ANGEOLOGIA JUDAICA 1

Os temas sobre Angeologia abordados nesta série de gravações é sempre de natureza sensível e profunda. Mais ainda, estes assuntos somente têm real valor espiritual e pertinência para o homem se trazidos com o máximo de rigor em termos de sua origem na sabedoria Divina da Torá. E é desta maneira que o Rabino Avraham Chachamovits elucida este assunto tão especial e de tanta fé em D-us e Sua obra.

As duas aulas desta gravação trazem como tema comum, o “livre arbítrio”. Na primeira, o Rabino Avraham explica a importância extraordinária da perda de nível espiritual que ocorreu com a transgressão da lei Divina por Adam, o primeiro homem, e seu impacto até hoje! Isto é assim, pois as gerações posteriores a Adam perderam a habilidade de percepção das verdades espirituais que antes faziam parte da consciência Adâmica. A aula explica também que através desta queda espiritual, perdemos o contato e conhecimento sobre os anjos em suas várias categorias. Apesar da queda espiritual que resultou em grandes perdas espirituais e de percepção, o homem ainda sim tem algo que o distingue muito de toda a Criação: o seu poder de “livre arbítrio”. Este poder permite ao homem avançar espiritualmente, até mesmo acima do nível espiritual dos anjos!

A segunda aula inicia com o assunto da classe de anjos conhecidos como “Anjos da Guarda”. Também são trazidas explicações intensas sobre a natureza da morte e do pecado. Além disso os conceito de Dirá b’Tachtonim (“A moradia nos níveis inferiores”) é explicado e a revelação da luz Divina no mundo através do cumprimento das mitsvot (“mandamentos”), entre outros assuntos. Tudo isso ocorrendo através do poder de livre arbítrio. O próprio funcionamento do livre arbítrio é explicado. Por fim, o propósito dos “Anjos da Guarda” é então revelado: eles são emissários das tarefas de D’us, e a aula termina tratando a ‘responsabilidade espiritual’ que o homem precisa assumir, e assim ajudar na revelação do verdadeiro Mashiach, muito em breve em nossos dias amém.

tzedakah

3 pensamentos sobre “ANGEOLOGIA JUDAICA 1

  1. Pela Graça de D’us.

    Prezado Rabino e Prezados Amigos:

    Peço permissão ao Rabino Avraham, para comentar sobre o presente shiur, acerca da segunda aula desta gravação.

    A aula do Mestre se inicia com a seguinte explanação: o papel dos anjos guardiões. Se pensaria que eles deveriam intervir em nossa vida, para nos prover do bem. O Rav afirma que essa é uma visão superficial, sobre essas entidades espirituais. Se eles existem, supostamente para nos trazer coisas boas, eles também deveriam nos proteger, daquilo que nos faz mal. Entretanto, prossegue o Rabino, considerando tudo o que acontece de ruim, na vida de uma pessoa boa, por exemplo, o Mestre chama a atenção de que não é esse, exatamente, o papel dos anjos guardiões.

    Definitivamente, eu costumava ter uma visão mais secular e fantasiosa sobre os anjos: seres com feições alegres, sempre dispostos a ajudar a humanidade. Porém, ao ler a última Parashá, Vayerá, em que anjos devastaram Sodoma e Gomorra, e com essa série de shiurim, preciso rever esses conceitos: anjos obedecem ordens, e isso não depende do meu parâmetro limitado, acerca de valores, o Mestre ensina.

    Em geral, explica o Rav, temos facilidade em julgar o que não conhecemos – essas entidades são invisíveis, então é fácil para alguém fazer qualquer suposição sobre esses seres espirituais. Como vivemos em um invólucro que, por desígnio Divino, não permite que se possa verificar e provar esses assuntos de fé. Isso é o que mais se faz, e as pessoas acabam confundindo meras opiniões com “espiritualidade”: “D’us é bom e é justo, e verdadeiro”, ou “como D’us permitiu o Holocausto”. O Rabino indaga: quem disse que D’us é sempre tão bondoso? Quando se estuda a Torá, prossegue o Mestre, e vemos a maneira como Ele lidou com pessoas perversas, ou outros eventos, de outra ordem, como o Holocausto, constatamos que a Justiça Divina tem os seus próprios caminhos. Na verdade, há diversas linhas de pensamentos, incluindo a ideia sobre reencarnação de perversos que padeceram no Holocausto, ou, ainda mártires, traz o Mestre. Porém, não há como saber sobre o funcionamento dessas questões espirituais.

