4 pensamentos sobre “VAYETSÊ: “CORRENDO E VOLTANDO”

  1. Pela Graças de D-us,

    Shalom Rabino Avraham e amigos.

    Venho com alegria compartilhar um humilde comentário sobre a aula “Vayetsê 5774”, uma aula muito profunda e com grandes revelações que compõe os estudos desta Parashá.

    O Rabino começa a aula explicando que “Ya’acov Avinu representa o desenvolvimento completo do conceito de Patriarca”, sendo assim, o progenitor da nação de Israel, diferente de Avraham e Yitzchak que representam estágios preparatórios. Em outras palavras, isso significa que Ya’acov teve que passar por processos de elevação até atingir o estágio de Israel, um estágio perfeito, tendo sido um Mestre dos segredos do Universo e explica que um Mestre dos segredos, se torna uma Mestre, muitas vezes, por receber uma Brachá, uma bênção. E de acordo com sua de’ah (opinião) isso ocorre com Ya’acov no momento descrito nessa Parashá sobre o seu sonho com a escada e os anjos, onde está escrito “Vayachalom vehineh sulam” (ele sonhou e viu uma escada). Sobre isso diz o Rabino que podemos tirar muitas lições profundas, uma vez que cada palavra da Torá contém infinitos segredos velados em suas letras e que desvenda-los é um assunto muito especial.

    Peço licença para humildemente compartilhar um pensamento que tive enquanto assistia um documentário científico que me auxiliou dentro das minhas limitadas capacidades a compreender a grandeza desses estudos Santos. No documentário é explicado que há uma certa transição na concepção da realidade do universo. Antes, acreditava-se que as matemáticas podiam explicar o universo, sua constituição e leis, hoje, entretanto, entende-se que o próprio universo é matemática e que tempo, espaço etc, estão contidos na matemática, e por isso todo o universo quando investigado apresenta sempre constantes matemáticas. Foi então, que me lembrei da aula “A mística do alfabeto hebraico”, em que nos é explicado que a realidade é composta por letras hebraicas que são blocos fundamentais da criação. Compreendendo que cada letra também é um número, podemos ver como essas informações se encaixam. A Torá, sendo um nome de D-us, conforme nos é explicado, contém todas as informações da criação, portanto, além de se poder compreender a estrutura da realidade material (como é o caso dos cientistas), é possível também se explorar com o auxílio das “ferramentas tecnológicas espirituais” de desvelamento todos os níveis da criação, ou seja, é possível estudar não apenas as leis físicas, mas todas as dimensões, arquétipos e leis espirituais. Assim, entendo minimamente o que implica esse desvendamento dos segredos contidos nas letras da Torá e o motivo do Rabino nos dizer que isso é algo tão especial.

    Utilizando dessa tecnologia espiritual de desvelamento, o Mestre Avraham nos ensina que a guemátria de ‘sulam’ é 130, a mesma de ‘nodah’, que significa ‘se tornar conhecido/consciente’ e a mesma de ‘iedaum’, em português, ‘e eles conheceram’. Portanto, a escada é uma representação da consciência, tendo Ya’acov recebido entendimento sobre a dinâmica da mente e também a necessidade de amadurecimento da mesma. Explica também que 130 é o valor da letra ayn, que como palavra significa “olho” ou “visão espiritual”. Assim sendo, interpreta-se que ele sonhou e viu o seu consciente, representado pela escada. Os malachim (anjos) subindo e descendo a escada, representam uma ascensão e queda do grau de consciência, uma vez que ‘malach’ é uma inteligência. Além disso, as três palavras (Vayachalom vehineh sulam) juntas têm guemátria 390, a mesma de ‘ratz’ que significa ‘correr’. Deste modo, esses graus de oscilação da mente ocorrem como se a mente estivesse sempre correndo, indo e voltando, sendo esse processo conhecido como ‘ratzo vashov’ (sem ‘chov’ igual a voltar/retornar como em teshuvá). E Ya’acov sendo também um arquétipo, essa constante oscilação representa a verdade sobre a mente, e daí a importância de se compreender esses assuntos, uma vez que compreendendo a operação mental é possível de se alcançar grandes avanços através de diversas técnicas profundas, mas que necessitam primeiro dessa compreensão interior.

