Palavras do Rabino
Pensamentos, conselhos & orientações do Rabino Avraham Chachamovits
A ILUMINAÇÃO DA CONTAGEM 4
Agora é possível entender algo da relação entre “contou-os” e a “mirra”. Conceitualmente, adoçar significa “erguer a consciência” de uma entidade caída para a sua origem. No nível do sód, o azeite da unção conferia a consciência elevada de Atsilut para a entidade sobre a qual era derramado. Como explicado, mirra/240 permutações é um elemento do azeite que o imbui com a capacidade de adoçar. Note que a guemátria atbash de mór é 13, a mesma de ahavah (“amor”). E como foi dito: “Todas as permutações inferiores do Nome Elokim se unem com as superiores e são nelas absorvidas, em binah”. Estas 240 permutações/mirra atuam em binah/mente racional. E como é sabido, os adoçamentos realizados no nível de binah – antes de qualquer manifestação – mitigam completamente estas possíveis “severidades” (o Ari”zal, Etz Chayim). No nível humano isto significa que as severidades das emoções e ações que provêm dos julgamentos de uma pessoa são evitadas por completo se ela reavaliar os seus juízos de modo a abrandá-los na origem intelectual. Buscar “adoçar” estes julgamentos após a sua manifestação emocional e ações severas já é algo bem mais difícil. Por fim, a equivalência entre o contar e a mirra significa que o ato de contar/julgar/guevurah é adoçado pela mirra através das unificações que ela promove no Nome Elokim/binah. Em geral, ligar a guevurah à sua raiz em binah traz brachót/bênçãos. Isto ocorre, pois apesar de que as brachót se originam em chochmah/sabedoria, elas passam por binah no caminho de sua manifestação. E quando as guevurót/severidades são ligadas a binah, os julgamentos são então ligados à benção. Portanto, o contar santificado/adoçado agiu como o azeite da unção, derramado o amor de YKVK sobre as cabeças do povo, adoçando o estado de cada indivíduo através do “erguer de sua cabeça”. E de fato, o tseruf/anagrama de mór é רם rám, (“erguido/exaltado”).
Estas iluminações sejam derramadas sobre todos que estudarem este shiur/aula de modo sincero e diligente, e deste modo ajudando a apressar a vinda do único e verdadeiro Mashiach, que iluminará completamente o mundo, muito em breve amém.
A ILUMINAÇÃO DA CONTAGEM 3
Continuando, a palavra ויפקדם vayifkedem tem guemátria 240, e surpreendentemente a guemátria atbash dela também é 240. Conceitualmente, o “segredo” neste caso é a própria palavra original, querendo dizer que “contar” é o próprio sód/aspecto místico de contar! Isto é na verdade algo profundo e ao mesmo tempo em que pertence à natureza dos números. De modo geral, quando pensamos em um número, sabemos que ele representa alguma quantidade objetiva. Contar é a ação de encontrar o número de elementos de um conjunto finito de objetos, de estabelecer a correspondência entre do conjunto (sendo contato) e o conjunto de números. Em outro nível, contar é “estabelecer”, no sentido de afirmar a existência e identidade. Portanto, a contagem do Bnêi Israel identifica-o no mundo de modo revelado, permitindo assim a sua afirmação como um grupo escolhido, o seu reconhecimento. Sobre a contagem, o Bamidbar 1:2 usa a expressão S’eu et rosh kol adat bnei Israel, que significa literalmente, “Erga a cabeça de todos os filhos de Israel”. E o Shem M’Shmuel comenta que, “O censo deu força ao Ego do povo”. O fato de que todos foram contados individualmente foi uma maneira de enfatizar a autoestima de cada judeu que assim vivenciou o “erguer de sua cabeça”.
Agora, a guemátria 240 é a mesma da palavra מר mór, (“mirra”). O Ari”zal explica que, “A mirra pura, um ingrediente do azeite [da unção], alude à conexão entre as especiarias e o Nome Elokim. A guemátria é 240 [mém/40 e rêish/200], ou também 2×120. E este número (120) é o número de permutações que existem para o Nome Elokim. E todas estas 120 permutações são manifestadas nas na parte anterior de binah [de Atsilut]… E todas as permutações inferiores do Nome Elokim se unem com as superiores e são nelas absorvida, em binah. Isto é um ‘adoçamento’. O total das permutações é 240” (Sefer HaLikutim). De modo resumido, o Nome Elokim denota guevurah/julgamento. A descida (da parte anterior de Atsilut) deste Nome Divino (do nível de malchut de Atsilut) significa o imbuir da consciência nos mundos inferiores (Beriyah, Yetsirah e Asiyah). A formação da consciência é de origem Divina, e é função do grau mais inferior de um olám (o malchut deste mundo) se tornar a consciência no próximo mundo/dimensão abaixo. Daí as criaturas de cada olám terem consciência (sobre o Divino) de ordem distintas: quanto mais inferior o olám, maior a individualidade (ou seja, menor a consciência sobre o Divino), chegando até à nossa realidade aonde o homem ignora a sua origem no Criador. Agora, misticamente, a mirra atua como um dos elementos de “adoçamento” do azeite que é usado para mitigar as severidades sobre o ungido (mais sobre isso à frente). Veja, o Nome Havayah (o Tetragrama, YKVK), significa a força que traz a realidade a existir. Mas, esta força criativa precisa ser constrita para permitir que existam criaturas conscientes delas mesmas e assim independentes. Esta força de constrição é indicada pelo Nome Elokim, o canal pelo qual o Nome Havayah se expressa. (Elokim é também guemátria de HaTevah/”A Natureza”, que é afinal um sistema de leis físicas). E o ato de contar é um juízo, pois toda a identificação age de modo a restringir um aspecto da realidade. De fato, o Nome Elokim é associado a binah, o nível da origem dos julgamentos e que corresponde ao intelecto racional que julga entre uma coisa e outra, fazendo determinações e juízos. Os sábios da Torá questionam: como uma contagem que é um ato de restrição (como a relatada no censo desta parashá) traz as bençãos, se contar pessoas é prejudicial, pois as forças negativas podem se vitalizar pelas restrições? O Maguid Mesharim responde: “A contagem e medidas pertencem em geral a sitra achra/”lado do mal”, mas esta contagem foi do lado da kedusha/santidade” (Parashá Bamidbar, 27 de Iyar).
A ILUMINAÇÃO DA CONTAGEM 2
Agora, “Uma vez que a Torá [que é Z’eir Anpin] e o Mishkan/Tabernáculo [que representa Malchut] foram erguidos, YKVK desejou contar as tropas da Torá. Quantas legiões existem na Torá? E quantos hospedeiros existem no Mishkan? Tudo precisa ser estabelecido em seu lugar apropriado [para unir os galhos de baixo com a raiz em cima]… assim eles todos [Z’eir Anpin e Malchut] ficam juntos e inseparáveis um do outro [permitindo a completude aqui e no alto]” (Zohar 117b, Bamidbar). Estas uniões significam um pacto. E porque ainda mais pactos com o Bnêi Israel? Veja: é como um navio atracado no porto, mas que é sempre sujeito aos constantes movimentos das ondas que podem carregá-lo para longe. A fim de amarrá-lo bem ao porto é preciso dar várias voltas da corda que liga sua âncora à estaca no cais, deixando-o assim salvo e seguro. E sobre este pacto, o ribua perati da guemátria ordinal de beritô é: bet=22=4 + rêish=202=400 + yud=102=100 + tav=222=484 + vav=62=36 = 1024, a mesma guemátria de בתורתיו betorotáv, (“Sua Torá”, Daniel 9:10). O número 1024 alude à completude das duas Torót – a Escrita e a Oral. E 2 x 2 x 2 x 2 x 2 x 2 x 2 x 2 x 2 x 2 = 1024. A potência do 10 indica a perfeição de cada uma delas. E a guemátria atbash de betorotáv é 505, a mesma de ha-rósh (“a cabeça”, hêi-rêish-alef-shin). Através da contagem YKVK distingue o Bnêi Israel das nações, pois Israel é por Ele tão amada (Ráshi no Bamidbar 1:1). Este é o tema de hoje (o segundo dia do mês de Siván), Yóm Hameyuchát, o dia em que YKVK informou ao povo que eles são “Uma nação de sacerdotes e uma nação santa” (Shemot 19:6). E como é sabido, Israel é um tseruf/amagrama de Li rósh (“Uma cabeça para Mim”).