    Dando prosseguimento à linha de raciocínio, O Mestre afirma que, mesmo que chegássemos à conclusão de que “D’us é cruel” – chaz v’shalom –, há uma questão: que diferença isso faria? Isso não mudaria nada, até porque D’us não alteraria o Seu Plano Divino, para satisfazer as percepções “míopes” dos seres humanos. Segundo o Rav, isso ocorre porque o ser humano é um ser caído, ele tinha uma grande estatura espiritual, no Gan Éden, e caiu devido à transgressão da Lei de D’us, que Adam cometeu. Portanto, tentar entender o Plano Divino com um intelecto tão reduzido, em termos de consciência, é um exercício em futilidade, pois, independentemente de linhas de pensamento e opiniões emocionais, o Plano Divino segue. Mais produtivo do que tentar compreender o Plano Divino, continua o Rav, é tentar remover um pouco da ocultação, tão profunda, que existe no mundo, através de nossa mente racional, e buscar ir além disso, para podermos ter uma “pequena luz”, de “como funciona” a Criação, sob o ponto de vista espiritual, sendo este o trabalho do Rabino Avraham, segundo o mesmo afirma: trazer a pessoa para o despertar das realidades espirituais. Se a pessoa desperta mais espiritualmente, ela consegue alcançar graus de percepção, das coisas que ocorrem em sua vida, com um sentido muito mais profundo – aquilo que ela chamaria, antigamente, de “coincidência”, “sincronicidade”, “casualidade”, “fatalismo”, “destino”, etc., começa a assumir um outro aspecto de compreensão em sua vida, o que é um engrandecimento de sua consciência, que cresce na medida em que a pessoa se torna um “recipiente” mais puro e adequado, para o recebimento do Fluxo Divino, se transforma e começa a perceber as coisas, um pouco, vislumbrando como elas são, por trás do “véu de ocultação”, que existe e que oculta a Luz de D’us, neste mundo inferior, físico e grosseiro, conclui o Rabino.

    Tenho me esforçado para relacionar tudo o que aprendo o aqui com minha pequena realidade: seja nas lições do Rabino, seja na leitura da Parashá, procuro adaptar ao que vivo, como um “GPS espiritual”, que considero o estudo de Torá, dirigido a aspirantes a noéticos, que o Rabino coordena, graças a D’us. Embora eu não consiga entender o Plano Divino, fico feliz de saber que posso tentar me precaver de problemas, dentro do que me é possível. Só o fato de já saber algumas coisas de errado que faço, já é motivo de grande alegria para mim, pois posso trabalhar para melhorar isso, se D’us quiser.

    O Mestre traz uma história do Talmud: um episódio sobre um certo Rabi Yossef, que estava sofrendo de uma grande enfermidade. Durante essa grave doença, ele teve uma experiência transcendental. O pai do Rabi Yossef indagou, quando ele melhorou, sobre seus pronunciamentos em seus delírios. O Rabi Yossef afirmou que ele ascendeu até o Céu, e viu o mundo de cabeça para baixo – tudo o que é grande aqui, é pequeno lá, e tudo o que é insignificante aqui, é significante lá. Aqui, o Rav explica, as pessoas dão muita importância para a aparências, assuntos do ego etc., e não dão importância para alguém humilde. Mal elas sabem que uma pessoa assim é muito considerada nos Céus. Até a própria morte é vista dessa maneira, ensina o Mestre, aqui as pessoas dão uma grande importância para ela. No entanto, há uma visão oposta no Céu: para D’us, não existe morte, pois é um conceito físico, uma limitação pelo fato de vivermos em um mundo físico e material, onde tudo tem limite, e nós não escapamos dessa regra, e também somos limitados. Na visão espiritual, estamos sempre diante de D’us, seja dentro do corpo, seja fora dele, e a morte é apenas uma ascensão para outro grau de consciência, onde não há mais os limites de um mundo dimensional, de formas distintas e separadas. Por desígnio Divino, a alma desce e, depois volta para o Olam Habá, sem sabermos sobre o seu propósito de vida. Citando o Pirkê Avót, o Rabino afirma que a alma está no Poço das Almas, e não quer ir para um local inferior, onde a Luz de D’us é ocultada, e há pecado e transgressão às Leis de D’us. Pecado, segundo o Rav, traz um significado mais profundo, não só no aspecto moral, mas no sentido de se separar, e se distanciar, mesmo que temporariamente, de D’us, o Mestre citando o Profeta Isaías: só os pecados da pessoa a distanciam a pessoa da Presença Divina.

