Um pensamento sobre “ETS CHAYIM 7

  1. Shalom Rabino Avraham,

    Como tão fortemente o senhor enfatiza nos shiurim, para mim em particular e na obra do senhor em geral, a questão de se deixar ser afetado emocionalmente pelos aprendizados é de vital importância e fundamental para se ter uma vivência espiritual genuína e uma sobrevivência também ao se deparar com os percalços da vida.

    Os processos intelectuais agora podem ser mais bem compreendidos, são os poderes da alma chamados de Séchel, e que devem emular e controlar as emoções. Nesta aula o senhor começa falando de Daát, que tem um papel central, pois a partir dos insights de Chochmá, o esquadrinhamento de Biná a etapa decisiva é a interiorização desse processo intelectual de forma a transformar-se em um “conhecimento vivo”, o qual se traduzirá em emoções alinhadas e em ações retas. Por isso talvez a maioria das pessoas falham na etapa de Daát, pois neste ponto a frieza do intelecto deve, idealmente ao menos, dar lugar a um fogo uma emoção de desejo por se ligar à D-us. Como ensinado na aula ” AMALEK FRIEZA NA TORÁ”, o yetsér hará ataca a pessoa justamente quando ela luta para adquirir paixão por D-us e viver ligado à Ele, isto é, o lado negativo age no nível de Dáat não se importando se a pessoa está apenas estudando Torá, o problema começa quando se cogita realizar mudanças reais de vida.

    Por outro lado tudo vem de Chochmá, sendo considerada o poder intelectual da alma mais elevado e etéreo. Se ativar o Daát é difícil, fazê-lo sem acessar o poder de Chochmá, com seus pontos de luz que a todo o resto do processo dão origem, é impossível. E como o rabino Avraham exemplifica esse problema de ter os poderes intelectuais confusos e bloqueados é que geram toda a sorte de conflitos sejam internos, familiares ou profissionais. Porém Chochmá, a qual tem embutida toda ideia seminal a respeito de amor e desejo de ligar-se à D-us, “vive” em exílio, isto é, as forças das kelipót não tem acesso a ela, portanto toda pessoa tem a possibilidade de acessá-la. A pessoa que o faz através do esforço consciente, da introspecção será uma pessoa de sabedoria e terá o início do caminho até as ações retificadas iniciado.

    Mas como o rabino Avraham menciona na aula esse processo todo por se tratar de algo espiritual abstrato, para que seja cognoscível ao homem tem que ser expresso num formato mais limitado pelas próprias palavras e esquemas que explicam o assunto, mas nem sempre esses processos ocorrem de forma cadenciada, mas ao estudarmos graças á D-us e ao rabino Avraham que revela da melhor forma possível podemos adquirir uma ideia qualitativa do funcionamento de toda essa dinâmica espiritual e usá-la a nosso favor no sentido de aumentar a ligação com D-us e se libertar do jugo da escravidão da mente contraída.

    Esse uso apropriado do conhecimento que leva a auto-anulação em prol da vontade de D-us é frontalmente contrário ao que a sociedade prega, pois nela o conhecimento é visto como um objeto apenas que pode ser usado ao seu bel-prazer, não sendo levado em conta se é o jeito certo de se fazer ou possíveis consequências. Como o senhor disse tratar assuntos de intimidade de maneira a objetificá-los é um grave erro, e só leva a fazer o (des)serviço contrário ao requerido pela Torá, que é a anulação do ego e emulação de amor ao Divino. Os exemplos claros disso são a forma como a relação homem-mulher é tratado no mundo, justamente objetificando a mulher e as relações íntimas que têm o poder assombroso de trazer almas ao mundo. Outro exemplo que o senhor condena com frequência é a objetificação da intimidade da Torá, a Cabalá, por pessoas mal intencionadas, as quais usam de alguma forma qualquer conceito mesmo que superficial da Torá para ganhar dinheiro e dominar as massas.

    Me lembro da aula sobre a “PARASHÁ REÊ” em que o senhor lê parte do diário do Rebe de Piasêtzna, nele o Rebe dizia que a alma quer e precisa de estímulos emocionais, e se essa necessidade não for satisfeita da maneira correta o fará de forma profana, daí ser tão vital internalizar e se sensibilizar com as verdades espirituais. Também é falado sobre a necessidade de introspecção e identificação do que o Rebe chama de eu verdadeiro e individual, necessário para que se identifique dentro da mente os aspectos que refletem a mentalidade de horda e são apenas reflexos condicionados e portanto precisam ser confrontados. A necessidade de “provas abstratas” é para os tolos de coração, pois D-us não pode ser provado como um teorema matemático mas sim percebido através de uma experiência pessoal e intransferível, pois toda sabedoria a respeito de D-us está em Chochmá dentro da própria mente esperando ser acessada. Por fim Rabi Kalônymus explica que a melhor forma de aferir se houve algum progresso ao longo do tempo é verificar quais resoluções foram tomadas, isto é, quais mudanças reais foram tomadas para se atingir o objetivo, não sendo importante o quanto se filosofou sobre o assunto.

    Em nível pessoal fica a lição de o quanto é necessário se afastar desse “furacão” de estímulos externos que nos desviam de ouvir a voz silenciosa de Chochmá exilada, focar no estudo constante e sem grandes intervalos para que se entenda racionalmente o máximo que for possível não dando chance ao esquecimento, trabalhar a anulação do ego e a abertura do coração através do Daát, possibilitando assim viver da única forma que alguém minimamente sensível conseguiria viver.

    Desejo ao senhor e família saúde e felicidades.

    Shabat Shalom, Moshe

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