A PRAGA DA IMATURIDADE RACIONAL

“Considere um rasha/perverso que de alguma maneira se encontra no Gan Eden, indo e vindo entre os tsadikim/justos que sentam no resplendor de suas coroas de glória, se banhando na luz da Shechina. Os tsadikim vivenciam lá prazeres indescritíveis, ele, no entanto, sofre incomensuravelmente. Completamente não acostumado à espiritualidade, para o rasha, este Gan Eden é um desconforto inigualável. Esta então é a essência da makat choshech [‘a praga da escuridão’]. E assim trouxe Moshe a escuridão para baixo, pois ele ‘estendeu sua mão por cima dos Céus’ [Shemot 10:21] e o Egito caiu em uma escuridão como nunca visto antes” (O Slonimer Rebe, Netivot Shalom, Parashá Bô).

A makat choshech significou um tsimtsum (“constrição e restrição”) da luz de Hashem e sua manifestação física. Verdadeiramente, primeiro ocorreu o tsimtsum no nível espiritual, no grau de נטה ידך על-השמים Nete yadechá al’hashamayim, “Estende a tua mão aos céus” (Shemot 10:21), que foi a ordem que Hashem deu a Moshe para iniciar esta praga sobre o Egito. E a guemátria ordinal (mispar siduri, na versão sofit) deste verso é 166. Este é valor numérico da “regressão” (ou seja, a visão da parte posterior/achorayim) do Shem SaG (Nome de Hashem soletrado com 63 letras, sendo a guemátria de SaG igual a 63). O Shem SaG é associado a Binah, e que no homem é o poder do intelecto racional. Quando o Nome Santo é “regredido”, isso indica uma diminuição ou imaturidade no entendimento racional – um estado de constrição da consciência. Em um nível, a escuridão indica exatamente a incapacidade de ver e assim compreender racionalmente, o que decorre da ausência de Luz divina. Já no grau físico, a escuridão material é o próprio resultado desta regressão espiritual. E por isso em seguida o verso diz: “E que haja escuridão sobre a terra do Egito, mais que a escuridão da noite”. Agora, podemos entender algo mais. Para o aluno ainda distante da Torá, tudo é estranho, inconfortável e sem significado. A luz da Torá, através das palavras do mestre, é tão forte que os alunos fecham os olhos e se escondem com medo da grande intensidade desta irradiação Divina. Neste tempo então eles existem diante de uma escuridão dobrada e redobrada, em um estado de imaturidade racional. Com os olhos completamente cerrados, eles temem abri-los e vivenciam então a realidade restrita do (seu próprio e particular) Egito. Com tempo e muita paciência do mestre, na medida em que eles iniciam o abrir de seus olhos tão sem o costume de enxergar as verdades espirituais, a luz enfim penetra, ao menos um pouco. Finalmente, eles começam a perceber que há אור במושבתם Ór bemoshvotám, “luz nas suas habitações” (Shemot 10:23). De fato, a guemátria do milui/soletrar deste verso é 997, com mais dois para o kolel de cada uma das duas palavras, temos 999 – o mesmo valor numérico do Nome Santo, Kel Shakái (“D-us o Todo Poderoso”) que se refere ao nível de “Criador do mundo”*. E agora, mais iluminados, eles podem se curar e redimir, e assim revelar o aspecto de Mashiach que existe dentro de cada um, se D-us quiser.

 

* Os sábios notam que a palavra shakai pode ser interpretada como significando “Ele quem [sha-] disse ‘basta’ [-dái] para a expansão do mundo, no final da semana da criação” (TalmudChaguiga 12a).

 

tzedakah

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