A ILUMINAÇÃO DA CONTAGEM 1
E está escrito: כאשר צוה יהוה את משה ויפקדם במדבר סיני ka’asher tsiva Hashem et-moshe vayifkedem bemidbar sinai, “Como YKVK ordenara a Moshe, contou-os no deserto de Sinai” (Bamidar 1:19). Veja: a guemátria deste verso é 2012, ou 4 x 503, o valor de המחנת ha-machanet (“o acampamento”). E a parashá relata a partir do Bamidbar 2:3 como cada uma das tribos foi colocada no deserto. Eram quatro acampamentos situados em diferentes posições, e cada machaneh consistindo de três tribos. Agora, a guemátria de Vayifkedem bemidbar sinai é 618, a mesma de בריתו beritô (“Seu pacto”). O primeiro Ráshi deste sêfer/livro e parashá diz: “E quando Ele veio a repousar a Shechina sobre eles, então Ele os contou” (Bamidbar 1:1), para assim abençoá-los. E o Zohar comenta que: “Não encontramos outra contagem em Israel pela qual eles receberam brachót dela como nesta contagem” (117b, Bamidbar). O Maguid Mesharim neste passuk/verso traz o mesmo com outras palavras: “Ele os contou para trazer para eles o poder superior da força para dirigir e interagir com eles” (Parashá Bamidbar), se referindo assim a Shechina que vitaliza e guia o povo, pois é Ela a fonte das brachot/bênçãos. E deste modo esta contagem uniu a Shechina com o Bnei Israel no alto e em baixo, querendo dizer, este foi um pacto através do qual, novas bênçãos desceram ao Bnei Israel. E a guemátria 618 (de Vayifkedem bemidbar sinai) mais três do kolel de cada uma das palavras é 621, sendo este valor igual a 3×207, o mesmo da palavra ór (“luz”, alef-vav-rêish) – um cognato da palavra Iyar (o mês quando ocorreu a contagem). O Ari”zal ensina sobre “três vezes ór” que, “Eis uma luz completa… o valor de kéter [620] mais o kolêl” (Sefer HaLikutim, Tazria). De certo a contagem trouxe a iluminação vital da Shechina, pois eles precisavam ser fortificados e guiados para se estabelecerem em acampamentos – nas divisões santas assim como é no Alto, pois como está escrito: “Esta contagem veio intencionalmente para abençoar, mas com a intenção também de aperfeiçoar a completude dos mundos” (ibid. Zohar). E também, sobre o tempo da contagem: “‘No primeiro dia do segundo mês, no segundo ano’ [Bamidbar 1:1]… Este mês [Iyar] é chamado de Ziv [‘brilho’], aludindo ao mês iluminado… quando tudo é um… e de onde emana e irradia o brilho para o mundo” (ibid. Zohar). E mais: ברוך ה’ לעולם אמן ואמן Baruch Hashem leolam amen ve-amen, “Seja para sempre bendito Hashem, amém e amém” (Tehilim 89:53) tem guemátria 618 também. Este verso significa a luz de chochmah. Mas, “O brilho de Iyar é de guevurah e de chochmah no lado de guevurah, indicando a harmonia do lado direito/Nissan e esquerdo/Iyar, ‘quando tudo é um’” (ibid. Zohar).
PARABÉNS PELO SEU JUBILEU
E está escrito: וקדשתם את שנת החמשים שנה וקראתם דרור בארץ לכל-ישביה יובל הוא תהיה לכם ושבתם איש אל-אחזתו ואיש אל-משפחתו תשבו “E santificareis o 50º ano e proclamareis liberdade em toda a terra, para todos os seus moradores; é um Jubileu [Yovêl] e será para vós, e tornareis cada um à sua possessão, e cada um à sua família voltareis” (Vayicra 25:10, parashá Behar). Agora, não é incomum encontrarmos significados opostos nos termos da Torá através das guematriót ou tserufim (“permutações das letras”). Por exemplo: kéter/karêt (significando vida e morte), kashér/shéker (um tseruf e também substituindo o kaf pelo kuf como é permitido) etc. Em reflexão, o Rabi Mordechai Yossef de Izbitza explica que “A Torá tem a força a habilidade de virar uma pessoa de um extremo ao outro, do mal ao seu oposto, o bem” (Mei HaShiloach, Ki Tissá, vol. 1). Vemos que a expressão no verso desta parashá יובל הוא yovêl hiv, “É um jubileu” tem guemátria 411, a mesma de תהו tôhu, “caos”. O Ramban (Nachmânides) aqui entende o significado da palavra yovêl como sendo “liberdade de movimento”. O caos é a liberdade de movimento sem limites ou direção que leva ao rompimento da ordem como propósito único. Eis a imaturidade que é a essência do Mal. E yovêl representa a liberdade de movimento para agir de modo elevado, fomentando o amadurecimento, a evolução e o bem real. Existe um aspecto positivo do caos na ordem, garantindo que haja movimento contínuo, contrário à estagnação. Este é o assunto que os mestres tratam da integração entre as realidades de Essav – intensa, mas indisciplinada e crua – e Ya’acov – ordenada e retificada. Objetiva-se então o canalizar das poderosas luzes do olam ha-tôhu nos kelim retificados do olam ha-tikkún. Uma luta real e profunda que o arquétipo dos filhos gêmeos do patriarca Yitschak representa. O aspecto da ordem no caos é sua função de restrição e reorientação, ou seja, amadurecimento. É significativo que a guemátria atbash de yovêl é 440, a mesma de תם tám (“perfeito/puro”). Para o atento, o jubileu é a bênção da correção vitoriosa sobre as luzes do caos que anteriormente lutaram a todo momento para distraí-lo da kedusha/santidade. Agora, se o indivíduo aprendeu a ser sábio em sua compreensão e a compreender com sabedoria, este é um momento singular, pois ele terá a força e estrutura psíquica para revelar seu propósito de vida original, finalmente. Nenhuma liberdade de movimento é mais ampla e verdadeira, profunda e intensa do que a ascensão espiritual na kedusha. Ela transcende todos os limites da realidade mundana constritiva. E nesta nova fase da vida, o indivíduo que trabalhou arduamente na Torá deverá já ter adestrado seu caos interior – o “cavalo poderoso e selvagem” – podendo agora seguir reto para o Alto. E como está escrito: Erpa meshuvatam ohavem nedava ki shav api mimenu, “Curarei vossas apostasias [‘suas distrações da kedusha’] e vos amarei francamente, porque Minha ira Se apartou de vós” (Hoshêa 14:5). E אהבם ohavêm, “vos amarei” é guemátria 48, a mesma de yovêl. E só um filho é assim perdoado, amado e redimido, se D-us quiser.
BANHO DE BENEVOLÊNCIA
Está escrito nesta parashá Behar-Bechucotai, ואם-עד-אלה לא תשמעו לי ויספתי ליסרה אתכם שבע על-חטאתיכם “E se depois de tudo isso você não Me escutar, Eu vou adicionar sete vezes ao seu sofrimento pelos seus pecados” (Vayicra 26:18). E isto significa que se o seu sofrimento e angústia não trouxer os resultados desejados, então ‘Eu cessarei o seu sofrimento’. se usando a interpretação diferente de ‘cessar’ para yasafti (como na expressão ולא יסף velô yasáf, “não mais/cessado” do Devarim 5:19) e não a comum de ‘aumentar/adicionar’. Ou seja, pelo contrário, ‘Eu banharei você com benevolência a despeito de seus pecados’. E a palavra shéva (sete/sete vezes) usada no verso pode ser lida como sáva (“saciar”). Hashem vai nos saciar com Seu amor e bondade e remover nosso sofrimento. E vemos que isso é um rêmez/dica para a era messiância, pois a guemátria ordinal de ויספתי ליסרה אתכם שבע על-חטאתיכם Veyasafti leyasra etchem sheva al-chatoteichem, “Eu vou adicionar sete vezes ao seu sofrimento pelos seus pecados” (agora interpretado como “Eu banharei você com benevolência a despeito de seus pecados”) é 330, com mas 6 do kolel de cada palavra, temos 336, que é a guemátria absoluta (mais o kolel) de פרה אדמה parah adumah/a “vaca vermelha” (pei-reish-hei alef-dalet-mem-hei = (80 + 200 + 5) + (1 + 4 + 40 + 5) = 335 + 1 = 336). E quando Mashiach chegar, a parah adumah voltará novamente, assim como foi na época do Beit HaMikdash/Templo Sagrado, para que as suas cinzas purifiquem todos os nossos pecados, nos banhando a todos com a benevolência Divina.
A PERFEIÇÃO DA ORAÇÃO IMPERFEITA
Os Sábios da Torá ensinam que a Tefilá (“oração”) do Povo de Israel é considerada como um “serviço” a Hashem “substituto” aos corbanót/sacrifícios na ausência do Beit HaMikdash/Templo Sagrado (Talmud, Berachot 6b). Assim como os corbanót, a tefilá serve como um veículo através do qual o judeu pode desenvolver sua relação com Hashem. Deste modo, o que aprendemos sobre os sacrifícios tem grande significado hoje em dia. A tefilá individual compreende ambos os aspectos do corbán yachid/individual. A oração deveria primeiro refletir as aspirações da pessoa de se aproximar de Hashem. E em segundo lugar, se a pessoa errou/transgrediu, a tefilá se torna um caminho através do qual a relação manchada pode ser remediada. Além disso, a tefilá, assim como os corbanót no Mishcan/Tabernáculo, envolve mais do que somente a realização das aspirações pessoais ou obrigações. Ela tem um significado especial no assunto de midót ha-rahamim, atributos de caráter misericordiosos. De fato, ela deve ser considerada como um privilégio único oferecido por Hashem para a nação especial que aceitou a Torá no Har/Monte Sinai.
Agora, a tefilá foi organizada pelos sábios, e é inteiramente de conteúdo profundo, intenso e místico, um conhecimento judaico antigo e precioso. Este é um conhecimento que traz a tefilá para muitos graus acima das orações simples, ainda que honestas, dos outros povos, que não têm o entendimento muito complexo cabalístico que “direciona” a oração do modo correto para que assim possa atingir os níveis mais elevados dos mundos espirituais, e por fim, o Sagrado Um, abençoado seja Ele. E sobre este “longo” caminho que as orações precisam atravessar, por assim dizer, é necessário compreender que existem quatro diferente mundos. O mundo físico que consiste de dois componentes – o celestial e o terrestre. O celestial é o domínio das estrela e planetas, enquanto o terrestre é o nosso domínio, aqui na terra. Estes juntos compreendem um único mundo (Hebraico, olám), a saber o mundo físico. Acima deste existe outro, conhecido como o mundo dos anjos. Ainda mais elevado, um terceiro mundo superior das Forças mais altas (um assunto que transcende o escopo deste texto). Este terceiro mundo é chamado o “Mundo do Trono”. Ainda mais elevado e sublime, podemos falar em termos de diferentes influências emanando de Hashem, ou seja, revelações da Sua luz, da qual a existência de tudo na Criação é derivada. De certo modo, o domínio destas influências também pode ser chamado de “mundo”, um que é normalmente conhecido pelos mestres como o “Mundo de Hashem” (existem outras nomenclaturas possíveis para estes mundos). É verdade que o coração honesto e sincero do indivíduo é um fator primordial no aceitar da oração pelo Céu. Mas, ainda sim, não existe comparação com a força da oração quando ela é feita pelo Bnei Israel, pois em tendo aceitado a Torá, naturalmente este povo recebeu as condições espirituais necessárias para o acesso elevado da oração.
