Mês: julho 2015
AS APARÊNCIAS ENGANAM
Hoje, 5 do mês de Av, na parashá Devarim, celebramos o Yarzheit – o dia do falecimento – do mestre maior da Cabalá, o Ari”zal (1534-1572). O livro Shivchei HaArizal, que relato histórias extraordinárias da vida do grande mestre, traz a história do neto do Rabino Ya’acov Berab, o Rabino Ya’acov Abulafia, conhecido como um chacham hakahal/sábio da comunidade. Ele se preparava para uma viagem ao Egito e foi antes visitar o Ari”zal que o concedeu com uma carta de recomendação para os dirigentes no Egito. Ele se uniu a uma caravana de camelos para cruzar o deserto do Sinai, que ao chegarem a um oásis, foi descansar. E quando acordou estava sozinho e se alarmou. Pegou o seu asno e ainda que corresse, não alcançou a caravana. Colocou sua confiança em Hashem e rezou: “Ainda que eu siga pelo vale das sombras da morte nada temerei, pois Tu estarás comigo” (Tehilim 23). Avistou de longe um rebanho de touros conduzido por um pastor e em tempo, viu-se diante de um estranho espetáculo: o tal homem batia no rebanho sem misericórdia até que ele mesmo se convertia em um dos toros e eles também subitamente mudavam as suas formas que viravam humanas e que agora batiam cruelmente nos que estavam na forma animal e assim por diante. Este espetáculo continuava com as formas alternando como explicado. Os homens-touros imploraram que o Rabino Ya’acov pedisse para o Ari”zal ajudá-los a terminar este terrível sofrimento, que mais tarde, quando o Rabino Ya’acov retornou a Tzfat e foi ver o Ari”zal, este o ensinou o que fazer para ajudá-los.
Esta história é muito importante, pois prova um assunto que é oculto na realidade e que somente os cabalistas os conhecem, e as forças do mal também. O assunto é sobre shapeshifting (“alterando a forma”). Estamos falando da habilidade de alteração da forma física para outra, totalmente diferente. Este é um assunto extenso, e nem tudo pode ser aqui revelado. Aqui, não está se referindo às trocas de “vestimentas” dos anjos – que assumem a vestimenta/corpo humano, assim como está o Tanach descreve várias vezes, de acordo com as leis naturais do nosso universo físico – mas sim da capacidade de alterar a aparência com total controle de modo a assumir outra forma humana, ou de outra espécie animal ou ainda de uma entidade. Mais ainda, isso pode ocorrer involuntariamente, ao comando de outra pessoa também. O fato desta história ser afirmada sobre o Ari”zal mostra que foi um din/decreto de Hashem para punir estes indivíduos e uma verdade inegável. E como tudo que existe na kedusha/santidade tem contrapartida na impureza/tumah (ref. Eclesiastes 7:14), este mesmo processo de modo não sancionado foi e ainda é usado pelo lado do mal. E foi desta maneira que os Nefilim/Gigantes “desaparecerem”. O Zohar e outras fontes santas, inclusive nos Midrashim e o Sefer Chanoch etc. afirmam sobre a “Terra Interior” e suas passagens secretas, tal como em Hevron (em Machpelah) – daí a luta antiga e constante por esta região. O Zohar chega a dizer que existem sete camadas ou terras interiores. O Gan Éden existia em um destes níveis assim como o Guehinom em outro, com sol interior e tudo mais. Estes ambientes interiores contam com mais de 300 espécies de criaturas estranhas vivendo neste níveis diversos. E supostamente, estes seres do mal – os gigantes e shedim/demônios – adentraram a Terra Interior quando veio o Mabúl/Dilúvio e depois também etc. E eles continuam a atuar com a sua influência nefasta no mundo. O Sefer Chanoch garante que na era de Mashiach eles (e os anjos guardiões que atrapalham a vida do homem com suas influências desviadas do propósito original) serão todos punidos. Existem relatos – “lendas urbanas” – de pessoas vistas com “aspectos” reveladores de sua identidade oculta de shapeshifter, mas que podem ser percebidas por alguém com “olhos treinados”. Afirma-se, verdade ou não, que estes seres capazes de transformação são da mesma raça reptiliana do Serpente no Gan Éden: inteligente, astuto e capaz também de telepatia. Existe um “truque” telepático para identificá-los: se um for avistado (que D-us não permita), pensar em silêncio que a sua identidade secreta agora não é mais oculta. Isso deveria trazer alguma reação, portanto pode não recomendável. Enfim, este assunto demanda muita fé, ele está na nossa Torá e quem sabe algum dia eu revelarei mais, se D-us quiser.
