DEVARIM

PALAVRAS CHAVES:  Admoestações de Moshé, oculto e revelado, diferentes estados de consciência, expressão verbal pragmática ou emocional, a fala espiritual, os olamót (“mundos espirituais”) e a psique humana, o homem é um olám katán (“microcosmo”), o Tetragrama (YKVK), anjos e almas nos olamót, bitúl (“anulação”), mundo revelado sujeito à corrupção, toda corrupção implica em sustento da sítra áchra, raiz espiritual de tudo, “infortúnios” na vida, 5 graus da alma, falando para a alma, retificações da mente.

tzedakah

6 pensamentos sobre “DEVARIM

  1. Shalom Rabino Avraham,

    A parashá dessa semana começa com Moshe dizendo as palavras de admoestação à Israel e segue citando vários lugares, que não tem o objetivo de localização. O comentarista Rashi explica que cada lugar representa um pecado cometido pelo povo judeu no deserto. Algumas explicações para este fatos são dadas em vários níveis, mas nesta aula do rabino Avraham é dada uma explicação no nível de sod, que aborda este versículo de um ponto de vista da psicologia da alma.

    Esta aula sobre a parashá Devarim tem muitos pontos em comum com a aula Ets Chayim 5, pois no meu ver ambas abordam a questão dos poderes da alma, a primeira no que refere-se a forma como a informação seria recebida pelo povo, primeiro num nível oculto (poderes intelectuais da alma) e depois mais revelado (poderes emocionais da alma), e a segunda aula lidando diretamente com esses poderes em si, suas características e dinâmicas.

    Como detalhadamente explanado tudo pode ser dividido em oculto e revelado, e como o rabino Avraham disse na aula o objetivo de Moshe foi atingir os vários níveis de alma do povo judeu com sua admoestação, de tal forma que ela ficasse bem gravada em suas almas. De um ponto de vista mais psicológico Moshe queria afetar todos os tipos de pessoas, aquelas mais racionais, diretas, literais e as que são mais intuitivas, alusivas e ligadas ao sod.

    Apesar de existirem realidades reveladas e ocultadas, assim como interpretações literais e místicas da Torá, a fonte de tudo é D-us, representado pelo seu nome transcendental o Tetragrama. Por isso é possível encontrar associações entre os lados oculto e revelado de D-us, os níveis da alma, os mundos e as sefirót com o Tetragrama. Tanto o bem como o mal, o qual não passa de um bem que não conseguimos conceber, provém da mesma fonte divina, porém o mal justamente por não ser compreensível na nossa atual realidade provém do lado oculto de D-us. As duas primeiras letras representam a ocultação e as duas últimas a revelação, por isso o rei David no salmo 94 escreve: ” Feliz daquele que é castigado por D-us, usando o nome yod-hei para o Criador.

    Vejo um paralelo entre os dois simbolismos usados, um na aula Ets Chayim 5 e outra nesta aula sobre Devarim. Na aula Ets Chayim chochmá é comparado a uma semente que contém o potencial de gerar todos os galhos e frutos de uma árvore, enquanto dáat é tudo isso de fato, isto é, todas ramificações concretizadas. Em outras palavras chochmá é mais abstrato e sem forma, já dáat restringe essa fluidez de chochmá lhe dando forma e tornando a informação mais concreta sob a foma de leis. De maneira semelhante nesta aula de Devarim, a semente do homem que tem o poder criativo de gerar uma criança é disforme e fluida, mas a medida que a criança vai se concretizando suas formas são cada vez mais perceptíveis e ela torna-se mais “concreta”.

    Apesar da extração de informações de um insight ou a formação de uma criança serem como trazer para nosso mundo da matéria a vitalidade divina encarnada por assim dizer em algo físico, a contrapartida é que mais sujeito à corrupção tornam-se, pois uma iluminação de chochmá pode ser mal canalizada, a concepção de uma criança pode ser feita sem as intenções corretas, e a própria criança já passa a ter em seu próprio corpo elementos ligados a morte como são as unhas e os cabelos, como sinal de que aqui na realidade física bem e mal estão misturados.

    Entendi que Moshe seguiu esse caminho de começar seu discurso de maneira mais abstrata e indireta, para depois usar de uma forma mais concreta e direta, pois o caminho para algo ser revelado nesse mundo segue esta ordem, a luz vai sendo constringida até se materializar. Como ensinado na aula Moshe usou deste modo para sentir a resposta das pessoas e então ir tornando sua mensagem mais sólida e então atingindo os integrantes do povo mais literais. Quando pensei no estudo da Torá percebi que o processo é inverso, começamos a estudar o pshat, depois o rémez, drush e por último o sod, isto é, o estudo começa pelo texto direto e seu último nível é o mais abstrato e alusivo. Talvez seja porque o processo de revelação da Luz de D-us começa nos níveis mais elevados e descende até os níveis inferiores, já o estudo da Torá é forma que o homem tem de alcançar a revelação num processo ativo de escalada espiritual, portanto ascendente. Creio que os 4 níveis de estudo da Torá devam ter também sua contrapartida no Tetragrama.