E como é sabido, a Torá prescreve grande mérito aos gentios do mundo que aceitam sobre si as “Sete Leis da Torá“, um código fundamental para todos os povos que ainda que não tenham a Torá, possam se conectar com Hashem do modo que a Torá determinou para eles. E a parashá Emor (desta semana) aborda este assunto. Veja, está escrito: ומיד בן-נכר לא תקריבו את-לחם אלקיכם מכל-אלה כי משחתם בהם מום בם לא ירצו לכם “E da mão do estrangeiro não oferecereis nenhuma dessas coisas como sacrifício ao vosso D-us, porque sua lesão está neles, defeito há neles, e não serão aceitos a vosso favor” (Vayicra 22:25, Emor). E sobre isso, o grande comentarista da Torá, o Ráshi, diz: “Animais com defeito não eram proibidos como uma oferenda de um Ben Nôach/Filho de Noé, um não judeu que vive pelas 7 Leis, a não ser o animal falte um membro inteiro”. E eu entendo desta maneira, apesar de não conhecer os segredos da tefilá por inteiro (“um animal com defeito”), o corbán, e assim, a tefilá do Noético verdadeiro é ainda sim uma tefilá aceita. Isto ocorre “a não ser o animal falte um membro inteiro”. Ou seja, nenhum “membro do animal” pode estar faltando. Sob o ponto de vista da tefilá, isto significa que nenhuma de suas partes pode estar faltando. E no mínimo, qual são as partes essenciais da tefilá? E a resposta é a seguinte: a primeira parte que inicia a conexão com Hashem é louvá-Lo. A segunda parte é composta dos pedidos sinceros para Ele. E a terceira parte final, são os agradecimentos a Sua infinita bondade. Incrivelmente, a guemátria ordinal de todo o pasuk/verso citado é 616, a mesma da guemátria absoluta do nome יתרו Yitrô, o sogro de Moshe/Moisés, e o gentio que antes era o chefe das idolatrias do Faraó no Egito, mas que abandonou seus caminhos escuros para seguir a Hashem completamente. E como é tão sabido, o nome da parashá/porção semanal em que o Povo de Israel recebeu a Torá de Hashem é Yitrô.
NAQUELE DIA SEU NOME SERÁ UM
E como está escrito: “No futuro, o Sagrado, abençoado seja Ele, retornará com a Shechina para Sua posição, tal como tudo se encontrará em união, assim como escrito: ‘Naquele dia Hashem será Um e Seu Nome Um’ [Zechariah 14:9]. E se agora você questiona: ‘Mas Ele não é Um?’ Não, pois os perversos causam desuniões: a Shechina se distancia do Rei, e Eles não se encontram então unidos. A Ima supernal se encontra distante do Rei e não o nutre, pois o Rei sem a Rainha não é coroado com as coroas de Ima, como ele costumava ser no princípio, quando Ele ela unido com Ela com várias coroas, inúmeras luzes, com as coroas supernais… Quando Ele se une com a Rainha, a Ima supernal apropriadamente coroa Ele, e quando não ela toma as coroas de volta, impede as fontes dos rios e Ele não é parte de uma conexão e assim não é encontrado como Um, por assim dizer” (Zohar 77b, Acharêi Mot). O assunto aqui é profundo, tratando de uma dinâmica fundamental do tikkún olám/retificação do mundo. Veja, a união do Sagrado, abençoado seja Ele e a Shechina é expresso misticamente pelos partsufim (“conjunto sefirótico”) de Z’eir Anpin e Nukva. Quando eles estão unidos “face a face”, o fluxo integral de bênção recai sobre a criação. Esta união depende essencialmente das mitsvot, da vida santificada e reta dos judeus. Quando os judeus vivem suas vidas focadas na Torá, isto tem um efeito celestial de trazer brachot para Israel e também para o mundo, que depende disso. Agora, quando é dito que Z’eir Anpin e Nukva estão “de costas” um para o outro, implica-se a posição menos favorável desta dinâmica, e deste modo, o fluxo da beneficência Divina é severamente limitado. Ou seja, a atenção e energias não estão focadas um no outro, por assim dizer. Esta desunião causada pela rejeição da vida reta e digna tem grandes consequências na realidade. Além das várias dificuldades que provêm da ausência das bênçãos, ergue-se também a oportunidade primária para os poderes do mal de roubarem esta força vital que de outro modo deveria vir como benevolência para os “súditos do Rei”. Não viver uma vida santa implica em dar forças para as klipot e a ramificação disso é a pobreza material no mundo físico. As luzes superiores/bênçãos “descem” até Malchut através de Z’eir Anpin (em particular de Yesód de Z.A.). Malchut ou Nukva (ou seja, o aspecto feminino, pois Malchut é um recipiente, tal como um útero que precisa das “sementes” de Z.A. para poder procriar e florescer). Malchut é a nossa realidade conhecida. Se existem impedimentos que causam desunião entre as luzes sefiróticas e o recipiente final de Malchut, a força do fluxo Divino é prejudicado como dito e Malchut fica “carente” (pobre). O estado de união, do Nome YKVK é o de face a face, e representa o ideal que existiu no Gan Éden até antes do pecado. O mesmo ocorreu no Sinai até o chet/pecado e com o Beit HaMikdash também. Mas, com a destruição deles e a queda espiritual subsequente, a desunião dos partsufim se “instalou”, e deste modo a nossa realidade de hoje é uma de severidades, a saber, a expressão do julgamento, ou seja, do Nome Elokim. De modo psicológico e igualmente pertinente, quando dizemos que Z’eir Anpin e Nukva estão de costas um para outro, implica-se que as emoções (Z’eir Anpin) estão em algum grau divorciadas ou desconectadas de seus meios de expressão (Malchut é aonde tudo na realidade se expressa). Esta desconexão marcante é facilmente observada nas pessoas que não aceitam tikkún, tendo como característica as dificuldades de expressão de seus sentimentos e incoerências das suas ações. Sem a inspiração engendrada por um estado de união entre as emoções/psique e as ações retificadas, o caos impera, permitidos deste modo que as klipot se “agarrem” e roubem a força vital já prejudicada pelos erros de pensamento, emoções e ações, “amargando-a”. Isto se reflete na vida das pessoas com seus tsa’arot/problemas, na falta de completude da realidade. Mas, algo profundamente significativo desta reconexão fundamental ocorre no grande presente de Hashem para o Bnei Israel: o Shabat. Isto é assim, pois mesmo minimamente, o judeu que cumpre Shabat vivencia um estado mais elevado de realidade – unido e retificado, emocionalmente eletrizado, e deste modo ele experimenta um “gosto” da Era Messiânica: quando ‘Hashem será Um e Seu Nome Um’. Existem muitas outras considerações. Em particular, o assunto de Ima que o Zohar traz significa que acima das emoções (Z’eir Anpin) existe o fluxo da mentalidade Divina (Ima é o partsuf de Binah). Com a desunião, a própria mentalidade das pessoas fica corrompida, confusa e repleta de severidades, pois o intelecto não é alimentado pela força santa de Binah. De fato, as klipot afetam fortemente o fluxo de entendimento que provém da mente, pois deste modo têm influências sobre os julgamentos das pessoas. E quanto mais severos estes juízo são, mas existem as machloket/brigas entre as pessoas etc., impedindo a kedusha/santidade e assim as brachot de chegarem até elas. Isso afeta a sua fé e confiança em YKVK, causando todo um ciclo de queda espiritual. É vital usar todas as forças possíveis para empurrar para fora as klipot e fazer mituk hadinim (“adoçamento dos julgamentos”). E o ponto central do ataque das klipot é a auto ilusão. Saiba isso bem.
