Autor: Equipe Beit Arizal
TOCHACHÁ
A parashá Ki Tavô traz uma grande tochachá (“admoestação”) da Torá. Existe outra no livro de Vayicra, na parashá Bechucotai. Tochachá também significa “trazer prova”, senda ela um pré-requisito da teshuvá. Uma vez que seres humanos tendem a negar as suas falhas, a tochachá é como um “espelho”, provendo prova irrefutável do “Eu”. A linguagem desta tochachá é intensa, e as maldições afirmadas se iniciam comumente com a expressão ארור האיש Arúr HaIsh (“Almaldiçoado seja o homem…”). A temática então segue com várias maldições, contudo o tema geral é que se a pessoa não seguir o ordenamento Divino, então as coisas ficarão muito difíceis. Veja, a guemátria atbash de Arúr HaIsh (mais 2 do kolel de cada uma das palavras) é 1020. E este é o mesmo exato valor numérico de, “Eis que tombarão os que praticam o mal, cairão e não mais se poderão reerguer” (Tehilim 36:13).
Agora, tochachá também ocorre entre as pessoas, umas com as outras. No entanto, antes da pessoa assumir de dar uma tochachá em alguém, ela deveria refletir muito. Veja, como está escrito: Ach-basar benafsho damo lo tochelu, “A carne com sua alma estando com vida e seu sangue, não comereis” (Bereshit 9:4). E eu entendi que este passúk significa também que a pessoa, ao lidar com outra, não deve penetrar e interpretar demais as supostas intenções e explicações desta outra pessoa. Quando lidamos com alguém, em certo grau estamos ‘comendo’ algo de sua essência. Por isso a dificuldade natural – grande ou pequena, dependendo de vários assuntos – em lidar com outras pessoas. Se já não bastasse os obstáculos comuns no tratar com alguém de acordo com a halachá, o nível de ‘comer a carne’ – a parte mais revelada – o que é necessário para se tentar chegar a um ponto comum entre ambas as pessoas etc., agora ‘comer a alma’ que está na carne – o íntimo da essência da pessoa, a ‘sua alma’ – é uma tarefa psicológica a ser evitada, pois como está escrito imediatamente após no passúk: ‘E por certo o vosso sangue de vossas almas requererei’. Ou seja, esta sua força psicológica usada para adentrar a psique do próximo é examinada por YKVK, midah knégud mida (“medida por medida”). De outro modo, somente um indivíduo reto, com as intenções de ahavat israel pode e deve fazer este ‘esforço psicológico’ com real sucesso nesta grande mitsva de HoChaiach ToChiach (ou seja, a tochachá em geral, como explicado no Talmud, Yevamat 65b). Pois como é sabido, assim como é uma mitsvá adentrar a essência das coisas, é uma mitsvá não falar nada se a pessoa não mostra abertura para escutar as palavras mais profundas. E sem ser elevado, as chances de transgressão destas mitsvót são grandes. E tudo isso vale, apesar de não ser o caminho do mundo.
DISPENSA MILITAR
“Quando um homem toma uma nova esposa, ele não entrará para o serviço militar [‘para guerrear’, como diz o Rashi]… ele se rejubilará com sua esposa” (Devarim 24:5, Ki Tetsê). Entenda bem, “Na imagem de D’us, Ele o criou, macho e fêmea Ele os criou” (Bereshit 1:27) para que o homem unisse o mundo de cima e o de baixo graças ao chibur/conexão íntimo com a sua esposa, seguindo a regra espiritual de leMinô (Bereshit 1:12) ou seja, cada uma espécie é atraída para o seu próprio tipo. Quando o homem faz isso, ele atua no princípio celestial de Yehi/Que Seja, “o qual indica a união entre Aba/chochmah e Ima/binah simbolizados pelas letras Yud e Hei” (Zohar 16b, Bereshit) do Nome de D’us. Deste princípio efusa outro, a saber, “D’us os abençoou. D’us lhes disse: ‘Sejam férteis e tornem-se muitos’… D’us viu tudo que Ele fez, e eis que era muito bom” (Bereshit 1:28-31). De certo, ao unir-se o homem a sua esposa, ele ‘faz o bem’ (assê tov), e assim ‘se afasta do mal’ (sur me’rá), que é a incompletude e a estagnação do seu ser: ele se afasta de ter que ‘entrar para o serviço militar para guerrear’ com o mal, pois a Shechinah/Presença Divina agora derrama bênçãos em sua casa. E “saberás que a tua tenda está em paz” (Iyóv 5:24), pois a paz, que é o recipiente para receber as bençãos contínuas, estará pronta para os frutos: os filhos dignos, o sustento e a saúde, e assim verdadeiramente ‘ele se rejubilará com sua esposa’, se D’us quiser.