    Desejo ao senhor saúde e felicidades.

    Shabat Shalom, Moshe

  2. Shalom Rabino
    Peço a permissão do senhor para estas poucas linhas.
    De que me adianta a astúcia e a precisão dos sentidos se não posso ouvir o silêncio, olhar o infinito ou tocar o intangível.
    Melhor, pois, aceitar minha insignificância perante D’us e render-me incondicionalmente à sua vontade para que, no olam catam, seja-me permitido erguer uma esvada e ascender por ela para contemplar o infinito.
    Shalom

  3. Shalom Rabino Avraham, com permissão do senhor, gostaria de expressar algumas palavras sobre esta aula tão especial.

    Entendo que o senhor revela entre tantos assuntos enigmáticos da passagem, a revelação da matéria, que sendo ela grosseira, é facilmente vulnerável a tudo que não seja o Santificado. Muitas vezes a exposição de idéias acaba perdendo a oportunidade de se manter retificada e Santificada através da ocultação, pois como diz o Mestre (o segredo está no oculto). Então não precisamos ir muito além das observações ao nosso redor e comparar com os ensinamentos proporcionados pelo Mestre. Os quais aceitamos seguir com dedicação.

    Somos ensinados que quando não direcionamos corretamente nossas energias as forças nefastas usufruem delas quando revelada sem as devidas “cercas” e fazem delas combustível para atuar no lado oposto a Santidade, podemos ver estas atuações também de modo revelado através de um exemplo: uma pessoa resolve ostentar valores adquiridos de forma desconhecida em um objeto de ultima geração e com muitos acessórios, mas que isso dura pouco e logo ele é roubado ou sofre um sinistro.Creio que assim ocorre também com nossos corpos, (D-us nos livre).

    O Mestre cita a admoestação indireta de Moshê Rabeino, que com a linguagem universal e transcendental da Torá, em oculto proporciona uma transmissão de energia codificada através da fala para todo o povo, e para que cada um em seu grau e nível de entendimento, seja capaz de um recebimento máximo possível em seu recipiente.

    Nos é revelado o poder de ocultação que a mente do homem contem, e que somente pode revelar o conteúdo através da fala, então muitas situações (pensamentos e imaginação) de como funciona de fato, mesmo que sentindo vergonha de muitas atitudes inadequadas que tive e que através delas deixei transparecer meu caráter não retificado, penso que por muitos motivos perdi oportunidade de conviver em clima de aprendizado, em harmonia.

    Hoje Graças a D-us, através das obras e contato com o Rabino Avraham, estou vivenciando um constante despertar, principalmente sobre tudo o que falamos, quem somos, e como funciona os decretos Divinos que foram outorgados pelo mau comportamento, vindo acarretar em julgamentos, que para nós vem como infortúnios, mas que deveria ser chamado de compaixão do Criador que somente “puxa a orelha” e deixa sobreviver. Tamanha é a Benevolência do Criador Bendito seja.

    Obrigado por tudo Mestre, que Hashem o eleve em sabedoria e Paz sempre.

    Edson Bertoldo.

  4. Shalom caro Rabino Avraham e amigos do Beit Arizal,

    Peço a licença para comentar o presente shiur com a ajuda dos Céus.

    No sublime discurso de Moshé todo o povo judeu teve a oportunidade abençoada de ser afetado em todos os aspectos da alma nos discursos oculto e revelado. Entendo que nas obras do Rabino Avraham existe essa grande fluência entre os discursos ocultos e revelados, assim ele emula Moshé sabiamente para que sejamos afetados por completo em nossas almas. Muitas vezes o Rabino Avraham trata de assuntos muito elevados, de difícil compreensão, mas que certamente afetam os aspectos mais elevados da alma da pessoa de uma forma que ela não entende. Em outros momentos o Mestre trata de assuntos que buscam retificar os aspectos mais baixos da alma como a Néfesh, mostrando a pessoa a necessidade de retificar seus comportamentos, suas emoções e pensamentos.