NÃO SEJA UMA MERA SOMBRA
E está escrito, זאת תהיה תורת המצרע Zot tihye torat ha-metsorá… “Esta é a lei do leproso etc.” (Vayicra 14:2, Metsorá). Veja, chochmah é o flash de insight que penetra através do véu do inconsciente na mente consciente. É uma experiência efêmera, uma vez pela sua própria natureza, o insight é estranho à estrutura mental na qual ele é introduzido. Sendo uma entidade estranha, se ela não é de alguma maneira integrada na mente, ela simplesmente desaparece e é esquecida. Portanto, a tarefa de binah é integrar este novo insight nas estruturas mentais e padrões de pensamentos que o indivíduo já possui. Este é um processo de tradução e avaliação: traduzindo o insight em termos familiares e avaliando as estruturas mentais existentes e ideias em termos do novo insight. Este novo insight confirma ou contradiz o que eu já conheço e acredito, e se existe a confirmação, qual sua extensão? E assim por diante. Binah, portanto, distingue (em Hebraico, bêin) entre a realidade como refletida no insight e como concebida antes do insight, e reconstrói (em Hebraico, bonêh) a mentalidade da pessoa no despertar do insight. Mesmo assim, tudo isso é atividade mental abstrata. É a função do terceiro componente do intelecto, da’at, trazer relevância e significado para esta nova figura da realidade no dia-a-dia da pessoa. Agora que eu entendo a realidade de uma maneira nova e mais elevada, o que este entendimento diz a respeito da maneira que eu tenho vivido a minha vida e como de fato eu deveria vive-la doravante? Agora começamos a ver a diferença essencial entre o bem e o mal, ou mais precisamente, santidade e o mundano. A força motriz do intelecto santo/elevado é sempre de buscar a relevância do insight, compreensão e conhecimento. O intelecto do mal/mundano não possui esta força motriz. Ele é completamente contente de focar na experiência do insight – no “Uáu” ou “deslumbramento momentâneo” sem se “poluir” com as preocupações morais ou a relevância. Para este tipo de intelecto, a vida é apenas uma sucessão de experiências estéreis, excitantes por e em si mesmas, mas que não produzem nenhum fruto durador ou mudanças na vida do indivíduo ou sociedade. Uma pessoa assim, a grande maioria do mundo, é manchada pela “lepra espiritual”, que assim literalmente o conduz a viver apenas à sombra de seu real potencial. E uma dica disso, temos que a guemátria atbash do termo המצרע ha-metsorá, “o leproso” é 115, com mais as suas 5 letras, temos o total de 120 que é a guemátria absoluta de צל tsêil, “sombra”.
O HOMO SECULARIS
E sobre a parashá Tazria-Metsora, está escrito, “Enquanto a alma santa é ligada ao homem, ele é amado do seu Mestre. Ele é guardado por todos os lados, ele é marcado para o bem acima e em baixo, e a santa Presença Divina repousa sobre ele. Mas, se ele perverte seus caminhos a Presença Divina o abandona, a neshama/alma superior não se liga a ele, e do lado da serpente do mal um espírito se ergue, o qual somente reside em um local aonde a santidade dos céus partiu. E assim o homem se profana e sua carne, sua aparência facial e todo o seu ser, distorcido” (Zohar 46b, Tazria).
A essência da sítra áchra/lado do mal pode ser compreendida pela filosofia neo-pagã que sublinha a “religião” atroz e preconceituosa que mais se alastra no mundo: o Secularismo Fundamentalista. Hoje em dia no mundo Ocidental, sua influência nefária permeia e predomina em quase todas as esferas e meios sociais, jurídicos e culturais. Ela se embasa na casca filosófica de uma “ética fluida” que diviniza a democracia e afirma o voto majoritário acima de qualquer custo moral (mas que sempre pode ser mudado na próxima eleição). Sua ética rejeita o biblicamente moral, portanto ataca frontalmente todas as pessoas retas do mundo – de todas as religiões. Com o mesmo zelo de uma jihad Islâmica, a agenda secular fundamentalista faz uso das “forças da democracia”, como as cortes do país, para atacar qualquer assunto religioso (literalmente, moral) de domínio público. Seu pensamento é baseado no princípio de que toda e qualquer oportunidade de derrubar cercas morais bíblicas “antiquadas” – inclusive as antes impensáveis – deve ser explorada. O homo secularis é sempre incrédulo e tem uma visão desequilibrada, ansiosa e perigosa sobre a realidade. Isto é devido à sua superficialidade, pragmatismo e cinismo sobre tudo. Seu foco estrito é nos prazeres da carne. Portanto, esta máscara da sítra áchra é marcada pela permissividade e toda a hipocrisia que a circunda. O homem secular é essencialmente permissivo. Ele afirma que nada deveria interferir no seu desejo de aproveitar a vida: nenhuma norma, ordem ou responsabilidade moral (salvo as que ele, por algum gosto pessoal considere como “razoável”, até que em tempo ele mude de ideia). Ele não aceita restrições. Se ele pensa que certo caminho é a sua maneira de aproveitar a vida, então ele tem este direito, pois se trata da sua liberdade. Ele tem o direito de gratificar todas as suas necessidades carnais e não precisa se render à lei alguma, muito menos às de Hashem e Sua Torá. Para este tipo pessoa, amoral e repleta de preconceitos contra o espiritual/moral, nada a profana ou contamina. De fato, ela deve fazer apenas uma única coisa na vida: satisfazer seus desejos. Esta filosofa pagã é o pilar fundamental deste secularismo fundamentalista que hoje atinge seu pico, pregando o humanismo liberal sem limites. O Talmud (Sanhedrin 63b) explica que o povo judeu sabia que a idolatria era tola e sem sentido, mas eles serviram aos ídolos (ref. pecado do “bezerro de ouro”) meramente para se “sentirem livres” de cometerem relações imorais em público. O mesmo espírito de rebeldia contra Hashem é novamente usado para justificar o amplo espectro imoral dos membros desta perigosa religião da “nova ordem do mundo”, da “anti-religião” do secularismo que hoje mais do que nunca, guerreia agressivamente contra todas as religiões bíblicas do mundo.
SEJA UM BOM FILHO
Na parashá Shemini, a Torá traz a lista de animais kashér e também os não kashér os quais as almas judias (e somente e unicamente elas) precisam observar com cuidado para não se contaminar. De fato, tão importante é a comida kashér para um judeu, que através dela a alma é beneficiada o que preserva o fluxo de entendimento espiritual no séchel/intelecto. E como explica o Zohar, “A pessoa que busca o da’at eliyón/entendimento superior precisa preservar a sua boca das comidas que profanam sua alma, assim como dito que ela deve manter a sua língua longe das palavras maldosas [que também mancham a alma, assim como as comidas impuras” (41a, Shemini). A ideia central é que a boca afeta o séchel. A comida não kashér bloqueia o coração, tornando‑o insensível à espiritualidade. Esta comida não permitida para um judeu, causa um bloqueio da sua própria força vital. Para uma alma judia, é muito grave comer qualquer coisa que não seja kashér. Este bloqueio no seu coração cria um véu que encobre a sua percepção sobre as verdades da Torá. Ela fica restrita à compreensão racional-mundana/rebaixada. Deste modo, o seu entendimento sobre D‑us se torna corrompido, mantendo-se então imaturo, e em última instância frio. Verdadeiramente, a pessoa que consome alimentos trêif (hebraico para “não kashér”) não consegue de forma alguma se tornar sensível aos assuntos Divinos. E isto resulta em um “ciclo espiritual” negativo: ela não consegue se tornar sensível aos assuntos de Torá, e assim, ela consome cada vez mais o que é proibido, o que faz com que ela fique mais distante ainda da Torá que é sua a Fonte de vida. Enfim, ela duvida de tudo que é espiritual e se desliga de D‑us, assimilando-se ao mundo vão e fútil, sem D-us. Em sua consciência repleta de “paredes”, limites que são na verdade guevurót/severidades de seus julgamentos sobre as coisas da vida, ela assim acredita que todos os assuntos espirituais não tem o menor sentido. E assim como é dito, משדד-אב יבריח אם בן מביש ומחפיר Meshaded-av yavriakh em ben mevish umakhpir, “O filho que age de forma reprovável e vergonhosa maltrata seu pai e afugenta sua mãe” (Mishlei 19:26). Misticamente, “pai” (Aba) significa Chochmah/Sabedoria e “mãe” (Ima) significa Binah/Compreensão. Portanto, quanto o “filho” se comporta de modo desalinhado com as leis da Torá e mancha, ou seja, traz vergonha para sua própria alma, ele assim “maltrata”, ou seja, traz dano real para chochmah que é a sua capacidade psíquica e intuitiva, correspondendo à função do lado direito do cérebro. E ao mesmo tempo, ele “afugenta”, a saber, perde o fluxo racional/binah que corresponde ao lado esquerdo do cérebro. Portanto, toda a dinâmica básica de sua mente superior é afetada, rebaixando algo de seus aspectos fundamentais que outrossim são naturalmente destacados na alma judia, agora mantida prisioneira de sua revelação. Em suma, o filho diminui e constrita seu ser em baixo e no alto também. De fato, vemos uma dica vital sobre isso na guemátria ordinal deste verso do Mishlêi que é 245, o mesmo valor numérico da expressão אדם קדמון Adam Kadmón, “O Homem Primordial”. Em Cabalá, Adam Kadmón representa a própria essência e início primários da criação – da diferenciação entre Criador e criatura – portanto, do Tsélem Elokim/Imagem de D-us na qual o homem foi criado. É vital para o judeu romper com este ciclo negativo através da teshuvá – o retorno ao estado de alinhamento com as verdades espirituais e à vida reta e digna da Torá.
O MAIOR DOS MILAGRES
E foi em Shivií shel Pessach (o sétimo dia da festa de Pêssach, que celebra o Kriyas Yam Suf/A Travessia do Mar), que durante a leitura da quinta aliyá/chamada na Torá eu tive uma visão sobre este maior dos milagres de Hashem. Quando amanheceu e os judeus ainda o atravessavam, o céu – em toda a margem Egípcia – permanecia escuro, noite verdadeiramente, salvo o pilar de fogo que lá ficava protegendo os filhos de Israel que ainda o atravessavam. Mas, a partir da entrada do mar que se abriu em direção a todo o horizonte, era um dia muito iluminado. Havia também um enorme arco-íris sobre os 12 caminhos do mar, uma para cada tribo de Israel. E todo o ar era preenchido por faíscas douradas e prateadas cintilantes que reluziam de modo esplendoroso. Estes eram os malachim/anjos que acompanhavam a travessia do povo santo. E um rêmez/dica sobre isso, vemos que o passúk/verso diz, אחד באחד יגשו ורוח לא-יבוא ביניהם Echad be’echad yigashu veruach lo-yavo veineihem, “Um tão perto do outro, que ar nenhum passava entre eles” (Jó 41:8). E a guemátria katán deste verso (semanticamente ligado à cena descrita) é 97, a mesma guemátria absoluta de מלאכו malacho, “Seu anjo”. Se vista de longe, toda esta cena milagrosa era mais do que extraordinária, pois foi como se a terra estivesse vivenciando noite e dia simultaneamente num espetáculo de luzes que brilhavam sobre o grande mar partido. Hodú L’Hashem Ki Tov Ki LeOlám Chasdó.
