A PERFEIÇÃO DA ORAÇÃO IMPERFEITA

Os Sábios da Torá ensinam que a Tefilá (“oração”) do Povo de Israel é considerada como um “serviço” a Hashem “substituto” aos corbanót/sacrifícios na ausência do Beit HaMikdash/Templo Sagrado (Talmud, Berachot 6b). Assim como os corbanót, a tefilá serve como um veículo através do qual o judeu pode desenvolver sua relação com Hashem. Deste modo, o que aprendemos sobre os sacrifícios tem grande significado hoje em dia. A tefilá individual compreende ambos os aspectos do corbán yachid/individual. A oração deveria primeiro refletir as aspirações da pessoa de se aproximar de Hashem. E em segundo lugar, se a pessoa errou/transgrediu, a tefilá se torna um caminho através do qual a relação manchada pode ser remediada. Além disso, a tefilá, assim como os corbanót no Mishcan/Tabernáculo, envolve mais do que somente a realização das aspirações pessoais ou obrigações. Ela tem um significado especial no assunto de midót ha-rahamim, atributos de caráter misericordiosos. De fato, ela deve ser considerada como um privilégio único oferecido por Hashem para a nação especial que aceitou a Torá no Har/Monte Sinai.

Agora, a tefilá foi organizada pelos sábios, e é inteiramente de conteúdo profundo, intenso e místico, um conhecimento judaico antigo e precioso. Este é um conhecimento que traz a tefilá para muitos graus acima das orações simples, ainda que honestas, dos outros povos, que não têm o entendimento muito complexo cabalístico que “direciona” a oração do modo correto para que assim possa atingir os níveis mais elevados dos mundos espirituais, e por fim, o Sagrado Um, abençoado seja Ele. E sobre este “longo” caminho que as orações precisam atravessar, por assim dizer, é necessário compreender que existem quatro diferente mundos. O mundo físico que consiste de dois componentes – o celestial e o terrestre. O celestial é o domínio das estrela e planetas, enquanto o terrestre é o nosso domínio, aqui na terra. Estes juntos compreendem um único mundo (Hebraico, olám), a saber o mundo físico. Acima deste existe outro, conhecido como o mundo dos anjos. Ainda mais elevado, um terceiro mundo superior das Forças mais altas (um assunto que transcende o escopo deste texto). Este terceiro mundo é chamado o “Mundo do Trono”. Ainda mais elevado e sublime, podemos falar em termos de diferentes influências emanando de Hashem, ou seja, revelações da Sua luz, da qual a existência de tudo na Criação é derivada. De certo modo, o domínio destas influências também pode ser chamado de “mundo”, um que é normalmente conhecido pelos mestres como o “Mundo de Hashem” (existem outras nomenclaturas possíveis para estes mundos). É verdade que o coração honesto e sincero do indivíduo é um fator primordial no aceitar da oração pelo Céu. Mas, ainda sim, não existe comparação com a força da oração quando ela é feita pelo Bnei Israel, pois em tendo aceitado a Torá, naturalmente este povo recebeu as condições espirituais necessárias para o acesso elevado da oração.

E como é sabido, a Torá prescreve grande mérito aos gentios do mundo que aceitam sobre si as “Sete Leis da Torá“, um código fundamental para todos os povos que ainda que não tenham a Torá, possam se conectar com Hashem do modo que a Torá determinou para eles. E a parashá Emor (desta semana) aborda este assunto. Veja, está escrito: ומיד בן-נכר לא תקריבו את-לחם אלקיכם מכל-אלה כי משחתם בהם מום בם לא ירצו לכם “E da mão do estrangeiro não oferecereis nenhuma dessas coisas como sacrifício ao vosso D-us, porque sua lesão está neles, defeito há neles, e não serão aceitos a vosso favor” (Vayicra 22:25, Emor). E sobre isso, o grande comentarista da Torá, o Ráshi, diz: “Animais com defeito não eram proibidos como uma oferenda de um Ben Nôach/Filho de Noé, um não judeu que vive pelas 7 Leis, a não ser o animal falte um membro inteiro”. E eu entendo desta maneira, apesar de não conhecer os segredos da tefilá por inteiro (“um animal com defeito”), o corbán, e assim, a tefilá do Noético verdadeiro é ainda sim uma tefilá aceita. Isto ocorre “a não ser o animal falte um membro inteiro”. Ou seja, nenhum “membro do animal” pode estar faltando. Sob o ponto de vista da tefilá, isto significa que nenhuma de suas partes pode estar faltando. E no mínimo, qual são as partes essenciais da tefilá? E a resposta é a seguinte: a primeira parte que inicia a conexão com Hashem é louvá-Lo. A segunda parte é composta dos pedidos sinceros para Ele. E a terceira parte final, são os agradecimentos a Sua infinita bondade. Incrivelmente, a guemátria ordinal de todo o pasuk/verso citado é 616, a mesma da guemátria absoluta do nome יתרו Yitrô, o sogro de Moshe/Moisés, e o gentio que antes era o chefe das idolatrias do Faraó no Egito, mas que abandonou seus caminhos escuros para seguir a Hashem completamente. E como é tão sabido, o nome da parashá/porção semanal em que o Povo de Israel recebeu a Torá de Hashem é Yitrô.

tzedakah

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