CABALÁ TWITTER: 004

 

Dedicatória do Tweet:

“Para buscar sabedoria diante de Hashem!”

Por MIGUEL LÚDIO

 


 

“O Zohar avisa: ‘O impuro clama o impuro’ (Vayishlach). Ou seja, quanto mais a pessoa se rebaixa, mais ela é atraída por outros igual a ela.”

 


 

CABALÁ TWITTER: 003

 

Dedicatória do Tweet:

“Que o Mestre, Rabino Avraham Chachamovits, goze de saúde plena, se D’us quiser!”

Por ALEX SOUZA DANTAS

 


 

“A má inclinação do homem é um elemento espiritual real que ‘trama e encoraja’ ele à arrogância e orgulho, para depois acusá-lo no Alto.”

 


 

CABALÁ TWITTER: 001

 

Dedicatória do Tweet:

Kavód leráv/honra ao rabino: que o Mestre tenha sempre sustento”

Por THIAGO GRANATO

 


 

“Estudar Cabalá de verdade para crescer espiritualmente demanda envolvimento, esforço legítimo, e o abandono da hipocrisia.”

 


 

CABALÁ TWITTER

 

Cabalá Twitter

O Rabino Avraham concordou em publicar no site o seu livro “Cabalá Twitter“. O formato será de posts (seguindo a mesma ordem do livro) em uma nova seção disponível no menu MIDIATECA, sub-item CABALÁ TWITTER. Além dos 613 “tweets” originais do livro, existem mais 613 que nunca foram publicados, mas que aqui serão. Entretanto, precisamos de patrocinadores para que este novo grande projeto siga em frente. Cada post custa R$ 36.00 (ou um valor maior se a pessoa desejar) e terá o nome do seu doador no topo dele. E o doador também poderá fazer uma frase dedicatória ligada ao post, como por exemplo: “Para a saúde de Moshe filho de David“, ou “Para a paz e tranquilidade de…”, “Para honrar a minha esposa”, “Para a elevação da alma de…”, “Para o sucesso de…” etc., que então será escrito no post também. Cada caso será avaliado pelo Rabino. Para facilitar, sugerimos os patrocinadores de usar o sistema de Tzedakah do site (que faz uso do PagSeguro, ou ver opções em DOAÇÕES), e em seguida escrever para o secretario@beitarizal.org.br informando o seu nome e dedicação para o post patrocinado. Depois do valor ser aprovado e a frase também, ele será então postado nesta seção especial do site.

É uma grande honra e mérito espiritual ter seu nome associado ao de um justo. Não percam esta oportunidade!

Equipe Beit Arizal

 

POR QUE OS BEBÊS CHORAM?

Sobre o papel das mulheres na “agenda oculta”, a saber, a maneira que o mal opera no mundo, é vital para uma mulher perceber que quando ela anda em sua casa ou ainda mais se sai dela com roupas sem modéstia, ela peca e traz multidões a pecar. Além da sua responsabilidade espiritual que dela será cobrada no Yom HaDin/Dia do Juízo, existem outros aspectos importantes a serem revelados, com a ajuda do Céu. Toda falta de tsiniyut/modéstia no vestir, ou seja, toda parte do corpo descoberta e em transgressão da lei equivale ao “esburacar” na alma refletido no próprio corpo físico, assim como um imagem do mal, e que por sua vez esburaca a alma em cima. E sobre isso está escrito: “E fizerdes estátua à imagem de alguma coisa, e fizerdes o que parece mal aos olhos do Eterno, vosso D-us, para irá-Lo” (Devarim 4:25). Este passúk/verso (entre vários outros do Tanach) ensina que elementos severos (guevurót) da raiva celestial vem em resposta às transgressões destas vaidades rebeldes incorrendo assim em maldições, pois a raiva/evrah é amaldiçoada: ארור אפם Arur apam, “Maldita seja a sua raiva” (Bereshit 49:7, Vayechi). Ou seja, exibindo partes proibidas de seu corpo, a pessoa se liga aos anjos destruidores da raiva que são eles mesmos maldições. “Eles se ligam literalmente aos cabelos e unhas das mulheres, pois estes são elementos estranhos/não vitais do corpo, assim como as klipót são forças estranhas” (Shnei Luchot HaBrit, Masechet Pesachim). E incrivelmente, a guemátria de ארור אפם Arur apam é 528, sendo este o mesmo valor numérico de לא תצאו Ló tetsú, “Não sairás [de sua casa]” (Shemot 12:22), expondo as partes descobertas de seu corpo. Veja, isso sempre foi assim, pois imediatamente após se perceberem nus (Bereshit 3:10) e em resposta a indagação de YKVK sobre esta vergonha que agora tomaram consciência, Chava disse: האשה הנחש השיאני ואכל Haisha hanachash hishiani vaochel, “[E disse/vatomer] a mulher: O serpente me enganou e eu comi” (Bereshit 3:13). E o sofêi tevót/letras finais destas quatro palavras é השלי chashli, “criar uma ilusão”, e a guemátria de “me enganou e eu comi”/hishiani vaochel (mais dois do kolel de cada palavra) é 435, a mesma de ha’alot (“as maldições”). E como explicam os mestres, o Nachash/Serpente muito desejou ter relações sexuais com Chava (e assim o fez), quem era completamente santa. Ele criou uma ilusão que ela infelizmente sucumbiu, para assim poder vê-la sem tsiniyut, seu corpo exposto e profanado. E todos os que participaram desta cena dramática foram amaldiçoados, como traz a Torá, ligando o corpo revelado impropriamente às ilusões que levam às maldições. E por isso que os bebês choram assim que nascem, pois a primeira coisa que implica na revelação do nascimento é expor o corpo por inteiro pela primeira vez no mundo físico. E as almas que ocupam as crianças, ainda tão próximas do shamáyim/Céu, entendem bem que isso é algo “Que parece mal aos olhos do Eterno, vosso D-us, para irá-Lo”. Então, elas choram por isso, mas instintivamente as mães fazem o tikún/retificação de cobri-los, assim como YKVK fez no Gan Éden: Vaya’as Hashem Elokim le-Adam ule-ishto kotnot ór vayalbishem, “E o S-nhor D-us fez para o homem e para sua mulher kotnót ór/túnicas de pele e os fez vestir” (Bereshit 3:21). E nossos sábios ensinam: “Depois que Adam e Chava pecaram, YKVK fez kotnót ór [ór escrito com a letra áyin, não mais com álef, que significaria luz] para eles. Ou seja, Adam perdeu a sua “Vestimenta de Luz”, sua cobertura santa, que aliás, o Nachash tinha grande ciúmes. E esta nova cobertura de pele (com a letra áyin) é a pele do Nachash, que deverá ser purificada na duração do mundo. Assim, ervah/nudez (e ervah é um tserúf/anagrama e evrah/raiva) e pritsút/falta de recato no vestir em qualquer nível é uma afronta direta a YKVK, pois a exposição indevida do corpo caído, criado da klipah nogah/da “casca” translúcida, despreza e portanto zomba da queda espiritual humana no Gan Éden que afinal trouxe todas as maldiçoes que assolam os homens até hoje. E eis um grande tikún: é exatamente através da tsiniyut do corpo de carne da klipah nogah que os traços negativos de caráter são subjugados e removidos. E subjugar estes traços da personalidade é o mais importante de tudo, pois isso dá poder para a pessoa crescer em retidão e kedusha/santidade. Ou seja, neste olam ha-shéker/mundo da mentira, tudo é visto ao contrário, pois a única “remoção de vestimentas” que deve ocorrer de fato é a dos maus traços de caráter. E quando a retificação do mundo se completar, o áyin se erguerá ao álef novamente, e a luz ocultada no Éden para o tempo vindouro será novamente revelada pelo verdadeiro Mashiach, muito em breve amém.

 tzedakah

VOLTAI E COMPRAI

E está escrito: ויאמר אבינו שבו שברו-לנו מעט-אכל Vayomer avinu shuvu shivru-lanu me’at-ochel, “E nosso pai disse: Voltai e comprai um pouco de alimento para nós” (Bereshit 44:25, Vayigash). Incrivelmente, dentro deste passúk/verso, temos as nove letras (que estão sublinhadas no texto em Hebraico) que compõem a expressão שימושא רבא Shimusha Rabah, “O Grande Serviço”. Agora, no início da parashá Vayigash, Yehudah disse a Yossêf que depois que os irmãos voltaram de Mitsrayim/Egito e contaram a Ya’acov que Shimon havia sido preso e era mantido como refém, o patriarca então ordenou: Shuvu shivru-lanu me’at-ochel. E Ya’acov os informou que deveriam fazer isso sem levar Binyamin, apesar de que Yossêf os tinha avisado para não voltar sem ele. Porque Ya’acov disse para trazerem apenas um pouco de comida? E porque ele pensou que poderia envia-los de volta sem Binyamin? O Rabino Yonatan Eibushitz (século 17) diz que Ya’acov queria enganar Yossêf. Antes de continuar, é preciso se lembrar que a grande astúcia de Ya’acov é uma de suas “marcas espirituais”. A pessoa precisa sempre enxergar além da realidade revelada, se focando nas verdades que a tudo sublinham. E como explica o Rabino Eibushitz, “Yossêf interpretou o sonho sobre os sete anos de fome etc. Entretanto, Ya’acov viu com ruach hakodesh/inspiração divina que este período terminaria após somente dois anos devido ao seu z’chut/mérito [de Ya’acov ele mesmo]. Ele queria que as Shevatim/Tribos de Israel [que são seus doze filhos] fossem para Mitsrayim e pedissem somente um pouco de comida e dissessem a Yossêf que trariam Binyamin na próxima viagem, uma vez que certamente precisariam de mais suprimentos para sobreviver os sete anos. E deste modo Yossêf, libertaria Shimon. E Ya’acov planejou apropriadamente de acordo com a sua visão. Ele sabia que esta quantidade mínima de comida seria o suficiente para sustentá-los até o final da fome e eles jamais voltariam”.

Agora, a minha de’ah/visão deste assunto é a seguinte: o judeu precisa buscar realizar seu Shimusha Rabah/Grande Serviço espiritual, tendo a intenção desta sua missão ser uma real oportunidade para fazer mituk hadinim/adoçamento espiritual. Isso é assim, pois as severidades da iêtser hará/má inclinação no final da galut/exílio que vivemos é enraizada nos dinim/decretos celestiais que caem sobre o mundo devido aos pecados dos homens, necessitando então de grande “astúcia e armamentos” certos para que estas severidades sejam corretamente “adoçadas”. De fato, é preciso grande esperteza (como aprendemos do patriarca Ya’acov) para subjugar as forças que buscam bloquear a luz de YKVK no mundo. E por isso este passúk de Vayigash é tão significativo. Veja: é preciso primeiro entender que em Cabalá as doze tribos são associadas às dozes linhas requeridas para desenhar um cubo, que é a forma geométrica básica das três dimensões do espaço físico e do “espaço” espiritual. Deste modo, elas são associadas com as seis emoções (em Hebraico, midót, que significa literalmente “medidas” de espaço) e que anatomicamente compreendem o “corpo” Divino, ou na linguagem mística, o partsuf/configuração sefirótica de Z’eir Anpin. Apesar de que os patriarcas são associados as três midot primárias (chéssed-guevurá-tiféret), os filhos de Ya’acov, os chefes e progenitores das Shevatim, são associados as midót como um todo, particularmente na maneira que elas são projetadas nos mundos inferiores de Beriyah, Yetsirah e Asiyah (na realidade prática). Dito isso, qual o assunto de Shimon? Será pidiyón shivuyin/resgate dos prisioneiros e Ya’acov planejou com astúcia uma maneira para cumprir esta mitsvá? É possível, mas eu creio ser algo diferente. Quando tratamos do assunto da midát zerizút (“zelo” ou também “raiva Divina”) pela Torá, vemos que assim como toda força espiritual, esta midah/característica emocional pode ser corrompida, inclusive inadvertidamente. Mas, é possível retificar e adoçar estes erros na sua origem. Por exemplo, podemos retificar midát guevurá (“as emoções severas”) na sua origem, ou seja, em binah/intelecto. Isso ocorre quando antes que despertem os sentimentos duros e severos na pessoa que partiram afinal de seu julgamento (um processo mental/binah) este é “adoçado/mitigado”, evitando assim a descida desta força para o grau emocional e por fim, nas ações severas.

Agora, Pinchas é um exemplo elevado da midát zerizut, pois o resultado da sua expressão de raiva Divina revela a raiva sem o ego. Ele foi zeloso ao extremo por YKVK. E o resultado deste seu uso retificado foi sua inclusão na kohanut/função sacerdotal (Bamidbar 25:12). Continuando, a tribo de Levi também foi caracterizada pelo zelo extremo por YKVK. Levi e seu irmão Shimon se vingaram no povo de Shéchem pela violência sexual contra a sua irmã Dinah (Bereshit 34:25). Quando Moshe desceu do Har Sinai e viu o povo adorando o bezerro de ouro, ele disse: “Quem é por YKVK, venha a mim” (Shemot 32:26-28). E toda a tribo de Levi veio a ele e mataram os idólatras. E pelo outro lado, uma das funções principais dos kohanim/sacerdotes, além de oficiar os sacrifícios rituais no Beit HaMikdash/Templo Sagrado, era abençoar o povo todos os dias com paz. E o Ari”zal explica (Likutêi Torah, Pinchas) que a passagem que descreve esta função sacerdotal (Bamidbar 6:22-27) contém 150 letras (que com um do kolel é 151, a guemátria de kuf-nun-alef, que é a raiz da palavra “vingança” Divina usada em relação a Pinchas). Isto significa que através dos kohanim/Leviim, estes retificarem o atributo de raiva Divina/zelo, e eles então agiram como condutores da paz e irmandade para todo o povo de Israel. E YKVK afirmou isso para Pinchas, dando-lhe o “pacto da paz” (Bamidbar 25:12). Isto tudo resolve a questão do zelo de Levi, mas não de Shimon. Como é sabido, Levi e Shimon têm origem no lado da Severidade (Binah/Guevurah). E em a sua retidão, lutaram contra as forças do mal representadas por Shechem ben Chamór (que significa “Asno”, uma klipah terrível. Chamór é cognato de chomêr, “materialismo”). O Zohar traz também que “Shimon era do mazál/signo de Shór/Touro, o lado de guevurah da kedusha/santidade… e ele lutou e hostilizou muito seu inimigo Chamór, o shór do lado da klipah…” (173a, Vayishlach). E ele lutou bravamente contra as forças do materialismo que insensibiliza, neutraliza e destrói a consciência sobre o Divino. Ele hostilizou Chamór. Contudo, a sua guevurá/severidade, a sua “raiva Divina” não havia sido ainda suficientemente retificada. Ele errou nas suas kavanót/intenções, pois assim como está escrito: “Porque Shimon se associou a Levi ao invés de, por exemplo, Reuven, quem também era seu irmão completo? A razão foi que quando ele viu que Levi vinha do lado do Julgamento/Guevurá, ele então quis se ligar a este mesmo lado. Portanto, ele pensou que se Levi se juntasse a ele, eles poderiam conquistar o mundo” (Zohar 62b, Acharêi Mot). Mas, Levi se retificou como explicado, enquanto Shimon insistiu com obstinação em tentar “conquistar” o chamór: o mundo insensível e tolo com sua luz adoentada. Ainda que ela fosse zelosa, faltava o elemento da paz que Levi entendeu e foi recompensado mais tarde por YKVK. Por fim, o Zohar explica o resultado do erro de guevurá de Shimon: foi um erro inadvertido de falta de maturidade, mas que corrompeu a força do zelo, pois esta raiva Divina ainda tinha “Ego”. E agora o Zohar: “E o que YKVK fez [diante desta kavana/intenção de Shimon]? Ele pegou Levi e deu sua porção, mas YKVK isolou Shimon”. Os erros de maturidade causam isolamento na pessoa. E assim e agora eu entendo a seguinte trecho do Talmud sobre um “outro” (grande) Shimon: “O Rabi Shimon bar Yochai [Shimon filho de Yochai], quem revelou o Zohar para o mundo, e seu filho Rabi Eliezar viveram doze anos numa caverna. Aí, um dia o profeta Eliyahu/Elias veio e ficou na entrada da caverna e proclamou: ‘Quem informará ao filho de Yochai que o imperador César morreu e o decreto contra os judeus foi anulado?’ O Rabi Shimon bar Yochai e seu filho ouviram isso e emergiram da caverna. E na medida em que se aventuraram de volta à civilização, viram algumas pessoas que estavam arando o campo e plantando algumas colheitas. E enraivecido com esta visão o Rabi Shimon bar Yochai declarou: ‘Estas pessoas estão abandonando a busca da vida no Mundo Vindouro e se ocupando ao invés com preocupações da vida transitória!’ E daí em diante aonde quer que o Rabi Shimon bar Yochai e seu filho fitavam os seus olhares, o objeto de sua visão era imediatamente incinerado [pois, devido a sua altura espiritual, tudo o que eles percebiam como mal cessava de existir]. Finalmente, uma voz celestial ressoou e proclamou para eles: ‘Vocês emergiram de seu isolamento para destruir o Meu mundo? Voltem para a sua caverna!’ E então os dois foram e voltaram para a caverna e residiram lá por mais doze meses. E neste ponto eles disseram para si mesmo: ‘A sentença dos perversos no Guehinom/Inferno não dura mais do que doze meses. Talvez a nossa sentença tenha também já expirou. E uma voz celestial ressoou e proclamou: ‘Emerjam de sua caverna’” (Talmud, Shabat 33b). E o adoçamento que traz o “Grande Serviço” (Shimusha Rabah) a YKVK é de fato um tikún/retificação de um longo período de crescimento e retificações em isolamento que vem agora para adoçar e limpar estas marcas espirituais do passado, para que possamos inaugurar e assim “emergir” para uma nova fase doce de nossas vidas, aonde o zelo existe mais do que nunca, mas nunca mais do que a paz. De fato, vemos que a essência deste serviço ao Criador se encontra aqui, na expressão do verso citado, Shuvu Shivru (“Voltai e comprai”), que tem guemátria 816, a mesma de v’Kidashta (“E se santificar”). Veja, comprar é de fato “adquirir”. E para o judeu adquirir o bem maior no mundo que é kedusha, ele precisa fazer teshuva – a “volta” à vida de Torá e assim viver alinhada D-us, e assim as nações do mundo finalmente se inspirarão e abandonarão a sua falta de paz. E como está escrito: “E ele – o verdadeiro Mashiach – falará somente de paz às Nações. Seu domínio se estenderá de um mar a outro, e desde o rio Eufrates até os confins da terra” (Zacarias 9:10), amém.