JULGUE PARA ADOÇAR
E está escrito, ולהבדיל בין הקדש ובין החל ובין הטמא ובין הטהור Ulehavdil bêin hakódesh uvêin hachól uvêin hata-mê uvêin hatahór, “Para distinguir entre o santo e o profano, e entre o impuro e o puro” (Vayicra 10:10, Shemini). Este passúk/verso ensina algo da essência da Torá, a saber, que o mundo físico é um domínio de misturas entre o bem e o mal, e que a pessoa precisa inquestionavelmente aprender através da Torá a caminhar somente pelo Dérech Tóv/Caminho Bom, que é estabelecido através das leis que separam e distinguem o que é o bem e o que é o mal. Agora, misticamente, o número 320 é derivado das 288 fagulhas da luz Divina que caíram do mundo de Tohu e se tornaram “incorporadas” no tecido dos mundos inferiores, incluindo o nosso, como a consciência auto-orientada e o egocentrismo. A este número (288) é adicionado o número de vezes (32) que o Nome Elokim – o Nome que significa o julgamento Divino e a severidade – aparece na história da criação (no início do livro do Bereshit/Gênesis). Portanto, 288 + 32 = 320. Em Cabalá, os chamados “320 estados de severidade”, significam a negatividade e egocentrismo intrínsecos da criação desde a “queda” espiritual que resultou do pecado primordial no Gan Éden/Paraíso, e sobre o qual é a nossa função “neutralizar” (estas severidades) através de eliciar o amor e misericórdia Divina. De modo mais específico, o número 320 é significativo como o número de estados de julgamento (guevurót) em Binah. Como é sabido, Binah (associado ao inteleto como o atributo da compreensão racional/lado esquerdo do cérebro) precisa evidenciar a propriedade do julgamento na maneira em que metodicamente constrói a visão completa do mundo a partir do insight seminal de Chochmah (associado ao inteleto como o atributo da sabedoria intuitiva/lado direito do cérebro), tal como afeta a visão prévia do mundo, antes deste processo de julgar/discriminar. Veja, cada detalhe da visão prévia do mundo é avaliada na luz do novo insight, e assim modificada, aceita ou rejeitada, dependendo de como ela mede em relação à nova verdade que foi alcançada através do processo analítico. Esta é a síntese da expressão mais refinada do processo de julgamento, que permite intelecção da realidade racional revelada. Esta “cooperação” entre a sabedoria intuitiva e a compreensão racional é sempre liderada pelo insight do pensamento, que na essência é Chochmah (ou Aba). Portanto, através deste processo sublime, os estados de severidade são mitigados (ou “adoçados”). Ou seja, a visão retificada da realidade racional ainda que constantemente precise julgar os elementos em questão, só atinge o retificação quando equilibrada com a sabedoria elevada intuitiva. Saber como julgar a realidade através desta dinâmica é adoçar a realidade, significando o neutralizar destas “severidades” do mundo. E isto é tikún/aperfeiçoamento. Agora, incrivelmente, vemos que a guemátria ordinal do passúk citado é 320. De fato, o termo בין bêin é a raíz da palavra binah, que significa “entre”, ou seja, julgando/avaliando “entre” uma coisa e outra. Portanto, aqui a Torá nos ensina que para “adoçar” as guevurót é vital saber com conhecimento específico, como julgar para retificar a realidade, e isso ocorre quando a pessoa distingui entre o santo e o profano, e entre o impuro e o puro, assim como definido absolutamente pela Torá e não pela avaliações e opiniões egocêntricas da pessoa.
ESTES SÃO IMPUROS PARA VÓS
O assunto dos tolaím, “vermes” e a grande mitsvá de bedicát tolaím (“procurar vermes”) para removê-los das saladas, verduras, frutos e frutas etc. sempre e sem exceções antes de comê-las, é algo muito sério. Nossos sábios da Torá ensinam que, “O judeu que desobedece e negligencia estas leis é considerado como negador da êxodo do Egito” (Torat Kohanim no Vayicra 11:45, parashá Shemini). E neste mesmo passúk/verso, o comentarista Ráshi diz: “A escola de Rabi Yishmael ensinou: E Hashem diz: ‘Se eu tivesse removido o povo Judeu do Egito somente para que eles não se profanassem através de comer criaturas rastejantes como as outras nações, isto teria sido razão suficiente para eles serem redimidos'”. O Talmud afirma: “É mais detestável pecar com este assunto do que com outros pecados” (Bava Metsía 61b). E misticamente, vemos a intensa gravidade desta transgressão: “Aquele que come destas comidas impuras [trêif/não cashér em geral] se liga a sitra achra/lado do mal e profana o seu corpo. O Espírito Impuro repousa sobre ele e ele não tem uma porção no mundo vindouro e nem sua alma provém do lado da kedusha/santidade e não se liga com Hashem. E se ela parte deste mundo neste estado [causado por esta alimentação impura], ele será pego por todos aqueles que se agarram no lado da sitra achra [ou seja, os espíritos malévolos]. Ele será julgado como um homem desprezado pelo Mestre, desprezado neste mundo e no mundo vindouro” (Zohar 41b, Shemini). E eu vi observei o seguinte, que assim como está escrito, וזה לכם הטמא בשרץ השרץ על הארץ Ve-ze lachem hatame basherets hashorets al-haarets, “E estes são os impuros para vós, entre os animais rastejantes que se movem sobre a terra” (Vayicra 11:29, Shemini). E a guemátria de Ve-ze lachem hatame é 163, a mesma de pigulim (“abomináveis”). E a guemátria do sofêi tavót de basherets hashorets al-haarets (tsadi-tsadi-lamed-tsadi) é 300, a mesma de le-rah (“para o mal”) e arál (“fechado” ou “incircunciso”), sem luz. Verdadeiramente, a razão que temos medo, horror ou nojo das criaturas rastejantes é que suas nefashót/espíritos provém do nível de Asiyah de Asiyah do Olam HaAsiyah, a saber, da própria terra ela mesma e não dos níveis celestiais. Estes são espíritos baixos da terra, significando serem de tão pouca luz espiritual, produto de um tsimtsum/contração da Luz Divina tão extraordinário e incompreensível, que na sua própria revelação e forma físicas elas se apresentam de modo abominável, repugnante, essencialmente sem luz . A sua essência e raiz espiritual existem na própria klipah física da terra, no grau mais baixo deste mundo, das maiores impurezas. Qualquer pessoa minimamente espiritualmente refinada deve sentir sensações negativas em suas presenças. Mesmo assim, são klipot vitalizadas e permitidas de existir por Hashem, sendo proibido matar ou maltratá-las salvo se a pessoa for assolada e perseguida por uma destas criaturas, como as serpentes, escorpiões etc. Prejudicar gratuitamente estas criaturas abomináveis implica em acerto de contas no Yom HaDín/Dia do Juízo Final.
PRONTO PARA A CURA
Que as palavras deste shiur tragam Refuah Shleimah/Cura Completa para
Yitzchak Hersh ben Sarah Leah
Na oração de shacharit/manhã de 22 de Nissan de 5769 (parashat Shemini, yom chamishi), no Kriyat HaTorah/Leitura da Torá, o Reb Lipe fez um pedido na Torá para um Mi sheberách/Oração de cura para mim. Incrivelmente, imediatamente eu me senti melhor. E por que afinal não seria assim? Na época do Beit HaMikdash/Templo Sagrado, milagres ocorriam todo o tempo. A Shechina/Presença Divina estava tão próxima de nosso povo, que bastava o judeu rezar para Hashem, que um milagre poderia acontecer de imediato. E como explica o Shlach HaKadosh, “O homem foi criado b’tselem Elokim/na imagem de D-us, uma combinação do físico e do espiritual; as duas partes precisam trabalhar em conjunto… Libi uvsari leranenú el kEl chai, ‘Meu coração e todo a minha alma gritam em alegria para o D-us vivo’ [Tehilim 84:3]… O corpo da pessoa adquire vários graus de santidade de acordo com o cuidado tomado em selecionar o que ela come etc. [e neste Salmo vemos que] o corpo está alinhado com a alma” (parashat Shemini). Para um judeu que trabalha de fato para promover o alinhamento entre o seu aspecto físico e o espiritual de acordo com as halachót/leis da Torá, o seu coração se torna como o kodesh kodashim/sagrado dos sagrados, aonde a própria Shechina reside. Sendo assim, seu contato com Hashem é muito menos obstruído pela klipah/forças antagônicas à santidade, permitindo – se este estado de alinhamento é verdadeiro e no grau e nível particular da pessoa – “acesso” a algum grau superior do poder infinito e transcendental de Hashem na maneira em que este poder e luz são investidos no mundo, no Mikdash que é o seu corpo. E de fato, no kodesh kodashim, o local mais santo deste Mikdash, que é o seu coração. Veja, seu próprio coração é o portal da Shechina que tanto o vivifica como o permite ligar-se a Ela, pois a Shechina é a fagulha Divina que dá vida à alma. Portanto, diante da prece e desejo do indivíduo, e de sua real força e vigor para cumprir o avodat Hashem/serviço a D-us, como no caso de pedir refuah shleimah para alguma pessoa, imediatamente ele “toca” neste poder que então a cura, se D-us quiser. O mesmo é verdadeiro para outras bênçãos. Mas nada é tão íntimo e passivo de ser sentido de imediato do que o bem estar da luz de D-us se difundindo com maior vitalidade no corpo e alma da pessoa – uma verdadeira revelação Divina. E este dia foi especial, pois sendo o Sétimo dia da contagem do Ômer, a sefirá é Malchut sheb’Chessed, que significa o “recebimento da bondade”. Ou seja, neste dia descrito e tão propício, o “tema” é o do saber receber benevolências. E de fato, eu recebi a bondade de uma aspecto da cura, baruch Hashem/graças a D-us. Mais ainda, todas pessoas também podem e devem recebê-la, mas isso se estiverem prontas para a cura, a saber, alinhados com Hashem que é o Curador do mundo.