SEJA PURO!
E está escrito: תמים תהיה עם ה’ אלהיך Tamim tihye im Hashem Elokecha, “Seja puro/perfeito com o S-nhor teu D-us” (Devarim 18:13, Shofetim). A guemátria absoluta deste passúk/verso que é 1112. E vi que esta é a mesma guemátria do passúk ‘ונח מצא חן בעיני ה Ve-Noach matsa chen be’einei Hashem, “E Noé encontrou graça aos olhos de Hashem” (Bereshit 6:8). Mais ainda, o verso seguinte diz: נח איש צדיק תמים Noach ish tsadik tamim, “Noé foi um homem justo e puro etc.”. Agora, a guemátria avgad do verso citado (de Shofetim) é 421, a mesma da expressão לישועה L’yeshuah (“Para a salvação”). E eis meu entendimento: tendo sido um justo tám, Nôach encontrou a graça Divina que o salvou do mabúl/dilúvio, enquanto todos os outros seres humanos pereceram. Ter fé simples/pura – ser um tám – é algo que pode salvar qualquer um de seu “dilúvio pessoal”. Por sua vez, o tsadik ajuda a adoçar o dilúvio dos outros. Quando a pessoa vem ao tsadik b’tsedaka (interpretado como “dando uma tsedaca”), de guemátria 201, isso mitiga (“adoça”) os cinco estados de guevurah (corporificadas nas letras sofit/finais mém-nun-tsadik-pêi-chaf), sendo 201 x 5 = 1005, a guemátria de ish tsadik tamim. Talvez seja melhor compreendido assim: 1005 / 201 = 5. O justo pega a tsedaca e a “distribui” (divide) para adoçar as guevurot/severidades. Existe uma diferença entre ish tsadik e ish tsadik tamim, pois a guemátria do primeiro é 515, a mesma de yesharah (“reto”, ver o Ari”zal, Sefer HaLikutim, VaEtchanan), mas o atributo de tamim/puro confere um grau ainda superior ao tsadik. Deste modo, a completude do ser vem através da retidão com a pureza/simplicidade que honra e faz brilhar a tsélem Elokim/imagem Divina. E vemos que מי כה’ אלהינו המגביהי לשבת Mi ka’Hashem Elokeinu hamagbihi la’shavet, “Quem é como Hashem, o entronado no alto” (Tehilim 113:5) tem guemátria 1005.