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VIRE AS COSTAS E SAIA CORRENDO

E está escrito: וישלח פרעה ויקרא את-יוסף ויריצהו מן-הבור Vayishlach Paroh vayikra et-Yossêf vayeritsuhu min-habór, “E o Faraó enviou e chamou a Yossêf; e fizeram-no sair precipitadamente do cárcere” (Bereshit 41:14, Mikêts). E foi no dia 2 de Tevet do ano de 5770 (19 de Dezembro de 2009), no Shabat de tarde desta parashá Mikêts que meu talmid/aluno, o Reb Yitschak, veio me visitar em casa. E ele parecia muito perturbado, o que me fez imediatamente pensar no passúk/verso desta parashá que trata do sonho perturbador que o Faraó teve, assim como escrito: ויהי בבקר ותפעם רוחו Vayehi vaboker vatipaem rucho, “Pela manhã, seu espírito estava perturbado” (Bereshit 41:8). E de fato, em seguida e sem demora, ele me pediu que o ajudasse com o sonho terrível que o perturbou tanto. Como é sabido, o sonho precisa ser interpretado por alguém que goste da pessoa, que traga uma interpretação positiva, se D-us quiser, pois o sonho é realizado em parte através do efeito da interpretação (ver Talmud, Berachot 55a). E assim ele me revelou: “Eu tive um sonho muito vívido no qual a minha própria esposa me trazia outras mulheres para me tentar! Quando diante da cena tão perigosa aonde estas mulheres me aliciavam, eu imediatamente percebi o perigo que estava acontecendo e no próprio sonho virei às costas e sai correndo”. Veja, eu disse a ele, sobre o verso ‘E fizeram-no sair precipitadamente do cárcere’, o santo Zohar diz: “Até antes do ‘incidente’ com a esposa de Potifar, Yossêf não era chamado de um tsadik/justo. Mas, depois que ele guardou o brit kodesh/o pacto santo da circuncisão somente dos judeus – não pecando com a esposa de Potifar – ele então foi chamado de tsadik” (194b, Mikêts). E o Zohar então continua, “E isto resultou em que o grau espiritual de Yessód o decorasse’, estabelecendo assim a ligação arquétipa entre Yossêf e o nível de Yessód, o nível do justo… Aquilo que estava primeiro no cárcere, a klipah, se ergueu com ele… E ele ascendeu da klipah e foi adornado com a fonte das águas vivas, a Shechina/Presença Divina”. E então eu expliquei a ele que este sonho tão ligado a parashá desta semana (e também com Vayeshev), representou um teste do seu brit, a saber, de sua força moral e capacidade de se distanciar das intensas tentações sexuais que no sonho, a sua esposa – representando a Shechina – ela mesma colocou diante de dele. E como ele passou o teste, pois “saiu precipitadamente do cárcere”, então a Shechina o acompanhou e abençoou e ele pode então ascender ao nível que ascendeu, graças a D-us. E então eu disse a ele que para cancelar um sonho difícil, o costume é jejuar e/ou dar tzedakah. E veja, a guemátria ordinal (versão sofit) de ויהי בבקר ותפעם רוחו “Pela manhã, seu espírito estava perturbado” é 199, este sendo o mesmo valor numérico da palavra צדרה tzedakah.

tzedakah

A TÚNICA DE YOSSÊF

E está escrito: וישלחו את-כתנת הפסים ויביאו אל-אביהם ויאמרו זאת מצאנו הכר-נא הכתנת בנך הוא אם-לא Vayeshalchu et-ketonet hapasim vayaviu el-avihem vayomru zot matsanu haker-na haketonet bincha hiv im-lo, “E levaram a túnica listrada, trouxeram-na a seu pai e disseram: Encontramos isto; reconhece, por favor, se a túnica é do teu filho ou não” (Bereshit 37:32, Vayeshev). Ao retornar para o patriarca Ya’acov com a túnica com sangue, os irmãos de Yossêf nunca afirmaram de fato que ele havia morrido. Eles sim induziram o pai a pensar isso, mas havia algo mais. Agora, é possível que a mentalidade de Ya’acov o predispôs também para ser enganado pelos seus filhos, como vemos no assunto de Elifaz. Veja, como traz o Ráshi na parashá Vayetse sobre a palavra ויבך vayevech (“ele chorou” ao encontrar Rachel): “‘Eu venho de mãos vazias…’, pois Elifaz ben Essáv o caçou para matá-lo de acordo com a ordem de seu pai. Elifaz o alcançou, mas como ele cresceu no colo do patriarca Yitschak, ele segurou sua mão. E Elifaz disse a Ya’acov: ‘O que eu farei sobre as ordens de meu pai?’. E Ya’acov respondeu: ‘Pegue tudo o que eu tenho, pois um homem sem nada [pobre] é contado como morto’ [Bereshit Rabati do Rabi Moshe Hadarshan; Talmud, Nedarim 64b]” (no Bereshit 29:11). E assim, muitos anos depois quando Ya’acov viu a túnica de seu filho Yossêf, eu vejo que ele pensou de mesmo modo: “Um homem sem nada é contado como morto”. Agora, este passúk/verso de Vayetse é profético. Aqui mesmo, o Ráshi também diz: “[Ele chorou] porque viu através de ruach haKodesh/inspiração Divina que ela não entraria com ele para ser enterrada [Bereshit Rabah 70:12]”. E veja: eu investiguei e vi que vayevech tem guemátria 38 e o atbash é 450, a mesma guemátria de מתי meti (“minha morta/meu morto”). E a primeira vez que esta palavra aparece na Torá é no passúk גר ותושב אנכי עמכם תנו לי אחזת קבר עמכם ואקברה מתי מלפני Guer-vetoshav anochi imachem tenu li achuzat-kever imachem veekbera meti milfanai, “Peregrino e morador sou entre vós; daime posse de um terreno para sepultura, entre vós, e enterrarei minha morta que está diante de mim” (Bereshit 23:4, Chaiyê Sarah). É aqui que o patriarca Avraham busca enterrar Sarah na caverna de Machpelah (e ele mesmo seria enterrado lá junto com ela). Mas, o Midrash vê que no caso de Ya’acov e Rachel isso não ocorreria. E por isso Ya’acov chorou em uma ocasião alegre como esta – do seu encontro e beijo com Rachel. Contudo, como é a natureza da profecia, existem outras possibilidades para a sua realização. Está escrito: וישק יעקב לרחל וישא את קלו ויבך Vayishak Ya’akov le-Rachel vayisa et-kolo vayevech, “E Ya’acov beijou a Rachel, e levantou sua voz e chorou”. A guemátria albam destas quatro palavras (vayisa et-kolo vayevech/e levantou sua voz e chorou) do verso é 1379, com mais o kolel para cada um das palavras temos o valor de 1383 – a mesma guemátria do passúk ויקנאו בו אחיו ואביו שמר את הדבר Vayekanu-vo echav veaviv shamar et-hadavar, “E seus irmãos invejaram-no, e seu pai esperou o fato” (Bereshit 37:11, Vayeshev) e a mesma de “E eles então escaparão pela sua maldade? Em Tua ira, subjuga Seu povo, ó Eterno” (Tehilim 56:7). Entretanto, eles não escaparam e de fato os irmãos de Yossêf precisaram de expiação. O Ari”zal explica que os Assarah Haruguêi Malchut (“Os Dez Mártires”) foram um guilgul/reencarnação dos irmãos de Yossêf (Sha’ar HaGuilgulim, hakdamah 34-39). E pelo seu kibud av (a mitsvá de “honrar o pai”) e por ter se restringido de matar Ya’acov, Elifaz ganhou zechut/mérito. O kibud av também foi uma mitsvá de seu pai Essáv, assim como a restrição de tentar matar, pois Essáv disse que somente “Quando chegarem os dias de luto de meu pai, então matarei meu irmão Ya’acov” (Bereshit 27:41). Elifaz era ligado b’sód/misticamente ao seu primo mais jovem Reuven, ambos primogênitos, quem agiu como ele: Vayishma Reuven vayatsilehu miyadam vayomer lo nakenu nafesh, “E Reuven escutou, e livrou-o das mãos deles e disse: Não o mataremos” (Bereshit 37:21, Vayeshev). Reuven “escutou” em seu coração o ruach/espírito de Elifaz. E a guemátria de ראובן Reuven é 259, a mesma de אליפז בן עדה Elifaz ben Adah (Bereshit 36:10, Vayishlach).

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AJUDADO PELO ALTO

Certa vez, no dia 20 de Kislev 5772 (sexta-feira, 16 de Dezembro, 2011) um jovem judeu veio até minha casa para conversar sobre assuntos pessoais. Nesta conversa, eu explicava sobre o erro comum das pessoas sem Torá de acharem que somente na transgressão existe o prazer. Em sua honestidade, então me disse sobre um relacionamento não sancionado pela Torá, no qual ele muito se “perdeu”. E afirmou coisas sobre isso, até mesmo de ter feito músicas para esta pessoa etc., mas no final das contas confessou que ela “o fazia passar pelo inferno”. Ainda muito iniciante na Torá, este jovem precisava de sérios aconselhamentos. E eu disse a ele que soubesse que todos os assuntos do mundo estão sempre na parashá e comentários santos. A Torá é o “mapa” espiriutal da realidade, e lá tudo é encontrado: do passado, presente e futuro. Mas, para isso, certamente é preciso entender como os incontáveis temas da vida que surgem sempre em linguagens tão distintas, são conectados na parashá/porção semanal da Torá. E eu continuei explicando a ele que diferentes manifestações que procedem de uma mesma kavaná/intenção atingem olamot/dimensões/mundos diferentes, mas se mantêm conectados, como em um holograma multidimensional, por assim dizer, unindo tudo o que fazemos, sentimos e pensamos. Verdadeirmanete, quanto mais em uníssono nossos pensamentos, sentimentos e ações estão, mais forte é o nosso poder de alterar a realidade. A realidade é primeiro construída na mente, depois ela “desce” para os níveis inferiores (ou seja, mais materiais) do domínio das emoções e por fim, das ações. E se ele deseja retificar suas ações, ele precisa entender sobre a unicidade de Hashem, e se focar muito no devekut/união e ligação com Ele de modo direto e simples, compreendendo que tudo é Ele. E se realmente existe o desejo de alteração de comportamentos errados, de reavaliação da mentalidade para que o desejo de amadurecimento tenha frutos reais, então isto é totalmente possível e de fato, devido. Evoluir é uma obrigação espiritual da Torá. Veja, quando uma pessoa deseja se elevar, ela é ajudada por um ruach/espírito do Alto (assim como ensina o Talmud: Haba Litaher messayin oto, “Aquele que quer se purificar é ajudado pelo Alto”, Yoma 38b); contudo, o contrário também é verdadeiro: quando ela deseja se profanar, ela é “ajudada” por um ruach rah/espírito ruim para que possa cair e se poluir ainda mais, que D-us nunca permita. Enfim, após tudo isso, eu falei que iria com certeza achar algo relevante na parashá sobre o quê ele acabava de me revelar, a saber, da tal mulher que o fazia sofrer tanto etc. Como é sabido, nesta parashá Vayeshev, a Torá traz a história do Yossêf/José na casa do Potifar, que tinha uma esposa que muito tentou Yossêf a se profanar com ela através de uma relação ilícita que ela desejava, que D-us nunca permita. No entanto, ele resistiu totalmente e disso recebeu da Torá o título HaTsadik/O Justo, pois o órgão reprodutor é associado à sefirá de yessód que misticamente é o canal do tsadik/tsédek/tsedacá, todos termos ligados ao conceito de justo/justiça. E como ele não profanou o seu órgão, ele assim protegeu a sefirá de yessód o que então lhe conferiu (e a todos que assim agem) o atributo de tsadik/justo. E foi então que eu abri a Torá na sexta leitura da semana (ou seja, a leitura desta sexta-feira) aonde encontramos o passúk/verso: ויהי כדברה אל-יוסף יום יום ולא-שמע אליה לשכב אצלה להיות עמה Vayehi kedabrah el-Yossêf yom yom velo-shama eleyha lishkav etzlah lihyót imah, “E ela ficava falando com Yossêf dia após dia, mas ele não lhe dava ouvidos, para se deitar perto dela e estar com ela” (Bereshit 39:10, Vayeshev). E incrivelmente, a expressão להיות עמה lihyót imah, “estar com ela” tem guemátria albam 548, a mesma (com mais um para o kolel) de לתח גיחנם l’toach Guehinôm, “No meio do Inferno”. E graças a D-us, depois desta experiência comigo este jovem judeu iniciou um real processo de teshuvá/retorno a uma vida judaica legítima, e foi muito abençoado. Ele conheceu uma mulher digna e honrada, se casou, e hoje tem um lindo filho, tudo de acordo com as leis da Torá e a Providência Divina.

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RESGATANDO AS PERNAS

E está escrito: על-כן לא-יאכלו בני-ישראל את-גיד הנשה Al-ken lo-yochlu venei-Israel et-guid hanasheh, “Portanto os filhos de Israel não comem o tendão encolhido [nervo ciático] que está sobre a juntura da coxa até este dia etc.” (Bereshit 32:33, Vayishlach). Depois de lutar uma noite inteira com o anjo de seu irmão Essáv, e este, vendo que o amanhecer chegava (e ele perderia sua força) e que não venceria Ya’acov, então o anjo deslocou o nervo ciático do patriarca. Agora, o Povo Judeu é proibido pela Torá de comer este nervo de um animal casher, pois misticamente significa a força do mal que deve ser subjugada. De fato, explica o santo Zohar que, “Se a força não tivesse faltado a Ya’acov neste único ponto de seu corpo, ele então teria derrubado o anjo do mal em baixo e em cima” (170b, Vayishlach). Em seguida, continua o mesmo trecho do Zohar perguntando e explicando: “Qual a diferença da profecia de Moshé e a dos outros profetas? Moshé olhava profeticamente como em um espelho límpido, enquanto todos os outros profetas profetizaram como se olhando através de um espelho turvo. Somente ele entendeu a profecia por completo e de modo erguido, fortificado. Mas, todos os outros profetas caiam no chão e se enfraqueciam, porque eles não podiam entender a profecia claramente. E porque isso? כי נגע בכף-ירך יעקב בגיד הנשה Ki naga bechaf-yerech Ya’akov beguid hanasheh, ‘pois [o anjo] tocou na juntura da coxa de Jacob, no tendão encolhido’ [o final do verso em Bereshit 32:33]. E assim Ya’acov ficou machucado e todos os profetas, salvo Moshé, foram limitados em sua conceituação e compreensão”. A relação entre o machucado na coxa do patriarca e o “defeito” na profecia de todos os profetas depois de Moshé, não é revelada pelo Zohar. A razão é a seguinte. Moshé era diferente, porque ele foi elegido por Hashem para que fosse o Mashiach, e o mundo então teria terminado sua retificação, se o povo não tivesse pecado com o bezerro de ouro (um assunto para outra oportunidade, se D-us quiser). Veja, Moshé falava com Hashem diretamente, como um amigo fala com outro. Este grau foi unicamente atingido por ele. Mesmo os patriarcas, e antes deles, mesmo Nôach e mesmo Adam não tiveram tamanho mérito. Ele não somente tinha este grau de profecia perfeito, mas seu entendimento da mensagem Divina era igualmente incomparável. No entanto, após o pecado do povo, aspectos que haviam sido completamente retificados se romperam novamente, assim como uma ferida que antes de ter curado e secado por completo, se abre devido a algum movimento brusco. A origem espiritual da profecia, ou seja, o grau nas sefirót de onde provém a inspiração Divina enquanto ela existia no mundo (ou seja, até a destruição do Segundo Templo em Jerusalém), é das sefirót de Nêtsach e Hód. Estes canais Divinos de iluminação dos mundos são chamados de as “pernas”, e de fato quando falamos destas luzes, elas estão sempre juntas, como as duas pernas do homem que necessitam uma da outra. Quando o anjo do mal tocou e machucou a coxa de Ya’acov, ele assim o fez propositalmente, porque como Ya’acov representa cosmicamente a Ets Chayim/Árvore da Vida (as Sefirót). E então feri-lo na perna foi a ação como das presas de um leão feroz que ataca por debaixo para imobilizar a presa nas suas pernas, significando espiritualmente o bloquear de um nível das sefirót associadas às “pernas”: Nêtsach e Hód. Portanto, salvo a profecia de Moshé que era totalmente clara, estando acima de qualquer impedimento espiritual, porque ele foi especialmente escolhido por Hashem, todos os outros graus de profecia que vieram depois foram menos claros. Até mesmo a profecia de Yehoshúa/Josué, o discípulo de Moshé que finalmente levou o Povo de Israel a cruzar o Jordão e chegar até a Terra Santa prometida, bem como todos os outros grandes profetas que vieram depois, todos tiveram acesso à “perna machucada”. Mas, com a vinda do Terceiro Templo Sagrado, então será o tempo do verdadeiro Mashiach, que será “O pastor que resgata as duas pernas da boca do leão… então assim também será resgatado o Povo de Israel” (Amós 3:12) e a profecia proliferará na terra novamente, amém.

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E ELE FOI UNGIDO

E está escrito: ויצא יעקב מבאר שבע וילך חרנה Vayetsê Ya’akov miber shava vayêlech charana, “E Jacob saíu de Beer-Sheba, e seguiu para Haran” (Bereshit 28:10, Vayetsê).

No final da parashá anterior (Toledot), o comentarista Ráshi explica que “Ya’acov se ocultou [do seu irmão, o perverso Essáv] para estudar por 14 anos na yeshivá/academia de Torá de Éber [o descendente reto de Shem, filho de Nôach] e só depois é que ele foi para Haran” (no Bereshit 28:9). Agora, a guemátria do reshêi tevót/acróstico do verso acima (Bereshit 28:10) é 370, um número muito importante que será agora explicado com a ajuda de D-us. De acordo com a Cabalá, existem 370 luzes de kedusha/santidade que são ditas como “brilhando” (para quem tem mérito) dos níveis de Kéter, um nível altíssimo de iluminação espiritual pura e santa. Este brilho, por assim dizer, implica na manifestação de tremenda boa vontade e misericórdia. Ainda de modo mais específico, estas 370 luzes são “estados” de chéssed/bondade que em última instância, descem até o grau de yessód (a força motivacional para agir). Isto significa que, misticamente, quando este “recebimento” chega ao grau emocional (chamado de Z’eir Anpin), as emoções sofrem uma “ignição” por esta boa vontade e misericórdia. Veja, o intelecto abstrato do homem é um fator de distinção humana, entretanto por si só, ou seja, sem as respostas emocionais adequadas, ele tem pouco valor. De modo semelhante, a pessoa pode ter todo o tipo de boas intenções e desejos que somente se tornam parte efetiva da realidade à partir da resposta emocional, o que por sua vez vem a servir como a motivação para a “descida final da luz”, que são as ações. No nosso mundo de Asiyah, as ações são o que mais conta. Portanto, podemos dizer que a jornada de Ya’acov foi extremamente abençoada por Hashem, que “despejou” (abençoou) estas 370 luzes misericordiosas nele. Ya’acov precisava ainda evoluir mais para poder cumprir o seu grandioso papel cósmico. E este crescimento veio em estágios fundamentais e sucessivos, os quais incluíram a sua saída da casa de seus pais e o seu afastamento do perverso irmão Essáv. Mais ainda, os seus 14 anos na yeshivá tiveram grande significado na sua evolução espiritual, pois lá ele pode se dedicar integralmente a Torá antes de receber os novos desafios que culminaram nos seus 12 filhos – a base da formação do povo santo que iria se formar mais tarde como Bnêi Israel/Povo Judeu na saída do cativeiro do Egito e o auge espiritual do recebimento da Torá. Deste modo, era vital que todas as lições que Ya’acov recebeu fossem realmente aprendidas de modo profundo e completo.

Agora, é preciso explicar mais sobre o processo de entendimento que um aluno – no caso o patriarca Ya’acov – precisa passar com o mestre, no caso Éber, para que com o tempo adequado estas lições e as subsequente evoluções ocorram verdadeiramente. Veja, “Como é sabido, a mentalidade de Ába entra a mentalidade de Ima e o yessód de Ába estende para baixo até o yessód de Íma” (o Arizal, Likutêi Torá, Vayishlach). Isto significa que, o insight de chochmah/intelecto intuitivo é o material “cru” – o conteúdo – que binah/intelecto racional processa. Ainda que este insight inicial seja a fagulha original de inspiração, o seu yessód, ou seja, a força de auto realização, é ainda mais poderosa e se estende para baixo até mais do que binah. Ou seja, o insight inicial, apesar de ser uma experiência intelectual, contém dentro de si um “elemento” de consciência que transcende o intelecto e assim não é limitado por ele. Continua o Ari”zal, “Agora, a mentalidade de Ába não entra completamente a mentalidade de Íma, até que a mentalidade imatura é expelida”. O objetivo central da infusão da mentalidade de Ába/chochmah em Íma/binah é que este poder mental se transforme no poder mental de Z’eir Anpin/emoções. Ou seja, o objetivo de qualquer insight intelectual é o revitalizar a visão do mundo da pessoa para verdadeiramente “recriá-la”. A medida disso é o tanto que a relação emocional/Z’eir Anpin com a realidade é de fato refeita. Entretanto, o desenvolvimento da mentalidade de Z’eir Anpin (o aspecto emocional e do caráter do indivíduo) progride através de três estágios: a mentalidade embrionária, a mentalidade infantil e a mentalidade madura. A progressão de um estágio para o outro depende do “desalojar” da velha mentalidade (ou reação emocional à realidade) por a nova mentalidade. Isto é fundamental. E toda a dificuldade de recebimento do aluno provém da “luta” espiritual que surge do yessód de Ába para transcender seu domínio e chegar em Z’eir Anpin, pois se o conteúdo intelectual atuar nas emoções, a pessoa muda. Mas se a sua força emocional (não retificada), o seu “Ego”, for maior do que a força intelectual que é despertada pelo insight (das explicações do mestre) ela então “resistirá” e não permitirá que aja a “descida da luz” de Ába/chochmah/insight até o seu centro emocional. Ela é refratária à iluminação, se mantendo então espiritualmente-mentalmente imatura. E toda imaturidade é uma severidade, querendo dizer, algo que conecta a pessoa ao Mal. Esta severidade ou “amargura” metaforicamente falando, precisa ser então “adoçada” (mitigada) através da sua evolução, ou seja, de uma nova mentalidade. Portanto, a saída do patriarca Ya’acov é abençoada com grandes “doçuras” espirituais para erguê-lo diante do seu papel tão fundamental na realidade. Deste modo, o despejar destas luzes altas significou que Ya’acov foi ungido por Hashem, e assim, suas “severidades” (ou seja, qualquer falta de entendimento), adoçadas/retificadas. E incrivelmente, o reshêi tevót (com guemátria 370) do passúk/verso deste estudo é exatamente וימשוח Vayimshach, que significa “E ele foi ungido”.