ATRAVESSANDO UNIVERSOS
E está escrito, “No altar existe uma rampa… lá existem miríades de legiões de seres celestiais… Existem seis bilhões de legiões… Eles estão em cada canto da rampa e sobre eles existe um ser designado. Todos vestem um efod [como os kohanim] e eles lá estão para carregar o serviço do altar, que corresponde aos seres inferiores no Templo. [Aqui o santo Zohar continua a explicar diferentes ações destas legiões – como os que estão em diferentes posições na rampa – com grande temor, tremendo de tanto medo etc.]… E quando o fogo de Yitzchak alcança o altar, inúmeras fagulhas voam para cima e para baixo e para todos os lados e alguns dos poderosos guerreiros do mundo são iluminados por elas. Se não fosse pelo kohen quem ficava no altar arrumando a madeira, o mundo não seria capaz de aguenta-los. As costas das criaturas vivas são incendiadas por estes carvões iluminados e pelas fagulhas quem provém deles, assim como está escrito: ‘E quanto à aparência das criaturas vivas, assemelhavam-se a carvões de fogo, acesos como tochas, que faiscavam de um lado a outro entre os seres’ [Ezequiel 1:3]” (Zohar 30a, Tsav). Agora, vejo assim o significado desta passagem: Algo da nossa realidade física (o Olam HaAsiyah) atravessa os universos instantaneamente, por assim dizer, afetando os seres espirituais de outros planos. Entretanto, aqui temos um efeito de nossa realidade diretamente nas superiores. Este também não é um resultado do esforço e intenções humanas no avodat Hashem/serviço a D-us (ref. mayin nukvin/”águas femininas”), mas sim algo dinâmico que ocorre devido à natureza de ambas as realidades. As criaturas vivas espirituais se incandescem pelas faíscas que voam dos carvões em brasa do altar. O fogo/plasma é energia e como nos outros olamót/mundos espirituais, os seres vivos são feitos de fogo e ar, existe a transferência direta e reconhecível no mundo deles, com uma grande ampliação devido à expansão dimensional. Ou seja, uma pequena fagulha aqui atinge uma imensa luminosidade de várias “cores” nos outros olamót. O incandescer provém da kedusha/santidade destas fagulhas que afinal tem origem no altar do Templo. E a kedusha permeia todos os múltiplos universos, como é sabido. Existem muitas outras considerações que somente com sabedoria intuitiva/psíquica podem ser alcançadas, para outra oportunidade se D-us quiser.
SOMOS TODOS ÚNICOS
Está escrito lá: “Quando o aspecto do Julgamento [Guevurah] é direcionado a uma pessoa para que ela deixe e ascenda deste mundo, mas ela é salva depois [e não morre], então o aspecto do Julgamento não a deixa até que Lhe seja dado um ‘resgate’ que tome o lugar dela [a saber, outra pessoa precisar morrer em seu lugar]” (Maguid Mesharim, parashá Vayicrá, com meus parêntesis). Uma pessoa somente pode subir de nível espiritual se outra “desocupar” a posição a ser alcançada. E assim que ela desocupa a sua “posição atual”, outra pessoa pode assumir esta nova posição. Isto é incrível, pois significa que todos nós somos muito mais individuais e únicos do que realmente imaginamos. O Maguid Mesharim traz o extremo deste conceito, pois se uma pessoa foi marcada para morrer (e a morte é um tikkún/ascensão também), isto significa que a sua “posição espiritual” é então vagada. Esta posição seria então obrigatoriamente preenchida por outra pessoa. Entretanto, um milagre ocorreu (no Maguid Mesharim, isso ocorreu devido às almas justas que rezaram pelo Rabi Yossef Karo, graças aos seus méritos). Assim, Hashem decidiu salvá-la. Agora, o julgamento Divino é exato. Mas será que a pessoa salva retorna à sua “posição espiritual” original após este milagre, portanto esta posição não ficando mais vaga? De fato, quando isso ocorre, outra pessoa precisará morrer, pois a posição original ficou sim vaga (e será ocupada por outra pessoa em ascensão). A pessoa salva da morte não retorna jamais a posição anterior ao milagre. Ela terá outra posição – aquela que era ocupada por aquele que precisou morrer como um “resgate”.
AUTO-CURA
O santo Zohar traz que “Originalmente, as vestimentas da alma de Adam eram sublimes – um corpo santo inclinado à espiritualidade” (229b, Pecudê). E assim será também no futuro, quando “A terra será preenchida pelo conhecimento de D-us” (Habakuk 2:14), a saber, mesmo a materialidade do corpo será inteiramente intelecto e conhecimento Divino, tal como foi para Adam antes do pecado. E isto ao meu ver significa a promessa da era Messiânica que o corpo, e desta maneira todos os órgãos, terão inteligência para agir de modo diferente de como atuam hoje, e assim receberão instruções para se curarem por vontade da própria pessoa. Que seja em breve, amém.
VESTIMENTAS SANTAS
“E o Rabi Shimon disse a alguém nas alturas celestiais: Eu certamente estou consciente que você está vestido lá [no Gan Éden/Paraíso] com um manto precioso de puro santo corpo espiritual [do grau do ruach/espírito, chamado de haluka d’ rabanám/a vestimenta espiritual]. E em algum momento existiu algo assim aqui neste mundo físico, de uma pessoa que se apresenta aqui no seu corpo físico que é semelhante ao seu corpo espiritual? E o Rabi Shimon também disse a ele: saiba que este assunto me foi perguntado por dois jovens na presença do Rosh Yeshiva/Diretor da escola rabínica. Eles estavam vestidos entre nós, depois de sofrerem dor sobre um pecado que é inapropriado revelar, e eles perguntaram esta questão para o Rosh Yeshiva. E ele respondeu que houve tal ocorrência no mundo físico. E como nós sabemos? Uma vez que está escrito: ‘Ao 3º dia, Ester se aprontou com seus trajes reais/malchut [Ester 5:1]. E aquele manto que ela vestiu era na mesma maneira do mundo espiritual, em malchut, a origem do Espírito Divino. Pois o Reino do céu sopra um vento [ruach] do espírito do ar daquele mundo, e este vestiu Ester. Quando ela entrou na presença do rei Achashveros e ele viu seu manto de luz, a forma dela para ele foi como a de um malach/anjo de Hashem, e ele então perdeu a sua alma por um instante” (Zohar 169b, Shelach Lechá).
Disso eu então percebi que o passúk/verso citado (Ester 5:1) e assim verificar o sofêi tavót/letra finais: ותלבש אסתר מלכות Vatilbash Ester Malchut, “Ester vestiu as vestimentas reais [malchut]”: E a guemátria deste sofêi tavót (תשר, shin-rêish-tav) é 900, a mesma de נפשתיכם nafshotêichem (“As suas almas”). Este achado especial apenas confirma o que foi dito no Zohar sobre as vestimentas santas de Ester que iluminaram a fizeram aparecer para o rei como um malach. E como é sabido sobre estas aparições, elas podem causar grande espanto e até remover a alma, o que de fato ocorreu com ele diante desta beleza iluminada. Meu pensamento foi magneticamente atraído pela revelação do Rabi Shimon e deste modo, fui guiado a perceber algo de sua origem. E assim continuei a receber: Da mesma maneira que diante da kedusha/santidade – da roupagem de malchut – a alma do góy/não judeu partiu por um instante, a alma santa de um judeu também o faz quando diante da falta de uma vestimenta apropriada, ou seja, da pritsut/falta de recato. Em um nível, Ester nos ensina aqui o valor da tsiniyut/recato/modéstia, que bani a escuridão e traz as bênçãos da Shechinah/Presença Divina que somente paira aonde existe a modéstia e recato. E quando o indivíduo perde a sua alma por um momento, ele então se abre para que as hitzonim (“forças externas”) que adentrem o seu corpo, dominando-o e ele assim cai em escuridão e perigo de vida física e espiritual. Desta maneira, é preciso proteger todas “As suas almas”, do Bnêi Israel, contra este mal. E ao verificar a leitura da parashá de hoje (yom rishon/primeiro dia) em Ki Tissá, em espanto vi escrito: לכפר על-נפשתיכם Lechapêr al nafshotêichem, “Para expiar a suas almas” (Shemot 30:15). Tudo é conectado, baruch Hashem.
