PINTURA DE GUERRA

Nesta aula inusitada, o Rabino Avraham Chachamovits revela de modo explícito o tipo de raciocínio mais elevado que nos leva a meditar sobre as influências espirituais em todo e qualquer aspecto da nossa realidade, mas que frequentemente passam despercebidas. O Rabino Avraham explora o verso do Levítico 16:8 que introduz o elemento de Azazel – um dos “anjos caídos”. A essência do shiur trata da antiga guerra espiritual que permeou profundamente a nossa sociedade usando os poderosos armamentos como as tinturas e maquiagem. A aula procede ensinando sobre a Presença Divina (Shechina), a mulher e assuntos de kedusha (“santidade”). Uma aula muito profunda sobre a “tecnologia psicológica” trazida pelos anjos para a difusão e controle de sua agenda que não tem o homem como beneficiário.

Gravado em 2 de Nissan 5770 (16/03/2010)

tzedakah

Um pensamento sobre “PINTURA DE GUERRA

  1. Pela Graça de D’us.

    Prezado Rabino e Prezados Amigos:

    Peço permissão ao Rabino Avraham, para comentar sobre o presente shiur.

    Na introdução da aula, o Mestre explica que, entre outras lições, ensinará sobre determinada fase da humanidade, quando os anjos caídos eram revelados na vida humana. A intenção do Rav não é tratar acerca do aspecto histórico do assunto, mas como uma alusão ao fato de que, mesmo com a passagem do tempo, essas influências na realidade continuam existindo, mesmo que as suas formas tenham se alterado com o tempo. O exemplo que o Rabino traz, no shiur, deixa bem clara a antiguidade do tema, que tem efeito através das gerações.

    O Rav traz a leitura do Levítico 16:8: “E lançará Aarão sobre os dois cabritos sortes, um para o Eterno, e a outra para Azazel, e aproximará Aarão o cabrito sobre o qual caiu a sorte para o Eterno, e o oferecerá como oferta de pecado, e o cabrito sobre o qual caiu a sorte para Azazel, colocar-se-á vivo diante do Eterno, para expiar, por meio dele, para enviá-lo a Azazel, ao deserto”.

    O Mestre explica que, segundo os Sábios da Torá, Azazel foi um dos anjos caídos, que teve uma participação curiosa no período pré-Dilúvio da humanidade, porque ele ensinou aos seres humanos a arte de fazer espadas, escudos, armaduras, como que preparando-os para a guerra, e também, já que esses anjos caídos escolheram para si esposas, ensinou para as mulheres a arte de fazer braceletes, decorações, a aplicar sombras nos olhos, com cores diferentes, ornamentos, vários tipos de embelezamentos no rosto e na pálpebra, até mesmo o uso de pedras preciosas para jóias, e também assuntos de alquimia, diretamente relacionados com o conceito de fabricação de tinturas, para serem aplicadas no rosto humano. Segundo o Rav, baseado nos Sábios, há uma correlação entre a arte da guerra, através de armamentos, e a arte da maquiagem, na forma de disfarces, salientando o Rav que é possível entrar no mérito moral dessa informação. O Rabino Avraham prossegue, ensinando que os anjos caídos, uma vez que chegaram aqui, através das forças de restrição que alteraram as suas consciências, não mantiveram os seus níveis elevados, se tornando corruptos, e ajudaram a corromper a humanidade, culminando no Dilúvio. Por conseguinte, segundo o Mestre, qualquer coisa que é conectada a eles, implantada na mente do homem e, portanto, na realidade, é algo de origem negativa. O Rav afirma que a origem espiritual da maquiagem é demoníaca – foi o próprio Azazel que revelou isso a suas escolhidas, na época.

    Dando sequência ao shiur, o Rav afirma que a Presença Divina – Shechiná – no mundo, conforme o nível místico da Torá, é o aspecto feminino de D’us na Terra, tudo o que vitaliza o universo. As mulheres, na essência, representam a Presença Divina, destacando o Mestre que é preciso haver paz no lar, entre marido e mulher, sendo fundamental não fazer a esposa sofrer, pois ela representa, em um certo nível, a Presença Divina e, além disso, a casa também é um elemento feminino, de onde fluem as bênçãos para a vida do casal, sendo importante não maltratar a esposa. O Rabino afirma que a casa é da mulher, onde são recebidos os Fluxos Divinos, ou seja, todo o assunto de recebimento é feminino. A beleza da mulher, segundo o Rav, é uma Fagulha Divina, e faz parte da essência feminina ter essa beleza, sendo que é na beleza natural da mulher, que se encontra uma expressão mais revelada desse aspecto espiritual tão elevado; uma mulher que não usa maquiagem é mais alinhada a D’us, do que uma mulher que usa. As empresas de cosméticos, no mundo, manipulam as mulheres, através da propaganda, roubando a autoestima da mulher, através de ideais, na forma de mulheres, e devolvem a autoestima da mulher pelo preço de seus produtos. Já que esses produtos têm uma origem espiritual antiga, ensinadas por Azazel há muito tempo, na verdade se trata de uma antiga tecnologia psicológica, que foi trazida por um dos anjos caídos, sendo um dos “armamentos” utilizados na guerra espiritual, com a intenção de seduzir, se trata de uma ciência/arte de manipulação de consciência e alteração psicológica, e controle através da sedução, concluindo o Rabino que, assim como guerras foram travadas, no passado, com espada e outros armamentos, ela também foi sempre travada com sexo e sedução.