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NARIZ EM CHAMAS

Eretz Israel/Terra Santa* vive momentos terríveis com mais uma conflito armado contra a investida dos árabes ímpios e violentos do Hamás em Gaza. Agora, no nível da guerra espiritual, o armamento poderoso do Tehilim 83 foi pedido e usado pelo mundo judaico (e também o 130 e 142) para combater estas forças ímpias. E como é sabido, tudo está na parashá. A guemátria de 83 é be’af (“com ira”) um dos assuntos principais desta parashá/porção semanal: וישטם עשו את-יעקב על-הברכה אשר ברכו אביו ויאמר עשו בלבו יקרבו ימי אבל אבי ואהרגה את-יעקב אחי “E Essav guardou ódio de Ya’acov pela bênção com que o abençoou seu pai, e Essav disse em seu coração: Chegarão os dias de luto de meu pai, e matarei meu irmão Ya’acov” (Bereshit 27:41, Toledot). Contudo, o ódio de Essav, dos inimigos de Israel/Ya’acov se defronta com a ira de YKVK. Como é sabido, a palavra em Hebraico para nariz é af também. De modo mais preciso, a expressão na Torá para raiva é charón-af (literalmente, “nariz em chamas”), assim como quando uma pessoa fica irada, suas narinas se abrem. E YKVK é referido por vezes como Érech Apáyim, ou seja, “Nariz Cumprido”, uma metáfora para descrever a Sua paciência inefável com os erros humanos. Mais ainda, quando a praga foi enviada por YKVK pelos atos de Kôrach, então Aharon foi ordenado por Moshé a preparar o ketoret para apaziguar a ira Divina (Bamidbar 16:7 etc.). O odor agradável do incenso acalmou a ira, querendo dizer, o incenso foi “colocado no nariz”, como escrito: Yasimu ketorah b’apecha “Eles colocaram incenso em Tua narina” (Devarim 33:10). Enfim tudo conectado com o antigo ódio árabe, que nunca se conformou com a esperteza santa de Ya’acov. E a origem deste ódio é mais antiga ainda, como escrito: Vatishachet ha’arets lifnêi ha’Elokim vatimale ha’arets hamás, “E a terra corrompera-se diante de Elokim, e a terra se enchera de violência/hamás” (Bereshit 6:11). E sobre tudo isso eu pensei que seria muito bom um míssil israelense (um ketoret, por assim dizer) atingir o “nariz do inimigo”, ou seja, por onde ele “respira” – de onde vem seu ar: Gaza. Verdadeirmaente, a parashá Toledot trata da luta entre o Bem/Ya’acov e o Mal/Essav no nível arquétipo. E isto é bem sabido pelos iniciados. Contudo, em outro nível, vemos Ya’acov lutando para firmar-se como pilar do Povo de Israel, ou seja, de ser apropriadamente “estabelecido” como uma fundação no terreno físico e espiritual. E Essav representa a “conturbação” da terra/adamah/Edom (como vemos nesta semana no ataque do Hamás que é Ishmael/Essav) sendo “atirada e removida” de seu contato com a kedusha/santidade através da esperteza de Ya’acov, ao enganar seu irmão rasha/perverso e conseguir a primogenitura. De fato, Essav diz sobre Ya’acov: yaakvêini, “ele me enganou” (Bereshit 27:36). As klipót estão sempre próximas da kedusha, pois precisam da luz para se nutrir. E é explicado que “Ya’acov nasceu agarrado ao calcanhar de Essav etc. indicando que ele era próximo de Essav, ou seja, a sitra achra estava próxima da kedusha. Então Ya’acov precisou pegar o calcanhar de Essav e trazê-lo para baixo, para seu domínio escuro a fim de se distanciar do mal completamente (Zohar 138a, Toledot). A propósito, a relação de Ishmael com Essav é íntima, pois além de parentes, o fim da parashá traz que Essav se casou com a filha de Ishmael (Bereshit 28:9). Os árabes e a humanidade vivem e obedecem aos planos Divinos sem mesmo saberem e se importarem. Mas YKVK comanda tudo. E todos os que não são alinhados a Hashem, são regidos apenas pelos planetas e constelações, a “sorte” impiedosa da astrologia. De fato, o sofêi tevót (as “letras finais”, e que semanticamente significam, “no final das contas”) do verso “E Essav guardou ódio de Ya’acov pela bênção com que o abençoou seu pai etc.” é םותבלהרוורווויליהתבי, e tem a guemátria katán 77, o mesmo valor numérico da palavra מזל mazál (mem-zayin-lamed = 40 + 7 + 30 = 77), indicando que todos os que odeiam Israel (o outro nome de Ya’acov), serão regidos apenas pela astrologia, e nunca pelas bênçãos e proteção de Hashem, amém.

 

* Texto originalmente escrito em Rosh Chodesh Kislev, 5773 (Novembro 15, 2012), parashá Toledot, durante o conflito de Israel em Gaza neste mesmo ano.

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MEDIDA POR MEDIDA

E está escrito: ויהיו חיי שרה מאה שנה ועשרים שנה ושבע שנים שני חיי שרה Vayihyu chayei Sarah mea shana veesrim shana vesheva shanim shenei chayei Sarah, “E a vida de Sarah foram 127 anos; estes foram os anos de vida de Sarah” (Bereshit 23:1, Chaiyê Sarah). O Talmud (Sanhedrin 95a) relata algo extraordinário sobre o rei David e seu sobrinho Avishái. Em certo momento, ambos estiveram envolvidos numa luta feroz contra o gigante Yishbi B’Nóv, irmão do infame Golias. E eu recebi que a morte deste gigante perverso que muito tentou abater David (assim como seu irmão Golias tinha feito no passado, em II Samuel 22), foi um tikún/retificação para a morte da matriarca Sarah. Veja, neste trecho do Talmud é relatado que David e Avishái perceberam que mesmo juntos, não teriam forças para abater este gigante do mal. Existem vários detalhes extraordinários desta passagem (incluindo o uso de Shemót Kodashím/Nomes Santos para alterar a realidade por David HaMélech/rei David), mas que aqui não os citarei. Enfim, eles tentaram uma nova tática para matar o malvado: Eles disseram a Yishbi B’Nóv: “Vá e encontre a sua mãe Orpah na cova, pois nós a matamos!”. Quando eles mencionaram o nome de sua mãe e disseram que a haviam abatido, a força do gigante se esvaiu por completo e aí então eles o mataram. Agora, o Midrash revela a conhecida passagem que o Satán visitou Sarah enquanto Avraham e Yitschak estavam no Monte Moriyah para o Akedat Yitschak/Sacrifício de Isaac. E ao ouvir a notícia pelo Satán que a mando de Hashem, Avraham ia sacrificar Yitzchak como um corbán/oferenda, “A sua alma voou e ela faleceu” (Ráshi no Bereshit 23:1; Pirkê de Rabi Eliezar etc.) . “Aparentemente”, o lado do mal prevaleceu aqui, que D-us nunca permita, pois o estresse causado na santa mãe do patriarca Yitschak a abateu. Mas, de certo o lado do bem prevaleceu, fazendo um tikún, pois o estresse causado no gigante pela notícia do falecimento de sua mãe permitiu que este grande agente do mal fosse agora aniquilado, midá kenégued midá/medida por medida. Mais ainda, os Sábios da Torá explicam que שני חיי שרה shenei chayei Sarah, “estes foram os anos de vida de Sarah” significa que “Todos eles foram igualmente bons” (Ráshi no Bereshit 23:1). Ela viveu plenamente, e quando seu tempo terminou nada faltava para ela completar a sua missão no mundo. Foi tudo perfeito, assim como vemos na dica da guemátria atbash de shenei chayei Sarah sendo 286. E este valor numérico é igual a guemátria do Tetragrama/YKVK (guemátria 26) vezes 11. E o valor numérico 11 é a guemátria da palavra טב tóv, “bom” (escrito sem o Vav). Portanto, como a multiplicação significa psicologicamente o “fortalecimento em estágios”, vemos então que a cada estágio da vida de Sarah, tudo foi bom (26 x 11 = 286). Do início ao fim, sua vida foi abençoada. Veja, o sofêi tevót/letras finais de חיי שרה chaiyê Sarah, “vida de Sarah” são as duas letras yud e hei, que formam o Nome Divino Kah/D-us. Verdadeiramente, tudo segue sempre de acordo com o Plano Divino.

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E AVRAHAM DISSE

E está escrito: ויאמר אברהם אלקים יראה-לו השה לעלה בני וילכו שניהם יחדו Vayomer Avraham Elokim yirelo hase leola beni vayelchu sheneihem yachdav, “E Avraham disse: ‘D-us proverá para Si o cordeiro para a oferta de elevação, meu filho’; e andaram ambos juntos” (Bereshit 22:8, Vayerá). Imediatamente antes de responder ao seu filho Yitschak (que havia perguntado no verso anterior, “aonde está o cordeiro para a oferenda?”), a Torá diz Vayomer Avraham, “E Avraham disse…” – uma expressão ocultando a sua disposição mental neste intenso momento psicológico com seu filho. Vayomer com um para o kolel, tem guemátria 258, sendo este o mesmo valor numérico de Va’avadô leolám, “E ele servirá Ele para sempre” (Shemot 21:6), o modelo do servo devoto de D-us. E Avraham mais o kolel é guemátria 249, o mesmo valor numérico de ארחם arachem, “Eu mostrarei misericórdia” (Shemot 33:19). Veja, isto foi a voz de Hashem falando para o patriarca Avraham: “Seja devoto! Eu mostrarei misericórdia”. O poder espiritual de ויאמר אברהם Vayomer Avraham é imenso. A sua guemátria ordinal 91, sendo este o mesmo valor numérico do Nome Havayah (o Tetragrama/YKVK, com guemátria 26) e o Nome Adni (guemátria 65), que é a Shechina/Presença Divina, combinados: Havayah (yud-hei-vav-hei, 10 + 5 + 6 + 5) = 26; Adni (alef-dalet-nun-yud, 1 + 4 +50 + 10) = 65. 26 + 65 = 91. Avraham estava em devekut/ligação íntima com Hashem. Seu foco estava na união do Sagrado, abençoado seja Ele e Sua Shechina – fonte חיי chaiyê “da vida”, com guemátria katán (28) de Vayomer Avraham. Mais ainda, o reshêi tevót/acróstico de todo este passúk/verso (ואאילהלבושי) tem guemátria 401, sendo esta o mesmo valor numérico de ישעיהו Yeshayahu, “Salvação de Kah/D-us” (o nome em Hebraico do profeta Isaías). Vemos que o Akedát Yitschak/Sacrifício de Isaac é verdadeiramente a narrativa da salvação que D-us realiza no mérito dos patriarcas. Salvação é a libertação da morte – a preservação da חיים chayim “vida” (chet-yud-yud-mem = 8 + 10 + 10 + 40 = 68), também a guemátria ordinal de Yeshayahu. De fato, esta história é cheia de vida.

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A ABDUÇÃO DA MATRIARCA

E está escrito: וינגע ה’ את-פרעה נגעים גדלים ואת-ביתו על-דבר שרי אשת אברם Vayenaga Hashem et-Paro negaim guedolim ve-etbeitô al-devár Sarái êshet Avram, “E o Eterno infligiu ao Faraó e à sua casa grandes pragas por causa de Sarái, mulher de Abrão” (Bereshit 12:17, Lech Lechá). Como a Torá traz nesta parashá santa, devido a uma severa fome na terra, Avram (e não Avraham, que só começou a ser chamado assim mais tarde na parashá) e sua família precisaram viajar para o Egito, aonde havia abundância de recursos. O patriarca Avram era um homem sábio e reto, e que já havia tido contato com Hashem, elevando-o espiritualmente ainda mais. Sua percepção sobre a realidade era avançada, então de modo a prevenir possíveis problemas, ao entrarem no Egito pediu a sua esposa Sarái (e não Sarah, que só começou a ser chamada assim mais tarde na parashá) que afirmasse ser a sua irmã e não sua esposa. Avram sabia que os Egípcios eram idólatras e que não se guiavam por nenhum código moral que os impedisse de sequestrar Sarái se soubessem que ela era esposa de Avram. Agora, como irmã dele, talvez eles a deixassem em paz. No entanto, quando os Egípcios viram a beleza extraordinária de Sarái, ela acabou sendo levada à casa do Faraó. E ele a desejou. Contudo, ולאברם היטיב בעבורה Ule’Avram heitiv baavurá, “E ele tratou Avram bem por causa dela” (Bereshit 12:16), pois presumiu (uma vez que as mulheres era desvalorizadas em sua sociedade) que isso seria o suficiente para que o patriarca se apaziguasse e então julgasse o Faraó para o bem, ainda que sua esposa tivesse sido roubada. De fato, o Faraó ainda deu a Avram muito gado e servos, na esperança de subornar os sentimentos do santo homem. Mas, Avram sabia por inspiração divina quem era este mestre da sitra achra/lado do mal. Uma dica disso, a guemátria absoluta deste passúk/verso é 600, o mesmo valor numérico de שקר shéker, “mentira”. E a Torá relata que foi então que Hashem puniu o Faraó e toda a sua casa, por sequer “ousar” a pensar em tocá-la. E o Ráshi explica sobre על-דבר שרי al-devár Sarái, “por causa de Sarái etc.”, que “Através da palavra dela [vieram as punições]. Ela instruía o malach/anjo: הך hach, ‘Bata!’, e ele então [obedecia e] batia neles”. O Faraó era ligado às “forças da externalidade” (o “Mal”) que somente existem recebendo nutrição mínima “por de trás/posteriormente” (אחוריים ahorayim) da Santidade (como se jogando comida pelas costas com desprezo), assim como podemos ver quando ele inicia a fala com Avram: ויקרא פרעה Vayicrá Faro, “Chamou o Faraó…”, com guemátria atbash 633, a mesma de ahorayim. E continua a Torá revelando o espanto do Faraó que disse: מה-זאת עשית לי Ma-zót assita li, “O que foi que você fez comigo?” (Bereshit 12:18), com o reshei tevót/acróstico (מזעל)  que forma a expressão ע מזל ayin mazal, significando “o ‘Nada Divino’ [Hashem] é a raiz espiritual”. E o fim deste verso למה לא-הגדת לי כי אשתך הוא Lama lo-higadta li ki ishtecha hiv, “Porque você não me contou que ela era sua esposa”, tem o sofêi tevót/letras finais האתייךא com guemátria absoluta 927, a mesma de ממקור ישראל mi-mekór Israel, “da fonte de Israel”. Portanto, a perplexidade do Faraó ocultava que ele entendeu sobre Avram e Sarái que “Hashem é a raiz espiritual da fonte de Israel“. E apesar que Faraó estava atemorizado pelas pragas que o afligiu, ele não reconheceu a Hashem, o D-us de Avram. Rapidamente, ele mandou escoltá-los para fora do Egito como relata a Torá (no verso 20). Mas veja, o reshêi tevót do verso וינגע ה’ את-פרעה נגעים גדלים ואת-ביתו “E o Eterno infligiu ao Faraó e à sua casa grandes pragas” é ויאפנגוב, com guemátria albam 589. Esta é a guemátria absoluta (versão sofít) de ואבימלך ve’Avimélech, “E Abimélech“. Mais ainda, na sequência do verso, o reshêi tevót de על-דבר שרי al-devár Sarái é עדש, com guemátria atbash 109, a mesma também da guemátria absoluta de ואבימלך ve’Avimélech, “E Abimélech“! Em um nível oculto, a Torá nos alerta sobre um personagem que até então não havia surgido: Abimélech. Além disso, outra dica sobre o futuro aparece aqui: a guemátria absoluta de הך hach, “bata” é 505, sendo esta a mesma de שרה Sarah, mas não Sarái (שרי), como a matriarca ainda era chamada neste relato do Faraó, pois esta mudança ocorreria somente no futuro.

E tempos depois (ver parashá Vayeira), após a destruição de Sodoma e Gomorra (Bereshit 19:24-25), Avraham e Sarah viajaram novamente (para se distanciar finalmente de Lóte). Eles foram para Guerrár, na terra dos Filisteus. Contudo, antes de entrar nesta terra, Avraham pressentiu que precisava evitar que sua esposa Sarah fosse abordada por este povo. Os Filisteus (Heb. Pelishtim) eram conhecidos pela sua grande indulgência sensual e adoração de todo o panteão Cananeio. Agora, o nome פלשתים Pelishtim é derivado da raiz pêi-lamed-shin, significando “indulgência exagerada”. A sensualidade excessiva neste mundo faz a pessoa espiritualmente fechada/tampada, resistente à inspiração Divina e insensível à realidade interior da vida e suas experiências. Avraham sabia disso, pois Hashem estava com ele e o inspirava divinamente. E foi então que אבימלך מלך גרר Avimélech mélech Guerrár, “Abimélech rei de Guerrár” (Bereshit 20:2) mandou aprisionar Sarah. E a guemátria absoluta deste verso é 596, a mesma de איש-מרמה ish-mirmah, “homem mentiroso/enganador” (Tehilim 43:1), um segredo sobre sua natureza. Apesar que Avraham não pôde impedir novamente esta abdução, Hashem estava com ele e sua esposa Sarah. E Hashem apareceu em um sonho para Abimélech, dizendo que ele morreria por ter sequestrado Sarah. De fato, “Abimélech nunca se aproximou dela, pois era impedido por um anjo” (Ráshi no Bereshit 20:4). O rei de Guerrár então falou com Hashem, clamando sua retidão Noética, a qual o mantinha longe das transgressões. Mas, Hashem afirmou para ele que sem a ajuda Divina, ele sim teria pecado. Hashem então ordena a Abimélech que retorne Sarah, e chama Avraham de profeta, dizendo que ele rezará por Abimélech para que as pragas cessem. Ainda assim, perturbado com estas experiências, Abimélech tenta argumentar com sabedoria e razão a seu favor com Avraham, afirmando sua (suposta) retidão: ויקרא אבימלך Vayicrá Avimélech, “Chamou Abimélech…”, com guemátria albam 1200, o mesmo valor numérico de duas vezes שקר shéker, “mentira” (indicando suas mentiras). E continua a Torá revelando o espanto de Abimélech que diz: מה-עשית לנו Me-assíta lánu, “O que foi que você fez conosco?” (Bereshit 20:9), com reshêi tavót לעמ la’Am, “para o povo”, pois Abimélech muito se incomodou que Avraham suspeitou que seu povo teria roubado sua esposa, sendo algo proibido pelas Sete Leis Noéticas – um crime com pena capital. E Avraham então responde: כי אמרתי רק אין-יראת אלקים במקום הזה Ki amárti rak êin-yirát Hashem bamakóm hazé, “Porque eu pensei que verdadeiramente, o temor a Hashem não existe neste local” (verso 11). O reshêi tevót deste verso (כאראיאבה) tem guemátria avgad 365, revelando profeticamente o número de mitsvót/mandamentos proibitivos (“não farás”) dados a Israel no Sinai. Um local aonde o temor a Hashem realmente existe é aonde não se transgride nenhum destes mandamentos. Portanto, Avraham, um nome com guemátria absoluta 248 (assim como o número de mandamentos positivos, “farás”), representa a completude no serviço Divino que só um profeta tem, pois 365 + 248 = 613 mitsvót. A Torá traz a sabedoria e razão de Abimélech, mas Avraham não se dobra a isso, pois ele entendia que apesar destas sabedorias inferiores, Abimélech e seu povo não tinha temor a Hashem. De fato, o santo Zohar afirma que “Abimélech e seu povo adoravam a estrelas e constelações. Abimélech era um astrólogo” (140b, Toledot). Ele e seu povo não eram Noéticos verdadeiros, ainda que assim se afirmassem. E por isso, o verso conclui: והרגוני על-דבר אשתי vaharaguni al-devár ishtí, “eles me abateriam por causa de minha esposa”, com guemátria ordinal 172, o valor numérico de duas vezes o Nome אלקים Elokim, que é associado aos julgamentos severos. E todo aquele que se encontra em situação de perigo, seus méritos são examinados. E assim, Avraham temeu por sua vida naquele momento. Enfim, a moral é que aonde o temor de Hashem não existe, a sabedoria e conhecimento abstrato da lei não são suficientes para sobrepujar a má inclinação. E para um reto, todas estas realidades são reveladas, e ele sempre as influencia, mesmo quando mantém uma postura calma de paz e tranquilidade, pois ה’ ילחם לכם ואתם תחרשון Hashem yilachem lachem veatem tacharishun, “O Eterno lutará por vós, e vós fiqueis calados!” (Shemot 14:14), com gemátria ordinal (mais cinco do kolel de cada uma das palavras) igual a 243, o mesmo valor numérico de אברם Avram.

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NOVA CONSCIÊNCIA

E foi quando Nôach e sua família sairan da Têva/Arca que Hashem então disse: אך-בשר בנפשו דמו לא תאכלו Ach-bassár benafshô damô lo tochelú, “Porém, a carne com sua alma estando com vida e seu sangue, não comereis” (Bereshit 9:4, Nôach). Agora, está escrito também que ותמלא הארץ חמס Vatimale ha-árets hamás, “E a terra estava cheia de violência” (Bereshit 6:11, Bereshit). A guemátria mais o kolel de cada palavra é igual a 884, a mesma de תועבות toevót, “abominações”. Os sábios explicam estas abominações como a corrupção sexual até mesmo dos animais, e também o roubo. E o reshêi tavót/acróstico תהח tem guemátria 413 (e atbash 151). E guemátria 413 é a mesma de חשקה hashka, “desejo” indicando o foco exclusivo desta geração. Mais ainda, o sofêi tavót/letras finais é 151 (que é atbash 413, portanto as guematriót são invertidas, indicando outros sentidos ocultos). E 151 é guemátria de מקטב m’kéteb, “com destruição” e מאכלכם ma’kalechem, “a carne” (em Aramaico, ver Daniel 1:10), todas dicas profundas sobe esta época dramática. De fato, Adam e toda sua geração não era permitido nem de comer carne. Mas, isso era verdade no sentido de abater um animal para ser comido. Os meforshim/comentaristas da Torá ensinam também que, se fosse encontrado um animal morto (Heb. nevilah), este poderia ser comido. Veja, a geração do Mabúl/Dilúvio era abertamente perversa, porque somente procurava prazeres (e a nossa geração atual assim caminha também). Eles comiam de modo natural, pois havia grande abundância de frutas, ervas, raízes, além de outras formas vegetais. Entretanto, sua dieta naturalista incluía algo mais: animais eram comidos vivos. Veja, este era um tempo inimaginável em que convivam bnêi Elokim/anjos caídos, shedim/demônios, gigantes, homens e mulheres (as canaítas como Na’amah a irmã de Tuval-Kayin, descendentes diretos de Cain, eram conhecidas por sua depravação moral e grande tamanho).

Agora, “Nôach estudou Torá” (Ráshi no Bereshit 7:2, citando o Bereshit Rabah 26:1 que afirma que de outro modo, ele não poderia ter sabido quais animais eram destinados a serem permitidos para o Bnêi Israel/Povo Judeu). Portanto, ele conhecia a proibição de comer carne. E mesmo sabendo também as leis de abate ritual da Torá, ele não comia carne, porque a permissão não havia sido dada por Hashem. Entretanto, tão prevalecente era comer seres vivos – nas batalhas ou não – que quando Nôach saiu da Arca, Hashem deu então a permissão de comer carne ao homem, porém a mitsvá negativa de Ever Min Hachai, “Não comer o membro de um animal vivo” precisou ser dada para civilizar o mundo (junto com a proibição de “não matar”), pois Nôach e os seus viram sempre este modo de vida dos incontáveis perversos da geração e isto precisava ser desenraizado completamente das suas psiquês para que uma “nova consciência” fosse então herdada pela humanidade. E incrivelmente, vemos a dica do desenraizar da consciência coletiva destes hábitos violentos na guemátria absoluta do reshêi tavót (אבבדלת) do verso “Porém, a carne com sua alma estando com vida e seu sangue, não comereis” é 439. Este é o mesmo valor numérico da expressão עריצי גוים aritsêi goyim “nações violentas/cruéis” (Ezequiel 30:11). Hoje temos também, “nações violentas”, e seu destino será o mesmo de seus antepassados, tudo de acordo com o Plano Divino, amém.

