O DIVINO “DNA 98”

E está escrito nesta parashá santa: ‘ארור האיש אשר יעשה פסל ומסכה תועבת ה Arúr ha-ísh ashér ya’assê féssel umasechá toavát Hashem, “Maldito o homem que fizer imagem de escultura ou de fundição, que é coisa abominável ao Eterno” (Devarim 27:15, Ki Tavô). Nesta parashá, Moshé rabêinu/nosso mestre traz as temerosas 98 Klalót/Maldições para o Povo – para aqueles que desobedecem a Hashem e Suas leis. A promessa destas maldições é dura e severa, e inicia em primeiro lugar amaldiçoando aqueles que fazem qualquer espécie de ídolos (em Hebraico, féssel): Arúr ha-ísh ashér ya’assê féssel. Esta maldição é reflexo espiritual da grande queda do Povo, quando alguns indivíduos das nações que se misturaram com o novo povo de Israel que saia do cativeiro do Egito (ref. Shemot 12:38), quiseram literalmente “ver um deus”, pois não tinham fé no Criador Supremo, imaterial e onipotente. Eles desejaram um ídolo material para adorar. Agora, o fundamental ato primeiro que iniciou o erro do povo é assim descrito na Torá: ויתפרקו כל-העם את-נזמי הזהב אשר באזניהם ויביאו אל-אהרן Vayitparku kol-há-ám et-nizmêi ha-zahav ashér be-ôzneihem, vayaviu el-Aharon, “E todo o povo tirou os aros de ouro de suas orelhas e os levaram a Arão” (Shemot 32:3). Estes indivíduos confusos doaram o seu tesouro pessoal para que o bezerro de ouro fosse forjado. Através desta ação nefasta eles começaram a se desviar de Hashem. Este caminho sinistro foi conduzido pelo próprio Satán, que influenciou (e ainda assim o faz) as mentes baixas e infantis a se corromperem por completo através do adorar de deuses inferiores e outros pecados. Veja, a guemátria absoluta do sofêi tavót/letras finais deste verso, mais o kolel, é 131, a mesma de Samakél (samech-mem-alef-lamed, 60 + 40 + 1 + 30 = 131), o nome angelical do Satán. Verdadeiramente, tudo existe na Torá em níveis infinitos, pois ainda que aqui o povo iniciou a sua queda derradeira para a idolatria (temporária), também aqui é codificada uma dica santa da sua própria punição. Veja, a guemátria do rashêi tavót/acróstico (וכהאנהאבואא) deste passúk/verso (Shemot 32:3) é 98, o número exato de maldições mais tarde anunciadas na parashá Ki Tavô.

Agora, a origem da rebelião teimosa contra Hashem e que é a essência de toda e qualquer forma de idolatria – seja no adorar de um homem, animal, estátua, astros, etc. – é algo antigo. Ainda que a Torá nos informe sobre Enósh, o neto de Adam, que começou a adorar os astros e ídolos (ver Ráshi no Bereshit 4:26), a raiz deste mal maior é ainda anterior a isso. E de fato, o verso sobre os “aros de ouro” revela também a origem deste mal que encarnou nos homens e espalhou seu veneno geração após geração, pois a sua guemátria katán é 161, o mesmo valor numérico de קין Caín (mais o kolel, ou seja, kuf-yud-nun, 100 + 10 + 50 + 1 = 161). E o verso diz sobre o perverso Caín: ‘ויהי מקץ ימים ויבא קין מפרי האדמה מנחה לה Vayehi mikêts yamim vayave Kayin mipri ha-adama mincha la-Hashem, “E foi no fim de dias e Caín trouxe uma oferenda ao Eterno do fruto da terra” (Bereshit 4:3). Esta oferenda de Caín foi do nível de qualidade mais inferior possível (ref. Bereshit Rabah 22:5), para ele assim cumprir minimamente a sua obrigação perante D-us. E Caín era rebelde e teimoso, e não desejou estar próximo d’Ele. De fato, o santo Zohar (Bereshit 54a) traz que Caín era ligado diretamente a sítra áchra, o lado do mal. Vemos isso na maneira em que a Torá traz o verso, pois é dito Vayehi ‘mikêts’ etc. Mikêts significa “No fim”, e o Zohar explica que este é o domínio do Anjo da Morte (o Satán), como foi no tempo da destruição total da geração do dilúvio, assim como está escrito: ויאמר אלקים לנח קץ כל-בשר בא לפני Vayomer Elokim l’Nôach ‘kêts’ kól-bassár ba lefanai, “Então D-us disse a Noé: ‘O fim de toda criatura [que virá através do Anjo da Morte] se apresentou perante Mim’ (Bereshit 6:13). E o verso קץ כל-בשר Kêts kól-bassár, “O fim de toda criatura” tem guemátria atbash 364, o mesmo valor numérico de השטן ha-Satán. E vemos que é por isso que o verso que fala do tipo de oferenda que Caín fez traz também o “DNA Divino” novamente sobre a grande admoestação que viria mais tarde: as maldições para todos que não cumprem as leis de Hashem. Veja, a guemátria katán deste verso (sobre Caín) é 93, mais cinco para o kolel de cada uma de suas cinco palavras, temos então o valor de 98 (maldições).

