Todas as vezes que uma pessoa busca influenciar positivamente outra, ou seja, de estrito acordo com as leis e orientações da Torá, ela naquele momento vivencia uma medida do poder do tsadik. Aprenda isso bem.

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AJUDADO PELO ALTO

Certa vez, no dia 20 de Kislev 5772 (sexta-feira, 16 de Dezembro, 2011) um jovem judeu veio até minha casa para conversar sobre assuntos pessoais. Nesta conversa, eu explicava sobre o erro comum das pessoas sem Torá de acharem que somente na transgressão existe o prazer. Em sua honestidade, então me disse sobre um relacionamento não sancionado pela Torá, no qual ele muito se “perdeu”. E afirmou coisas sobre isso, até mesmo de ter feito músicas para esta pessoa etc., mas no final das contas confessou que ela “o fazia passar pelo inferno”. Ainda muito iniciante na Torá, este jovem precisava de sérios aconselhamentos. E eu disse a ele que soubesse que todos os assuntos do mundo estão sempre na parashá e comentários santos. A Torá é o “mapa” espiriutal da realidade, e lá tudo é encontrado: do passado, presente e futuro. Mas, para isso, certamente é preciso entender como os incontáveis temas da vida que surgem sempre em linguagens tão distintas, são conectados na parashá/porção semanal da Torá. E eu continuei explicando a ele que diferentes manifestações que procedem de uma mesma kavaná/intenção atingem olamot/dimensões/mundos diferentes, mas se mantêm conectados, como em um holograma multidimensional, por assim dizer, unindo tudo o que fazemos, sentimos e pensamos. Verdadeirmanete, quanto mais em uníssono nossos pensamentos, sentimentos e ações estão, mais forte é o nosso poder de alterar a realidade. A realidade é primeiro construída na mente, depois ela “desce” para os níveis inferiores (ou seja, mais materiais) do domínio das emoções e por fim, das ações. E se ele deseja retificar suas ações, ele precisa entender sobre a unicidade de Hashem, e se focar muito no devekut/união e ligação com Ele de modo direto e simples, compreendendo que tudo é Ele. E se realmente existe o desejo de alteração de comportamentos errados, de reavaliação da mentalidade para que o desejo de amadurecimento tenha frutos reais, então isto é totalmente possível e de fato, devido. Evoluir é uma obrigação espiritual da Torá. Veja, quando uma pessoa deseja se elevar, ela é ajudada por um ruach/espírito do Alto (assim como ensina o Talmud: Haba Litaher messayin oto, “Aquele que quer se purificar é ajudado pelo Alto”, Yoma 38b); contudo, o contrário também é verdadeiro: quando ela deseja se profanar, ela é “ajudada” por um ruach rah/espírito ruim para que possa cair e se poluir ainda mais, que D-us nunca permita. Enfim, após tudo isso, eu falei que iria com certeza achar algo relevante na parashá sobre o quê ele acabava de me revelar, a saber, da tal mulher que o fazia sofrer tanto etc. Como é sabido, nesta parashá Vayeshev, a Torá traz a história do Yossêf/José na casa do Potifar, que tinha uma esposa que muito tentou Yossêf a se profanar com ela através de uma relação ilícita que ela desejava, que D-us nunca permita. No entanto, ele resistiu totalmente e disso recebeu da Torá o título HaTsadik/O Justo, pois o órgão reprodutor é associado à sefirá de yessód que misticamente é o canal do tsadik/tsédek/tsedacá, todos termos ligados ao conceito de justo/justiça. E como ele não profanou o seu órgão, ele assim protegeu a sefirá de yessód o que então lhe conferiu (e a todos que assim agem) o atributo de tsadik/justo. E foi então que eu abri a Torá na sexta leitura da semana (ou seja, a leitura desta sexta-feira) aonde encontramos o passúk/verso: ויהי כדברה אל-יוסף יום יום ולא-שמע אליה לשכב אצלה להיות עמה Vayehi kedabrah el-Yossêf yom yom velo-shama eleyha lishkav etzlah lihyót imah, “E ela ficava falando com Yossêf dia após dia, mas ele não lhe dava ouvidos, para se deitar perto dela e estar com ela” (Bereshit 39:10, Vayeshev). E incrivelmente, a expressão להיות עמה lihyót imah, “estar com ela” tem guemátria albam 548, a mesma (com mais um para o kolel) de לתח גיחנם l’toach Guehinôm, “No meio do Inferno”. E graças a D-us, depois desta experiência comigo este jovem judeu iniciou um real processo de teshuvá/retorno a uma vida judaica legítima, e foi muito abençoado. Ele conheceu uma mulher digna e honrada, se casou, e hoje tem um lindo filho, tudo de acordo com as leis da Torá e a Providência Divina.

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