ESTEJA PRÓXIMO
Como devekut é vital. E isso é assim em todos os momentos e locais, pois a conexão com a Shechinah/Presença Divina é sempre possível. E deste modo, trazemos então honra para Ela e isso nos abençoa e fortifica como um fogo intenso que nutre a alma. O quê vemos na realidade é apenas uma casca, um “palco” aonde atuamos durante esta curta estada de nossa vida. E como está escrito, ונקדש בכבדי Venikdash bichvodi, “E será santificado pela Minha glória” (Shemot 29:43, Tetsavê). E sobre isso explica o Rashi: “Pois a Minha Shechinah lá repousará… Eu serei santificado através daqueles que estão próximos de Mim”. E depois: לשכני בתוכם Leshochni vetocham, “Que Eu repouse no meio deles” (verso 46), e o Rashi: “Isto quer dizer, na condição que Eu residirei no seu meio”. E tudo isso ocorre se o coração estiver realmente pronto para receber a Shechinah. Veja, o reshit tavót (acróstico) de Leshochni vetocham são as letras lámed e bet, que formam a palavra Lêv, “coração”.
REMÉDIO ESPIRITUAL
“E farás 1 candelabro [menorah] de ouro puro; esculpido e de uma só peça será feito o candelabro; sua base e sua haste, seus cálices, seus botões e suas flores serão da mesma peça. E 6 hastes sairão de seus lados – 3 hastes do candelabro do 1º lado e 3 hastes do candelabro do 2º lado. 3 cálices desenhados numa haste, botão e flor; e 3 cálices desenhados na outra haste, botão e flor; assim será para as 6 hastes que saem do candelabro. E no candelabro haverá 4 cálices desenhados, seus botões e suas flores. E haverá 1 botão saindo debaixo das 2 hastes; 1 botão debaixo das 2 hastes seguintes e 1 botão debaixo das 2 outras hastes; assim será das 6 hastes que saem do candelabro. Seus botões e suas hastes serão do mesmo bloco, e todo ele será de uma só peça lavrada a martelo e de ouro puro. E farás suas lâmpadas em número de 7, e acenderás suas lâmpadas que iluminarão em direção ao seu centro. E suas espevitadeiras e suas pazinhas serão de ouro puro. De 1 talento de ouro puro fará ele e todos estes utensílios utensílios. E vê e faze-o conforme seu modelo, como te foi mostrado no monte” (Shemot 25:31-40, Terumá).
Por nove passukim/versos a Torá revela na íntegra a construção da Menorah/Candelabro. O Ba’al Haturim explica que neste trecho a letra sámech (ס) não aparece (assim como na passagem da Criação, no Bereshit). Isto é assim, pois a letra sámech é uma referência ao Sámech-Mém (o “Satán“) e as forças estranhas prejudiciais. E ele continua: “Isto nos ensina que onde uma lâmpada está queimando, nem o Satán ou as forças prejudiciais têm qualquer influência. E assim a Menorah indica a ausência forçada do Sámech-Mém e seu bando. E no mérito de Israel cumprir as mitsvót/mandamentos de Hashem – e como a mitsvá é a lâmpada e a Torá a luz (Mishlei 6:23) – Hashem assim selará a boca do Sámech-Mém e impedirá que ele faça as suas acusações celestiais. Esta passagem da parashá Terumá é uma grande segulah (“remédio espiritual”) contra forças do mal que se aproximam de nós. Quando a klipah (“casca”, “forças antagônicas”) estiver próxima, trazendo medo e ansiedade e sensações de que o mal está próximo, então este trecho deve ser recitado – em Hebraico ou português – para que seja imediatamente trazida à luz que rejeitará vigorosamente o Sámech-Mém e seu bando. E o caminho da pessoa se iluminará então, amém.
KIDUSH HASHEM
O Midrash ensina que, “Enquanto Avraham e Sarah estavam em Charan – ele convertia os homens e ela convertia as mulheres” (Bereshit Rabah 39:14). O nome ChaRaN (הרן) tem as mesmas letras de ChaRoN [‘raiva’], a ira Divina despertada pela transgressão. Portanto, Avraham e Sarah lutaram para mitigar a raiva Divina através de trazer pessoas para o serviço a D-us. O mundo sem consciência Divina vive em transgressão perene. Por isso vemos as tragédias – os decretos severos que recaem sobre o mundo causados pela ira Divina em resposta a um mundo idólatra, arrogante e apático às leis espirituais. O trabalho Abrâmico com seres humanos é vital, pois “adoça” os decretos Divinos ao retrair a idolatria no mundo enquanto ensinando como se ligar a Hashem. E quando Yitrô veio e desejou se converter na fé de Israel, então o Nome do Sagrado Um foi glorificado. Veja, quando alguém distante da kedusha/santidade vem e louva a Hashem, esta manifestação engendrada se estende espiritualmente para todos os mundos, mesmo os mais remotos e baixos. E isto é kidush Hashem (“a santificação do Nome de D’us”). Verdadeiramente, Yitrô se ligou com grande força e alegria a Torá e ao Povo de Israel, e assim glorificou o “Meu Nome”* (em Hebraico, Shemi: shin-mem-yud = 300 + 40 + 10 = 350). E como está escrito: ויחד יתרו על כל-הטובה אשר-עשה ה’ לישראל Vayichad Yitro al kol-hatova asher-assa Hashem le-Israel, “E Yitrô se alegrou por toda a bondade que o Hashem havia feito para Israel” (Shemot 18:9, Yitrô). E a guemátria ordinal deste verso também é 350.
* “E Hashem disse a Moshe… Este é o ‘Meu Nome’ [Shemi] para sempre, este é o Meu memorial
para todas as gerações” (Shemot 3:15).
MARCHE ADIANTE COM FÉ
E está escrito nesta parashá santa, ויאמר ה’ אל-משה מה-תצעק אלי דבר אל-בני-ישראל ויסעו Vayomer Hashem el-Moshe ma titsak elai daber el-benei-Yisrael veyisau, “E o S-nhor disse a Moshé: Porque você chora para Mim? Fale para os povo de Israel, que eles marchem adiante” (Shemot 14:15, Beshalach). O Rashi neste verso explica que Moshé estava erguido de pé em intensa oração (diante da situação terrível que o povo se encontrava: com as tropas do Faraó ao encalço e o mar no outro lado). E Hashem disse a ele, “Agora não é hora de rezar de modo prolongado, pois Israel está em perigo e ação imediata precisa ser tomada”. A expressão מה-תצעק אלי Ma titsak elai, “Porque você chora para Mim?” mostra que o pranto e oração de Moshé foram perfeitos, querendo dizer, trouxeram a própria essência do choro na oração. Vemos isso, pois a guemátria atbash aqui é 577, e este é o mesmo valor da palavra תזעק tisak, “chorar”. A “realidade dentro da realidade”, revela a essência mais pura deste avodat Hashem (“trabalho espiritual”). De fato, tão perfeito foi este choro de Moshé que vemos que a guemátria katán é igual a 35, revelando assim o Nome Divino Kah que é o grande Nome da Salvação, de mesma guemátria. Assim, Moshé chorou e clamou de modo a “ativar” a inefável benevolência Divina através do Nome Santo Kah. Contudo, o Rashi continua: “דבר אל-בני-ישראל ויסעו daber el-benei-Yisrael veyisau, ‘Fale para os povo de Israel, que eles marchem adiante’ – Não há nada para eles a fazerem, somente continuar a viagem. Porque o mar não é uma barreira para eles. O mérito de seus patriarcas – Avraham, Yitschak e Ya’acov – e deles mesmos, e a fé que eles tiverem em Mim quando deixaram o Egito são o suficiente para que o mar seja partido por eles”. E investigando o passúk, vemos a força dos patriarcas no próprio DNA do verso, na realidade dentro da realidade da Torá Viva. A guemátria ordinal do verso é 182, a mesma de Ya’akov (yud-ayin-kuf-beit = 10 + 70 + 100 + 2 = 182). Mas, 182 também é igual a YKVK (guemátria 26) x 7. Agora, Yitschak (yud-tzadik-chet-kuf = 10 + 90 + 8 + 100 = 208), é o valor de Ya’akov (182) + YKVK (26, que veio de Ya’acov) = 208. E Avraham (alef-beit-reish-hei-mem = 1 + 2 + 200 + 5 + 40 = 248) é Ya’acov + o valor numérico do Nome Divino Adni, mais um do kolel. Ou seja, Ya’acov (182) + Adni (alef-dalet-nun-yud = 1 + 4 + 50 + 10 = 65) + 1 = 248 (Avraham). Falta apenas descobrirmos da onde vem o Nome Santo Adni (que significa S-nhor). Veja, o sofêi tavót deste verso é רלילו (reish-lámed-yud-lámed-vav). E a sua guemátria ordinal é 60, com mais 5 das letras deste sofêi tavót, temos então o valor numérico 65 = Adni. Ainda assim, Hashem determinou que ao invés deles pararem e esperarem seus méritos de protegê-los, que eles deveriam seguir em frente, fazendo o seu próprio esforço para superar esta situação tão difícil. E aí e somente então Hashem os abençoaria com os Seus feitos maravilhosos. Certamente uma lição muito importante para todos.
