SEPARADO, MAS UNIDO

No início da parashá Nassô é dito: איש או אשה כי יפלא לנדר נדר נזיר Ish oi-sha ki yafli lindor neder nazír, “Quando um homem ou mulher se tiver isolado, fazendo voto de nazír” (Bamidbar 6:2). E sobre este passúk/verso, o Sfas Êmes (R’ Yehudah Aryeh Leib Alter) explica que “ser um nazír significa que a pessoa se separa dos assuntos do olám hazé [‘o mundo do aqui e agora’], apesar que de fato ela está envolvida no olám hazé“. Uma aparente contradição certamente. Contudo, ele explica também que Hashem nos deu o poder de se ligar à Fonte – à Sua Presença – que é presente em todas as coisas do mundo. Portanto, o Sfas Êmes está ensinando que esta capacidade de ser parte de olám hazé (enquanto estando separado), depende de nós mantermos contato com a chaiyút (“vibração/vitalidade”) que Hashem colocou em toda a Criação. O Sfas Êmes chama este fenômeno de pêleh/maravilha/espanto – da mesma raiz da palavra no passúkyafli/fazendo um voto”. E Como que o Sfas Êmes chega até este entendimento, a saber, que a palavra pêleh se refere à nossa capacidade de manter contato com a vitalidade interior que Hashem colocou em toda a Criação? Um passúk da haftarah da parashá Nassô (Shofetim, 13:18) provê alguma ajuda. Este passúk contém a palavra “pêlih” – um termo que os comentaristas explicam como ne’elám (“oculto”). E eu entendo isto como querendo dizer que, a nossa capacidade de se conectar com ruchniyút/espiritualidade – mesmo estando envolvidos no olám hazé – é um fenômeno além da nossa compreensão. Portanto, estamos lidando com a situação familiar do limite para compreender como o cosmos funciona. O ponto central é que, sendo o homem bassar ve’dam (feito de “carne e sangue”) não significa ser barrado de uma vida espiritual, muito pelo contrário. E o nazír é o protótipo deste comprometimento e mentalidade elevada.

Voltando, no nível do sód (o nível “oculto/místico”), os passúkim/versos (Bamidbar 6:2-21) trazem o foco da separação do olám hazé demandada para um nazír (seja homem ou mulher): o seu distanciamento das uvas e todos os seus produtos etc. E como é sabido, isto é devido ao fato de que a raiz espiritual da uva/vinho é em guevurah/severidade (o Ari”zal, Sefer HaLikutim, Acharê Mót). E para se santificar o nazír deve se distanciar da guevurah. Veja: o reshit tavót deste passúk é אאאכילננ, guemátria 163 – a mesma de l’guéfen (“para a videira”) e ve’nukva (“e a mulher”, lembrando que guevurah é o “lado feminino” das sefirót). O sofêi tavót (“letras finais”) é שוהיאררר, guemátria 922, a mesma de ותירוש ve’tirósh, “E o vinho”. Agora, a guemátria musafi do reshêi tavót (“acróstico”) é 171 – um número muito significativo, sendo o mesmo do nome angelical santo פניאל Penikel: “E Ya’acov chamou o nome do lugar de Penikel [‘Face de D-us’] porque eu vi o anjo de D-us face a face, e minha alma foi salva” (Bereshit 32:31). Quando judeus assumem práticas da Torá para aumentar a kedusha/santidade, isto significa sempre a necessidade de ter emunah/fé e kôach/força superiores. A contemplação do reshêi tavót, ainda mais com a correspondência de um nome angelical, pode trazer grande vitalidade para o foco no Divino necessário para a ascensão espiritual do nazír, ou mesmo de qualquer indivíduo que tenha desejo de crescimento espiritual. Esta é a vitalidade da perseverança e força interior tal como Ya’acov teve ao lutar com este anjo no rio Yabók, e da proteção de Hashem. Existem muitos outros segredos sobre o nazír, mas para outra oportunidade.

tzedakah

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