    O Mestre também fala sobre o perigo da corrupção que existe na medida em que algo se torna revelado. Como o Mestre explica, o ato de discordar de alguém pode corromper as palavras que são reveladas. Entendo que um tipo de discurso que pode facilmente se corromper se feito sem sabedoria é a admoestação, pois o Mestre ensina em suas obras que para admoestar é preciso ter mérito e a pessoa é proibida de admoestar outra que rejeita ser admoestada. Por isso entendo que a pessoa que teme a D-us sempre toma grande cuidado ao revelar o que ela pensa através do poder da fala, sendo que em muitas ocasiões certamente o silêncio se torna a opção correta para que o mal não se engrandeça. Certamente preciso perseverar muito para crescer nestes assuntos, que D-us permita.

    O Mestre fala que o castigo do homem provém do lado oculto, algo que as pessoas não entendem, mas tudo é decretado por D-us e d’Ele não vem mal algum, por isso entendo que preciso subjugar pensamentos e emoções de tristeza, pessimismo, etc.; e aceitar mesmo as situações mais difíceis da vida com alegria. Por fim agradeço à D-us e ao Mestre Avraham por estas lições tão preciosas. Tudo de bom!

    Respeitosamente,
    Emerson

  5. Shalom Rabino Avraham e aos demais Srs, peço permissão para postar breve comentário sobre esta aula da parashat Devarim.

    Graças à D’us o Rabino Avraham nos ensina algo extraordinário sobre a parashat Devarim: que através da linguagem de uma pessoa, aspectos de sua personalidade são revelados enquanto outros são ocultados, muitas vezes as dimensões interiores atrofiadas não podem ser ditas. Do mesmo modo, as realidades espirituais espelham as dimensões da alma humana. Assim, segundo o Rabino, o texto da Torá tem vários níveis de comunicação para as várias abrangências de consciência; alguns são mais revelados e outros mais ocultos e sutis.

    Ainda segundo o Rabino, os aspectos revelados possuem suas formas mais distinguíveis, mais densas, ao contrário dos aspectos ocultos que estão mais próximas da Fonte, isto é, em estados mais indefinidos. Com isso, o revelar, por em palavras, o expressar implica no risco de limitar e corromper certas verdades que em oculto estariam protegidos.

    Por esse motivo também, explica o Rabino, mesmo coisas positivas oriundas dos céus quando reveladas podem, que D’us não permita, causar a impressão de que são coisas negativas. O Ego estabelece parâmetros estranhos para julgar algum acontecimento como sendo ‘bem’ e ‘mal’, desse modo um individuo pode passar a vida julgando certo acontecimento como um infortúnio lamentável, enquanto na realidade, o acontecimento pode ter salvado a vida do individuo de algo mais severo: por isso tudo é para o bem.

    Também, muitas vezes, não entendemos as admoestações de alguém mais sábio, como por exemplo, o Rabino: o Ego julga a mensagem de admoestação, que é uma benção, somente pelo desconforto que ela causa e não pelo seu propósito superior que o Ego não alcança. Nesse sentido, a admoestação é como uma carta que precisa ser aberta, ignora-la apenas altera não-positivamente a realidade que nos cerca.

    Tudo de Bom.

    Carlos Bengio.

  6. Shalom Rabino Avraham. Peço a permissão do Sr. para elaborar um humilde comentário acerca do aula presente.

    Graças a D-us por esta aula do Sr., onde humildemente entendi, de acordo com minha limitação, que uma circunstância que ocorre em nossas vidas ou mesmo no mundo que vivemos, têm um aspecto revelado que pode ser perceptível de acordo com o grau de nossa capacidade intelectual/racional, bem como um aspecto oculto/não compreendido através do raciocínio, que vem dos Céus.

    Após esta aula pude compreender melhor o porquê de que “tudo é para o Bem” pois, quando ocorre algum fato que, no aspecto revelado a maioria das pessoas avaliam como sendo algo ruim, negativo, etc, também tem um lado oculto, que normalmente é um decreto ou uma decisão dos Mundos Superiores, onde os anjos são os emissários, mas a origem vem de D-us, e com certeza Ele sabe o que é bom para elas e para todos envolvidos.

    Para mim ficou a lição que tenho sempre que confiar em Hashem não importa se as circunstâncias que eu esteja vivendo e que podem até aparentar serem ruins, ou pior ainda, que eu possa pensar que a origem dessas circunstâncias venha do mal como a grande maioria das pessoas pensam erroneamente, que D-us não permita.

    Agradeço a D-us por mais esta oportunidade de aprendizado dentre tantas outras que Ele me proporcionou através das aulas do Sr.

    Peço perdão ao Sr. por algum equívoco de compreensão ou de escrita neste comentário.

    Shalom e tudo de bom.

    Respeitosamente,
    Robson Cleber Garcia da Silva

AVISO: COMENTÁRIOS NÃO SERÃO RESPONDIDOS

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s