    Embora entende que não seja exatamente dessa oscilação que o Rabino comenta, percebo em mim constantemente um oscilar da minha mente. Tenho uma grande dificuldade em manter o foco naquilo que estou fazendo, quase sempre que estou focado em alguma tarefa, seja leitura, escrita, estudos, aparece um pensamento, quando vejo esse pensamento já me levou distante daquilo que estava fazendo e a tarefa que eu estava executando ficou algo automático que eu não estava prestando atenção, quando leio por exemplo, tenho que ficar voltando a ler, pois estava só correndo os olhos e pensando em outra coisa. Entendo minimamente que o mundo contemporâneo e urbano aumenta ainda mais essa oscilação, pois temos que executar diversas tarefas, muitas vezes ao mesmo tempo e com certa pressa. Todavia, entendo que para recebermos insights e compreensão é necessário que haja atenção focada no estudo e também espaço para recepção de algo nas entrelinhas, e essa é uma lição que estou constantemente tentando assimilar e colocar em prática, Graças a D-us. Mas além disso, em minha pequena compreensão, entendo que essa oscilação se refere também ao estado de consciência, por exemplo, quando estudamos esses assuntos Santos conectamo-nos no grau que nos é permitido a uma visão espiritual sobre a Realidade, todavia, já me peguei pouco tempo depois dos estudos fazendo interpretações puramente materiais sobre acontecimentos, esquecendo que o espiritual e o material estão conectados, e vendo apenas a casca. Disso, entendo que é necessário estarmos sempre conscientes do espiritual e de Hashem, e para isso Graças a D-us temos os Salmos, a cabeça coberta, as bênçãos e os ensinamentos do nosso querido Mestre que “são como mnemônicos” (entre aspas pois não são apenas isso, é apenas um dos diversos benefícios) para estarmos sempre mantendo nossa mente ligada em Hashem.

    O Rabino prossegue a aula nos falando sobre uma outra técnica importante de guemátriot chamada ‘Reishit Tavot’, um acróstico com a primeira letra de cada palavra que traz uma nova compreensão sobre a frase, nesse caso as três letras são vav, vav, e samech, de guemátria 72, um número muito importante na Torá, havendo um Nome Divino chamado “Shem Ayn Bet”, “o Nome de 72 letras” que é YKVK soletrado com yud, que significa ‘Aba’, ou ‘Chochmá’ que está ligado com o pensamento de Hashem. Em outra técnica similar, mas de acróstico oposto, ou seja com as últimas letras, que tem o nome de ‘Sofet Tavot’, as letras encontradas são mem, bet e mem, com guemátria 85 + 1 do kollel = 86, que remete ao Nome Divino Elokim, Nome associado a Ima ou Biná. Explica então que temos disso a ideia de ascensão da consciência constrita (Elokim), uma mentalidade imatura, para a consciência transcendente de Hashem (Chochmá), representando então misticamente o caminho para a ascensão espiritual. O Rabino conecta esse assunto com o Sefer Yetsirá do Patriarca Avraham que diz na quarta Mishná: “Compreenda com sabedoria e seja sábio com a compreensão”. Sabedoria está ligado ao assunto de meditação, o lado direito do cérebro, e portanto Chochmá, enquanto compreensão, se remete ao racional, ao lado esquerdo do cérebro. Portanto, através do entendimento da oscilação entre o racional e o intuitivo é possível alcançar níveis profundos de meditação que levam a uma maior conexão com Hashem e um conhecimento mais apurado e profundo sobre a realidade. E foi isso que ocorreu com Ya’acov, tendo ele, como “recebido um novo software” que lhe permitiu maior habilidade em lidar com os assuntos de sua futura empreitada e principalmente dos assuntos do lado escuro, podendo assim, subjugar essas forças da sitra achra, demonstrando que esse é o caminho dos judeus e de toda a humanidade. Ou seja, é necessário emularmos Ya’acov buscando a ascensão de nossa mente imatura para buscarmos atingir maiores graus de entendimento que permitam agir em retidão, auxiliando no processo de retificação do mundo e assim apressando a vinda de Mashiach ainda em nossos dias, se D-us quiser, AMÉM!