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O CAÇADOR

A arrogância é a raiz de todos os pecados no mundo. E como está escrito: והנחש היה ערום מכל חית השדה אשר עשה ה’ אלקים Vehanáchash haya arúm mikól chayát hassadê ashér assá Hashem Elokim, “E o serpente era astuta – mais do que qualquer animal do campo feito por YKVK” (Bereshit 3:1). Eis a raiz do mal que é o Serpente, que vive em tocaia no coração do homem – a sua má inclinação. O Serpente descende do lado esquerdo que é Guevurá/Severidade (guímel-bet-vav-rêish-hêi = 3 + 2 + 6 + 200 + 5 = 216), sendo 216 o mesmo valor numérico do reshei tavót/acróstico (והעמחהאעיא) deste passúk/verso. Saiba que ele é astuto, pois sempre busca domínio e “asenhoramento” de todas as formas sobre o seu território – a existência do homem. Uma dica disso, a sua descrição como sendo ערום arúm, “astuta” tem guemátria albam 96, a mesma de Kel Adni/D-us é meu S-nhor (Kel: alef-lamed = 1 + 30 = 31. Adni: alef-dalet-nun-yud = 1 + 4 + 50 + 10 = 65. 31 + 65 = 96), um Nome Divino associado ao Olam HaAsiyah/o mundo material e presente, o qual a má inclinação arrogantemente urge em dominar.

Agora, quando o Serpente sente a presença da vítima potencial – do coração prestes a se inflar pelo orgulho e arrogância – ele então sai de sua tocaia e se revela gritando: “Pois YKVK sabe que, no dia em que comerdes do fruto proibido, vossos olhos se abrirão e sereis como YKVK, conhecedores do bem e do mal” (Bereshit 3:5). E enquanto e por um instante a pessoa pensa sobre o que está prestes a fazer e sentir, ouvindo o encanto do serpente, ele abre progressivamente a sua grande e feroz mandíbula e na primeira oportunidade, dá o bote. O serpente engole a vítima – a sua consciência – de um só golpe. E quando a sua mente é assim envolvida, a pessoa vivencia uma profunda escuridão, seus pensamentos se entortam e predomina a distorção da auto ilusão. Ela nada percebe, salvo o que estritamente lhe interessa e pertence ao seu delírio. O veneno do serpente alimenta a sua auto ilusão no momento em que qualquer dúvida surge. A pessoa se vê rendida e ao mesmo tempo abnegada diante de seu encobrimento existencial. Enquanto isso, passeando pelo jardim, o caçador de serpentes avista à distância uma vítima engolfada pelo mal. Apesar da pessoa se mostrar feliz em seu sonho e delírio, a sua alma implora por ajuda e o caçador é ordenado pelo Alto a tentar ajudá-la se for possível. Se aproximando com cautela, o caçador prepara a sua arma, “Uma corda [que o aprisionará] está oculta sob o solo, e uma cilada sob seu caminho” ( 18:10). E ele sabe que quando o serpente o avistar “Terror o cercará e o paralisará. Suas forças serão consumidas pela fome e a calamidade estará sempre a seu lado” ( 18:11) e o serpente lutará fortemente e não abandonará a pessoa até que “Devorará os membros de seu corpo” ( 18:13) fazendo dele sua posse. De longe ainda, o caçador de serpente pergunta a vítima encoberta: “Que fizeste?” – e a ela respondeu: A serpente me enganou e comi” (Bereshit 3:13). E o caçador entende o significado disso: a pessoa se perdeu na sua vontade, inflou seu coração e perdeu controle de sua mente. Ela permitiu ser devorada pelo serpente que se alimenta da consciência e distorce as verdades, para que a pessoa então perca o seu caminho. Ao se perder, ela agora é como os que “Desde o nascimento se rebelaram, os ímpios que se desviaram do caminho certo, os mentirosos” (Tehilim 58:4). E sem discernir o certo do errado, portanto vagando nas suas percepções sobre o que a separa de YKVK, “Seu veneno se assemelha ao de uma serpente, ou a uma víbora surda que fecha o ouvido para não ser detida pela voz de encantadores ou dos que sussurram palavras agradáveis” (Tehilim 58:5). Ela mesma resiste ao caçador. A luta dele agora é contra o serpente e a consciência da pessoa que se aquece no falso calor desta fera que o domina, enraizada em seu coração, alimentando sua distância à retidão e santidade. A fera a segura com vigor, mas o caçador compreende sua natureza. Ele usa sua corda rapidamente lançando-a sobre a cabeça do serpente, prendendo-o com força. Ele ruge como uma besta indomável. Mostra as suas presas perigosas: “Com escárnio e zombaria me insultaram. Rangeram seus dentes contra mim” (Tehilim 35:16). E “O perverso trama contra o justo e range seus dentes para ele” (Tehilim 37:12). O caçador pede ajuda a YKVK: “Ó Eterno, quebra seus dentes e esmaga suas presas, que são como as de leões” (Tehilim 58:7). E se enchendo por um espírito de indignação contra o mal, afirma: “O ímpio, porém, ao ver o que acontece se sentirá revoltado; inutilmente rangerá seus dentes e terá frustrada sua ambição” (Tehilim 112:10). Uma grande luta terrível entre o caçador abençoado e a consciência escrava da pessoa, que se condói por si mesma em cada movimento dele para liberá-la da fera que a domina. Ele segura firme na cabeça do serpente – a fonte do seu mal – e abre sua boca para que de suas presas saia o veneno que será usado mais tarde como antídoto. A consciência reluta: dói em orgulho e reclama muito, pois agora iludida, prefere escuridão à luz. Mas, “Ai dos que chamam o bem de mal e o mal de bem, que confundem luz com escuridão e escuridão com luz, o amargo com o que é doce e o doce com o amargo” (Isaías 5:20). E o caçador não desiste jamais e consegue sim muitas vezes subjugar esta escuridão e tolice, assim como é prometido: “E a escuridão ficará sob seus pés” (Tehilim 18:10). E por fim em um ato heroico, ele “Quebra a mandíbula do injusto e arranca a presa de seus dentes” ( 29:17). A consciência da pessoa retorna. Machucada, ela entende agora o ocorrido. Grata, ela sabe que o serpente voltou para a sua tocaia no coração, mas com o antídoto do caçador existe uma chance ao menos de que em tempo, com humildade verdadeira e aprendizado, toda vez que o inimigo surgir, “Quando estiverdes em guerra em vossa terra contra seu inimigo que vos oprime, então tocareis as trombetas com força e sereis recordados diante de YKVK, e sereis salvos dos vossos inimigos” (Bamidbar 10:9), amém.

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TEMPO DE EXPIAÇÃO

E foi há dois anos atrás, quando no dia 8 de Tishrêi 5774, após a oração de mincha/da tarde no érev-érev/um dia antes do dia anterior de Yom Kipur, pensei primeiro em estudar a parashá Vezôt Habrachá (na leitura do yom chamishi/quinto dia). Já se aproximava o horário da shkiah/pôr-do-sol e logo íamos todos sair para fazer caparót, o antigo ritual de expiação dos pecados para os judeus realizado na véspera de Yom Kipur. Logo antes porém, fui fortemente movido à estudar o primeiro passuk/verso desta porção do quinto dia, que diz ולדן אמר דן גור אריה יזנק מן הבש U’leDan amar Dan gur ariye yezanek min-haBashan, “E sobre Dan ele disse: Dan é um filhote de leão que salta de Bashán” (Devarim 33:22, Vezôt Habrachá). E assim fui instruído de investigar o reshêi tavót de דן גור אריה Dan gur ariye, sendo então as letras dálet-guimel-alef de guemátria 8, tal como o próprio dia de hoje, 8 de Tishrêi. Mais ainda, verifiquei que a guemátria atbash deste reshêi tavót é 700, sendo este o mesmo valor numérico da palavra כפרת caparót. Imediatamente me preenchi de espanto a D-us e exclamei: “Certamente, hoje é tempo de expiação”, baruch Hashem.

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A ESPADA

E está escrito: אם-שנותי ברק חרבי ותאחז במשפט ידי אשיב נקם לצרי ולמשנאי אשלם Im-shanoti barak charbi vetochez bemishpat yadi ashiv nakam letsarai velimsanai ashalem, “Que Eu afiarei a Minha espada brilhante, e a Minha mão segurará o juízo para pagar com vingança aos Meus adversários, e retribuirei aos que Me odeiam” (Devarim 32:41, Ha’azinu). Meditava neste passúk/verso, quando meus pensamentos me levaram a מתושלח Metushélach/Matusalém (Bereshit 5:21). Naqueles tempos antigos pré-diluvianos, as forças do mal eram totalmente reveladas, e a terra amplamente povoada por Nefilim/Anjos Caídos, gigantes e shedim/demônios. Metushélach era um homem reto e santo que conhecia os segredos do universo passados para ele pelo seu pai חנוך Chanóch: um homem extremamente santo e singular quem “andava com Hashem” (Bereshit 5:24) e guardava os segredos do mundo transmitidos desde Adam. De fato, vemos a grande bênção de Metushélach na própria guemátria atbash de seu nome, com o valor numérico 173, o mesmo do verso אנכי ה’ אלקיך Anochí Hashem Elokêcha, “Eu Sou o S-nhor teu D-us” (Shemot 20:2). Em tempo, Metushélach transmitiu as verdades espirituais da Torá para seu neto Nôach (Bamidbar Rabah 4:8). Verdadeiramente, Metushélach era um agente de D-us para rebaixar o mal revelado na terra. Seu próprio nome anunciava sua função santa: מתו Metu/Morte ושלח Shélach/Enviado – ele era o “Enviado da Morte” para os ímpios, como um anjo. Veja, a guemátria albam de מתושלח Metushélach mais uma para o kolel é igual a 214, o valor numérico da palavra ruach/espírito (rêish-vav-chet, 200 + 6 + 8 = 214). Os antigos Midrashim contam que ele possuía uma espada com o Nome Divino de D-us (o “Tetragrama”) gravado nela em ambos os lados da lâmina. E em sua grande kedusha/santidade, ele usava esta arma abençoada para abater os demônios aos milhões, somente parando com o abate após muito tempo e aniquilação destas pragas. Isto ocorreu quando o próprio rei dos shedim (um nome que não revelarei) implorou para que ele não o abatesse, prometendo que os shedim se ocultariam longe das cidades, nos mares, rios e cavernas. Por fim, Hashem postergou o próprio Mabúl/Dilúvio da geração de Nôach por sete dias em respeito ao luto de Metushélach, falecido aos 969 anos de idade (Bereshit Rabah 3:6; Talmud, Sanhedrin 108b).

Agora, o reshêi tavót/acróstico de Im-shanoti barak charbi, “Que Eu afiarei a Minha espada brilhante” (alef- shin-bet-chet, 1 + 300 + 2 + 8) tem guemátria absoluta 311, a mesma de איש ish/homem e האשה ha-ishah/a mulher. E o sofei tavót/letras finais (mem-yud-kuf-yud, 40 + 10 + 100 + 10) tem guemátria absoluta 160, a mesma de צלם tsélem/sombra (tsadik-lamed-mem, 90 + 30 + 40 = 160). O Ari”zal explica que “A tsélem feminina é a força – significando os estados de guevurah – que guardam a alma de danos. Contudo, oposto a esta sombra existe a sombra do mal” (Sefer HaLikutim, ). E assim eu entendo: a referência à sombra feminina do mal significa as forças que buscam se apropriar da energia vital das “sementes” dos homens, através delas serem despejadas de modo inapropriado, em vão. Vemos que a “espada brilhante” que é cuidada representa para o judeu, o zelo com seu Brit Kôdesh (e para as Nações, mas em grau menor, o cumprir da mitsvá de “não cometer relações ilícitas”). E assim como os mestres ensinam, “Temei vós a espada… para saberdes que há um juízo” (Shemot Rabah 30:24 citando 19:29), onde a espada – aqui pronunciada shadún/juízo mas escrita shedim/demônio – é um símbolo para o julgamento. A espada com o Tetragrama possui a força espiritual do Brit Kôdesh, que deste modo abate os shedim com o seu shadún. E quando então misticamente se faz a shechitá (“abate ritual da Torá“) dos shedim, o “sangue” deles – a sua força vital – são shedim também, da mesma maneira que na Makah/Praga dos Tsefardeah/Sapos no Mitsrayim/Egito, quando alguém batia neles eles então se multiplicavam (Ráshi no Shemot 8:2). Entretanto, metaforicamente, se a espada é “afiada” (ou seja, se existe zelo no Brit, novamente, um assunto estritamente judaico), todos estes “filhos das pragas demoníacas” perecem também. Contudo, se houver erro na shechitá, porque a espada tinha falhas na lâmina (pois a lâmina do abate ritual da Torá precisa ser perfeita para o abate ser válido) ou nas kavanót/intenções místicas na hora do ato, isso pode trazer tsarót/problemas com os shedim que sobreviverem na força vital das gotas diminutas derramadas em vão, porque como é sabido, um animal ferido é sempre mais perigoso. Veja, a espada é brilhante e mortal às forças das trevas, porque o brilho da santidade anula e destrói as luzes inferiores do mal. Este barak/brilho na espada é como um “flash de luz” (ref. Ezequiel 21:15; ver Rashi no Devarim 32:41, Ha’azinu). E de mesmo modo, os demônios são um flash de luz para alguém infelizmente venha a vislumbrá-los. E assim como está escrito nesta parashá, מזי רעב ולחמי רשף וקטב מרירי Mezei raav ulechumei reshef veketev meriri, “Serão consumidos pela fome, atacados pelos demônios [reshef] e cortados pelo demônio Meriri, etc.” (Devarim 32:24, Ha’azinu). De fato, uma outra tradução para רשף reshef é “raio de luz”. Estas pragas voam para o alto (ver 5:7) na aparência de raios, mas a espada brilhante anula eles completamente. Portanto, vemos que a barak charvi, que é o próprio Brit Kôdesh pode ser usada para o bem – através das relações conjugais apropriadas que cuidam do órgão procriador – ou para o mal, se ele for profanado (e no caso das nações, apesar de não existir Brit, as relações sexuais ilícitas, profanam a pessoa). Incrivelmente, a guemátria atbash de חרב chérev/espada é 363, sendo este o mesmo valor numérico de HaMashiach/O Messias, ou o “nêmesis” do mundo, HaNachash/O Serpente. Tudo no mundo depende da orientação: se para o mal, atrasando e dando força ao lado do Serpente, que D-us não permita, ou para o bem – apressando a vinda do verdadeiro Mashiach, muito em breve em nossos dias amém.

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AMÉM!

E está escrito nesta parashá santa: וחרה אפי בו ביום-ההוא ועזבתים והסתרתי פני מהם והיה לאכל ומצאהו רעות רבות וצרות ואמר ביום ההוא הלא על כי-אין אלקי בקרבי מצאוני הרעות האלה “Então Meu furor crescerá contra ele naquele dia, e o abandonarei, e esconderei o Meu rosto dele, e será por presa, e o alcançarão muitos males e angústias, de sorte que dirá naquele dia: ‘Certamente, por meu D-us não estar no meio de mim, me alcançaram estes males.’ E Eu, certamente, esconderei o Meu rosto naquele dia por todo o mal que fizera, por se haver voltado para outros deuses” (Devarim 31:17-18, Vayêlech).

Agora, se voltar aos “outros deuses” é um código para qualquer desligamento de Hashem. Isto pode ocorrer na forma mais revelada de qualquer espécie de idolatria – uma perversão da consciência sobre D-us – ou do desdenhar das leis, ordenamentos e orientações d’Ele. Tudo conta, nada é deixado de ser contabilizado. Cada ato, emoções e pensamentos são anotados no Alto. Cada aspecto do ser é visto e julgado pelos seus méritos e deméritos. E a balança celestial é perfeita, pois Ele é o Juiz da Verdade. Mesmo um “simples” Amém* tem peso incalculável. Veja, “Aprendemos que todo aquele que descende até אבדון Avadón, o local [no Guehinom/Inferno] também chamado de תחתית Tachtit, ‘o fundo’, nunca mais sobe novamente. E este homem é chamado de ‘o homem que foi destruído e perdeu todos os mundos’. E aprendemos que para este lugar terrível são baixados aqueles homens que desprezam dizer Amém [quando ouvem uma brachá/bênção legítima da Torá]. Tal homem é punido no Guehinom pelos tantos Améns que eles perdeu, os quais ele não considerou, e ele é então baixado para o compartimento mais inferior, que não tem abertura alguma. E ele é perdido para nunca mais se erguer de lá” (Zohar 286a, Vayêlech). E eu vi que a guemátria de Avadón (alef-bet-dálet-vav-nun, ou 1 + 2 + 4 + 6 + 50) é igual a 63, sendo este valor numérico das letras sámech e guímel (60 + 3). Estas duas letras juntas formam a raiz da palavra “refugo” [SiGuim], como no verso, “Todos são refugo, completamente sujos” (Tehilim 53:4).

Agora, é o chamado gas ruach (“espírito grosseiro”) do indivíduo que faz ele desprezar Hashem e Sua Torá, portanto o fundamental ato de testemunho e santificar o Seu Nome que é dizer Amém para uma brachá. E o Zohar é tão contundente sobre isso, que podemos inferir que negar dizer Amém para uma brachá é a quintessência do espírito baixo de um orgulhoso. O orgulhoso se prostra aos outros deuses, principalmente ao o maior de todos: seu “deus interior”. Daí sua punição ser tão severa, como descrita neste verso atemorizante da Torá. E veja: o único tsêruf/anagrama de SaG é GaS; e a guemátria albam de Avadón mais o kolel é igual a 214, a mesma guemátria de ruach (rêish-vav-chet = 200 + 6 + 8 = 214) que significa espírito. Avadón é sim o lugar dos que têm um gas ruach. E para aqueles que ousam a descrer que estas punições venham a persegui-lo até mesmo depois da vida – o tempo de retribuições- a Torá revela que não é assim de forma alguma. Sendo uma mensagem Divina, cada letra e verso da Torá são infinitos portais de entendimento. Todas as verdades do universo são lá encontrados. O passúk/verso verso afirma sobre os que ignoram a Hashem, que ומצאהו רעות רבות וצרות umetsauhu raót rabót vetsarót, “e o alcançarão muitos males e angústias”, com guemátria albam 728: o mesmo valor numérico da expressão חיים אחר המות chayim achar hamót “vida depois da morte”. Mesmo depois da vida física existe vida, e o acerto de contas seguirá como prometido na Torá. E ainda quando tratamos de algo que parece ser tão “menor”, como um simples Amém, se este for desprezado, então “o alcançarão muitos males e angústias”, incrivelmente, com guemátria katán 91: o valor numérico da palavra Amém (alef-men-nun, 1 + 40 + 50 = 91); e a guemátria atbash de é 1309, a mesma de מהתחתנות mehaTachtonot, “do fundo”. É tempo de despertar!

* Amém é um acróstico de א-ל מלך נאמן KEl Mélech Ne’emán, “D-us é o Rei Fiel” (Talmud Shabat 119b).

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VOCÊ TEM O MEU PERDÃO

O Talmud (Rosh HaShaná 17a, ver Ráshi lá) ensina que uma das maneiras de melhorarmos as nossas chances para um bom julgamento Divino, e sermos inscritos no “Livro da Vida” em Rósh HaShaná. E a sugestão dos mestres é que a pessoa se torne um Ma’avir Ól Midosóv (“um que deixa passar os pecados dos outros”). Ou seja, aqui se trata da pessoa que sinceramente busca ativar a sua capacidade de ceder e de não ser tão estrita com os outros que não se comportaram ou fizeram as coisas do seu jeito particular – do melhor jeito que poderiam se tivessem sido mais sensíveis – e que assim falharam claramente com ela. Deste modo, o Bêit Din Shel Ma’alah (“O Tribunal Celestial”) também não aplicará escrutínio estrito sobre as averót/pecados da pessoa que assim adoçou o seu coração e por fim perdoou gratuitamente . E podemos então entender que todos estes “excedentes” de dores causados por outras pessoas são simplesmente a pura bondade de Hashem nos dando chances reais, logo antes do Yom HaDin/Dia do Juízo, para que “adocemos” os nossos próprios julgamentos celestiais, quando examinados lá no Alto, através de perdoar os erros comportamentais das pessoas que nos feriram. Aprendam esta lição muito bem.

