Um vórt (“breves palavras de Torá”) sobre o Bamidbar 5:11-17, parashá Nassô 5768.
Mês: maio 2014
BAMIDAR: “EU ME JUNTAREI A ELES”
CABEÇAS ERGUIDAS
Ka’asher tsiva Hashem et-moshe vayifkedem bemidbar sinai, “Como YKVK ordenara a Moshe, contou-os no deserto de Sinai” (Bamidar 1:19). Veja: a palavra ויפקדם vayifkedem, (“contou-os”) tem guemátria 240, e surpreendentemente a guemátria atbash dela também é 240. No método de guemátria atbash, a primeira letra do alfabeto (alef) é substituída pela última (tav), a segunda (bet) pela penúltima (shin) e assim por diante invertendo o alfabeto. Este método busca na palavra ou frase a “mensagem secreta” oculta no resultado. Conceitualmente, o segredo neste caso é a própria palavra original, querendo dizer que “contar” é o próprio Sód (“o nível oculto/íntimo da Torá”) de “contar”. Isto é na verdade algo profundo e ao mesmo tempo em que pertence à natureza dos números. De modo geral, quando pensamos em um número, sabemos que ele representa alguma quantidade objetiva. Contar é a ação de encontrar o número de elementos de um conjunto finito de objetos, de estabelecer a correspondência entre o conjunto sendo contado e o conjunto de números (maior). Em outro nível, contar é “estabelecer”, no sentido de afirmar a existência e identidade. Portanto, a contagem do Bnei Israel identifica-o no mundo de modo revelado, permitindo assim a sua afirmação como um grupo escolhido, o seu reconhecimento. Sobre a contagem, o Bamidbar 1:2 usa a expressão S’eu et rosh kol adat bnei Israel, que significa literalmente, “Erga a cabeça de todos os filhos de Israel”. E o Shem M’Shmuel neste passúk comenta que, “O censo deu força ao Ego do povo”. Ou seja, o fato de que todos foram contados individualmente foi uma maneira de enfatizar a autoestima de cada judeu que assim vivenciou o “erguer de sua cabeça”.
BEHAR: “A MÍSTICA DO SHABAT”
Um vórt (“breves palavras de Torá”) sobre o Vayicrá 25:2, parashá Behar 5774.
Nota: este shiur (avançado) da parashá Behar (5768) foi encontrado na parashá Bamidbar 5774 (em 19-05-2014). O Rabino Avraham disse: “Ele estava perdido bamidbar [‘no deserto’], mas sua fagulha brilhou em Iyar e foi assim resgatado, baruch Hashem”.
MATANDO A FOME
ואכלתם לחמכם לשבע Va-achaltem lachmechem la-sova, “E comereis vosso pão a fartar” (Vayicra 26:5). A guemátria atbash aqui é 1000, sendo este o mesmo valor numérico do milúi (“soletrar”) de Kel Shakai “D-us Todo Poderoso” (mais o valor do kolel), um dos Shemot Kodashim (“Nomes Santos de D-us”). Ou seja, Kel Shakai é escrito: alef-lamed e depois shin-dalet-yud = (1 + 30) + (300 + 4 + 10) = 345. E quando estas letras são “soletradas” temos, Alef: alef-lamed-pei (1 + 30 + 80 = 111); Lamed: lamed-mem-dalet (30 + 40 + 4 = 74); Shin: shin-yud-nun (300 + 10 + 50 = 360); Dalet: dalet-lamed-tav (4 + 30 + 400 = 434); e Yud: yud-vav-dalet (10 + 6 + 4 = 20). E o total é 999 + 1 (kolel) = 1000. O Ari”zal explica que “Este valor de 1000 [élef em Hebraico] é em Binah, aonde este Shemot Kodashim se manifestam… e este é o significado místico da frase alef-bet etc.” (Sha’ar HaPesukim, Devarim). E esta frase (alef-beit) pode ser interpretada como significando “aprenda a compreender”, uma vez que a palavra alef também significa “aprender”, e a palavra para “compreender/compreensão”, binah, inicia com a letra bet. A palavra alef é soletrada da mesma maneira que a palavra élef (“um mil”). Portanto, a frase alef-binah também pode ser lida como “o mil de binah”, relacionando assim o número 1000 e a guemátria do valor do milúi dos Shemot Kodashim (Kel Shakai). Disso tudo aprendemos que o sustento provém de um nível muito elevado e que ele é ligado também à necessidade da compreensão do indivíduo sobre a regência de Hashem no mundo e de Suas leis. Quando a pessoa verdadeiramente entende que Ele é o Ribono Shel Olám (“Mestre do Universo”), uma “força espiritual” extraordinária troveja nos céus e faz “cair o Mán [‘maná’]”, que é o sustento (e o meio para subsistir) que Hashem dá ao Seu povo de Israel tão querido e ao mundo também. E veja: a guemátria atbash de Va-achaltem “E comereis” é 541, a mesma de Israel; a guemátria atbash de Lachmechem “Vosso pão” é 130, que equivale a 5 x 26, sendo cinco os estados de Guevurá (“Força Divina”) e 26 a guemátria do Tetragrama (yud-kei-vav-kei, 10 + 5 + 6 + 5 = 26); e a guemátria atbash de La-sova “A fartar/se satisfazer” é 329, a mesma de מזי רעב Mezêi ra’av, “Consumidos pela fome (Devarim 32:24). Se cumprirem as mitsvot e buscarem a compreensão sincera sobre as verdades da Torá, então Israel (e todos que amarem este Povo e a Torá) terá a bênção da força Divina que sobrepuja todas as dificuldades do sustento no mundo físico, anulando assim a “fome”, que é também a falta de entendimento. E deste modo, “Comereis vosso pão a fartar”, amém. Existem ainda inúmeras outras considerações, aqui sendo apenas um início, baruch Hashem.
BECHUCOTAI: “SOLUÇÃO OU PROBLEMA?”
PALAVRAS CHAVES: A tsedacá/caridade, é necessário porém não suficiente só estudar Torá, a prática das mitsvót (“mandamentos”), alinhamento com D-us depende do cumprimento das mitsvót, se fixar no estudo de Torá sem prática é (quase) como heresia, o problema do acadêmico no Judaísmo, intelectualização arrogante e o auto-sistema de crença, a admoestação desta parashá sobre não cumprir o desejo de D-us, a Torá é nossa “aliança” espiritual com Hashem, o erro do teórico, tikún (“retificação”), a pessoa que anda na Torá ajuda a retificar o mundo, Yesód: o “conector” espiritual entre o mundo físico e o espiritual, Yesód é o justo: a fundação do mundo, a causa do caos no mundo, alinhamento espiritual e as bênçãos, a interrupção da luz e a dor do homem, comportamentos errados: criando caos no mundo, klipót (“forças do mal”), os julgamentos de Íma/Binah, o subjugar da misericórdia, o aumento dos julgamentos aumenta a discórdia entre as pessoas, os atos corretos/mistvót subjugam os julgamentos, o jugo Divino, a escravidão dos desejos, os preconceitos da vida secular, a tsedacá salva da morte, Nôach unificou as luzes das sefirót, trazendo Mashiach, teshuvá (“retorno a D-us”), a tsedacá “adoça” os decretos Divinos, se preocupando com fazer o que é certo, a “doce” Era de Mashiach.
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