JULGUE PARA ADOÇAR

E está escrito, ולהבדיל בין הקדש ובין החל ובין הטמא ובין הטהור Ulehavdil bêin hakódesh uvêin hachól uvêin hata-mê uvêin hatahór, “Para distinguir entre o santo e o profano, e entre o impuro e o puro” (Vayicra 10:10, Shemini). Este passúk/verso ensina algo da essência da Torá, a saber, que o mundo físico é um domínio de misturas entre o bem e o mal, e que a pessoa precisa inquestionavelmente aprender através da Torá a caminhar somente pelo Dérech Tóv/Caminho Bom, que é estabelecido através das leis que separam e distinguem o que é o bem e o que é o mal. Agora, misticamente, o número 320 é derivado das 288 fagulhas da luz Divina que caíram do mundo de Tohu e se tornaram “incorporadas” no tecido dos mundos inferiores, incluindo o nosso, como a consciência auto-orientada e o egocentrismo. A este número (288) é adicionado o número de vezes (32) que o Nome Elokim – o Nome que significa o julgamento Divino e a severidade – aparece na história da criação (no início do livro do Bereshit/Gênesis). Portanto, 288 + 32 = 320. Em Cabalá, os chamados “320 estados de severidade”, significam a negatividade e egocentrismo intrínsecos da criação desde a “queda” espiritual que resultou do pecado primordial no Gan Éden/Paraíso, e sobre o qual é a nossa função “neutralizar” (estas severidades) através de eliciar o amor e misericórdia Divina. De modo mais específico, o número 320 é significativo como o número de estados de julgamento (guevurót) em Binah. Como é sabido, Binah (associado ao inteleto como o atributo da compreensão racional/lado esquerdo do cérebro) precisa evidenciar a propriedade do julgamento na maneira em que metodicamente constrói a visão completa do mundo a partir do insight seminal de Chochmah (associado ao inteleto como o atributo da sabedoria intuitiva/lado direito do cérebro), tal como afeta a visão prévia do mundo, antes deste processo de julgar/discriminar. Veja, cada detalhe da visão prévia do mundo é avaliada na luz do novo insight, e assim modificada, aceita ou rejeitada, dependendo de como ela mede em relação à nova verdade que foi alcançada através do processo analítico. Esta é a síntese da expressão mais refinada do processo de julgamento, que permite intelecção da realidade racional revelada. Esta “cooperação” entre a sabedoria intuitiva e a compreensão racional é sempre liderada pelo insight do pensamento, que na essência é Chochmah (ou Aba). Portanto, através deste processo sublime, os estados de severidade são mitigados (ou “adoçados”). Ou seja, a visão retificada da realidade racional ainda que constantemente precise julgar os elementos em questão, só atinge o retificação quando equilibrada com a sabedoria elevada intuitiva. Saber como julgar a realidade através desta dinâmica é adoçar a realidade, significando o neutralizar destas “severidades” do mundo. E isto é tikún/aperfeiçoamento. Agora, incrivelmente, vemos que a guemátria ordinal do passúk citado é 320. De fato, o termo בין bêin é a raíz da palavra binah, que significa “entre”, ou seja, julgando/avaliando “entre” uma coisa e outra. Portanto, aqui a Torá nos ensina que para “adoçar” as guevurót é vital saber com conhecimento específico, como julgar para retificar a realidade, e isso ocorre quando a pessoa distingui entre o santo e o profano, e entre o impuro e o puro, assim como definido absolutamente pela Torá e não pela avaliações e opiniões egocêntricas da pessoa.

tzedakah

2 pensamentos sobre “JULGUE PARA ADOÇAR

  1. Shalom Rabino Avraham, peço permissão ao Sr. para trazer algumas linhas, fruto do entendimento despertado ao ler e ouvir as palavras santas do Mestre.