ESCOLHA A SUA JORNADA
Nesta parashá dupla, Matót-Maasêi, está escrito: אלה מסעי בני-ישראל אשר יצאו מארץ מצרים לצבאתם Ele massêi venei-Israel ashér yatsu meérets Mitsrayim letsivotam, “Estas são as jornadas do Povo de Israel, pelas quais eles saíram da terra do Egito com seus exércitos etc.” (Bamidbar 33:1, Maasêi). Vemos que a guemátria atbash do início deste passúk/verso, אלה מסעי בני-ישראל “Estas são as jornadas do Povo de Israel” é igual a 819, a mesma da guemátria absoluta de משמרת הקדש Mishmeret Ha-Kódesh, “Vigília Santa”. Esta expressão aparece primeiro na Torá de forma integral como Shomrei Mishmeret Ha-Kódesh, “Os Guardas da Vigília Santa” (Bamidbar 3:28). As jornadas que Hashem designou para o Povo de Israel representam os estágios ascendentes da vida, mas somente para aqueles que obedecem a “Vigília Santa” mesmo sem entender seu significado ou função. Ao se abnegar diante das mudanças e viagens impostas a cada um, o judeu se torna um que “guarda” os desígnios de Hashem. Ou seja, a proteção dos Céus unicamente paira para os que ouvem o chamado da ‘קול ה Kol Hashem, “Voz de D-us”, com guemátria absoluta 162, a mesma da guemátria ordinal do verso citado. E ainda que seja difícil levantar acampamento e partir em jornada quando os Céus assim determinam, ele se preenche de alegria e esperança que na mais nova mudança de local, enfim virá a redenção. Mais ainda, estas jornadas santas são um arquétipo para todos os homens do mundo que se ligam a Torá de modo apropriado, como vemos na guemátria katán deste verso sendo 45, a mesma de אדם adam/homem. De fato, o milui (“expansão”) do sofít tavót (“letras finais”, הייל) do verso אלה מסעי בני-ישראל “Estas são as jornadas do Povo de Israel” é הא יוד יוד למד, e que este milui tem guemátria 120, a mesma da guemátria absoluta de בני נח Bnei Nâoch, “Filhos de Noé“. Vemos que no aspecto da “final/sofit da expansão/milui” do Bnêi Israel/Povo Judeu encontram-se os Noéticos – não judeus que assumem de observar rigorosamente as “Sete Leis” da Torá para as Nações do mundo*.
Agora, a Torá ensina neste mesmo verso, a condição sine qua non para que as jornadas sejam abençoadas: o desligamento de Mitsrayim/Egito – a palavra código que significa “domínio do Mal”, ou seja, das idolatrias. Veja, o reshêi tavót (acróstico) de יצאו מארץ מצרים לצבאתם “eles saíram da terra do Egito com seus exércitos” é יממל (yud-mem-mem-lámed), de guemátria 120. Veja, o Nome Elokim (que corresponde as guevurót/severidades) compreende cinco letras (alef-lámed-hei-yud-mem), e cinco letras produzem 120 permutações: 5! = 5 x 4 x 3 x 2 x 1 = 120. E as diferentes permutações deste Nome Santo indicam todos os tipos dos vários julgamentos sobre as forças que derivam benefício do final da santidade (destas 120 permutações). Este é o domínio do Mal, e estes são os juízos severos das mazalót/constelações e planetas (ou seja, tudo que é ligado à astrologia), e em geral de qualquer espécie de “intermediários” na devoção do homem a D-us. Todas estas espécies do mal – estrelas, ídolos, pessoas etc. – são meras forças inferiores e limitadas chamadas de elohim achêirim (“deuses inferiores”) e que constituem a idolatria enraizada nestas permutações, negando o Um D-us. Se a pessoa acredita nestas impurezas ela perde completamente a proteção Divina misericordiosa e agora fica subjugada aos poderes baixos, e as suas jornadas que poderiam ser abençoadas se tornam meras “jornadas das estrelas” – os caminhos espirituais estranhos. E deste modo, ela não tem porção alguma da “Vigília Santa”, e é então regida somente pelas forças tolas dos fracos de mente e coração que compreendem a maioria no mundo. O julgamento Divino e alerta neste verso é visto aqui de outro modo também, pois a guemátria katán de אשר יצאו מארץ מצרים לצבאתם “pelas quais eles saíram da terra do Egito com seus exércitos” (que agora inclui a expressão אשר ashér, “pelas quais”), é 86 – a mesma da guemátria absoluta de Elokim.
* Isto significa que os noéticos se encontram no limite final da kedushá/santidade, quase em conjunção com o “outro lado”, como será explicado a seguir sobre a guemátria 120. Alegoricamente, é como se o final da kedushá representa uma cerca entre duas propriedades, por assim dizer. Os noéticos estão do “outro lado” da cerca, mas encostados nela.