    Comentei, no shiur anterior, que tenho grande dificuldade de conversar sobre certos assuntos, absolutamente estranhos para mim, no que tange a coisas materiais. Gostaria de ser mais hábil nesses assuntos – me é difícil até mesmo pregar um prego na parede! Porém, antigamente me achava muito espiritual, mas mal sabia que tinha muito mais leniências e racionalizações, sobre os meus próprios defeitos, que supunha, e evitava enxergar. O que aprendo, desse trecho da aula é que, se eu quero realmente fazer por merecer, e melhorar, tenho que me esforçar muito mais.

    O Rabino afirma que as pessoas vêm a este mundo, sempre por duas razões: para retificar algo, de seu corpo e alma animal, o Rav citando o Tanya, Capítulo 36. E, ao se retificar, a pessoa ajuda a retificar o mundo. Conforme as palavras do Mestre, a Chassidut explica que o propósito da Criação é o estabelecimento de uma Moradia Santa, nos níveis inferiores, para que a Luz de D’us fosse revelada, pois assim Ele quis. Nenhum nível é tão inferior quanto este, em que a Luz do Ayin Sof é totalmente ocultada – aqui não se percebe nada, espiritualmente. A única relação que se pode ter com o espiritual, é através da fé, da mente. Nossos sentidos não são capazes de perceber qualquer aspecto espiritual. O cumprimento das mitsvót são o instrumento da revelação da Luz de D’us no mundo, e essa revelação, nos níveis inferiores, é tão profunda, que chega a ser de um grau de intensidade maior, até mesmo do que nos Mundos Superiores. O mesmo acontece com o homem, em que seus dois aspectos mais baixos, a nefesh habahamit (alma animal, o grau mais baixo da alma) e o guf (corpo), precisam sofrer um refinamento, para que haja uma revelação da Luz de D’us, também no nível do homem. A alma, ela mesma mesma, o Mestre salienta, não sofre nenhum refinamento, por ser uma parte santa de D’us. Quando ele atua de forma coerente com as Leis de D’us, cumprindo as mitsvót, em particular as práticas, há o refinamento desses aspectos do homem, através do livre arbítrio. Quando Hashem manda as almas para cá, há a fusão de espírito e corpo, e ocorre a possibilidade constante de uma decisão, que o homem toma em seu comportamento. Essa decisão trará para ele as consequentes recompensas ou punições, de acordo com o seu livre arbítrio, traz o Rav. Por meio dele, a pessoa pode se tornar parceira de D’us, na retificação de si mesma e do mundo, ou se rebelar.

    Ultimamente, tenho me limitado a meditar mais sobre os meu próprios erros, principalmente depois dos últimos acontecimentos, em que “fui obrigado a parar” um processo de transgressão consciente. Foi a pior coisa que podia ter feito, e sinto que o que é apresentado pelo Rabino é extremamente real. Não há muito mais para onde eu possa ir, na verdade. Se o que estou aprendendo não me torna alguém mais espiritual, sinto que faz com que eu me esforce para ser mais ético, em todas as áreas da minha vida. E, já que o Rav ensina que moral é espiritual, desejo muito aprender mais sobre o assunto.

    A vida, do ponto de vista da eternidade, é muito curta, ensina o Rabino. O importante é como reagimos às coisas que vêm a nós: com amor ou raiva, com sabedoria ou tolice, com prepotência ou humildade – esta é a grande diferença, nas horas decisivas, explica o Rav. A visão espiritual é que a grande problemática do homem, é que ele se identifica, excessivamente, com o mundo físico, e teme perder tudo o que é físico. Portanto, tudo conspira para que o homem não tenha o desejo de ascender espiritualmente, com as consequentes mudanças necessárias para isso, inclusive justificando seus comportamentos, racionalizando tudo, o Mestre explica, impedindo a revelação da Luz de D’us no mundo. Portanto, todas as nossas dificuldades e obstáculos são, na verdade, “lembretes” para que a pessoa recorde do que está na origem espiritual dela – a raça adâmica, que podia enxergar o físico e o espiritual, “de um canto a outro do mundo”. Existe a possibilidade, prossegue o Rav, de resgatar a alma da pessoa, de forma que ela pense um pouco mais sobre as realidades espirituais.