    Diante do que foi acima explicado, pelo Mestre, me considero um homem de sorte: minha mulher não gosta de maquiagem pesada, pelo contrário – quanto mais leve, melhor. De qualquer maneira se, fora do meu lar e, dependendo da situação, até dentro dele, há um contexto de guerra espiritual, preciso tomar cuidado, pois às vezes sinto “o vento mudar” em determinada situação, e às vezes vejo muitas mulheres sendo usadas como meras “marionetes” sem saber, não só pela questão da maquiagem, mas também pela questão da maledicência. Me recordo de um certo shiur, em que o Mestre explicou sobre o perigo de as mulheres serem manipuladas pelas forças negativas, além da questão da sedução, também na fala. Tenho visto que a questão do embelezamento, de mulheres e até mesmo de homens, às vezes, tem a ver com insegurança e necessidade de autoafirmação, o que me remete, também, a uma mais uma lição do Rav, sobre ter humildade e autoestima, em um caminho de fé em Hashem, de modo a não ser presa fácil das forças negativas.

    Para ilustrar o que foi ensinado, o Rabino traz o final da Parashá Balak, na leitura de Números 25, versos 1, 2 e 3: “E esteve Israel em Shitim, e começou o povo a errar com as filhas de Moab, e convidaram o povo aos sacrifícios de seus deuses, e o povo comeu e prostrou-se aos seus deuses, e juntou-se Israel a Baal Peor, e acendeu-se o furor do Eterno contra Israel”.

    O Rav explica que, segundo os comentaristas, as mulheres de Moab se pintavam, se maquiavam e se embelezavam, deixando os homens agitados, com a intenção de profanar o Povo de Israel, que recebeu a Torá, se tratando de um truque, para rebaixar Israel espiritualmente: a maneira que Baal Peor era adorado se dava através do defecar, e as mulheres seduziam os homens de modo a conseguirem esse objetivo, isso tudo fazendo parte da guerra espiritual. O Mestre comenta sobre a época do Segundo Templo, onde havia uma forte influência greco-romana, desalinhada das leis espirituais, e as mulheres da época se recusaram a abandonar essas práticas, de se embelezar de maneira tão revelada. No Livro do Profeta Isaías, logo no início, no Capítulo 3, nos versículos 16 a 26, o Profeta fala sobre esse assunto: “O Eterno disse: porque as filhas de Tsión são arrogantes, e aprumam seu colo, erguendo suas cabeças com olhar silencioso e passos afetados, caminhado provocantes. O Eterno há de provocar feridas sobre suas cabeças, e expor sua intimidade. Nesse dia, o Eterno removerá a ostentação de seus prendedores, e suas rendas, e de seus ornamentos em forma de meia-lua, seus colares, pulseiras e véus, seus toucados, seus braceletes, suas faixas para os cabelos, seus colares e seus brincos, os anéis para os dedos e para o nariz, os vestidos, os xales, os mantos, e os cintos, os vestidos de gaze e de linho fino, os turbantes e os adornos”. O Rav afirma que essa é a descrição da situação calamitosa das mulheres, há dois mil anos atrás, práticas que, apesar de terem um nome diferente hoje, sempre tiveram uma essência profana e alquimística, de tentar modificar a natureza e suas leis, o que é proibido. O mais assustador de tudo, prossegue o Rabino, além dessas práticas indicarem manipulação psicológica, usada em guerra, o fato é que essa guerra continua até hoje em dia.