    Depois de ler esse último parágrafo com revelações muito profundas que sem dúvida alguma elevam nosso amor e temor a D-us e a admiração de Sua Santa expressão pela Sagrada Torá, fiquei olhando pela janela esperando alguma inspiração de Hashem para comenta-lo. Bem a minha frente eu via o horizonte, do horizonte para baixo eu via a cidade, o parque e sua natureza, a mata e a terra densa, me recordei então que a natureza (HaTeva) tem a mesma guemátria que Elokim, como nos ensina o nosso estimado Mestre Avraham. Acima do horizonte estava o céu, para onde levantamos nossas mãos em oração a Hashem e de onde vem o sustento, a luz, a água, a bondade de D-us que a natureza recebe e transforma a matéria para nosso alimento, moradia e aprendizado. Fiquei pensando nessa dualidade da criação, foi então que vi alguns pássaros voando e de certa forma percebi no bater das asas dos pássaros a mesma dinâmica aqui explicada. Quando as asas do pássaro (matéria densa, natureza) estão no alto, ele tende a cair, mas ao bate-las para baixo ele se eleva, assim como nós ao subjugarmos o mal elevamos nossa consciência, e essa oscilação de subir e descer faz com que os pássaros possam se elevar cada vez mais, assim como nós podemos, -e assim o faremos- através do conhecimento dessa dinâmica e com o discernimento entre o bem e o mal nos elevarmos cada vez mais até o pensamento mais íntimo de Hashem, se assim Ele quiser, AMÉM.

    Agradeço ao Criador, Abençoado Seja, por ser o nosso Mestre Universal nos ensinando através de tudo e a todo momento, e ao Mestre Avraham por dedicar sua vida a esse Serviço Divino de auxiliar aos que buscam uma aproximação verdadeira com Hashem. Graças Mestre pelo auxílio e por orientar-nos com tanto carinho e dedicação nesse caminho de retidão e retificação. Agradeço também aos amigos que fazem parte e possibilitam a existência dessa comunidade. Que Hashem a abençoe e a faça prosperar, se assim for Sua vontade, AMÉM.

    Peço perdão por qualquer erro que eu tenha cometido diante dessa aula tão avançada e com assuntos tão penetrantes, me colocando em posição de retificação.

    Shalom a todos!

    André Luis Karpinski

  2. Shalom caro Rabino Avraham e amigos do Beit Arizal,

    Peço a licença do Rabino Avraham e dos amigos para comentar sobre este shiur:

    Assim como Ya’acov teve que ser preparado para receber esse grande entendimento através de testes ou situações complexas, entendo que semelhantemente situações difíceis também se apresentam em nossas vidas com o propósito de nos abençoar com mais entendimento, pois quando me encontro em momentos difíceis e busco com esforços mentais e emocionais ver tudo sob uma ótica positiva, entendo que há nisso a possibilidade da providência divina atuar me trazendo sabedoria para compreender, unindo os aspectos intuitivo e racional da mente para enxergar a realidade com mais profundidade, que D-us permita.

    Entendo que assim o homem pode conhecer melhor a complexidade de sua mente e como opera-la de modo a ter mais sucesso em sua luta espiritual, compreendendo a oscilação entre a sabedoria e a compreensão e o objetivo, assim penso, de todo esse trabalho mental e espiritual deve ser de levar o homem a se tornar mais astuto ao lidar com o mal, obtendo ainda que em um nível muito pequeno a princípio um pouco dessa qualidade extraordinária de Ya’acov de saber desmascarar o mal, abandonando sua antiga ingenuidade, removendo a klipá tão espessa que antes o impedia de enxergar a verdade que sublinha todos os eventos e aspectos da realidade que o cerca nesse mundo físico. Agradeço imensamente á D-us e ao Rabino Avraham por esse profundo shiur, sinto pequeno demais diante de tanta sabedoria aqui revelada, que D-us me permita viver em algum nível o que aqui foi ensinando, tudo de bom á todos.

