A ILUMINAÇÃO DA CONTAGEM 4

Agora é possível entender algo da relação entre “contou-os” e a “mirra”. Conceitualmente, adoçar significa “erguer a consciência” de uma entidade caída para a sua origem. No nível do sód, o azeite da unção conferia a consciência elevada de Atsilut para a entidade sobre a qual era derramado. Como explicado, mirra/240 permutações é um elemento do azeite que o imbui com a capacidade de adoçar. Note que a guemátria atbash de mór é 13, a mesma de ahavah (“amor”). E como foi dito: “Todas as permutações inferiores do Nome Elokim se unem com as superiores e são nelas absorvidas, em binah”. Estas 240 permutações/mirra atuam em binah/mente racional. E como é sabido, os adoçamentos realizados no nível de binah – antes de qualquer manifestação – mitigam completamente estas possíveis “severidades” (o Ari”zal, Etz Chayim). No nível humano isto significa que as severidades das emoções e ações que provêm dos julgamentos de uma pessoa são evitadas por completo se ela reavaliar os seus juízos de modo a abrandá-los na origem intelectual. Buscar “adoçar” estes julgamentos após a sua manifestação emocional e ações severas já é algo bem mais difícil. Por fim, a equivalência entre o contar e a mirra significa que o ato de contar/julgar/guevurah é adoçado pela mirra através das unificações que ela promove no Nome Elokim/binah. Em geral, ligar a guevurah à sua raiz em binah traz brachót/bênçãos. Isto ocorre, pois apesar de que as brachót se originam em chochmah/sabedoria, elas passam por binah no caminho de sua manifestação. E quando as guevurót/severidades são ligadas a binah, os julgamentos são então ligados à benção. Portanto, o contar santificado/adoçado agiu como o azeite da unção, derramado o amor de YKVK sobre as cabeças do povo, adoçando o estado de cada indivíduo através do “erguer de sua cabeça”. E de fato, o tseruf/anagrama de mór é רם rám, (“erguido/exaltado”).

Estas iluminações sejam derramadas sobre todos que estudarem este shiur/aula de modo sincero e diligente, e deste modo ajudando a apressar a vinda do único e verdadeiro Mashiach, que iluminará completamente o mundo, muito em breve amém.

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A ILUMINAÇÃO DA CONTAGEM 3

Continuando, a palavra ויפקדם vayifkedem tem guemátria 240, e surpreendentemente a guemátria atbash dela também é 240. Conceitualmente, o “segredo” neste caso é a própria palavra original, querendo dizer que “contar” é o próprio sód/aspecto místico de contar! Isto é na verdade algo profundo e ao mesmo tempo em que pertence à natureza dos números. De modo geral, quando pensamos em um número, sabemos que ele representa alguma quantidade objetiva. Contar é a ação de encontrar o número de elementos de um conjunto finito de objetos, de estabelecer a correspondência entre do conjunto (sendo contato) e o conjunto de números. Em outro nível, contar é “estabelecer”, no sentido de afirmar a existência e identidade. Portanto, a contagem do Bnêi Israel identifica-o no mundo de modo revelado, permitindo assim a sua afirmação como um grupo escolhido, o seu reconhecimento. Sobre a contagem, o Bamidbar 1:2 usa a expressão S’eu et rosh kol adat bnei Israel, que significa literalmente, “Erga a cabeça de todos os filhos de Israel”. E o Shem M’Shmuel comenta que, “O censo deu força ao Ego do povo”. O fato de que todos foram contados individualmente foi uma maneira de enfatizar a autoestima de cada judeu que assim vivenciou o “erguer de sua cabeça”.

Agora, a guemátria 240 é a mesma da palavra מר mór, (“mirra”). O Ari”zal explica que, “A mirra pura, um ingrediente do azeite [da unção], alude à conexão entre as especiarias e o Nome Elokim. A guemátria é 240 [mém/40 e rêish/200], ou também 2×120. E este número (120) é o número de permutações que existem para o Nome Elokim. E todas estas 120 permutações são manifestadas nas na parte anterior de binah [de Atsilut]… E todas as permutações inferiores do Nome Elokim se unem com as superiores e são nelas absorvida, em binah. Isto é um ‘adoçamento’. O total das permutações é 240” (Sefer HaLikutim). De modo resumido, o Nome Elokim denota guevurah/julgamento. A descida (da parte anterior de Atsilut) deste Nome Divino (do nível de malchut de Atsilut) significa o imbuir da consciência nos mundos inferiores (Beriyah, Yetsirah e Asiyah). A formação da consciência é de origem Divina, e é função do grau mais inferior de um olám (o malchut deste mundo) se tornar a consciência no próximo mundo/dimensão abaixo. Daí as criaturas de cada olám terem consciência (sobre o Divino) de ordem distintas: quanto mais inferior o olám, maior a individualidade (ou seja, menor a consciência sobre o Divino), chegando até à nossa realidade aonde o homem ignora a sua origem no Criador. Agora, misticamente, a mirra atua como um dos elementos de “adoçamento” do azeite que é usado para mitigar as severidades sobre o ungido (mais sobre isso à frente). Veja, o Nome Havayah (o Tetragrama, YKVK), significa a força que traz a realidade a existir. Mas, esta força criativa precisa ser constrita para permitir que existam criaturas conscientes delas mesmas e assim independentes. Esta força de constrição é indicada pelo Nome Elokim, o canal pelo qual o Nome Havayah se expressa. (Elokim é também guemátria de HaTevah/”A Natureza”, que é afinal um sistema de leis físicas). E o ato de contar é um juízo, pois toda a identificação age de modo a restringir um aspecto da realidade. De fato, o Nome Elokim é associado a binah, o nível da origem dos julgamentos e que corresponde ao intelecto racional que julga entre uma coisa e outra, fazendo determinações e juízos. Os sábios da Torá questionam: como uma contagem que é um ato de restrição (como a relatada no censo desta parashá) traz as bençãos, se contar pessoas é prejudicial, pois as forças negativas podem se vitalizar pelas restrições? O Maguid Mesharim responde: “A contagem e medidas pertencem em geral a sitra achra/”lado do mal”, mas esta contagem foi do lado da kedusha/santidade” (Parashá Bamidbar, 27 de Iyar).

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