NARIZ EM CHAMAS

Eretz Israel/Terra Santa* vive momentos terríveis com mais uma conflito armado contra a investida dos árabes ímpios e violentos do Hamás em Gaza. Agora, no nível da guerra espiritual, o armamento poderoso do Tehilim 83 foi pedido e usado pelo mundo judaico (e também o 130 e 142) para combater estas forças ímpias. E como é sabido, tudo está na parashá. A guemátria de 83 é be’af (“com ira”) um dos assuntos principais desta parashá/porção semanal: וישטם עשו את-יעקב על-הברכה אשר ברכו אביו ויאמר עשו בלבו יקרבו ימי אבל אבי ואהרגה את-יעקב אחי “E Essav guardou ódio de Ya’acov pela bênção com que o abençoou seu pai, e Essav disse em seu coração: Chegarão os dias de luto de meu pai, e matarei meu irmão Ya’acov” (Bereshit 27:41, Toledot). Contudo, o ódio de Essav, dos inimigos de Israel/Ya’acov se defronta com a ira de YKVK. Como é sabido, a palavra em Hebraico para nariz é af também. De modo mais preciso, a expressão na Torá para raiva é charón-af (literalmente, “nariz em chamas”), assim como quando uma pessoa fica irada, suas narinas se abrem. E YKVK é referido por vezes como Érech Apáyim, ou seja, “Nariz Cumprido”, uma metáfora para descrever a Sua paciência inefável com os erros humanos. Mais ainda, quando a praga foi enviada por YKVK pelos atos de Kôrach, então Aharon foi ordenado por Moshé a preparar o ketoret para apaziguar a ira Divina (Bamidbar 16:7 etc.). O odor agradável do incenso acalmou a ira, querendo dizer, o incenso foi “colocado no nariz”, como escrito: Yasimu ketorah b’apecha “Eles colocaram incenso em Tua narina” (Devarim 33:10). Enfim tudo conectado com o antigo ódio árabe, que nunca se conformou com a esperteza santa de Ya’acov. E a origem deste ódio é mais antiga ainda, como escrito: Vatishachet ha’arets lifnêi ha’Elokim vatimale ha’arets hamás, “E a terra corrompera-se diante de Elokim, e a terra se enchera de violência/hamás” (Bereshit 6:11). E sobre tudo isso eu pensei que seria muito bom um míssil israelense (um ketoret, por assim dizer) atingir o “nariz do inimigo”, ou seja, por onde ele “respira” – de onde vem seu ar: Gaza. Verdadeirmaente, a parashá Toledot trata da luta entre o Bem/Ya’acov e o Mal/Essav no nível arquétipo. E isto é bem sabido pelos iniciados. Contudo, em outro nível, vemos Ya’acov lutando para firmar-se como pilar do Povo de Israel, ou seja, de ser apropriadamente “estabelecido” como uma fundação no terreno físico e espiritual. E Essav representa a “conturbação” da terra/adamah/Edom (como vemos nesta semana no ataque do Hamás que é Ishmael/Essav) sendo “atirada e removida” de seu contato com a kedusha/santidade através da esperteza de Ya’acov, ao enganar seu irmão rasha/perverso e conseguir a primogenitura. De fato, Essav diz sobre Ya’acov: yaakvêini, “ele me enganou” (Bereshit 27:36). As klipót estão sempre próximas da kedusha, pois precisam da luz para se nutrir. E é explicado que “Ya’acov nasceu agarrado ao calcanhar de Essav etc. indicando que ele era próximo de Essav, ou seja, a sitra achra estava próxima da kedusha. Então Ya’acov precisou pegar o calcanhar de Essav e trazê-lo para baixo, para seu domínio escuro a fim de se distanciar do mal completamente (Zohar 138a, Toledot). A propósito, a relação de Ishmael com Essav é íntima, pois além de parentes, o fim da parashá traz que Essav se casou com a filha de Ishmael (Bereshit 28:9). Os árabes e a humanidade vivem e obedecem aos planos Divinos sem mesmo saberem e se importarem. Mas YKVK comanda tudo. E todos os que não são alinhados a Hashem, são regidos apenas pelos planetas e constelações, a “sorte” impiedosa da astrologia. De fato, o sofêi tevót (as “letras finais”, e que semanticamente significam, “no final das contas”) do verso “E Essav guardou ódio de Ya’acov pela bênção com que o abençoou seu pai etc.” é םותבלהרוורווויליהתבי, e tem a guemátria katán 77, o mesmo valor numérico da palavra מזל mazál (mem-zayin-lamed = 40 + 7 + 30 = 77), indicando que todos os que odeiam Israel (o outro nome de Ya’acov), serão regidos apenas pela astrologia, e nunca pelas bênçãos e proteção de Hashem, amém.

 

* Texto originalmente escrito em Rosh Chodesh Kislev, 5773 (Novembro 15, 2012), parashá Toledot, durante o conflito de Israel em Gaza neste mesmo ano.

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