FOGO TRANSFORMADOR
E como está escrito: “Devekut com Hashem é um dos 613 mandamentos. A pessoa precisa se unir com Hashem continuamente, com grande desejo, e com fagulhas de amor incandescentes. Não existe atributo maior do que este, pois todas as coisas estão incluídas nele. A dificuldade em alcançar devekut é diretamente proporcional ao seu grau de importância. Todas as coisas seguem depois das ações das pessoas, de acordo com os esforços feitos nos seus pensamentos, fala e ações, e como diariamente a pessoa se expande e melhora. A pessoa que se santifica em baixo, é santificada em cima por Hashem, até quando venha o tempo em que ela recebe um espírito de cima que a purifica e santifica. É uma obrigação de acordo com a sua habilidade fazer todos os esforços para cumprir de modo apropriado esta mitsvá em todos os momentos” (Rabi Eliezer Papo, Peleh Yoets, Dalet, Devekut). Agora, está escrito: והאש על המזבח תוקד בו Ve-haesh al-hamizbeach tukad-bo, “E o fogo que está sobre o altar se conservará aceso” (Vayicra 6:5). E se considerarmos este passúk/verso sem o vav (que é a conjunção “e”) e o hêi (que é o artigo “o”) iniciais, percebi então que a sua guemátria é 981, a mesma de ואתם הדבקים ביהוה אלהיכם חיים כלכם היום Ve’atem ha’devekim baHashem Elokeichem chayim kulchem hayom, “E vós, que vos ligastes a YKVK, estais todos vivos hoje” (Devarim 4:4, Vaet’chanan) – possivelmente o verso mais emblemático da mitsvá de devekut na Torá. (Assim como o Devarim 10:20 e 13:5). Enfim, o fogo no altar é a paixão por Hashem que precisa queimar constantemente no coração do homem. Nada é mais transformador do que o devekut.
DEVARIM: “O HOMEM ANJO”
ISSO TAMBÉM É PARA O BEM
A conhecida expressão judaica גם זו לטובה Gám Zu L’Tovah, “Isso também é para o bem” (Talmud, Taanis 21a) é um iniyan (“aspecto”, “caminho no pensar”) de “ação prática”. Ou seja, tudo é para o bem porque se a pessoa age com retidão as suas ações resultam em iluminações abençoadas – no shefa/fluxo espiritual que desce do shamayim/céu. A Torá é prática e orienta isso ao homem. E a guemátria absoluta de Gám Zu L’Tovah é 108 a mesma de ואצוה Va’atsavê, “E eu comandei/ordenei” (Devarim 1:16) e de ועבדוך Va’avadúcha “Eles te servirão” (parashá Shofetim). Quem obedece aos comandos de Hashem – as mitsvót – é Seu servo protegido, e tudo então irá para o bem, se D-us quiser. De fato, a guemátria albam desta mesma expressão é 613, o número de mitsvót na Torá.
O POVO É A TERRA
É preciso se lembrar sempre, que Hashem deu ao Povo Judeu a Terra de Israel, como escrito: ראה נתתי לפניכם את-הארץ Reê natáti lifnêichem et-haArets etc., “Vejam que lhes entreguei a terra”; ide e herdai a terra que o Eterno jurou a vossos pais – a Abrahão, a Isaac e a Jacob – que daria a eles e à sua descendência depois deles” (Devarim 1:8). Esta terra é a bênção deste povo: Reê natáti lifnêichem et-haArets é guemátria ordinal 238, a mesma de ויברך Vayevarech (“E Hashem abençoou”, Bereshit 1:22). A Terra/Shechiná é o Povo e o Povo é a Terra. Israel é o nome do Povo, Israel é o nome da Terra. O Povo é a Terra, a Terra é o Povo. Nunca os dois podem ser separados, jamais. Para o judeu, as mitsvót são os “tentáculos espirituais/energéticos” que o ligam diretamente à terra santa – uma conexão real e verdadeira. Se nós tivéssemos o aparato tecnológico para ver estas conexões espirituais, de fato elas seriam vistas claramente. Mas, isso ocorrerá no futuro, quando “A glória do S-nhor se revelará; e toda a carne juntamente a verá” (Isaías 40:5). E é por isso que os judeus são instruídos pela Torá que os alerta para não comer comidas não cashér, não ligar/residir próximo às pessoas não cashér, não fazer isso ou aquilo etc., porque as impurezas “grudam” na pessoas, por assim dizer, afetando o corpo, a mente e a alma do indivíduo – o