    No meu caso, que sempre testemunhou eventos “diferentes”, e que pensava precisar de tratamento psiquiátrico, e encontrou muitas respostas aqui, considero mais do que coerente as explanações do Rabino. O pouco do que consegui aplicar, dos procedimentos direcionados para o meu grupo espiritual, ensinado pelo Mestre, funcionou, e muito. Baruch Hashem.

    Retornando ao início do shiur, o Mestre revela que a função dos anjos guardiões, ao serem enviados para cá, é cumprir as tarefas de D’us, e não servir ao homem como ele gostaria. Inclusive, a Torá está repleta de exemplos dessas tarefas. Tudo é conforme o Plano Divino, afirma o Rav. Quem sabe as pessoas, vitimizadas no Holocausto, o Rabino trazendo novamente o exemplo do Holocausto, ao saírem de seu “invólucro” corporal, não enxergaram a sua vitimização de outra maneira? Em outras palavras, o Rabino ensina, há uma visão espiritual da qual não temos alcance, pela nossa limitação, e não há como julgar nada. O que podemos é estudar a Torá, e analisar os exemplos. Segundo o Rav, devemos nos lembrar de Ióv, e saber que temos Testes Divinos constantes, que vêm para aferir como reagimos aos mesmos, e é isso que define o “calibre espiritual” da pessoa. A ideia é sair do estado de adição a si mesmo e autoidolatria, e partir para um processo de maior refinamento e crescimento espiritual. O Rabino prossegue, e ensina que, se há algo que pode ser dito sobre D’us, é que Ele é o Ribono Shel Olam – o Mestre do Universo. Mestre também significa Professor, o que indica que Ele também ensina – tudo e todos servem a Ele, qualquer coisa serve a D’us, como emissário D’Ele. Na Parashá Vaerá, ensina o Rabino, aprendemos que D’us, ao pegar um pedaço de madeira, algo morto, se transforma em uma serpente, engole as serpentes do Faraó, e volta ao seu estado original novamente, de ser apenas um cajado. Em outras palavras, até mesmo uma madeira morta é um servo de D’us. Moral da história: tudo serve a Ele, e mesmo sabendo que o seres humanos têm livre arbítrio, conscientes ou inconscientes, todos nós estamos cumprindo um papel importante no Plano Divino. Os anjos guardiões existem, não para nos livrar de problemas – para isso, D’us nos deu o intelecto. A tarefa dos anjos guardiões é promover para que o Desejo Divino ocorra, seja para proteger uma pessoa, seja para colocá-la em uma situação de adversidade, para testá-la. O Mestre ensina que o livre arbítrio é uma grande força, e que os efeitos de todas as nossas ações depende da responsabilidade espiritual. Há pessoas que sofrem por erro de livre arbítrio, seja por negligenciá-lo, ou por abuso, ou seja, a pessoa usa seu livre arbítrio só para o seu autobenefício, sem o conhecimento das Leis de D’us, e não obtém sucesso. A mensagem principal do shiur, ensina o Rabino, é para nos lembrar da responsabilidade espiritual que temos, e que não podemos simplesmente delegar a entidades espirituais nosso bem-estar. A nossa recompensa, na forma de Bênçãos, são diretamente proporcionais às nossas ações, na medida de D’us – pois Hashem faz tudo midah kenégued midah – medida por medida. Assim o Rabino Avraham encerra o shiur.

    Ao mesmo tempo que é um motivo de alegria, saber que posso ser mais atuante me minhas escolhas, sinto que a responsabilidade de ter livre arbítrio, da maneira que o Mestre explicou, é muito maior. Se, até o momento, fiz as coisas sem as devidas informações, a sensação é de que meu passos devem ser calculados com o dobro de cuidado. Porém, minha consciência pode simplesmente se esvanecer, na primeira tolice ou transgressão. De qualquer maneira, se esse o universo de Hashem, é essas são as Suas Leis, é melhor que eu as aprenda bem, com a orientação do Rabino Avraham, graças a D’us.

    Um bom dia ao Rabino Avraham Chachamovits.

    Márcio

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