    Graças a D-us, o mestre traz mais esta aula grandiosamente reveladora. E começa exatamente exercendo a profundidade do titulo (Julgue para adoçar), pois já inicia adoçando, mencionando o Bem, falando do bem, e de como influenciar constantemente nosso meio para o bem. Entendi sutilmente que qualquer um é possível aprender a julgar com sabedoria. Focando-se nos ensinamentos/Leis que o Eterno oferece em Sua Torá, o Criador refina os pensamentos do homem, e promove a ele boas ações causando o adoçamento das severidades que naturalmente pertencem a este mundo. O mestre continua esclarecendo que neste plano estamos tão próximos do bem e do mal, que cada detalhe de nossos atos determinam em que lado deste plano estaremos em um piscar de olhos. Na verdade eles estão em nós mesmos, fazem parte de nossos pensamentos, fala, desejo etc, e que o homem pode estar tão imerso nas impurezas coberto pelas cascas que nem mesmo percebe tal posição, sendo que esta ‘cobertura’ é ocasionada por diversas formas de vaidades, desejos, orgulho, honrarias, egoismo e tantos outros disfarces que podem envolver e distanciar a pessoa da Luz. Sendo assim, explica o Rabino que nossa missão é justamente “anular” esta natureza severa. Isso ocorrendo através do cumprimento das Leis. Assim temos a oportunidade de desenvolver sensibilidades capazes de identificar e prevenir que assuntos e influências negativas particulares deste mundo, governem distorcendo pensamentos e ações neste plano (que D-us não permita).

    “Como é sabido, Binah(associado ao inteleto como o atributo da compreensão racional/lado esquerdo do cérebro) precisa evidenciar a propriedade do julgamento na maneira em que metodicamente constrói a visão completa do mundo a partir do insight seminal de Chochmah (associado ao inteleto como o atributo da sabedoria intuitiva/lado direito do cérebro)”, esta frase é tão fantástica que mesmo não entendendo tamanha grandiosidade desta dimensão tudo soa maravilhosamente bem no subconsciente que armazena estas mensagens santas Graças a D-us. Posso ao menos entender que sabedoria e compreensão devem andar juntas para que os julgamentos do homem sejam retificados e adoçados.

    Sinto que os dias sem estar envolvido de Torá não tem intensidade. Mesmo que se pense, que sem as Leis de D-us, aparentemente se esteja vivo, sem a busca constante de crescimento espiritual, a suposta neutralidade é o grande problema, o maior de todos, pois espiritualmente, como ensina o Rabino, de acordo com a Torá, na realidade o neutro é considerado estagnado, portanto perdendo as forças positivas, perdendo o que é bem. Mesmo que achemos que esteja “tudo bem”, a Criação não pára, e é somente pela misericórdia que continuamos a sentir o biológico (sobrevida animal) que não cessa imediatamente sua existência. Mas que é algo muito inferior de sentir-se verdadeiramente vivo. Com pensamentos santificados/focados na Torá, podemos ‘acompanhar’ a longevidade do tempo bom e doce de vida. Experimento minimamente que passado não existe, que o que fica nele é aquela “sobrevida animal”, aquele atraso/estagnação, um aspecto racional acomodado que o mundo da materialidade e ilusões insiste e pressiona a cada instante, todos para baixo, assim como é a gravidade. Mas direcionando nossas forças ao desejo Divino, esta mesma gravidade em que todos estamos imersos se inverte/”neutraliza-se”, e nos permite a continuidade, o caminhar para o único tempo real de existência, a eternidade, aquele tempo contido em cada porção da Torá, a única forma de nos posicionarmos para o futuro. E o agora então, este presente, precisa estar incansavelmente envolto na Torá, pois a Torá é do Divino, e assim nos mantemos conectados a Ele, diferenciando o que é mal e o que é bem, evoluir, de passado para futuro, e futuro para eternidade, que D-us permita.

    Dou Graças ao Criador, por Sua Luz que circunvolve e emana, todo dia Suas criaturas e universos, renovando o mundo inteiro. Obrigado Rabino Avraham pela generosidade em compartilhar lucidez e clareza conosco, com ensinamentos que em nossa pequenez são quase incompreensíveis, mas que nesta e tantas outras aulas, nos permite entender algo verdadeiro.

    Edson Bertoldo.