coração e os pensamentos. Quando o judeu se desconecta dos ensinamentos sobre seu povo santo e alma, ele então causa desequilíbrio em todo o seu ser. E como Kol Yisrael Aruvim Zeh BaZeh (“Toda Israel é interconectada um com o outro”), se uma parte do corpo está adoentada, todo o corpo é assim afetado. E como o “Corpo de Israel” é a santa Terra de Israel, o desequilíbrio causado pelos que desdenham a Torá atinge toda a Terra Santa que então sofre com as guerras e problemas de várias espécies, tal como um corpo que fica adoentado. E veja: נתתי לפניכם את-הארץ Reê natáti lifnêichem et-haArets tem guemátria absoluta de 1993, a mesma de todo o passúk/verso: “Eles vêm de países distantes, do extremo dos céus – o Eterno e os armamentos da ira, para devastar toda a terra” (Isaías 13:5). Contudo, saiba que a Era Messiânica representa um tempo de total transformação interior e exterior que causará o “realinhamento” de todos estes desequilíbrios na Terra de Israel e no mundo também, os quais ofenderam gravemente as Leis Naturais de Hashem, pelas quais Ele rege todo os universos. E quando este tempo vier, será então o יום יהוה הגדול והנורא Yom Hashem HaGadól Ve’HaNorah, “O grande e temível dia do Eterno” (Malaquias 3:23), quando o Seu verdadeiro e único Mashiach curará o mundo, impondo o retorno da Lei Natural – trazendo-nos a como e aonde nós deveríamos estar. E a guemátria absoluta deste passúk do profeta é 398, a mesma de משחים meshuchim, “ungidos”. E a terra será novamente elevada ao estágio de natural de ordem e paz do Gan Éden, amém.
MAASÊI: “JORNADAS DA VIDA”
MATOT: “VINGANÇA SANTA”
PINCHAS: “MEIO CÉREBRO”
PUXANDO AS ORELHAS
Era uma vez um rasha/perverso que veio até um tsadik/justo dizendo que queria aprender Torá. Na verdade ele não queria mesmo, pois desejava só incomodar o tsadik. O tsadik disse para ele: “Então vamos começar pelo Alef-bet. Esta é a letra Alef”. E o rasha respondeu: “Como você sabe que esta é a letra Alef?”. O tsadik pegou a orelha do rasha e a puxou. O rasha disse: “Ai, você está esticando minha orelha”. E o tsadik disse: “Que tem disse que esta é sua orelha?”. Deste mashál/história aprendemos sobre a natureza da yetser hará/má inclinação. Veja: ela conhece bem a yetser hatóv/boa inclinação. Ela diz para ela: “Vai lá fazer uma mitsva, vai estudar Torá ou rezar”. Mas no fundo ela não quer que mitsva alguma seja realizada. Então quando a pessoa vai cumprir a mitsva, como na tefilah, a yetser hará vem e atrapalha ela. Agora, a yetser hatóv também conhece muito bem a yetser hará, afinal elas estão sempre em guerra. Então ela diz para a yetser hará que desta vez sim ela pode fazer uma averah (chaz v’shalom). Aí, a yetser hará fica contente e chega bem perto fazendo a pessoa transgredir, mas antes disso, a yetser hatóv arranca a yetser hará, com se tivesse a puxando (suas orelhas) para longe da averah, deixando-a desanimada e subjugada. E sobre as palavras desta parashá Beha’alotecha, הצר הצרר אתכם chatzer hatzorer etchem, “O adversário que te oprime” (Bamidbar 10:9) o Shlach HaKôdesh diz: “Estas são uma alusão bastante clara para a yetser hará, uma vez que nenhum inimigo nos incomoda tanto como o Sámech-Mém [o Satán]… Existe uma constante guerra entre o homem e sua yetser hará. Por vezes o homem a sobrepuja nesta luta, e em outros momentos as forças do Sámech-Mém ganham ascensão. De qualquer maneira, ambos estão constantemente envolvidos em um estado de guerra”. De fato, a yetser hará é o “inimigo” que somente traz o que é מרת morát, (“amargo”) para o homem. E este termo tem guemátria atbash de 640, a mesma do passúk/verso chatzer hatzorer etchem. Mas, se o homem aprende a subjugar a yetser hará, ele então anda no דרך הקדש dérech ha-kôdesh, (“caminho santo”), de guemátria 633, a mesma da guemátria albam deste passúk.