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O SEU TRONO DO REINO

E está escrito: וישב ה’ לי כצדקתי כברי לנגד עיניו Vayashêv Hashem li ke’tsidkati kevori leneguéd einav, “Portanto Hashem me recompensou de acordo com a minha retidão/tsedacá, de acordo com a minha pureza em Seus olhos” (Shmuel II 22:25). E a guemátria ordinal (mispar siduri) de Vayashêv Hashem li ke’tsidkati, “Portanto Hashem me recompensou de acordo com a minha retidão/tsedacá” é igual a 187. Este é o mesmo valor numérico da expressão כסא המלוכה Kissê hameluchá, “Trono do reino” (Melachim/Reis I 1:46). E isso precisa ser explicado, com a ajuda do Céu. Cada pessoa é devida de dar forças ao Reino do Céu, para que deste modo ela ajude a rebaixar o Reino do “Outro Lado” (sítra áchra). Isto ocorre quando o indivíduo cumpre e estuda Torá com entusiasmo e sinceridade. Quando a pessoa dá forças ao lado da kedusha/santidade, o seu “reino particular” – o seu malchut – é fortificado pelas bênçãos de Hashem. E como está escrito, “Os caminhos de Hashem são retos, e os justos andam neles enquanto os pecadores neles caem” (Hoshêa 14:10). Então, quando a pessoa anda em retidão fazendo tsedacá (aonde retidão, justiça e caridade em Hebraico, todas têm a mesma raiz), ela é permitida de se sentar no “Trono do seu reino”, ou seja, de ter uma vida abençoada, equilibrada e em paz. Os ímpios andam em remorsos, caos e vazio interior. Suas vidas nunca têm paz. E este verso de Shmuel/Samuel ensina também, kevori leneguéd einav, “De acordo com a minha pureza em Seus olhos”. Na medida em que a pessoa faz tsedacá ela se retifica, e deste modo purifica sua alma que é vista por completa por Hashem, e singularmente em Rósh Hashaná, o Dia do Juízo, quando todas as criaturas passam pelo Juiz Supremo: uma a uma para sempre julgadas se serão inscritas no “Livro da Vida” ou não. E a guemátria deste verso (187) também é igual ao nome אליועיני Elioenái, que significa: “Para D-us [soletrado Yud-Kei, mas falamos Kah] meus olhos” (Ezra 10:22). Portanto, a pessoa que entrega “seus olhos” para Hashem, buscando um caminho digno, evitando o fitar nas coisas proibidas, é positivamente vista pelos “olhos de D-us”, como dito no passúk/verso de Shmuel. E nosso sábios da Torá ensinam, וישב ה’ לי כצדקתי “Anule a sua vontade diante da vontade d’Ele”… כדי שיבטל רצון אחרים מפני רצונך “para que Ele anule a vontade dos outros diante da sua vontade” (Pirkêi Avót). Os olhos representam toda a captação da realidade material, preenchida pela sítra áchra. Quando a pessoa anula seus olhos e busca ver apenas o que é correto e santo, ela de fato rebaixa sua má inclinação e dá forças ao Reino do Céu, ao próprio Rei do Mundo. E então, sua vida não é prejudicado pelos perversos, e seu reino/malchut é cuidado e permitido de existir por Hashem Ele mesmo. E veja, a guemátria ordinal de “Anule a sua vontade diante da vontade d’Ele” é 210, a mesma do nome וצדק Iohtzadak, “Kah é reto/justo/caridoso” (Ezra 5:2), e a guemátria katán de “para que Ele anule a vontade dos outros diante da sua vontade” é 105, a mesma do nome מלכיה Malkiah, “Kah é Rei”.

כְּתִיבָה וְחֲתִימָה טוֹבָה
K’tiva ve chatimá tová
Que vocês sejam inscritos no Livro da Vida, amém.
שָׁנָה טוֹבָה וּמְתוּקָה
Shaná Tová u’metuká, Um ano bom e doce.

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ESCOLHA A VIDA

E está escrito: העדתי בכם היום את-השמים ואת-הארץ החיים והמות נתתי לפניך הברכה והקללה ובחרת בחיים Haidoti vachem hayóm et-hashamáyim veêt-haárets hachayím vehamavêt natáti lefanêicha haberachá vehaklalá uvachárta bacháyim, “Tomo hoje os céus e a terra por testemunhas contra vós, que tenho dado perante vós a vida e a morte, a bênção e a maldição; ‘escolha a vida’ etc.” (Devarim 30:19, Nitsavim). Agora, diz o profeta: כי הלבישני בגדי-ישע מעיל צדקה Ki hilbisháni bigdêi-yeshá meíl tsedacá, “Porque me cobriu com vestes de salvação e Me envolveu com o ‘manto da justiça'” (Isaías 61:10). A Torá ensina que Avraham avinu (“o patriarca Abraão“) foi o protótipo de chésed/bondade, dando tsedacápara as pessoas. Ele foi o pilar moral que o mundo se sustentava. A sua vida foi uma de se importar com os outros e de ajudá-los com tsedacá de várias maneiras. E por sua vez, esta maneira de viver o ergueu e vitalizou a níveis extraordinários. E graças a isso, Hashem considerou todos os seus atos virtuosos como pura tsedacá (ver Bereshit 15:6), dotando Avraham com um espiritual meíl tsedacá – um “manto de justiça” santo – para assim coroar a “completude de seus anos” (ver Bereshit 25:8). Uma dica disso, a guemátria atbash de מעיל צדקה meíl tsedacá é a mesma da guemátria absoluta de חיי אברהם chái Avraham, “A vida de Avraham“. Verdadeiramente, tsedacá é vida! Mais ainda, בחרת בחיים vachárta bacháyim, “Escolha a vida”, tem guemátria atbash 814. Este é o mesmo valor numérico que a guemátria milúi (“soletrar/preencher”) do Nome de D-us Sha-dái (shin-yud-nun, dalet-lamed-tav, yud-vav-dalet, ou [300+10+50] + [4+30+400] + [10+6+4] = 814). O Nome Sha-dái também corresponde ao nível na Divindade chamado de Shechiná (“Presença Divina”). Quando a pessoa dá tsedacá ela literalmente “escolhe a vida”, pois se conecta diretamente com a Shechiná, a Origem de toda a vida no universo. E assim foi com o patriarca Avraham**, e também pode ser com qualquer um, amém.

* Na verdade não é uma palavra que é melhor traduzida do Hebraico como “caridade”, mas sim como justiça. Quando ajudamos alguém com tsedacá, estamos de fato usando o “manto da justiça”.
** No primeiro contato que Hashem fez com Avraham (Bereshit 15:1), a Torá usa o Nome Santo Sha-dái/Todo Poderoso (ver também Zohar 88b, Lech Lechá).

 

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O DIVINO “DNA 98”

E está escrito nesta parashá santa: ‘ארור האיש אשר יעשה פסל ומסכה תועבת ה Arúr ha-ísh ashér ya’assê féssel umasechá toavát Hashem, “Maldito o homem que fizer imagem de escultura ou de fundição, que é coisa abominável ao Eterno” (Devarim 27:15, Ki Tavô). Nesta parashá, Moshé rabêinu/nosso mestre traz as temerosas 98 Klalót/Maldições para o Povo – para aqueles que desobedecem a Hashem e Suas leis. A promessa destas maldições é dura e severa, e inicia em primeiro lugar amaldiçoando aqueles que fazem qualquer espécie de ídolos (em Hebraico, féssel): Arúr ha-ísh ashér ya’assê féssel. Esta maldição é reflexo espiritual da grande queda do Povo, quando alguns indivíduos das nações que se misturaram com o novo povo de Israel que saia do cativeiro do Egito (ref. Shemot 12:38), quiseram literalmente “ver um deus”, pois não tinham fé no Criador Supremo, imaterial e onipotente. Eles desejaram um ídolo material para adorar. Agora, o fundamental ato primeiro que iniciou o erro do povo é assim descrito na Torá: ויתפרקו כל-העם את-נזמי הזהב אשר באזניהם ויביאו אל-אהרן Vayitparku kol-há-ám et-nizmêi ha-zahav ashér be-ôzneihem, vayaviu el-Aharon, “E todo o povo tirou os aros de ouro de suas orelhas e os levaram a Arão” (Shemot 32:3). Estes indivíduos confusos doaram o seu tesouro pessoal para que o bezerro de ouro fosse forjado. Através desta ação nefasta eles começaram a se desviar de Hashem. Este caminho sinistro foi conduzido pelo próprio Satán, que influenciou (e ainda assim o faz) as mentes baixas e infantis a se corromperem por completo através do adorar de deuses inferiores e outros pecados. Veja, a guemátria absoluta do sofêi tavót/letras finais deste verso, mais o kolel, é 131, a mesma de Samakél (samech-mem-alef-lamed, 60 + 40 + 1 + 30 = 131), o nome angelical do Satán. Verdadeiramente, tudo existe na Torá em níveis infinitos, pois ainda que aqui o povo iniciou a sua queda derradeira para a idolatria (temporária), também aqui é codificada uma dica santa da sua própria punição. Veja, a guemátria do rashêi tavót/acróstico (וכהאנהאבואא) deste passúk/verso (Shemot 32:3) é 98, o número exato de maldições mais tarde anunciadas na parashá Ki Tavô.

Agora, a origem da rebelião teimosa contra Hashem e que é a essência de toda e qualquer forma de idolatria – seja no adorar de um homem, animal, estátua, astros, etc. – é algo antigo. Ainda que a Torá nos informe sobre Enósh, o neto de Adam, que começou a adorar os astros e ídolos (ver Ráshi no Bereshit 4:26), a raiz deste mal maior é ainda anterior a isso. E de fato, o verso sobre os “aros de ouro” revela também a origem deste mal que encarnou nos homens e espalhou seu veneno geração após geração, pois a sua guemátria katán é 161, o mesmo valor numérico de קין Caín (mais o kolel, ou seja, kuf-yud-nun, 100 + 10 + 50 + 1 = 161). E o verso diz sobre o perverso Caín: ‘ויהי מקץ ימים ויבא קין מפרי האדמה מנחה לה Vayehi mikêts yamim vayave Kayin mipri ha-adama mincha la-Hashem, “E foi no fim de dias e Caín trouxe uma oferenda ao Eterno do fruto da terra” (Bereshit 4:3). Esta oferenda de Caín foi do nível de qualidade mais inferior possível (ref. Bereshit Rabah 22:5), para ele assim cumprir minimamente a sua obrigação perante D-us. E Caín era rebelde e teimoso, e não desejou estar próximo d’Ele. De fato, o santo Zohar (Bereshit 54a) traz que Caín era ligado diretamente a sítra áchra, o lado do mal. Vemos isso na maneira em que a Torá traz o verso, pois é dito Vayehi ‘mikêts’ etc. Mikêts significa “No fim”, e o Zohar explica que este é o domínio do Anjo da Morte (o Satán), como foi no tempo da destruição total da geração do dilúvio, assim como está escrito: ויאמר אלקים לנח קץ כל-בשר בא לפני Vayomer Elokim l’Nôach ‘kêts’ kól-bassár ba lefanai, “Então D-us disse a Noé: ‘O fim de toda criatura [que virá através do Anjo da Morte] se apresentou perante Mim’ (Bereshit 6:13). E o verso קץ כל-בשר Kêts kól-bassár, “O fim de toda criatura” tem guemátria atbash 364, o mesmo valor numérico de השטן ha-Satán. E vemos que é por isso que o verso que fala do tipo de oferenda que Caín fez traz também o “DNA Divino” novamente sobre a grande admoestação que viria mais tarde: as maldições para todos que não cumprem as leis de Hashem. Veja, a guemátria katán deste verso (sobre Caín) é 93, mais cinco para o kolel de cada uma de suas cinco palavras, temos então o valor de 98 (maldições).

A Torá é perfeita e sempre coerente e todos os seus infinitos níveis. O número de maldições é um código que se repete por todo o Tanach, sempre na mesma temática. Isto é uma verdade absoluta para os infinitos códigos da Torá. O profeta Shmuel/Samuel admoestando Shaul ha-mélech/Rei Saul por não ter obedecido a Hashem diz: כי חטאת-קסם מרי ואון ותרפים הפצר יען מאסת את-דבר ה’ וימאסך ממלך Ki chatatkesém meri veaven uterafim hafetsar yaan maasta et-devar Hashem vayimascha mimelech “Porque a rebelião é como o pecado da feitiçaria, e a teimosia, como iniqüidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Eterno, Ele te rejeitou como rei” (Shmuel I 15:23). E a guemátria katán de Ki chatatkesém meri veaven uterafim (“Porque a rebelião é como o pecado da feitiçaria, e a teimosia, como iniqüidade e idolatria”) é 92, mais seis para o kolel de cada uma das seis palavras, temos o valor de 98 (maldições). Por fim, quando examinamos a primeira maldição desta parashá Ki Tavô, que afinal trata do pecado de idolatria, vemos novamente algo consistente e ainda sim supreendente. O rashei tavót de ארור האיש אשר יעשה פסל (“Maldito o homem que fizer imagem de escultura”) são as letras אהאיפ, com guemátria absoluta 97, mais um do kolel, igual a 98 (maldições). Existem muitos outros segredos aqui, mas por hora, eis o que importa: É tempo de acordar e buscar viver uma vida digna e reta, com a ajuda de Hashem, amém.

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A ARTE DA GUERRA

E está escrito, “Quando saíres à guerra contra os teus inimigos, e o Eterno, teu D-us, os entregar em tuas mãos, e deles levares cativos, e vires entre os cativos uma mulher formosa, a desejares e a tomares para ti por mulher, então a trarás para dentro de tua casa, e ela raspará a sua cabeça e deixará crescer suas unhas. E tirará o vestido de seu cativeiro de sobre ela, ficará em tua casa e chorará a seu pai e a sua mãe um mês, e depois estarás com ela, desposá-la-ás e será para ti por mulher” (Devarim 21:10-13, Ki Tetsê). Grandes segredos são ocultos nestes versos da Torá. Veja, o homem bom, que é ligado às coisas de D-us, sempre precisa estar de guarda, pois afinal, “na porta jaz o pecado” (Bereshit 4:7). E quando este homem, que busca servir a D-us, sai e se defronta com o mundo repleto de perigos espirituais, ele se vê diante de uma guerra, assim como dito, “Quando saíres à guerra contra os teus inimigos…”. E nestes caminhos da vida, quando ele colide com os inimigos de D-us, que são de incontáveis espécies e naturezas distintas, muitas vezes nestas batalhas “O Eterno, teu D-us, os entrega em tuas mãos, e deles levas cativos”, a saber, a pessoa “prende” os malfeitores, subjugando-os. Isso ocorre quando ela não cede de forma alguma às pressões que estes bandidos espirituais exercem através de suas seduções, porque esta resistência à transgressão remove a força-vital que os nutre. Contudo, quando o indivíduo exerce este domínio nos inimigos, algum aspecto destas forças malignas poderá sobreviver em seu coração e mente. Isto é assim, pois este terá sido um aspecto particular do inimigo que se uniu com a própria natureza imperfeita e desejos não retificados deste homem, e de modo tão íntimo, que então este poder continua em algum grau e nível a ecoar na sua mente e vontades mais interiores. Isto é chamado de “E vires entre os cativos uma mulher formosa, a desejares e a tomares para ti por mulher”. Veja, “desejar tomar por mulher” é um código místico para a intensa vontade de se dar vazão ao desejo despertado pelo força maléfica que se investiu na pessoa quando ela presumiu prematuramente que já a tinha derrubado e eliminado. E a Torá ensina o que fazer com este desejo pelo indevido, que enfim começa a crescer dentro da pessoa: “Então a trarás para dentro de tua casa, e ela raspará a sua cabeça e deixará crescer suas unhas”. A pessoa deve identificar esta força que a assola para que este inimigo cruel não mais se oculte nela, porque somente depois de identificá-lo será então possível lutar frontalmente contra ele. Saiba que este ímpio buscará se ocultar nas racionalizações e desvios de consciência da pessoa, pois é sabido que a luz das ações retas e dignas da Torá remove toda a escuridão. Portanto, é da natureza deste poder nefasto alojado no coração do homem (e que sobreviveu ao confronto inicial que afinal o “trouxe para dentro de tua casa”, a saber, de seu coração), que ele busque ficar removido de qualquer escrutínio moral, protegendo e ignorando desta forma o inimigo que se oculta nas trevas da psiquê. E destas trevas, ele sussurra “vozes estranhas” com a intenção única de seduzir a pessoa para que ela venha a pecar. E podemos ver o cerne deste combate interior nas palavras da Torá: והבאתה אל-תוך ביתך וגלחה את-ראשה ועשתה את-צפרניה Vahaveta el-toch beitecha veguilcha et-rosha veasta et-tsiparneiha, “Então a trarás para dentro de tua casa, e ela raspará a sua cabeça e deixará crescer suas unhas”. A guemátria ordinal de Vahaveta el-toch beitecha é 138, a mesma de מחץ “machucar/quebrar”, enquanto que a guemátria katán de veguilcha et-rosha veasta et-tsiparneiha é 101, a mesma de אכף achaf, “pressionar/esmagar”. E por fim, a guemátria ordinal de והבאתה אל-תוך ביתך וגלחה את-ראשה ועשתה את-צפרניה “Então a trarás para dentro de tua casa, e ela raspará a sua cabeça e deixará crescer suas unhas” é 491, a mesma de טבחת tavachta, “abater/matar”. A força alojada é revelada no coração o que imediatamente expõe suas fraquezas, “machucando e quebrando” seu poder. Depois, quando a pessoa busca extirpar este mal interior, este desejo retificado “pressiona e esmaga” este mal como um inseto. E esta guerra então tem o desfecho final, “abatendo e matando” sem piedade qualquer resquício final desta praga. E quando isso ocorre, a roupagem espiritual desta força é removida, assim como dito, “E tirará o vestido de seu cativeiro de sobre ela, ficará em tua casa”, e este poder maligno caído e agora sem forças, clama por misericórdia: “E chorará a seu pai e a sua mãe um mês”, que são as fontes de seu poder na sítra áchra (“o lado do mal”). E somente então, quando expurgado este mal, o bom homem recebe a bênção pelo seu feito heroico, e a fagulha divina deste mal é nele incorporado, elevando-a e a ele também, assim como é dito: “E depois estarás com ela, desposá-la-ás e será para ti por mulher”. E foi assim que certa vez (em 26 de Nissán 5771) eu vi as letras kuf-lamed-hei-nun sofít brilharem na testa de um melámed (“professor” na escola judaica), muito especial, religioso e digno. E quando meditei entendi que o tserúf/anagrama destes letras em Hebraico formavam a palavra niklah (nun-kuf-lamed-hei), significando humilhado/degradado (como no Devarim 25:3, nesta parashá santa). Verdadeiramente, este homem reto havia travado uma grande luta interior, humilhando e degradando a sua má inclinação. E agora, pelo poder Divino, a sua alma refletia estas luzes de vitória abençoada.

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RECEBIMENTO

E está escrito: ראשית דגנך תירשך ויצהרך וראשית גז צאנך תתן-לו Reshit degancha tiróshcha veyitsharecha vereshit guez tsoncha titen-lô, “As primícias de teu grão, de teu mosto e de teu azeite, e a primícia da tosquia de tuas ovelhas, darás a Ele” (Devarim 18:4, parashá Shofetim).  Agora, existe um aspecto quântico sobre o desenvolvimento (binah) de uma ideia (chochmah), que será explicado com a ajuda do Céu. Veja, cada desenvolvimento de uma ideia altera os insights (ou seja, os “grãos”) originais desta, mesmo se existindo um forte desejo e foco para tentar preservar estas iluminações primárias e tão puras. Isto é assim, pois algum desvio sempre ocorre uma vez que binah é a origem dos julgamentos (guevurah). Ou seja, esta força intelectual-racional de binah separa/julga “entre” (bêin em Hebraico, e a raiz da palavra binah) uma ideia e outra, alterando assim a luz inicial de chochmah. É por esta razão que o resultado de algum entendimento de Torá é sempre diferente da visão intuitiva (chochmah) sobre estas luzes antes de sua descida para serem “julgadas”, ou seja, desenvolvidas racionalmente pela mente.

Agora, a física quântica, através do princípio de incerteza de Heisenberg, afirma que não podemos determinar com precisão simultânea a posição e o momento de uma partícula, deste modo, quanto mais precisamente se mede uma grandeza, forçosamente mais será imprecisa a medida da grandeza correspondente. Em outro nível, ao tentar trazer as iluminações de chochmah (insight/intuição) para “baixo” (ou seja, para o intelecto racional/binah), elas mesmas são afetadas e alteradas, portanto não é possível ter a ideia no nível de chochmah e binah simultaneamente, sem que haja algum desvio como explicado. Quando estas luzes elevadas chegam em binah, por assim dizer, elas lá fazem “sentido” mesmo diante da impossibilidade de capturar totalmente os insights de chochmah. De fato, elas geram inclusive emoções que surgem decorrentes do perceber nas diferenças entre os níveis mentais de chochmah e binah. Isto é assim, pois neste nível de expressão, a raiz intelectual destas emoções ainda é consciente em algum grau e nível. Ou seja, estas primeiras emoções que surgem a partir de uma ideia compreendida, tem raiz direta, portanto, perceptível ainda na própria ideia – como se a emoção fosse “consciente” de sua origem no intelecto. Quando buscando interpretar o entendimento de Torá, o indivíduo faz uso destas emoções para assim tentar “capturar” aspectos mais puros de chochmah que possam estar sendo modificados no grau de binah/racional. Desta maneira, a pessoa se “recusa” a aceitar imediatamente o seu próprio processo racional, buscando níveis mais altos e intuitivos. Contudo, esta dinâmica intelecto-emocional não significa necessariamente que as tentativas subsequentes tenham o sucesso ideal desejado de conseguir identificar e explorar as inspirações originais, pois novamente, estas tentativas também afetam a compreensão (e sua expressão na fala, escrita etc.) do entendimento de Torá, assim como explicado também sobre o princípio de incerteza de Heisenberg. Mas, o esforço emocional na tentativa de garantir a integridade das luzes originais é vital, pois isto é uma luz ela mesma que é chamada de Ór Hozer (“A luz que retorna/refletida”). De fato, ela retorna ao “alto” e se difunde na mentalidade mais elevada, afetando assim a mente, chegando até ao nível mais alto do intelecto que é kéter – a origem das vontades. Este é um processo fundamental de amadurecimento em geral e também da própria ideia enraizada na kedusha/santidade do estudo e revelações da Torá em questão. Deste modo, quando a luz dos insights toca o nível emocional, por assim dizer, ela retorna para o séchel/intelecto no grau de chochmah com novo vigor – reenergizado e expandindo/amadurecendo o séchel. Isto não significa que a mesma estrutura mental possa ser integralmente recuperada, mas sim que novas vertentes dos insights poderão ser reveladas devido à expansão da mente causada pela Ór Hozer, ou até mesmo novos insights dentro da mesma estrutura original, causados por um novo fluxo. Em última instância, a matriz original (ou seja, as primeiras ideias que formaram o pensamento sobre um assunto em questão) se expande antes de ser desenvolvida em binah. Isto é amadurecer. É importante afirmar que a inspiração essencial de chochmah não é perdida, baruch Hashem. E por isso o tempo é (praticamente) irrelevante para o indivíduo conectado com a Torá em termos da lembrança da estrutura original das ideias. E a pessoa pode então guardar esta matriz na mente, pois ela detém os pontos de luzes essenciais. O desenvolvimento no nível em que ele ocorrer, opera então como uma ferramenta intelectual que “abre e expande” estes insights originais mesmo em um tempo posterior, sempre que necessário se D-us quiser.