A Torá é perfeita e sempre coerente e todos os seus infinitos níveis. O número de maldições é um código que se repete por todo o Tanach, sempre na mesma temática. Isto é uma verdade absoluta para os infinitos códigos da Torá. O profeta Shmuel/Samuel admoestando Shaul ha-mélech/Rei Saul por não ter obedecido a Hashem diz: כי חטאת-קסם מרי ואון ותרפים הפצר יען מאסת את-דבר ה’ וימאסך ממלך Ki chatatkesém meri veaven uterafim hafetsar yaan maasta et-devar Hashem vayimascha mimelech “Porque a rebelião é como o pecado da feitiçaria, e a teimosia, como iniqüidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Eterno, Ele te rejeitou como rei” (Shmuel I 15:23). E a guemátria katán de Ki chatatkesém meri veaven uterafim (“Porque a rebelião é como o pecado da feitiçaria, e a teimosia, como iniqüidade e idolatria”) é 92, mais seis para o kolel de cada uma das seis palavras, temos o valor de 98 (maldições). Por fim, quando examinamos a primeira maldição desta parashá Ki Tavô, que afinal trata do pecado de idolatria, vemos novamente algo consistente e ainda sim supreendente. O rashei tavót de ארור האיש אשר יעשה פסל (“Maldito o homem que fizer imagem de escultura”) são as letras אהאיפ, com guemátria absoluta 97, mais um do kolel, igual a 98 (maldições). Existem muitos outros segredos aqui, mas por hora, eis o que importa: É tempo de acordar e buscar viver uma vida digna e reta, com a ajuda de Hashem, amém.

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O HOMO SECULARIS

E sobre a parashá Tazria-Metsora, está escrito, “Enquanto a alma santa é ligada ao homem, ele é amado do seu Mestre. Ele é guardado por todos os lados, ele é marcado para o bem acima e em baixo, e a santa Presença Divina repousa sobre ele. Mas, se ele perverte seus caminhos a Presença Divina o abandona, a neshama/alma superior não se liga a ele, e do lado da serpente do mal um espírito se ergue, o qual somente reside em um local aonde a santidade dos céus partiu. E assim o homem se profana e sua carne, sua aparência facial e todo o seu ser, distorcido” (Zohar 46b, Tazria).

A essência da sítra áchra/lado do mal pode ser compreendida pela filosofia neo-pagã que sublinha a “religião” atroz e preconceituosa que mais se alastra no mundo: o Secularismo Fundamentalista. Hoje em dia no mundo Ocidental, sua influência nefária permeia e predomina em quase todas as esferas e meios sociais, jurídicos e culturais. Ela se embasa na casca filosófica de uma “ética fluida” que diviniza a democracia e afirma o voto majoritário acima de qualquer custo moral (mas que sempre pode ser mudado na próxima eleição). Sua ética rejeita o biblicamente moral, portanto ataca frontalmente todas as pessoas retas do mundo – de todas as religiões. Com o mesmo zelo de uma jihad Islâmica, a agenda secular fundamentalista faz uso das “forças da democracia”, como as cortes do país, para atacar qualquer assunto religioso (literalmente, moral) de domínio público. Seu pensamento é baseado no princípio de que toda e qualquer oportunidade de derrubar cercas morais bíblicas “antiquadas” – inclusive as antes impensáveis – deve ser explorada. O homo secularis é sempre incrédulo e tem uma visão desequilibrada, ansiosa e perigosa sobre a realidade. Isto é devido à sua superficialidade, pragmatismo e cinismo sobre tudo. Seu foco estrito é nos prazeres da carne. Portanto, esta máscara da sítra áchra é marcada pela permissividade e toda a hipocrisia que a circunda. O homem secular é essencialmente permissivo. Ele afirma que nada deveria interferir no seu desejo de aproveitar a vida: nenhuma norma, ordem ou responsabilidade moral (salvo as que ele, por algum gosto pessoal considere como “razoável”, até que em tempo ele mude de ideia). Ele não aceita restrições. Se ele pensa que certo caminho é a sua maneira de aproveitar a vida, então ele tem este direito, pois se trata da sua liberdade. Ele tem o direito de gratificar todas as suas necessidades carnais e não precisa se render à lei alguma, muito menos às de Hashem e Sua Torá. Para este tipo pessoa, amoral e repleta de preconceitos contra o espiritual/moral, nada a profana ou contamina. De fato, ela deve fazer apenas uma única coisa na vida: satisfazer seus desejos. Esta filosofa pagã é o pilar fundamental deste secularismo fundamentalista que hoje atinge seu pico, pregando o humanismo liberal sem limites. O Talmud (Sanhedrin 63b) explica que o povo judeu sabia que a idolatria era tola e sem sentido, mas eles serviram aos ídolos (ref. pecado do “bezerro de ouro”) meramente para se “sentirem livres” de cometerem relações imorais em público. O mesmo espírito de rebeldia contra Hashem é novamente usado para justificar o amplo espectro imoral dos membros desta perigosa religião da “nova ordem do mundo”, da “anti-religião” do secularismo que hoje mais do que nunca, guerreia agressivamente contra todas as religiões bíblicas do mundo.

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