NASSÔ: “SANTO CIÚMES”
BAMIDAR: “EU ME JUNTAREI A ELES”
CABEÇAS ERGUIDAS
Ka’asher tsiva Hashem et-moshe vayifkedem bemidbar sinai, “Como YKVK ordenara a Moshe, contou-os no deserto de Sinai” (Bamidar 1:19). Veja: a palavra ויפקדם vayifkedem, (“contou-os”) tem guemátria 240, e surpreendentemente a guemátria atbash dela também é 240. No método de guemátria atbash, a primeira letra do alfabeto (alef) é substituída pela última (tav), a segunda (bet) pela penúltima (shin) e assim por diante invertendo o alfabeto. Este método busca na palavra ou frase a “mensagem secreta” oculta no resultado. Conceitualmente, o segredo neste caso é a própria palavra original, querendo dizer que “contar” é o próprio Sód (“o nível oculto/íntimo da Torá”) de “contar”. Isto é na verdade algo profundo e ao mesmo tempo em que pertence à natureza dos números. De modo geral, quando pensamos em um número, sabemos que ele representa alguma quantidade objetiva. Contar é a ação de encontrar o número de elementos de um conjunto finito de objetos, de estabelecer a correspondência entre o conjunto sendo contado e o conjunto de números (maior). Em outro nível, contar é “estabelecer”, no sentido de afirmar a existência e identidade. Portanto, a contagem do Bnei Israel identifica-o no mundo de modo revelado, permitindo assim a sua afirmação como um grupo escolhido, o seu reconhecimento. Sobre a contagem, o Bamidbar 1:2 usa a expressão S’eu et rosh kol adat bnei Israel, que significa literalmente, “Erga a cabeça de todos os filhos de Israel”. E o Shem M’Shmuel neste passúk comenta que, “O censo deu força ao Ego do povo”. Ou seja, o fato de que todos foram contados individualmente foi uma maneira de enfatizar a autoestima de cada judeu que assim vivenciou o “erguer de sua cabeça”.
BEHAR: “A MÍSTICA DO SHABAT”
Um vórt (“breves palavras de Torá”) sobre o Vayicrá 25:2, parashá Behar 5774.
Nota: este shiur (avançado) da parashá Behar (5768) foi encontrado na parashá Bamidbar 5774 (em 19-05-2014). O Rabino Avraham disse: “Ele estava perdido bamidbar [‘no deserto’], mas sua fagulha brilhou em Iyar e foi assim resgatado, baruch Hashem”.