Agora, quando esta intensa dinâmica mental é unicamente causada pela ligação sincera e profunda do indivíduo com o estudo da Torá sem vestígio algum de motivos ulteriores (como a busca por sabedoria, kavód/desejo por reconhecimento etc.), então todas as “sementes originais” do pensamento representam uma real oferenda a Hashem. Elas então são literalmente as “primícias de teu grão, de teu mosto e de teu azeite, e a primícia da tosquia de tuas ovelhas”, entregues em devoção passional a Hashem, pois elas “darás a Ele” em primeiro lugar. E quando isso ocorre, a pessoa então recebe entendimentos do Céu, o reflexo da bênção de Hashem que ilumina a pessoa. E somente quando isto ocorre, existe real “recebimento”, que em Hebraico é קבלה Cabalá, com guemátria absoluta 137, a mesma da guemátria katán de todo o verso sobre as primícias.

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ABRINDO OS OLHOS DA MENTE

O aluno principal do Ari”zal, o Rabino Chayim Vital, de abençoada memória, ensinou: “Meu mestre, o Ari’zal, disse que cada mandamento é associado com uma das 22 letras do alfabeto Hebraico, e que quando alguém cumpriu uma mitsvá, a letra associada com aquela mitsvá brilha na sua testa, substituindo a letra que brilhava na sua testa relativa a mitsvá anterior que ele cumpriu. A letra permanece na sua testa somente enquanto ele está cumprindo a mitsvá com a qual ela é associada. Depois disso, ela é absorvida dentro dele. Mas, se ele cumpre a mitsvá de tsedaca, a letra associada a ela não desaparecerá rápido quanto as letras associadas com outras mitsvót, mas sim, continua a brilhar na sua testa por toda a semana. Este é o sentido místico do verso וצדקתו עמדת לעד Vetsidkatô omédet la’ád, ‘Sua retidão [tsedacá] dura para sempre’ (Tehilim 111:3”. Agora, a tsedacá vai ainda mais longe, por assim dizer. Quando a pessoa faz tsedaca, a sua própria consciência é enaltecida e expandida, literalmente. A ela se torna mais claro, em algum nível e grau, vários aspectos sobre a realidade que encobre às verdades espirituais da Torá. A pessoa se torna mais espiritualmente sensível e elevada. E veja, a guemátria absoluta do Tehilim citado, Vetsidkatô omedêt la’ad, é igual a 1224. Este é o mesmo valor numérico do verso אכן יש ה’ במקום הזה ואנכי לא ידעתי Achên yesh Hashem bamakóm hazé veanochí lô yadáti, “Certamente o Eterno está neste lugar, e eu não sabia” (Bereshit 28:16), dito quando Ya’acov despertou de seu sono (após sonhar com a escada). Deste modo, podemos interpretar este verso e a sua ligação com a tsedacá da seguinte maneira: quando a pessoa dá tsedacá, ela então “desperta do sono”, que representa a realidade inconsciente e que encobre as verdades da Torá. E através deste despertar, ela então alcança um nível espiritual maior para assim perceber que, “Certamente o Eterno está neste lugar, e eu não sabia”, ou seja, antes de ter feito tsedacá. E quando a pessoa cresce espiritualmente ela então terá maiores condições de seguir o que Hashem instrui nesta parashá santa: ראה אנכי נתן לפניכם היום ברכה וקללה Reê anochí notên lifnêichem hayóm berachá u’kelalá, “Veja [literalmente]: Eu coloco diante de você uma bênção e uma maldição etc.” (Devarim 11:26. parashá Reê). Verdadeiramente, os “olhos da mente” se abrem através da tsedacá, algo muito sabido pelos iniciados.

Aula recomendada: REÊ 5771

 

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AFUGENTANDO OS ÍMPIOS

E está escrito: ואכלת את-כל-העמים אשר ה’ אלקיך נתן לך לא-תחוס עינך עליהם ולא תעבד את-אלהיהם כי-מוקש הוא לך Veachalta et-kol-haamim asher Hashem Elokeicha noten lach lo-tachos encha aleihem velo taavod et-eloheihem ki-mokesh hu lach, “E consumirás todos os povos que o Eterno, teu D-us, te entregar; teus olhos não terão piedade deles e não servirás aos seus deuses, pois isto seria por cilada para ti” (Devarim 7:16, Êkev). Mesmo os judeus cumpridores das mitsvót e tementes a D-us podem ser afligidos pelos machshavót zarót – os “pensamentos estranhos” que provêm do lado do “mal que cerca os justos” (ref. Tehilim 37:32), “bombardeando” os homens durante as orações e outros atos retos. Misticamente, os machshavót zarót são o aspecto da força espiritual das outras nações do mundo. E como é possível então subjugar estes pensamentos que distraem toda a pessoa ligada a Torá do seu serviço a D-us ? De fato, continua esta parashá santa, “Se disseres em teu coração: ‘Estas nações são mais numerosas do que eu, como poderei desterrá-las?’” (ibid. 17). É preciso se lembrar que Hashem rebaixou a sítra áchra/o domínio do mal no cativeiro do Egito, e ao rebaixar estas forças nefastas, o Povo de Israel viu com seus olhos da carne as maravilhas e milagres que se revelaram para eles. E num aspecto disso, a pessoa precisa usar a força de sua imaginação retificada para enxergar estas luzes santas com os olhos da mente. Verdadeiramente, Ele é o D-us único que cuida daquele que O teme. E assim como continua a parashá, “Não as temerás! Lembrar-te-ás do que o Eterno, teu D-us, fez ao Faraó e a todo o Egito; as grandes provas que os teus olhos viram, os sinais, os milagres, a mão forte e o braço estendido com que o Eterno, teu D-us, te fez sair; assim o Eterno, teu D-us, fará a todos os povos aos quais temes” (ibid. 17-19)”. O poder de Hashem cuida e abençoa o indivíduo reto com estas “luzes” – fluxos de bênçãos de redenção – que assim “empurram e abatem” os ímpios – de dentro e de fora da pessoa – rebaixando e afugentando-os em seu profundo temor do Povo de Israel (que á mentalidade retificada) e também dos que amam e protegem estes santos. Afinal, este é o povo que recebeu tantas instruções santificadoras da Torá, como להבדיל בין הטמא ובין הטהר ובין החיה הנאכלת ובין החיה אשר לא תאכל “Para separar entre o impuro e o puro, e entre o animal que é para comer e o animal que não se deve comer” (Vayicra 11:47), de guemátria absoluta 2166, a mesma de ואכלת את-כל-העמים אשר ה’ אלקיך נתן לך “E consumirás todos os povos que o Eterno, teu D-us, te entregar”.

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EXPELINDO O MAL

E está escrito: כי יביאך ה’ אלקיך אל-הארץ אשר-אתה בא-שמה לרשתה ונשל גוים-רבים מפניך החתי והגרגשי והאמרי והכנעני והפרזי והחוי והיבוסי שבעה גוים רבים ועצומים ממך Quando o Eterno, teu D-us, te levar à terra à qual tu vais para herdá-la, e lançar fora muitas nações de diante de ti – o Hitêu, o Guirgashêu, o Emorêu, o Cananêu, o Perisêu, o Hivêu e o Jebusêu, 7 nações numerosas e mais fortes do que tu” (Devarim 7:1, Va’etchanan). E sobre este verso, ensinou o Ba’al Shem Tov: “Quando tentado a cometer um pecado, que D-us não permita, recite os passukim/versos do pecado em questão. Cantem eles com suas entonações e pontuações, com temor e amor a D-us, e a tentação o deixará. Quando tentado por um traço negativo, que D-us não permita, recite com toda a sua força, com temor e amor a D-us, os nomes das seis nações, um após o outro” (Tzava’at Harivash 13).

Sete nações habitavam a Terra de Israel antes do Povo Judeu lá chegar. Elas eram moralmente corruptas e foram expelidas como trazido na santa parashá Va’etchanan. E como tudo que existe na kedusha/santidade tem contrapartida na tumah/impureza, estas nações misticamente representam as sete midót/características da personalidade da sitra achra/o lado do mal relativas as sete midót da kedusha. Com perplexidade vemos que o Ba’al Shem Tov ensina no seu texto somente sobre seis das nações, mas não sete. De fato, os Guirgashêus são de certa forma excluídos, apenas porque eles fugiram covardemente da terra santa antes que o Povo de Israel os expelisse. Misticamente, eles representam a sefirah de malchut da sitra achra, o último dos atributos de caráter. Como malchut recebe “tudo de cima” e age como um filtro espiritual das sefirót, a correção das seis sefirot da sitra achra relativas às seis nações mencionadas pelo Ba’al Shem Tov implica “automaticamente” na correção do nível final de malchut. Portanto, temos sim sete nações no total que representam os sete traços arquétipos negativos das nações do mundo. E a guemátria absoluta das sete nações como citado na parashá, החתי והגרגשי והאמרי והכנעני והפרזי והחוי והיבוסי “o Hitêu, o Guirgashêu, o Emorêu, o Cananêu, o Perisêu, o Hivêu e o Jebusêu” é igual a 1865, sendo este o mesmo exato valor numérico do passúk/verso que alerta o Povo de Israel para não ter contato ou aliança com estes povos completamente impuros: לא-תכרת להם ולאלהיהם ברית “Nem com eles nem com seus deuses farás alianças” (Shemot 23:32). Além disso, a Torá ensina que a base do mundo são as 70 nações que vieram de Nôach (Bereshit Rabah 39:11 etc.), sem contar o Povo de Israel que foi afinal formado somente no Êxodo do Egito. E o sofêi tavót/letras finais das sete nações arquétipas do mal que aparecem na parashá são sete letras yud, e que tendo valor numérico de 10 cada um, implica, portanto, no total numérico de 70. As conclusões sobre isso são evidentes aos iniciados.

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AS APARÊNCIAS ENGANAM

Hoje, 5 do mês de Av, na parashá Devarim, celebramos o Yarzheit – o dia do falecimento – do mestre maior da Cabalá, o Ari”zal (1534-1572). O livro Shivchei HaArizal, que relato histórias extraordinárias da vida do grande mestre, traz a história do neto do Rabino Ya’acov Berab, o Rabino Ya’acov Abulafia, conhecido como um chacham hakahal/sábio da comunidade. Ele se preparava para uma viagem ao Egito e foi antes visitar o Ari”zal que o concedeu com uma carta de recomendação para os dirigentes no Egito. Ele se uniu a uma caravana de camelos para cruzar o deserto do Sinai, que ao chegarem a um oásis, foi descansar. E quando acordou estava sozinho e se alarmou. Pegou o seu asno e ainda que corresse, não alcançou a caravana. Colocou sua confiança em Hashem e rezou: “Ainda que eu siga pelo vale das sombras da morte nada temerei, pois Tu estarás comigo” (Tehilim 23). Avistou de longe um rebanho de touros conduzido por um pastor e em tempo, viu-se diante de um estranho espetáculo: o tal homem batia no rebanho sem misericórdia até que ele mesmo se convertia em um dos toros e eles também subitamente mudavam as suas formas que viravam humanas e que agora batiam cruelmente nos que estavam na forma animal e assim por diante. Este espetáculo continuava com as formas alternando como explicado. Os homens-touros imploraram que o Rabino Ya’acov pedisse para o Ari”zal ajudá-los a terminar este terrível sofrimento, que mais tarde, quando o Rabino Ya’acov retornou a Tzfat e foi ver o Ari”zal, este o ensinou o que fazer para ajudá-los.

Esta história é muito importante, pois prova um assunto que é oculto na realidade e que somente os cabalistas os conhecem, e as forças do mal também. O assunto é sobre shapeshifting (“alterando a forma”). Estamos falando da habilidade de alteração da forma física para outra, totalmente diferente. Este é um assunto extenso, e nem tudo pode ser aqui revelado. Aqui, não está se referindo às trocas de “vestimentas” dos anjos – que assumem a vestimenta/corpo humano, assim como está o Tanach descreve várias vezes, de acordo com as leis naturais do nosso universo físico – mas sim da capacidade de alterar a aparência com total controle de modo a assumir outra forma humana, ou de outra espécie animal ou ainda de uma entidade. Mais ainda, isso pode ocorrer involuntariamente, ao comando de outra pessoa também. O fato desta história ser afirmada sobre o Ari”zal mostra que foi um din/decreto de Hashem para punir estes indivíduos e uma verdade inegável. E como tudo que existe na kedusha/santidade tem contrapartida na impureza/tumah (ref. Eclesiastes 7:14), este mesmo processo de modo não sancionado foi e ainda é usado pelo lado do mal. E foi desta maneira que os Nefilim/Gigantes “desaparecerem”. O Zohar e outras fontes santas, inclusive nos Midrashim e o Sefer Chanoch etc. afirmam sobre a “Terra Interior” e suas passagens secretas, tal como em Hevron (em Machpelah) – daí a luta antiga e constante por esta região. O Zohar chega a dizer que existem sete camadas ou terras interiores. O Gan Éden existia em um destes níveis assim como o Guehinom em outro, com sol interior e tudo mais. Estes ambientes interiores contam com mais de 300 espécies de criaturas estranhas vivendo neste níveis diversos. E supostamente, estes seres do mal – os gigantes e shedim/demônios – adentraram a Terra Interior quando veio o Mabúl/Dilúvio e depois também etc. E eles continuam a atuar com a sua influência nefasta no mundo. O Sefer Chanoch garante que na era de Mashiach eles (e os anjos guardiões que atrapalham a vida do homem com suas influências desviadas do propósito original) serão todos punidos. Existem relatos – “lendas urbanas” – de pessoas vistas com “aspectos” reveladores de sua identidade oculta de shapeshifter, mas que podem ser percebidas por alguém com “olhos treinados”. Afirma-se, verdade ou não, que estes seres capazes de transformação são da mesma raça reptiliana do Serpente no Gan Éden: inteligente, astuto e capaz também de telepatia. Existe um “truque” telepático para identificá-los: se um for avistado (que D-us não permita), pensar em silêncio que a sua identidade secreta agora não é mais oculta. Isso deveria trazer alguma reação, portanto pode não recomendável. Enfim, este assunto demanda muita fé, ele está na nossa Torá e quem sabe algum dia eu revelarei mais, se D-us quiser.

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ESCOLHA A SUA JORNADA

Nesta parashá dupla, Matót-Maasêi, está escrito: אלה מסעי בני-ישראל אשר יצאו מארץ מצרים לצבאתם Ele massêi venei-Israel ashér yatsu meérets Mitsrayim letsivotam, “Estas são as jornadas do Povo de Israel, pelas quais eles saíram da terra do Egito com seus exércitos etc.” (Bamidbar 33:1, Maasêi). Vemos que a guemátria atbash do início deste passúk/verso, אלה מסעי בני-ישראל “Estas são as jornadas do Povo de Israel” é igual a 819, a mesma da guemátria absoluta de משמרת הקדש Mishmeret Ha-Kódesh, “Vigília Santa”. Esta expressão aparece primeiro na Torá de forma integral como Shomrei Mishmeret Ha-Kódesh, “Os Guardas da Vigília Santa” (Bamidbar 3:28). As jornadas que Hashem designou para o Povo de Israel representam os estágios ascendentes da vida, mas somente para aqueles que obedecem a “Vigília Santa” mesmo sem entender seu significado ou função. Ao se abnegar diante das mudanças e viagens impostas a cada um, o judeu se torna um que “guarda” os desígnios de Hashem. Ou seja, a proteção dos Céus unicamente paira para os que ouvem o chamado da ‘קול ה Kol Hashem, “Voz de D-us”, com guemátria absoluta 162, a mesma da guemátria ordinal do verso citado. E ainda que seja difícil levantar acampamento e partir em jornada quando os Céus assim determinam, ele se preenche de alegria e esperança que na mais nova mudança de local, enfim virá a redenção. Mais ainda, estas jornadas santas são um arquétipo para todos os homens do mundo que se ligam a Torá de modo apropriado, como vemos na guemátria katán deste verso sendo 45, a mesma de אדם adam/homem. De fato, o milui (“expansão”) do sofít tavót (“letras finais”, הייל) do verso אלה מסעי בני-ישראל “Estas são as jornadas do Povo de Israel” é הא יוד יוד למד, e que este milui tem guemátria 120, a mesma da guemátria absoluta de בני נח Bnei Nâoch, “Filhos de Noé“. Vemos que no aspecto da “final/sofit da expansão/milui” do Bnêi Israel/Povo Judeu encontram-se os Noéticos – não judeus que assumem de observar rigorosamente as “Sete Leis” da Torá para as Nações do mundo*.

Agora, a Torá ensina neste mesmo verso, a condição sine qua non para que as jornadas sejam abençoadas: o desligamento de Mitsrayim/Egito – a palavra código que significa “domínio do Mal”, ou seja, das idolatrias. Veja, o reshêi tavót (acróstico) de יצאו מארץ מצרים לצבאתם “eles saíram da terra do Egito com seus exércitos” é יממל (yud-mem-mem-lámed), de guemátria 120. Veja, o Nome Elokim (que corresponde as guevurót/severidades) compreende cinco letras (alef-lámed-hei-yud-mem), e cinco letras produzem 120 permutações: 5! = 5 x 4 x 3 x 2 x 1 = 120. E as diferentes permutações deste Nome Santo indicam todos os tipos dos vários julgamentos sobre as forças que derivam benefício do final da santidade (destas 120 permutações). Este é o domínio do Mal, e estes são os juízos severos das mazalót/constelações e planetas (ou seja, tudo que é ligado à astrologia), e em geral de qualquer espécie de “intermediários” na devoção do homem a D-us. Todas estas espécies do mal – estrelas, ídolos, pessoas etc. – são meras forças inferiores e limitadas chamadas de elohim achêirim (“deuses inferiores”) e que constituem a idolatria enraizada nestas permutações, negando o Um D-us. Se a pessoa acredita nestas impurezas ela perde completamente a proteção Divina misericordiosa e agora fica subjugada aos poderes baixos, e as suas jornadas que poderiam ser abençoadas se tornam meras “jornadas das estrelas” – os caminhos espirituais estranhos. E deste modo, ela não tem porção alguma da “Vigília Santa”, e é então regida somente pelas forças tolas dos fracos de mente e coração que compreendem a maioria no mundo. O julgamento Divino e alerta neste verso é visto aqui de outro modo também, pois a guemátria katán de אשר יצאו מארץ מצרים לצבאתם “pelas quais eles saíram da terra do Egito com seus exércitos” (que agora inclui a expressão אשר ashér, “pelas quais”), é 86 – a mesma da guemátria absoluta de Elokim.

 

* Isto significa que os noéticos se encontram no limite final da kedushá/santidade, quase em conjunção com o “outro lado”, como será explicado a seguir sobre a guemátria 120. Alegoricamente, é como se o final da kedushá representa uma cerca entre duas propriedades, por assim dizer. Os noéticos estão do “outro lado” da cerca, mas encostados nela.

 

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BOM HÁLITO

E como está escrito, פינחס בן-אלעזר בן-אהרן הכהן השיב את-חמתי מעל בני-ישראל Pinchas ben-Elazar ben-Aharon ha-kohen heshiv et-chamati meal bnei-Israel, “Pinchas filho de Elazar filho de Arão o sacerdote, desviou Minha ira de sobre os filhos de Israel etc.” (Bamidbar 25:11, Parashá Pinchas).