    Respeitosamente, Emerson

  3. Shalom rabino Avraham,

    Com permissão do senhor, gostaria de expor pequeno entendimento que me foi revelado ao estudar esta aula onde é trazido segredos da Torá sobre o patriarca perfeito Ya’acov, Israel.

    Ao tentar trazer estes ensinamentos para o plano que vivencio, compreendo que ao sofrer oscilações causadas pelas inúmeras falhas à serem retificadas, e ao refletir sobre o momento/causa da queda, estou de alguma forma retificando este aspecto pelo fato de que agora a percebo e meus pensamentos são em busca de expansão da consciência que hora estava caída/contrita.

    Em outro nível entendo que quando nos envolvemos com responsabilidade para uma causa digna (obedecer as sete Leis de Noah e suas ramificações), nossos pensamentos fazem parte de uma consciência que precisa constantemente ser elevada “não existe estagnação quando o assunto é Torá”, então muitos são afetados ao não conseguirem equilibrar o aspecto intuitivos com o racional, pois ao não terem acesso ao intuitivo/insights, resta apenas o racional, onde os planos santos não são postos em ação e a queda é portanto eminente (que D-us nunca permita).

    Compreendo que nesta aula o senhor nos mostra como entender os mecanismos de nossa consciência que somente podem ser reconhecido com estudos de Torá e ações retas, assim vamos compreendendo com sabedoria e elevando cada dia mais os atributos que ajudam a preparar este plano para a era do Único e Verdadeiro Mashiach.

    Imensamente grato por todas as oportunidades de estar próximo do senhor. Rezo para que Hashem sempre proteja o mestre com Saúde, Sustento e Shalom.

    Edson Bertoldo.

  4. Shalom Rabino Avraham e amigos. Peço permissão para expor um humilde comentário acerca dessa aula.

    O Rabino nos revela, assim entendi, que a escada do sonho do Patriarca Yaacov representa os graus ou “degraus” de consciência espiritual que cada homem apresenta. Ou seja, as quedas e ascenções dessa consciência, sempre correndo e voltando, onde os Malachins, anjos, subindo e descendo, representam também uma inteligência, ou seja, um ganho de compreensão, sabedoria, entendimento, para que, se D-us quiser, o crescimento de consciência espiritual, possa trazer àquele que o obtém, condições para saber lidar com as circunstâncias que vivemos neste mundo material, neste mundo físico.

    Num patamar, mais profundo, o crescimento espiritual, que atua na mente, no centro de decisões, habilita a pessoa a discernir a astúcia do outro lado, que tenta a todo tempo turvar a Luz que vem de Hashem, tentando impedir, que D-us não permita, o desmascarar do Mal e mais ainda, o discernimento daquilo que realmente é mal e está “misturado” com o Bem.

    Portanto, assim como Yaacov teve um crescimento espiritual necessário para lidar com as dificuldades que viriam a ser vividas nesta nova etapa de sua vida, para constituir o Povo Santo, que traria Luz às nações para desmascarar o lado negativo, assim também, compreendi, que nós devemos nos empenhar com dedicação e amor verdadeiro, em estudar a Torá, em obedecer a Hashem e também nosso Pai Espiritual, para crescermos em consciência espiritual e sermos capacitados para viver os testes das ilusões desse mundo, podendo assim, sermos agentes do Bem, para iluminar este mundo e colaborar para a vinda do único e verdadeiro Maschia.

    Agradeço a oportunidade do comentário ao Rabino Avraham e aos amigos, e peço perdão por algum equívoco neste singelo comentário.

    Tudo de bom.

    Respeitosamente,
    Robson Cleber Garcia da Silva

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