MATANDO A FOME
ואכלתם לחמכם לשבע Va-achaltem lachmechem la-sova, “E comereis vosso pão a fartar” (Vayicra 26:5). A guemátria atbash aqui é 1000, sendo este o mesmo valor numérico do milúi (“soletrar”) de Kel Shakai “D-us Todo Poderoso” (mais o valor do kolel), um dos Shemot Kodashim (“Nomes Santos de D-us”). Ou seja, Kel Shakai é escrito: alef-lamed e depois shin-dalet-yud = (1 + 30) + (300 + 4 + 10) = 345. E quando estas letras são “soletradas” temos, Alef: alef-lamed-pei (1 + 30 + 80 = 111); Lamed: lamed-mem-dalet (30 + 40 + 4 = 74); Shin: shin-yud-nun (300 + 10 + 50 = 360); Dalet: dalet-lamed-tav (4 + 30 + 400 = 434); e Yud: yud-vav-dalet (10 + 6 + 4 = 20). E o total é 999 + 1 (kolel) = 1000. O Ari”zal explica que “Este valor de 1000 [élef em Hebraico] é em Binah, aonde este Shemot Kodashim se manifestam… e este é o significado místico da frase alef-bet etc.” (Sha’ar HaPesukim, Devarim). E esta frase (alef-beit) pode ser interpretada como significando “aprenda a compreender”, uma vez que a palavra alef também significa “aprender”, e a palavra para “compreender/compreensão”, binah, inicia com a letra bet. A palavra alef é soletrada da mesma maneira que a palavra élef (“um mil”). Portanto, a frase alef-binah também pode ser lida como “o mil de binah”, relacionando assim o número 1000 e a guemátria do valor do milúi dos Shemot Kodashim (Kel Shakai). Disso tudo aprendemos que o sustento provém de um nível muito elevado e que ele é ligado também à necessidade da compreensão do indivíduo sobre a regência de Hashem no mundo e de Suas leis. Quando a pessoa verdadeiramente entende que Ele é o Ribono Shel Olám (“Mestre do Universo”), uma “força espiritual” extraordinária troveja nos céus e faz “cair o Mán [‘maná’]”, que é o sustento (e o meio para subsistir) que Hashem dá ao Seu povo de Israel tão querido e ao mundo também. E veja: a guemátria atbash de Va-achaltem “E comereis” é 541, a mesma de Israel; a guemátria atbash de Lachmechem “Vosso pão” é 130, que equivale a 5 x 26, sendo cinco os estados de Guevurá (“Força Divina”) e 26 a guemátria do Tetragrama (yud-kei-vav-kei, 10 + 5 + 6 + 5 = 26); e a guemátria atbash de La-sova “A fartar/se satisfazer” é 329, a mesma de מזי רעב Mezêi ra’av, “Consumidos pela fome (Devarim 32:24). Se cumprirem as mitsvot e buscarem a compreensão sincera sobre as verdades da Torá, então Israel (e todos que amarem este Povo e a Torá) terá a bênção da força Divina que sobrepuja todas as dificuldades do sustento no mundo físico, anulando assim a “fome”, que é também a falta de entendimento. E deste modo, “Comereis vosso pão a fartar”, amém. Existem ainda inúmeras outras considerações, aqui sendo apenas um início, baruch Hashem.
BECHUCOTAI: “SOLUÇÃO OU PROBLEMA?”
PALAVRAS CHAVES: A tsedacá/caridade, é necessário porém não suficiente só estudar Torá, a prática das mitsvót (“mandamentos”), alinhamento com D-us depende do cumprimento das mitsvót, se fixar no estudo de Torá sem prática é (quase) como heresia, o problema do acadêmico no Judaísmo, intelectualização arrogante e o auto-sistema de crença, a admoestação desta parashá sobre não cumprir o desejo de D-us, a Torá é nossa “aliança” espiritual com Hashem, o erro do teórico, tikún (“retificação”), a pessoa que anda na Torá ajuda a retificar o mundo, Yesód: o “conector” espiritual entre o mundo físico e o espiritual, Yesód é o justo: a fundação do mundo, a causa do caos no mundo, alinhamento espiritual e as bênçãos, a interrupção da luz e a dor do homem, comportamentos errados: criando caos no mundo, klipót (“forças do mal”), os julgamentos de Íma/Binah, o subjugar da misericórdia, o aumento dos julgamentos aumenta a discórdia entre as pessoas, os atos corretos/mistvót subjugam os julgamentos, o jugo Divino, a escravidão dos desejos, os preconceitos da vida secular, a tsedacá salva da morte, Nôach unificou as luzes das sefirót, trazendo Mashiach, teshuvá (“retorno a D-us”), a tsedacá “adoça” os decretos Divinos, se preocupando com fazer o que é certo, a “doce” Era de Mashiach.
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