Traz o Zohar: “Através das ações humanas, a ishtemoda partsufa [‘forma espiritual’] é reconhecida pairando sobre as ações e em sua aparência… E na forma da face que paira sobre o indivíduo é aparente a face das chaiyot ha-kodesh [‘animais espirituais santos’] que reside sobre ele, seja a de um leão, um boi, uma águia ou um homem. Assim, seja a merkava [‘carruagem celestial’] do Sagrado Um, abençoado seja Ele e Sua Shechina/Presença Divina, ou do anjo chefe príncipe da Merkava perversa, o Samech-Mem/Satán, ou da Merkava dos quatro elementos do universo os quais não contêm nem as boas inclinações e nem as más inclinações, mas são como bestas comuns. Portanto, existem vários tipos de ‘hálitos’ nas pessoas, cada um de acordo com seu próprio tipo” (Zohar, Ra’ya Mehemna 4:42, Pinchas). Este Zohar, ainda que usando uma linguagem oculta é bastante claro e revelador. Assim eu o entendo, com a ajuda do Céu: Para o indivíduo reto e sensível espiritualmente, cada pessoa lhe revela na face sua força principal, seja ela do lado da kedusha/santidade, do lado da tumah/impureza, ou em algum estágio transitório intermediário. Através da força das suas ações, estes estados se firmam, por assim dizer, sendo que se do lado da kedusha, a pessoa se ilumina devido à Presença Divina que paira sobre ela. Neste mundo escuro, esta luz pode ter vários efeitos, não necessariamente excludentes: o de facilitar a influência para que os judeus façam teshuva/retornem aos caminhos da Torá, ou de receber forte rejeição devido à projeção do mal de outros bem menos elevados que sem saber, ficam diante desta luz que os cegam e incomodam, e seus egos explodem. Este é o assunto que explica a vida difícil dos neviím/profetas e dos bnei neviim/filhos dos profetas. Agora, se uma besta comum, provavelmente indica que esta pessoa é anda em uma ponte estreita sob um desfiladeiro, um passo em falso a mais, e ela pode cair e se ligar ao lado da tumah, cada qual com as suas características particulares e tipo. Neste abismo, criaturas horrendas e funestas de origem na merkava impura do Samech-Mem engolem o indivíduo que se torna um e todo ligado a uma (ou mais) destas formas temerosas impuras, assim representando-as no mundo físico, difundindo suas formas e tipos particulares de pecado associado a elas; contaminando tudo que toca, tanto a sua realidade particular como o mundo de modo mais geral. Veja, no início antes do pecado primordial, “Todas as criaturas de todos os mundos tremiam diante de Adam e o temiam, pois ele foi criado b’Tselem Elokim/na imagem de D-us” (Zohar 38a, HeichalotBereshit). De fato, “Quando as criaturas olhavam para o homem, encontravam sua forma espiritual sagrada nele impressa e assim, se preenchiam de temor que os fazia temer. Contudo, após pecar, o homem é transformado, sua aparência muda [literalmente], e agora são eles que temem e receiam o resto do mundo animal” (Zohar 71a, Nôach). Ou seja, “Pecar [degrada e assim] transfere domínio do homem para os animais, ele agora as temendo revertendo a ordem natural das coisas. Portanto, quando Nôach saiu da Arca, o Sagrado, abençoado seja Ele o abençoou como está escrito: ‘A Hashem abençoou Nôach e seus filhos etc.’ [Bereshit 9:1]” (ibid. Zohar). E por isso que em Sua incompreensível misericórdia, Hashem concedeu um “sinal especial” para erguer espiritualmente e assim proteger Cain das feras, a saber, dos homens arrogantes e impiedosos que vivem como bestas terríveis, pois “‘Após o pecado, Cain estava muito aterrorizado, pois ele viu diante dele figuras, como guerreiros armados vindo em sua direção para matá-lo’ [Zohar 36b, Bereshit]. Na sua capacidade de gigante espiritual caído, ele podia ainda sim ver aspectos do domínio espiritual, a saber, os mekatriguim [‘acusadores celestiais’] e mashchitim [‘espíritos destruidores’] que ele mesmo criou [resultado de suas ações, como explica o Pirkê Avót 4:11] Feliz é aquele que teme ao S-nhor e guarda os mandamentos da Torá” (Rab. A. Chachamovits, Darósh Darásh, págs. 109-110; 122).

E foi Pinchas o retificador quem “adoçou” a realidade e fez com que a praga sobre Israel cessasse (ref. Bamidbar 25:8, Parashá Balak). O povo foi balsamdo por ele. E qual o “hálito” deste justo, o seu cheiro doce e celestial? Veja, a guemátria avgad de seu nome inteiro, פינחס בן-אלעזר Pinchas ben-Elazar é 742, sendo este o mesmo valor numérico da palavra בשמת besamet que significa a fragrância do bálsamo. Está tudo na Torá, se a pessoa abrir seus olhos e coração, que seja assim amém.

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ANIMAIS FALANTES

“E o Eterno abriu a boca da jumenta, e ela disse a Bilam: O que eu te fiz para que tu me batesse já 3 vezes?” (Bamidbar 22:28, Parashá Balak).

Toda verdade Divina pode ser compreendida por qualquer aspecto, dimensão ou particularidade desta mesma verdade. Isso se dá ao fato de que, as verdades Divinas são infinitamente conectadas e unidas, sem emendas. Emêt, “verdade” em Hebraico, é o “selo” de Hashem sobre tudo. Portanto, se é algo verdadeiro no Alto, será sempre verdade, aqui em baixo também. Desde modo, se observarmos a realidade com o objetivo de entendermos a essência desta realidade, ou seja, no aspecto das verdades da Torá, seja por qual ângulo se buscar, para os olhos sábios, estas observações revelarão a verdade mesmo se ela for mascarada pelas ilusões do mundo de mentiras. Dito isso, voltemos ao verso sobre o milagre da jumenta que falou. É sintomático que este milagre da Torá seja verdadeiramente o milagre mais trivializado na cultura secular. Sim, pois não faltam personagens em diferentes mídias, de natureza estritamente animal – deste ou d’outro planeta – que falam. Animais falantes representam uma maciça infestação da cultura comum secular, que é tão espiritualmente ignorante e amplamente permissiva, aplaudindo cada vez mais tudo que puder em algum grau ou nível desbancar a “posição arcaica” dos princípios bíblicos. Animais falantes são como “janelas” desta cultura sem D-us. Em sua extraordinária trivialização, e portanto, da aceitação como absolutamente natural, sujeita-se as crianças em formação de caráter aos princípios mais levianos e amorais do planeta. Basicamente, a mensagem oferecida por estas anomalias é muito clara: tudo “pode ser”, bastando imaginar sem limites. E os animais, alguns promovem, “não são tão diferentes assim de nós. Eles (quase que) têm os mesmos direitos, certo?”. Outros ainda afirmam: “O que se diz por aí, que D-us diferençou o homem do resto da criação através da capacidade humana exclusiva de expressão verbal inteligente, é pura balela. Não existem diferentes marcantes”. Aliás, a cultura herege no seu íntimo deseja inculcar cada vez mais estes princípios nefários, pois existe uma agenda oculta. Veja, a humanidade se aproxima rapidamente de quedas morais ainda mais terríveis do que se vê atualmente, ainda que de fato sejam estas degradações humanas muito mais antigas do que se conhece ou lembre. Por exemplo, no Bereshit (Gênesis) é relatado que a geração de Nôach (Noé) transgredia todas as cercas morais imagináveis. De fato, até mesmo os animais cruzavam entre as espécies inapropriadas, uma transgressão abominável da ordem moral que eles imitavam dos humanoides da época que assim o praticavam também. Na Torá, é sabido que pessoas ofereciam seus próprios filhos e filhas a um ídolo, através delas oferecidas jogadas vivas ao ídolo de metal incandescentes. Outros, como é trazido na parashá Pinchas (da próxima semana), idolatravam através da defecação. E muito antes disso tudo, práticas impensáveis de Sodoma e Gomorra (e que agora encontram apoio dos tolos acéfalos e suas fotos hipócritas com “cores do arco-íris”), se tornaram tão aceitas, que até governos querem que sobre elas seja ensinado material sancionado pelo próprio ministério da educação. E tudo isso e mais, está certamente voltando. Mas quem se importa?

Mas, retornando aos “bichinhos” que falam e infectam a psique das crianças de modo tão inócuo, assim se pensa, pergunto: Como poderão estas crianças crescer e acreditar que o cruzamento entre espécies é marcadamente inapropriado se seus desenhos e agora, suas crenças completamente fundamentadas na heresia, pregam justamente o bordão humanista liberal de “somos todos iguais”, inclusive os animais? Como há de um adulto crescer e atuar moralmente, com retidão, em um mundo tomado pela vontade de forças ocultas que almejam somente e unicamente a desintegração ético-moral da humanidade, e por fim, a destruição completa da civilização? Como pode-se esperar que adultos não busquem burlar todos os processos e sistemas da vida que eles se engajam, seja através da corrupção, do “jeitinho”, da dissimulação, etc. quando os “patriarcas” que “iluminam” as suas mentes infantis (ainda que adultos) gritam ousadamente contra o Criador?

Uma sociedade que trivializa largamente os milagres, eventos tão singulares, mostra na verdade raiva e afronta a D-us. Mascarado com cores doces e vozes deliciosas de “animaizinhos fofos”, as forças do mal controlam as mentes destes inocentes de hoje, que amanhã serão os corruptos e psicopatas que infectam todos os meios sociais. E um mundo que trivializa milagres, é um mundo que trivializa e desdenha o valor da vida: o maior dos milagres. Portanto, vemos que a verdade se revela, seja ela vista pela tromba ou pela cauda do elefante. Mas, por favor, não o elefante verde que fala, e nem o rosa que voa…

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OS JUSTOS OCULTOS

E está escrito, וימת אהרן שם בראש ההר Vayamat Aharon sham berosh hahar, “E Arão faleceu no topo da montanha” (Bamidbar 20:28, Chukat). De fato, este grande justo perfeito agora se ocultou para sempre. Agora, é dito pelos mestres santos da Torá (Talmud Sanhedrin 97b e Sukah 45b) que em todos os tempos existem 36 pessoais especiais ocultas no mundo, e que se não fosse por todas elas, mesmo que uma delas não estivesse aqui, o mundo terminaria. As duas letras em Hebraico para 36 são a letra lámed (valor numérico 30) e vav (valor numérico 6). Portanto, estes 36 indivíduos são chamados de Lámed Vav Tsadikim – os “Trinta e Seis Justos”. Agora, certa vez o Rav Simcha Schustal, de abençoada memória, respondeu a uma questão do Rav Elazar Shach, de abençoada memória, quem disse o seguinte: “Eu não compreendo como podem existir Lámed Vav Tsadikim em nossa geração. Existe tanto trabalho a ser feito no mundo, tantos assuntos que precisam de atenção urgente. Como pode um dos Lámed Vav Tsadikim permanecer escondido? Um reto não pode ter o luxo de se ocultar em seu dálet amót [‘quatro cúbitos’, uma referência do Talmud para o tamanho de uma página de estudos sobre a leis judaicas]. Ele precisa se fazer disponível para as massas de pessoas que buscam a sabedoria da Torá e seus direcionamentos”. E o Rav Simcha então deu uma resposta ao Rav Shach: “Os justos secretos em nossa geração não se escondem do público. Eles estão por aí para serem vistos por todos, estudando, rezando e fazendo tudo que eles sempre fazem com tzidkut [com o atributo de retidão e justiça]. Eles são tsadikim nistarim/ocultos não porque eles se escondem de nós, mas sim porque nós nos escondemos deles… É raríssimo que eles sejam convidados a falar em qualquer função etc. Eles nunca buscam fama… Eles apenas trabalham valentemente no vinhedo de Hashem”. E veja, a guemátria ordinal do pasuk/verso mencionado é 199, a mesma de צדקה tsedacá, que significa correto, retidão, integridade, bondade e piedade – todos atributos de Arão o צדיק tsadik, e dos justos do mundo também.

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COMO SOBREVIVER NESTES TEMPOS?

A diferença entre o estado atual das coisas e no futuro, é que enquanto nosso conhecimento é limitado e a escuridão rege o mundo, e através de nosso conhecimento tacanho, o aspecto da fé é perdido até que eventualmente a yetser hara/má inclinação tem controle e causa o homem de transgredir o desejo do seu Mestre. Precisamos então buscar ativamente ver e verificar o revelar do espírito da providência de Hashem através de milagres e as mudanças na ordem natural. Agora, no futuro quando a terra estiver preenchida com o conhecimento divino, e Hashem, Abençoado seja Ele, jorrar o Seu espírito sobre toda a carne (ref. Yoél 3:1), não existirá mais a necessidade de milagres e mudanças na ordem regular. Pelo contrário, esta regularidade através da “providência regular” declarará a própria glória de D-us e Sua proximidade, Abençoado seja Ele, de Suas criaturas. Como está escrito: “E Me farão um Santuário e Eu morarei entre eles” (Shemot 25:8, Terumah). O grande tikkún/retificação agora é o da submissão verdadeira à Providência Divina. Isto vem através da abnegação e confiança em Hashem, algo difícil, mas vital. E como está escrito, זאת חקת התורה Zot chukat haTorah, “Este é um chók/dogma/estatuto da Torá” (Bamidbar 19:2, Chukat). E a guemátria atbash deste verso é 800, a mesma de ישעתך yeshuatech, “Sua salvação” (Tehilim 35:3). Verdadeiramente, é deste modo de obediência aos chukim/estatutos e neste tempo atual, que todo indivíduo pode receber proteção e ganhar o recebimento das bênçãos de D-us que o sustenta e aos seus queridos. E então repito como dito para que por fim seja o coração inspirado: Fé não é o que você crê, não é algo teórico e filosófico somente, mas sim as ações retas que você toma baseadas na sua confiança em Hashem e em Suas leis.

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DESCONTAMINAÇÃO

E está escrito: ““Este é o estatuto da lei que o Eterno ordenou, dizendo: Fala aos filhos de Israel para que tomem em teu nome uma vaca vermelha [parah adumah], perfeita, na qual não haja defeito e que ainda não tenha levado jugo” (Bamidbar 19:2, Chukat). Explica o Ari”zal: “A parah precisa ser vermelha, pois ela significa os cinco estados de guevurah, das cinco letra finais que somadas têm guemátria 280, mais a letra hêi para as cinco letras elas mesmas, é igual a 285” (Sefer HaLikutim e Likutêi Torá, Chukat). Agora, vermelha é a cor de guevurah, severidade. Alguém que foi contaminado através do contato com a morte (tamêi met) está em um estado extremo de consciência Divina severamente limitada Atualmente, todos nós nos encontramos neste estado caído. Veja, o confronto contundente com a realidade da morte traz consigo a semente da depressão miserável que nasce da atitude niilista (que não acredita em nada), fatalista, pagã ou absurda da vida. Portanto, o indivíduo precisa se purificar desta contaminação. As cinzas da parah adumah são usadas para purificar a pessoa da impureza da morte. “Morte” significa também a queda espiritual de um estado de consciência Divina para um mais baixo, ou a ausência de um. Portanto, o mandamento da vaca vermelha contém nele a explicação mística do mal e a purificação da contaminação do mal/morte, ou seja, a perda da consciência Divina. O Ari”zal explica a base do ritual da parah adumah como ligado à parte “posterior” dos Nomes Divinos e como o nível de malchut recebe esta força. Sendo da parte posterior significa que numericamente os Nomes Divinos sofrem regressão, deste modo extraordinário montando a equação que tem como resultado final a guemátria de parah (285). De modo conceitual, a regressão dos Nomes significa um “retração” do Shem Havayah (YKVK) no alfabeto, ou seja, a perda da consciência Divina otimista e focada para frente na vida. Quando consideramos as quatro letras do Shem Havayah e substituímos cada letra com a letra que a precede no alfabeto, isto então é chamado o soletrar “regressivo” do Nome. Assim, yud-hêi-vav-hêi se torna têt-dálet-hêi-dálet. Em resumo: a parah adumah corporifica o retrocesso da consciência normal Divina que resulta do contato com a morte. O ritual da parah adumah inverte/adoça este processo. E quando o verdadeiro Mashiach chegar, e o Terceiro Templo vier, finalmente poderemos ter nossas consciências “adoçadas”, pois será o tempo quando “Não mais precisarão sugerir, cada um a seu vizinho e cada um a seu irmão: ‘Reconhece o Eterno’, pois todos já Me conhecerão, do mais humilde ao mais destacado – diz o Eterno – pois perdoarei sua iniquidade e não mais lembrarei seu pecado” (Jeremias 31:33), amém.

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A MISSÃO MILITAR ESPIRITUAL

No início da parashá Kôrach, está escrito: ויקהלו על-משה Vayikahalu al-Moshe, “E congregaram-se contra Moisés” (Bamidbar 16:3). Veja, quando olhado com retidão e santidade, vemos que nós somos uma raça coletivamente em luta continua com os poderes da sitra achra/lado do Mal. Esta guerra iniciou no Gan Eden, e desde então lutamos contra estas forças estranhas. A Torá revela isso constantemente. É esta a razão que a vinda do Mashiach é sempre colocada em termos apocalípticos, na terminologia de guerra. Pois, o lado do Mal deseja manter tudo como está: ganhado espaço pouco a pouco etc. Entretanto, o Bem se livrará do Mal através de guerra, para assim expurgá-lo. O objetivo central da armada de Hashem é trazer luz para o mundo. Sob o nosso ponto de vista, o mundo é em geral considerado terreno conquistado pelas forças do Mal. E Israel é um “posto avançado” na luta para reconquista da terra (e os bnêi Nôach, apesar de não terem força suficiente para estar na frente de batalha, são como “tropas de suporte”). Contudo, o nosso inimigo é formidável e ousado: Vayikahalu al-Moshe, ou seja, os ímpios se agrupam para abater os justos/Moshé/Mashiach. Até a queda no Gan Eden, o Mal existia fora de nós. O Nachash (“o Serpente”) é o Mal personificado externo e claramente reconhecível. Com a queda de Adam, ele se camuflou dentro de nossos corpos e almas. A sitra achra se liga à luz e a circunda completamente, para que ela não possa brilhar salvo através dos filtros das cascas (klipot). E deste modo, as klipot recebem sustento contínuo, e nós que carregamos a luz, continuamente suprimidos. Quebrar e subjugar a “casca” é a missão militar espiritual – um desafio constante e somente para os que amam Hashem e Sua Torá com grande vigor, foco, zelo e bondade. E isto somente pode ser feito através do cumprimento das 613 mitsvót (as 7 noéticas estão incluídas nos mandamentos), que são a polaridade oposta de Vayikahalu al-Moshe/E congregaram-se contra Moisés. Ou seja, dentro da doença existe a cura, pois Moshe/Mashiach destruirá os malfeitores espirituais através da força da kedushá/santidade imbuída nos mundos pelo cumprimento dos mandamentos. E veja, Vayikahalu al-Moshe tem guemátria absoluta (mais 11 das letras desta expressão) com valor 613.

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E ALI VIMOS NEFILIM

E como está escrito: “E ali vimos Nefilim [Vesham rainu et-haNefilim], os filhos de [gigantes] Anak que vieram de Nefilim; e nos consideramos a nossos olhos como gafanhotos, e assim éramos aos seus olhos” (Bamidbar 13:33, parashá Shelach Lecha). O reshit tavót (acróstico) de ושם ראינו את הנפילים Vesham rainu et-haNefilim, “E ali vimos Nefilim” tem guemátria 212, a mesma de charêd (“tremer”). De alguma maneira, os gigantes sobreviveram o mabúl/dilúvio, pois estes citados no Bamidbar estavam em Eretz Israel/Terra Santa no tempo de Moshe Rabeinu/nosso mestre. Muitos da geração de Nôach foram (e ainda estão) para dentro da terra – nos mundos interiores. Os gigantes aprenderam dos bnei Elokim aonde se encontravam os portais para entrar na Terra Interior. Explica o Zohar que descendentes de Kayin, muitos deles gigantes (e outros, seres de tamanho diminuto), foram para o interior da terra, num local chamado de Arka: o antepenúltimo mundo mais profundo de sete do interior da terra. E veja: “Eis que hoje me expulsas de sobre a face da terra, mas da Tua presença não me poderei ocultar, e serei errante e fugitivo na terra, e acontecerá que todo aquele que me encontrar matar-me-á… E o Eterno pôs em Kayin um sinal para que quem quer que o encontrasse não o ferisse” (Bereshit 4:14-15). Kayin o perverso filho de Adam, precisou do sinal misericordioso de Hashem para protegê-lo, pois ainda que no nível humano existissem somente Adam e Chava, ele temia muito os seres da terra interior.

Continuando, outros destes monstros ainda sobrevirem, pois estavam próximos a Eretz Israel que foi o único local no mundo que não sofreu o mabúl. Isto explica também como na parashá Shelach Lecha, eles são lá avistados pelos meraglim/espiões. Veja, no início da parashá Chaiyê Sarah é dito: “E Sarah morreu em Kriyat-Arba [ou seja, Hevron] na terra de Canaan…” (Bereshit 23:2). E o grande comentarista da Torá, o Ráshi, explica que Kriyat-Arba (“Cidade dos Quatro”), assim “É chamada pelos quatro gigantes que lá estiveram: Ahiuan, Sheshai, Talmai e o pai deles [Bereshit Rabah 58:4]”. De modo mais específico, estes gigantes eram Nefilim, filhos de Anak quem Caleb e os espiões viram no Monte Hevron (Bamidbar 13:22). Posteriormente, eles foram expulsos da terra santa e abatidos (Yehoshua 15:14; Shofetim 1:10). Ou, não estavam próximos de lá, mas entraram na terra santa através de um portal/vórtice, levando-os a locais como Machpelah (aonde estão enterrados Adam e Chava e todos os patriarcas e as matriarcas, salvo Rachel) em Hevron. Afinal, isso é evidente, pois está escrito: “E no 14º ano da revolta, veio Kedorlaômer e os reis que estavam com ele, e feriram aos Refaim em Ashterot-Carnáim, aos Zuzim em Ham, aos Emim em Shave-Kiriatáim, e ao Horítas em seu monte de Sêir, até El-Parán, que está junto ao deserto” (Bereshit 14:5-6, parashá Lech Lechá). Porém, os Refaim, Zuzim, Emim e Horitas são todos diferentes grupos de gigantes, e estas batalhas intensas ocorreram na época de Avraham avinu, após o mabúl que teria supostamente extinguido a todos os seres vivos da terra. Eles não foram extinguidos. Estas batalhas sangrentas foram destemidas. Mais ainda, os gigantes se agrupavam em pequenos grupos, geralmente um macho e algumas fêmeas, o que facilitou a sua derrota em muitos casos. Os mestres ensinam que os Zuzim aqui são os Zamzumim mais tarde trazidos na Torá (Devarim 2:20). Eles eram os mais “ilustres” (Bereshit Rabah 42:6), seu nome derivado de Zivtane bahêm (“O brilho deles”, conectando Zuzim com ziv e ham com bahêm, Bereshit Rabah 42:6). Algumas fontes dizem que eles eram ferozes guerreiros (Midrash Abkir). E os Horitas eram diferentes, pois viviam em um local separado e livres do domínio de Nimrod (ibid. Midrash), indicando, eu assim entendo, uma inteligência superior. De fato, o nome Horita deriva de cherút (“liberdade”). Podemos ver que eles não foram dizimados também, pois seus descendentes são mencionados no Bereshit 36:21 (parashá Vayishlach) como sendo ligados à casa de Essav o perverso filho do patriarca Yitschak. Saibam que estes gigantes perversos também aprenderem dos bnei Elokim a arte mágica de shapeshifting (“metamorfose”), e assim tem penetrado na humanidade desde então, espalhando a agenda oculta da sitra achra/lado do mal. Eles assumem outras formas humanas ou não, enganando os homens até hoje. Quando um deles é percebido, alguém com treino mental pode intimidá-los por telepatia, afirmando mentalmente que a sua identidade secreta foi percebida. Contudo, ao receberam a mensagem telepática, eles podem reagir. Não posso revelar mais em público, mas existem muitos outros detalhes profundos.