REAJEITE A SUA COROA
Nesta parashá santa é feito uma promessa extraordinária: “Se ouvires atentamente a voz de YKVK e fizeres o direito a Seus olhos, escutares Seus mandamentos e guardares todos os Seus estatutos, toda enfermidade que enviei aos egípcios [leia, a todos que negam a Torá] não porei sobre ti, pois Eu sou o Eterno, que te cura” (Shemot 15:26. Beshalach). Todos que desejam podem se curar, literalmente. E o processo inicia com a reavaliação, com a mudança de suas vontades. Veja, o passúk diz: כי אני ה’ רפאך Ki Ani Hashem Rofêcha, “Eu sou o Eterno que te cura”. E o reshit tavót (acrônimo) é chaf-alef-yud-rêish, formando assim a palavra Arich. E misticamente, Arich é a origem de todos os desejos, do poder das vontades que está acima do consciente, do nível chamado de Kéter que é como a “coroa” (kéter em Hebraico) da alma. “Reajeite” a sua coroa e altere toda a sua vida. Todo novo estado do ser se inicia com o poder da vontade que emana e assim cria um “mundo” ou ambiente mental apropriado para propagar e assentar o novo estado de consciência. Esta qualidade paciente e profunda da alma possibilita que reavaliações reais da pessoa tragam resultados inovadores, como um novo domínio que se inaugura na sua realidade. Isto é o significado do amadurecimento, do abandonar da visão infantil, da repetição dos julgamentos, e dos hábitos e estilos que retardam a evolução espiritual da pessoa – a sua obrigação “religiosa” maior na vida – o revelar do seu tachlit (“propósito na vida”). A bênção diante de você, mas somente se as escolhas certas forem feitas. É através da reavaliação de seus conceitos e preconceitos, decência e sensibilidade, que vem a oportunidade esplendorosa de fazer uma elevação de sua mente e liberar a sua alma, e assim crescer no seu contato real com o Divino. Aproveite isso em quanto a tempo e que você tenha refuah shleimah (“cura completa”) amém.
FIQUE CALADO!
E está escrito: ה’ ילחם לכם ואתם תחרשון Hashem yilachem lachem veatem tacharishun, “Hashem lutará por vós, e vós fiqueis calados” (Shemot 14:14. Beshalach). A guemátria ordinal deste passuk é 238, a mesma de ויברך Vayevarech, “E abençoou”. Aprende-se aqui que é preciso se abnegar diante das coisas e saber que Hashem manda no mundo, e Ele cuida sempre dos retos. O silêncio ordenado no passuk representa o parar de buscar controlar tudo, e lançar os problemas para Hashem. Isso é bitachón – confiança em D’us – e as bênçãos imensas e doces resultam disso. E este é o caminho do patriarca Ya’acov, do Povo de Israel: fé simples e confiança em Hashem. Disso resulta a maturidade do entendimento sobre a realidade. De fato, o reshit tavót do verso citado são as letras יילות (yud-yud-lámed-vav-tav). E a guemátria atbash deste reshit tavót é 181, mais um do kolel, temos 182, o valor numérico de Ya’acov (yud-ayin-kuf-beit = 10 + 70 + 100 + 2 = 182. 7 x 26 = 182). E a maturidade do entendimento espiritual provém da perfeição das sete midót (“qualidades de caráter”), vista pelo fato de que 182 = 7 x 26, sendo 26 a guemátria de Hashem (YKVK). É bom meditar nas letras יילות para ganhar este aspecto da força de Ya’acov, mas faça-o calado!
CORES INTENSAS
Certa noite na semana da parashá Bô, no mês de Tevet 5774, meditava como sempre faço, expandindo minha consciência com os exercícios mentais milenares da Torá. E foi quando subitamente adentrei em algo – era outro “ambiente”. Quando me dei conta desta translação dimensional, imediatamente comecei a sentir uma grande ansiedade primitiva, gerada pelo instinto biológico que aguça os sentidos quando nos encontramos em um habitat desconhecido. Meu coração acelerou. E com os olhos da mente, lá eu via um ambiente todo escuro, mas não como a escuridão da noite, mas sim como se de algum modo faltasse o sol durante o dia. Nesta grande região, reluziam com intensas cores variadas as diferentes coisas e objetos presentes. As cores eram muito fortes, quase que saturadas. E a única luz que existia lá eram as luzes dessas coisas e objetos, pois todo o resto era a mais pura escuridão. Não haviam estrelas reluzentes, ou astros visíveis, nada. Apenas a escuridão intensa e as coisas e objetos com suas cores fortes e brilhantes que iluminavam os caminhos do lugar. Pensei estar em outra dimensão, sendo permitido de ver outro local físico no universo. Eu até me preparei para um possível encontro com algum ser. No entanto, neste momento perdi o foco e voltei ao estado que me encontrava antes da meditação. Mas, poucos segundos depois, retornei a este lugar e a mesma ansiedade me assolou. Não vi nada diferente nesta segunda experiência, mas apenas confirmei as visões da primeira: escuridão plena e objetos de tamanhos variados com cores intensas que eram a única fonte de luz no lugar. E eu via tudo como se estivesse pouco acima do chão, ou no topo de um monte. Ambas as experiências duraram pouco, talvez um minuto, mas que pareceu uma eternidade… E foi quando comecei a meditar novamente e logo em seguida ouvi o que ouvi: “O que você viu foi verdadeiramente a escuridão singular da Makat Choshech [‘a praga da escuridão’]. As luzes coloridas eram as fagulhas divinas excelentemente reveladas dos objetos e tesouros que os judeus pegaram durante os três dias desta praga. E por isso está escrito que ולכל בני ישראל היה אור במושבתם Ulechol-bnei Israel haya ór bemoshvotam, ‘Todos os filhos de Israel tinham luz nas suas moradias’ [Shemot 10:23]”. E assim terminei a meditação. Depois desta mais uma experiência incrível, investiguei que a guemátria atbash deste passúk/verso citado é 2370, ou seja, 10 vezes 237, sendo esta a guemátria de Zichri (“Minha lembrança”, soletrado: zayin-chaf-rêish-yud = 7 + 20 + 200 + 10 = 237) – o termo usado por Hashem ao Se revelar a Moshe (Shemot 3:15) e Se referir ao Shem Havaya (YKVK) dizendo “Este é Meu Nome para sempre” e “A Minha lembrança [zichri] eterna”. Entendi que a relação aqui é que tudo que Hashem faz é eterno e pode ser lembrado, ou seja, “acessado” e vivenciado. A Torá ela toda são infinitos portais do espaço-tempo. Quando a pessoa estuda, medita e entende a Torá como algo vivo e dinâmico, as luzes brilham em sua “moradia”: sua mente e vida.
A PRAGA DA IMATURIDADE RACIONAL
“Considere um rasha/perverso que de alguma maneira se encontra no Gan Eden, indo e vindo entre os tsadikim/justos que sentam no resplendor de suas coroas de glória, se banhando na luz da Shechina. Os tsadikim vivenciam lá prazeres indescritíveis, ele, no entanto, sofre incomensuravelmente. Completamente não acostumado à espiritualidade, para o rasha, este Gan Eden é um desconforto inigualável. Esta então é a essência da makat choshech [‘a praga da escuridão’]. E assim trouxe Moshe a escuridão para baixo, pois ele ‘estendeu sua mão por cima dos Céus’ [Shemot 10:21] e o Egito caiu em uma escuridão como nunca visto antes” (O Slonimer Rebe, Netivot Shalom, Parashá Bô).
A makat choshech significou um tsimtsum (“constrição e restrição”) da luz de Hashem e sua manifestação física. Verdadeiramente, primeiro ocorreu o tsimtsum no nível espiritual, no grau de נטה ידך על-השמים Nete yadechá al’hashamayim, “Estende a tua mão aos céus” (Shemot 10:21), que foi a ordem que Hashem deu a Moshe para iniciar esta praga sobre o Egito. E a guemátria ordinal (mispar siduri, na versão sofit) deste verso é 166. Este é valor numérico da “regressão” (ou seja, a visão da parte posterior/achorayim) do Shem SaG (Nome de Hashem soletrado com 63 letras, sendo a guemátria de SaG igual a 63). O Shem SaG é associado a Binah, e que no homem é o poder do intelecto racional. Quando o Nome Santo é “regredido”, isso indica uma diminuição ou imaturidade no entendimento racional – um estado de constrição da consciência. Em um nível, a escuridão indica exatamente a incapacidade de ver e assim compreender racionalmente, o que decorre da ausência de Luz divina. Já no grau físico, a escuridão material é o próprio resultado desta regressão espiritual. E por isso em seguida o verso diz: “E que haja escuridão sobre a terra do Egito, mais que a escuridão da noite”. Agora, podemos entender algo mais. Para o aluno ainda distante da Torá, tudo é estranho, inconfortável e sem significado. A luz da Torá, através das palavras do mestre, é tão forte que os alunos fecham os olhos e se escondem com medo da grande intensidade desta irradiação Divina. Neste tempo então eles existem diante de uma escuridão dobrada e redobrada, em um estado de imaturidade racional. Com os olhos completamente cerrados, eles temem abri-los e vivenciam então a realidade restrita do (seu próprio e particular) Egito. Com tempo e muita paciência do mestre, na medida em que eles iniciam o abrir de seus olhos tão sem o costume de enxergar as verdades espirituais, a luz enfim penetra, ao menos um pouco. Finalmente, eles começam a perceber que há אור במושבתם Ór bemoshvotám, “luz nas suas habitações” (Shemot 10:23). De fato, a guemátria do milui/soletrar deste verso é 997, com mais dois para o kolel de cada uma das duas palavras, temos 999 – o mesmo valor numérico do Nome Santo, Kel Shakái (“D-us o Todo Poderoso”) que se refere ao nível de “Criador do mundo”*. E agora, mais iluminados, eles podem se curar e redimir, e assim revelar o aspecto de Mashiach que existe dentro de cada um, se D-us quiser.
* Os sábios notam que a palavra shakai pode ser interpretada como significando “Ele quem [sha-] disse ‘basta’ [-dái] para a expansão do mundo, no final da semana da criação” (Talmud, Chaguiga 12a).
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