  2. Shalom Rabino Avraham e amigos
    Venho pedir respeitosamente, licença para trazer um breve comentário dentro do meu limitado entendimento do shiur “JULGUE PARA ADOÇAR”
    https://beitarizal.org.br/2015/04/08/julgue-para-adocar/ sobre o Vayicrá 10:10 – Parashá Shemini.
    Como o Mestre mostra nas palavras desta importante aula, este verso(Vayicrá 10:10) fala de uma necessidade indispensável para aprendermos a andar somente pelo caminho Bom, devemos saber distinguir entre o santo e o profano, bem e mal. Entendo minimamente que isto só é possível através da visão que provém da Torá, suas leis imutáveis e eternas.
    O Mestre trás também uma breve explicação do significado místico do número 320, que resulta da soma de 288(número de fagulhas da luz Divina que caíram do mundo de Tohu) mais 32(número de vezes em que o nome Elokim[nome Divino que representa julgamento e severidade] aparece no relato da criação). Portanto explica o Mestre que segundo a Cabalá existem os “320 estados de severidade” que representam toda a negatividade egocêntrica que está fortemente presente no mundo desde o pecado primordial no Jardim do Éden.
    De fato vivemos num mundo cheio de confusão onde o bem e o mal se misturam o tempo todo e quem não está ligado a fonte da Torá, através de alguém que entende das leis espirituais, a saber de um Mestre verdadeiro e comprometido com nosso crescimento verdadeiro, inevitavelmente estará envolvido nessas confusões entre a luz e a escuridão que abundam no mundo. Ao ler as palavras desta aula me veio a mente o que diz o Profeta Isaias que fala “Ai dos que chamam o bem de mal e o mal de bem, que confundem luz com escuridão e escuridão com luz, o amargo com o que é doce e o doce com o amargo” Isaias 5:20. Acredito em meu limitado entendimento que este verso retrata claramente a triste realidade da confusão entre o bem e mal que existe no mundo. Podemos perceber claramente como as nações através de falsas religiões e o mundo secular fazem verdadeiras aberrações misturando conceitos do bem com o mal. Entendo pelos ensinos do Mestre que o grande problema da grande maioria das pessoas é que elas operam somente com o lado racional das suas mentes imaturas, destituídas da luz de Chochmáh (sabedoria intuitiva ligada ao lado direito do cérebro) que coopera inicialmente com Bináh (compreensão racional que opera no lado esquerdo do cérebro) e através deste processo de cooperação da sabedoria intuitiva para compreensão racional podemos ser capazes de julgar e distinguir entre bem e mal, e optar se D-us quiser sempre pelo bem. Sem a luz da sabedoria intuitiva, entendo que sempre seremos presas fáceis do lado do mal, e nossa mente vai sempre raciocinar egoisticamente e seremos guiados pelos nossos desejos baixos, animalescos e não retificados, desencadeando emoções e ações negativas, que D-us nos livre. Entendo de acordo com o Mestre que somente operando com a luz da sabedoria intuitiva em nosso racional poderemos adoçar as severidades no mundo e assim poderemos fazer a nossa parte para a nossa retificação e a do mundo, mas isso só é possível se estivermos ligados a fonte casher da Torá, sem concessões que visam atender desejos egoístas e conveniências particulares, sem achismos, abandonando com coragem toda nossa zona de conforto para crescermos de fato e de verdade como sempre ensina o Mestre.
    E a guemátria ordinal do Vayicrá 10:10 é incrivelmente 320, conforme explica o Mestre, indicando aí uma intrínseca relação entre a necessidade indispensável de saber distinguir entre o bem e o mal e o adoçar dos estados de severidades, e atrair mais misericórdia de D-us ao mundo. Agradeço a D-us e ao Mestre por estes preciosos ensinamentos e que os mesmos sejam assimilados e vivenciados por todos os alunos desta comunidade, e peço ao Mestre que me perdoe por qualquer equívoco de minha parte neste comentário. Agradeço a todos, tudo de bom.

    Respeitosamente,
    Emerson.

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