    Os Sábios da Torá ensinam que as mulheres, nessa época, se corromperam e cometeram adultério, ao ter sucesso no aprendizado sobre o uso da arte da sedução, através dos “armamentos” ensinados. Quando as mulheres se corrompem, afirma o Mestre, toda a sociedade entra em colapso e se degenera, assim foi em Roma antiga, e em outras civilizações. Na sociedade ocidental, hoje em dia, é assim, ensina o Rav, fomentado pelo movimento de liberação feminina, que aplaude, sustenta e empurra a mulher, para o máximo de sua corrupção. Esse movimento busca incitar a rejeição do arquétipo feminino, que a mulher abandone a sua essência feminina, matriarcal, e da Presença Divina, e que a mulher assuma para si uma postura de prostituta. Basta olhar pelas ruas, prossegue o Mestre: corpos à mostra com sua vestimenta, cabelos exuberantes armados, maquiagem, atitude de flerte, levantando os braços, arrumando os cabelos o tempo todo, focadas na compra de adereços, saem de minissaia, com correntes nas pernas. Segundo o Rav, não há diferença entre uma mulher casada e uma prostituta – a prostituta busca seduzir e flertar, com esse “armamento pesado”, para atrair um cliente, o que não é diferente com as outras mulheres, abandonando qualquer resquício de autoestima, explica o Mestre. E suas mentes, insensíveis a tudo que é espiritual, são envenenadas por esses comportamentos e crenças, que têm origem demoníaca, ensina o Rav, que continua a linha de raciocínio: certamente o corpo é algo sagrado, pois fomos criados à Imagem de D’us, e isso não tem nada a ver com promiscuidade. Hoje as mulheres pensam como homens, separando sexo de amo, imitando os homens em tudo, inclusive neste quesito, se perdendo em caminhos tortos, e nem percebem, em sua arrogância e orgulho. Frases “sábias” dessas pessoas, ilustra o Mestre: “o que é bonito é para ser mostrado”, sendo esse o máximo da apologia secular e corrupta, que uma mulher que desfila dessa maneira, tem a capacidade de pronunciar. No passado, esses comportamentos não eram tão deflagrados, com exceção dos episódios documentados na Torá, de tão extraordinários. Hoje, não é mais um caso documentados, onde, de dez mulheres, nove se vestem sem recato.

    É curioso: o “fermento” do orgulho, algo que aprendi com os shiurim do Rav, é algo que afeta a ambos os gêneros, sem exceção. Na medida que vou identificando isso em mim e, com o tempo, mitigando esse traço negativo, mais consigo ver isso nos outros, e tomando cuidado para não estar incorrendo neste erro de novo, o que volta e meia ocorre, infelizmente. Aconteceu um incidente, nesta semana, que me fez refletir sobre isso: estava na fila do caixa de um estabelecimento comercial, ao que chega na fila uma moça. Me afastei, pois ela chegou perto demais e, já que estou sendo submetido a este “treinamento de guerra”, com o Mestre, reagi na hora, e fiz esse movimento de me distanciar. Antes de sair, ao pôr moedas em uma lata no balcão, para fins de tsedacá, a moça, de súbito, se aproximou, quase encostando em mim, em uma atitude quase agressiva. Concluí: ela se aborreceu por eu não ter dado “atenção” a ela. Feri o orgulho da moça, sem esta intenção. Não é a primeira vez que acontece: eu evito esse tipo de contato, e a pessoa em questão se sente instigada. Talvez seja da natureza – não retificada – humana, algo de que também padeço. É como se eu tivesse a obrigação de ficar olhando mulheres, caso contrário sou afrontado pelas mesmas. Pelo que aprendi com o Rav, minha obrigação é fazer o contrário. Não que eu consiga sempre, mas estou me esforçando muito para tal.

    O Rabino Avraham avisa: assim como aconteceu na geração adâmica, antes do Mabúl as mulheres que estão com essas “pinturas de guerra” e esse comportamento, estão facilitando o ressurgimento dos comportamentos antigos que destruíram a sociedade, o Mestre salientando que elas não são as únicas responsáveis, e que está apenas citando um dos fatores do problema, estabelecendo um “histórico espiritual” sobre isso.

    O Mestre lê um trecho de seu livro, Cuidado! Sua Alma Pode Estar em Perigo, que trata do assunto deste shiur, na página 175:

    “Um outro assunto importante é que, cada vez que mulheres saem às ruas, em roupas sem qualquer modéstia, mostrando seu corpo e carregadas de maquiagem, mas ignorantes e desinteressadas das leis espirituais, elas trangridem mais de 10 mitsvót. Isso é gravíssimo, uma vez que, através dos homens que fitam essas mulheres com o fitar imoral, elas transgridem a proibição severa de “não porás obstáculo diante do cego”. Mais ainda, uma mulher que assim se comporta, traz para si a mesma punição que ele, que a fitou, terá que enfrentar no futuro, assim como o santo Rashbi – o Rabi Shimon bar Yochai, que trouxe o Zohar para o mundo – explica sobre o verso ‘ele levará o pecado dela’, que ‘aquele que causa seu companheiro de pecar, é punido em seu lugar’. No Igueret HaTeshuvá – Carta de Retorno -, do Rabenu Ioná, é dito que ‘um homem que fita uma mulher de maneira imoral, seja em sua face ou em suas mãos, traz punição do Guehinom – Inferno – sobre si mesmo, e ela recebe a punição que ela causou para cada e todo homem que a fitou, pois ela causou com que eles tropeçassem, por não ter se comportado de uma maneira modesta, com recato. Uma mulher que anda dessa maneira imprópria, atrai e é verdadeiramente acompanhada por dezenas de milhares de chitzonim – forças do mal –, a saber, shêdim de ruchót – demônios e espíritos, que nela buscam se acomodar, uma vez que ‘por tendas, pôs trevas ao redor de si’ – Samuel 2, Capítulo 22, verso 12. Que o Todo Poderoso nos salve. Além disso, essas forças impuras entram nos corações dos homens nas ruas, e os tentam e deixam perplexos, para que fitem e sucumbam aos seus pensamentos de luxúria. Então, e com o uso de suas imaginações não retificadas, esses homens muitas vezes são levados ao expelir do sêmem em vão, dando vida a criaturas demoníacas, chamadas de ‘pragas do homem’. Saiba que os seres humanos são proibidos, pela lei espiritual, de dar vida aos seres malignos. É vital para uma mulher perceber que, quando ela sai com roupas sem modéstia, ela peca e traz multidões a pecar. Adicionalmente, ela também causa também outras mulheres e jovens garotas, de aprenderem de seu exemplo de pecar, na maneira que elas são influenciadas a se vestirem do mesmo modo. A sua falta de modéstia causa outros de tratarem o mandamento de modéstia com frivolidade, e os trazem assim a infringir as Leis de D’us. Isso é especialmente verdade, se ela é uma mulher conhecida ou influente, ou uma mãe ou avó, pois ela dá o exemplo para as suas filhas e netas. Que responsabilidade então, ainda maior”.

    Todos os dias eu vivo uma dinâmica intensa: pelas ruas, tenho caminhado com todo o cuidado, para guardar meus olhos, mesmo assim falhando eventualmente, pois a questão do que “está na moda” impera, ou seja, para onde quer que eu olhe, verei algo sem recato, algo de que já me conscientizei, concluindo que a forma de eu olhar é que tem que mudar, sem deixar de evitar olhar, quando possível. Por outro lado, na academia de música em que eu trabalho, atendo mulheres também, que se vestem e se maquiam de várias maneiras. Detalhe: sou obrigado a fitá-las, pois isso faz parte do meu trabalho. Tem sido um bom treino.

    O Mestre chama a atenção sobre responsabilidade espiritual, que tão ausente está na nossa sociedade – em todos os lugares se vê comportamentos imorais, e imoral significa anti-espiritual, anti-D’us. É uma afronta a D’us a imoralidade, ela afronta porque contraria o princípio espiritual básico, de que não existe santidade aonde paira a imoralidade. Esses comportamentos profanos, além disso, trazem Decretos Divinos, para a pessoa e para o mundo, e conturba a vida de todos, pois tudo é interconectado. Para a pessoa que quer seguir um caminho reto e digno, afirma o Mestre, ela sabe que deve se distanciar dessa falta de recato. Segundo o Rav, existe uma maneira de pensar que, se a maquiagem trará um realce muito leve, para algumas mulheres, existem várias considerações a serem feitas, como graduações – algo feito com respeito, leveza e temor e amor a D’us, e algo, em outro extremo, que apresente a mulher ao mundo, como uma prostituta. É importante a pessoa conhecer a origem disso, e conhecer os parâmetros.

    Esta aula do Rav é um chamado à reflexão, de que deve abrir meu olhos cada vez mais, e saber identificar o que realmente tem valor, neste mundo de mentiras. Já fui enganado diversas vezes, ao longo de minha vida, sempre com o risco de ser enganado de novo, já que tenho uma má inclinação para administrar. Ultimamente, tenho visto as mulheres, dependendo do perfil, mais como problema do que como algo atrativo. Não é uma apologia à misoginia: por muito tempo fui assombrado por uma visão mais sensualizada das mulheres, e tenho aprendido, com o Rabino, a enxergá-las como elas realmente são: pessoas, com defeitos e qualidades, assim como eu e todos. Estou ficando mais velho e, a esta altura dos acontecimentos, com os hormônios paulatinamente decrescendo, já estava na hora de ter uma visão menos infantilizada e primata sobre o assunto, graças a D’us.

    Uma boa tarde ao Rabino Avraham Chachamovits.

    Márcio

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