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PORQUE É DIFÍCIL AMADURECER?

Sobre a parashá Beha’alotecha (baseado no Ari”zal, Sha’ar HaMitsvot e Ta’amei HaMitsvot), é necessário explicações importantes para elucidar as profundas dinâmicas espirituais tratadas aqui. Veja, em Cabalá, Z’eir Anpin é o partsuf/personalidade constituída pelas seis midót/o caráter (de Chéssed até Yessód). Este partsuf é “iluminado” (ativado) pela luz de Ima (que é a sefirah de Binah (ou Ima), e que representa o poder na alma da ‘compreensão’ intelectual, racional). Ou seja, as emoções são ativadas pela compreensão intelectual. Mas a luz de Ima originalmente provém do partsuf de Aba, que é Chochmah (o nível prístino e intenso de insights ainda não desenvolvidos em Binah). Se as emoções se revelam e ‘mantém’, a pureza da experiência de Aba (depois do desenvolvimento em Ima), então o processo emocional é “inoculado” contra as infecções das forças do mal que buscam corromper a dinâmica intelecto-emocional através de dirigi-lo para um caminho errado. Este “redirecionamento” significa a degeneração de todo processo mental que iniciou em kedusha/santidade, a saber, nos pensamentos de Torá. Os mochin/mentalidades se profanas/seculares, já são por si só corrompidas, portanto a sequência do processo intelecto-emocional apenas fortalece o erro, levando assim as ações que transgridem as leis naturais Divinas. Portanto, existe aqui uma diferença do indivíduo que nem teve pensamentos elevados e por isso, apenas se mantém constantemente no grau profano, e um outro indivíduo que tem pensamentos elevados e que estes se degeneram e ele, por exemplo, ao transgredir uma halachá/lei da Torá, que D-us não permita. O segundo é muito pior, no sentido de que a degeneração ocorre em um nível espiritual muito alto, enquanto que no primeiro caso, a pessoa existe em um estado já totalmente rebaixado. Isto está de acordo com o espírito de que a profanação da “vestimenta intelectual” (vis-à-vis, o pensamento pecaminoso) é pior do que a ação, pois a vestimenta da mente é mais elevada do que a vestimenta da ação. Agora, as luzes que Z’eir Anpin recebe (de Da’at, que afinal recebe de Binah) e difunde são chamadas de os cinco estados de Chéssed e Guevurah. Pela Cabalá, os estados de Chéssed constituem o aspecto principal da Etz Da’at – de onde as klipót/forças antagônicas à santidade derivam a sua vitalidade. Isto é devido ao fato de que, os cinco estados de Chéssed (e os cinco estados de Guevurah) podem ser entendidos como propensões para o aceitar ou rejeitar a conexão emocional à ideia abstrata que emergiu de Aba e depois Ima. Portanto, estes estados são a origem do mal, no sentido em que se a ideia de Torá for rejeitada, a força espiritual que rejeita esta ideia nutre então o lado negativo que se aproveita da difusão emocional (e posteriormente, nas possíveis ações erradas da pessoa) que se revelou, mas não foi usada em santidade. Por isso que alguns judeus não fazem teshuvá como deveriam. Pois como o Da’at deles está corrompido por uma vida de comportamentos que os desalinharam com a Torá, então mesmo quando eles escutam os insights de Torá que são palavras retificadas – que afinal “entraram” neles através do nível mental de Chochmah e Binah – esta corrupção do Da’at propaga uma “luz alterada” para Z’eir Anpin, e a revelação emocional derivada rejeita o insight original de Torá. Além disso, com esta rejeição, a força dos estados de Chéssed que iluminam as midót (Z’eir Anpin) acaba sendo usada então para nutrir a sitra achra/lado do mal, que D-us não permita, o que vem somente a perpetuar o estado de intenso galút/exílio que eles vivem. O Ari”zal explica que Z’eir Anpin precisa “quebrar” os estados de Chéssed a fim de processá-los e difundi-los em um contexto significativo para Nukva (Malchut), que representa o assunto das ações, dos comportamentos do homem. Ou seja, as emoções precisam encontrar “termos” compreensíveis para as ações se manifestarem. Esta manifestação na prática das ações é a própria assimilação destas emoções (que são afinal das contas, “abstrações”) por e em Nukva. Apesar da descida emocional até o nível das ações (pois o grau emocional é mais espiritualmente elevado do que as ações) parecer uma degeneração de um grau superior a um inferior, existe um ‘princípio espiritual’ vital que somente se revela/atua quando nesta descida. Como é sabido, Z’eir Anpin precisa, por lei espiritual, buscar se “unir” com Nukva (pois deste alinhamento provém as bênçãos etc.). Assim, a descida é antes de tudo parte integrante da “dinâmica espiritual” de conexão entre o superior e o inferior, entre “o céu e a terra”. O princípio é chamado de Or Hozer, a “Luz Refletida” – a descida na realidade destas luzes espirituais (que se não corrompidas) sofrem um “rebote” espiritual até o Keter de Z’eir Anpin (o ponto espiritual mais elevado do ‘desejo emocional’), causando o amadurecimento emocional e assim, o aumento na habilidade de alcançar e reconhecer as abstrações e o entendimento das verdades Divinas. Pelo outro lado, se corrompidas, o processo somente faz aumentar o desvio da pessoa em relação ao espiritual, ou seja, a sua identificação somente com a realidade física. Isto é assim, pois não há Or Hozer (ou seja, amadurecimento) e a pessoa mantém-se ligada somente ao grau material. Novamente, no caso dos alunos judeus, como eles também não assumem suficientemente a prática haláchica/relativo às leis da Torá, ao rejeitar então o cumprimento das mitsvót eles então não amadurecem espiritualmente. As mitsvót são a manifestação prática da Sabedoria de D-us que é a Torá, e sem a descida para a realidade prática e verdadeira, não existe crescimento espiritual (ou seja, o Keter de Z. A. não amadurece, literalmente). É por isso que (entre outras razões espirituais), os indivíduos que frequentam um Beit HaKnesset/Sinagoga têm uma “facilidade” maior de fazer teshuvá, pois lá eles, primeiro, estão diante de um grau maior de kedusha, e segundo, eles acabam cumprindo na prática várias mitsvót só por estarem lá presentes. E graças à ação da Or Hozer, eles tendem ao amadurecer para um estado intelecto-emocional mais propício ao entendimento da Torá, que favorece (e retifica de fato) o ciclo de entendimento para cumprir as leis. Apesar destes que frequentam a sinagoga muitas vezes continuarem a ter uma vida trêif/não cashér (o que fortemente obstaculariza a ascensão espiritual deles), ainda assim eles têm um entendimento maior do que aqueles que também têm uma vida trêif, mas apenas e unicamente estudam Torá sem cumprirem as mitsvót, devido à ausência da Or Hozer. Existem muitos outros detalhes relativos à difusão dos estados de Chéssed e Guevurah e os assunto de Tiferet de Z’eir Anpin, mas por hora, é mais importante explicar que, e última instância, através do recebimento e transmissão da inspiração que originou em Chochmah e Binah, Z. A. amadurece. Isto ocorre quando o fluxo emocional é enraizado em kedusha e assim, na expansão da consciência (ou podemos chamar de o “desenvolvimento intelectual”), pois expandir/desenvolver a mente é assunto exclusivo da retificação do séchel/intelecto pela Torá. Isto ocorre quando a luz dos estados de Chéssed (originários em Ima) chegam de volta e influenciam o Keter de Z. A. Deste modo, todo o sistema emocional (Z’eir Anpin) agora se torna alinhado às ideias de Torá. Tecnicamente, o Ari”zal explica que o “rebote” ocorre no nível de Yessód de Z. A., o ponto convergente da força de expressão emocional (logo antes da descida para Nukva). E através da realização desta expressão emocional para “fora”, por assim dizer (ou seja, para Nukva), todo o partsuf ganha em maturidade interior. Deste modo, as emoções amadurecem, literalmente. A razão é, pois a auto-realização e a propagação disso são caminhos de auto-validação. Isto significa uma verdadeira reconstrução do “Eu/Ego” na imagem do que se está projetando. É por isso que, por exemplo, quando ensinando assuntos profundos da Torá, o interlocutor aparenta ser ainda mais elevado do que em seu estado de repouso, por assim dizer. Pois o falar (Nukva) de Torá (Aba e Ima), devido à força emocional motivadora (Z’eir Anpin), “reconstrói” a pessoa/mestre na imagem do que está sendo projetado, como ser de fato um talmid/aluno do Ari”zal, ou seja, um homem de Torá. Assim, quando participamos deste processo extraordinário, temos que “encarar” a situação (o falar de Torá, ou conduzir em uma conversa, etc.), o que acaba nos amadurecendo. Por isso que o Talmud ensina que, “Eu aprendi muito dos meus colegas, mais ainda de meus mestres, mas acima de tudo de meus alunos” (Ta’anit 7a). É sempre importante ter uma agenda de Torá, o que certamente engrandece a pessoa e a ajuda a se retificar, se tornando assim reta e digna, se D-us quiser.

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SEPARADO, MAS UNIDO

No início da parashá Nassô é dito: איש או אשה כי יפלא לנדר נדר נזיר Ish oi-sha ki yafli lindor neder nazír, “Quando um homem ou mulher se tiver isolado, fazendo voto de nazír” (Bamidbar 6:2). E sobre este passúk/verso, o Sfas Êmes (R’ Yehudah Aryeh Leib Alter) explica que “ser um nazír significa que a pessoa se separa dos assuntos do olám hazé [‘o mundo do aqui e agora’], apesar que de fato ela está envolvida no olám hazé“. Uma aparente contradição certamente. Contudo, ele explica também que Hashem nos deu o poder de se ligar à Fonte – à Sua Presença – que é presente em todas as coisas do mundo. Portanto, o Sfas Êmes está ensinando que esta capacidade de ser parte de olám hazé (enquanto estando separado), depende de nós mantermos contato com a chaiyút (“vibração/vitalidade”) que Hashem colocou em toda a Criação. O Sfas Êmes chama este fenômeno de pêleh/maravilha/espanto – da mesma raiz da palavra no passúkyafli/fazendo um voto”. E Como que o Sfas Êmes chega até este entendimento, a saber, que a palavra pêleh se refere à nossa capacidade de manter contato com a vitalidade interior que Hashem colocou em toda a Criação? Um passúk da haftarah da parashá Nassô (Shofetim, 13:18) provê alguma ajuda. Este passúk contém a palavra “pêlih” – um termo que os comentaristas explicam como ne’elám (“oculto”). E eu entendo isto como querendo dizer que, a nossa capacidade de se conectar com ruchniyút/espiritualidade – mesmo estando envolvidos no olám hazé – é um fenômeno além da nossa compreensão. Portanto, estamos lidando com a situação familiar do limite para compreender como o cosmos funciona. O ponto central é que, sendo o homem bassar ve’dam (feito de “carne e sangue”) não significa ser barrado de uma vida espiritual, muito pelo contrário. E o nazír é o protótipo deste comprometimento e mentalidade elevada.

Voltando, no nível do sód (o nível “oculto/místico”), os passúkim/versos (Bamidbar 6:2-21) trazem o foco da separação do olám hazé demandada para um nazír (seja homem ou mulher): o seu distanciamento das uvas e todos os seus produtos etc. E como é sabido, isto é devido ao fato de que a raiz espiritual da uva/vinho é em guevurah/severidade (o Ari”zal, Sefer HaLikutim, Acharê Mót). E para se santificar o nazír deve se distanciar da guevurah. Veja: o reshit tavót deste passúk é אאאכילננ, guemátria 163 – a mesma de l’guéfen (“para a videira”) e ve’nukva (“e a mulher”, lembrando que guevurah é o “lado feminino” das sefirót). O sofêi tavót (“letras finais”) é שוהיאררר, guemátria 922, a mesma de ותירוש ve’tirósh, “E o vinho”. Agora, a guemátria musafi do reshêi tavót (“acróstico”) é 171 – um número muito significativo, sendo o mesmo do nome angelical santo פניאל Penikel: “E Ya’acov chamou o nome do lugar de Penikel [‘Face de D-us’] porque eu vi o anjo de D-us face a face, e minha alma foi salva” (Bereshit 32:31). Quando judeus assumem práticas da Torá para aumentar a kedusha/santidade, isto significa sempre a necessidade de ter emunah/fé e kôach/força superiores. A contemplação do reshêi tavót, ainda mais com a correspondência de um nome angelical, pode trazer grande vitalidade para o foco no Divino necessário para a ascensão espiritual do nazír, ou mesmo de qualquer indivíduo que tenha desejo de crescimento espiritual. Esta é a vitalidade da perseverança e força interior tal como Ya’acov teve ao lutar com este anjo no rio Yabók, e da proteção de Hashem. Existem muitos outros segredos sobre o nazír, mas para outra oportunidade.

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A ILUMINAÇÃO DA CONTAGEM 4

Agora é possível entender algo da relação entre “contou-os” e a “mirra”. Conceitualmente, adoçar significa “erguer a consciência” de uma entidade caída para a sua origem. No nível do sód, o azeite da unção conferia a consciência elevada de Atsilut para a entidade sobre a qual era derramado. Como explicado, mirra/240 permutações é um elemento do azeite que o imbui com a capacidade de adoçar. Note que a guemátria atbash de mór é 13, a mesma de ahavah (“amor”). E como foi dito: “Todas as permutações inferiores do Nome Elokim se unem com as superiores e são nelas absorvidas, em binah”. Estas 240 permutações/mirra atuam em binah/mente racional. E como é sabido, os adoçamentos realizados no nível de binah – antes de qualquer manifestação – mitigam completamente estas possíveis “severidades” (o Ari”zal, Etz Chayim). No nível humano isto significa que as severidades das emoções e ações que provêm dos julgamentos de uma pessoa são evitadas por completo se ela reavaliar os seus juízos de modo a abrandá-los na origem intelectual. Buscar “adoçar” estes julgamentos após a sua manifestação emocional e ações severas já é algo bem mais difícil. Por fim, a equivalência entre o contar e a mirra significa que o ato de contar/julgar/guevurah é adoçado pela mirra através das unificações que ela promove no Nome Elokim/binah. Em geral, ligar a guevurah à sua raiz em binah traz brachót/bênçãos. Isto ocorre, pois apesar de que as brachót se originam em chochmah/sabedoria, elas passam por binah no caminho de sua manifestação. E quando as guevurót/severidades são ligadas a binah, os julgamentos são então ligados à benção. Portanto, o contar santificado/adoçado agiu como o azeite da unção, derramado o amor de YKVK sobre as cabeças do povo, adoçando o estado de cada indivíduo através do “erguer de sua cabeça”. E de fato, o tseruf/anagrama de mór é רם rám, (“erguido/exaltado”).

Estas iluminações sejam derramadas sobre todos que estudarem este shiur/aula de modo sincero e diligente, e deste modo ajudando a apressar a vinda do único e verdadeiro Mashiach, que iluminará completamente o mundo, muito em breve amém.

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A ILUMINAÇÃO DA CONTAGEM 3

Continuando, a palavra ויפקדם vayifkedem tem guemátria 240, e surpreendentemente a guemátria atbash dela também é 240. Conceitualmente, o “segredo” neste caso é a própria palavra original, querendo dizer que “contar” é o próprio sód/aspecto místico de contar! Isto é na verdade algo profundo e ao mesmo tempo em que pertence à natureza dos números. De modo geral, quando pensamos em um número, sabemos que ele representa alguma quantidade objetiva. Contar é a ação de encontrar o número de elementos de um conjunto finito de objetos, de estabelecer a correspondência entre do conjunto (sendo contato) e o conjunto de números. Em outro nível, contar é “estabelecer”, no sentido de afirmar a existência e identidade. Portanto, a contagem do Bnêi Israel identifica-o no mundo de modo revelado, permitindo assim a sua afirmação como um grupo escolhido, o seu reconhecimento. Sobre a contagem, o Bamidbar 1:2 usa a expressão S’eu et rosh kol adat bnei Israel, que significa literalmente, “Erga a cabeça de todos os filhos de Israel”. E o Shem M’Shmuel comenta que, “O censo deu força ao Ego do povo”. O fato de que todos foram contados individualmente foi uma maneira de enfatizar a autoestima de cada judeu que assim vivenciou o “erguer de sua cabeça”.

Agora, a guemátria 240 é a mesma da palavra מר mór, (“mirra”). O Ari”zal explica que, “A mirra pura, um ingrediente do azeite [da unção], alude à conexão entre as especiarias e o Nome Elokim. A guemátria é 240 [mém/40 e rêish/200], ou também 2×120. E este número (120) é o número de permutações que existem para o Nome Elokim. E todas estas 120 permutações são manifestadas nas na parte anterior de binah [de Atsilut]… E todas as permutações inferiores do Nome Elokim se unem com as superiores e são nelas absorvida, em binah. Isto é um ‘adoçamento’. O total das permutações é 240” (Sefer HaLikutim). De modo resumido, o Nome Elokim denota guevurah/julgamento. A descida (da parte anterior de Atsilut) deste Nome Divino (do nível de malchut de Atsilut) significa o imbuir da consciência nos mundos inferiores (Beriyah, Yetsirah e Asiyah). A formação da consciência é de origem Divina, e é função do grau mais inferior de um olám (o malchut deste mundo) se tornar a consciência no próximo mundo/dimensão abaixo. Daí as criaturas de cada olám terem consciência (sobre o Divino) de ordem distintas: quanto mais inferior o olám, maior a individualidade (ou seja, menor a consciência sobre o Divino), chegando até à nossa realidade aonde o homem ignora a sua origem no Criador. Agora, misticamente, a mirra atua como um dos elementos de “adoçamento” do azeite que é usado para mitigar as severidades sobre o ungido (mais sobre isso à frente). Veja, o Nome Havayah (o Tetragrama, YKVK), significa a força que traz a realidade a existir. Mas, esta força criativa precisa ser constrita para permitir que existam criaturas conscientes delas mesmas e assim independentes. Esta força de constrição é indicada pelo Nome Elokim, o canal pelo qual o Nome Havayah se expressa. (Elokim é também guemátria de HaTevah/”A Natureza”, que é afinal um sistema de leis físicas). E o ato de contar é um juízo, pois toda a identificação age de modo a restringir um aspecto da realidade. De fato, o Nome Elokim é associado a binah, o nível da origem dos julgamentos e que corresponde ao intelecto racional que julga entre uma coisa e outra, fazendo determinações e juízos. Os sábios da Torá questionam: como uma contagem que é um ato de restrição (como a relatada no censo desta parashá) traz as bençãos, se contar pessoas é prejudicial, pois as forças negativas podem se vitalizar pelas restrições? O Maguid Mesharim responde: “A contagem e medidas pertencem em geral a sitra achra/”lado do mal”, mas esta contagem foi do lado da kedusha/santidade” (Parashá Bamidbar, 27 de Iyar).

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A ILUMINAÇÃO DA CONTAGEM 2

Agora, “Uma vez que a Torá [que é Z’eir Anpin] e o Mishkan/Tabernáculo [que representa Malchut] foram erguidos, YKVK desejou contar as tropas da Torá. Quantas legiões existem na Torá? E quantos hospedeiros existem no Mishkan? Tudo precisa ser estabelecido em seu lugar apropriado [para unir os galhos de baixo com a raiz em cima]… assim eles todos [Z’eir Anpin e Malchut] ficam juntos e inseparáveis um do outro [permitindo a completude aqui e no alto]” (Zohar 117b, Bamidbar). Estas uniões significam um pacto. E porque ainda mais pactos com o Bnêi Israel? Veja: é como um navio atracado no porto, mas que é sempre sujeito aos constantes movimentos das ondas que podem carregá-lo para longe. A fim de amarrá-lo bem ao porto é preciso dar várias voltas da corda que liga sua âncora à estaca no cais, deixando-o assim salvo e seguro. E sobre este pacto, o ribua perati da guemátria ordinal de beritô é: bet=22=4 + rêish=202=400 + yud=102=100 + tav=222=484 + vav=62=36 = 1024, a mesma guemátria de בתורתיו betorotáv, (“Sua Torá”, Daniel 9:10). O número 1024 alude à completude das duas Torót – a Escrita e a Oral. E 2 x 2 x 2 x 2 x 2 x 2 x 2 x 2 x 2 x 2 = 1024. A potência do 10 indica a perfeição de cada uma delas. E a guemátria atbash de betorotáv é 505, a mesma de ha-rósh (“a cabeça”, hêi-rêish-alef-shin). Através da contagem YKVK distingue o Bnêi Israel das nações, pois Israel é por Ele tão amada (Ráshi no Bamidbar 1:1). Este é o tema de hoje (o segundo dia do mês de Siván), Yóm Hameyuchát, o dia em que YKVK informou ao povo que eles são “Uma nação de sacerdotes e uma nação santa” (Shemot 19:6). E como é sabido, Israel é um tseruf/amagrama de Li rósh (“Uma cabeça para Mim”).

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