E está escrito: וישלחו את-כתנת הפסים ויביאו אל-אביהם ויאמרו זאת מצאנו הכר-נא הכתנת בנך הוא אם-לא Vayeshalchu et-ketonet hapasim vayaviu el-avihem vayomru zot matsanu haker-na haketonet bincha hiv im-lo, “E levaram a túnica listrada, trouxeram-na a seu pai e disseram: Encontramos isto; reconhece, por favor, se a túnica é do teu filho ou não” (Bereshit 37:32, Vayeshev). Ao retornar para o patriarca Ya’acov com a túnica com sangue, os irmãos de Yossêf nunca afirmaram de fato que ele havia morrido. Eles sim induziram o pai a pensar isso, mas havia algo mais. Agora, é possível que a mentalidade de Ya’acov o predispôs também para ser enganado pelos seus filhos, como vemos no assunto de Elifaz. Veja, como traz o Ráshi na parashá Vayetse sobre a palavra ויבך vayevech (“ele chorou” ao encontrar Rachel): “‘Eu venho de mãos vazias…’, pois Elifaz ben Essáv o caçou para matá-lo de acordo com a ordem de seu pai. Elifaz o alcançou, mas como ele cresceu no colo do patriarca Yitschak, ele segurou sua mão. E Elifaz disse a Ya’acov: ‘O que eu farei sobre as ordens de meu pai?’. E Ya’acov respondeu: ‘Pegue tudo o que eu tenho, pois um homem sem nada [pobre] é contado como morto’ [Bereshit Rabati do Rabi Moshe Hadarshan; Talmud, Nedarim 64b]” (no Bereshit 29:11). E assim, muitos anos depois quando Ya’acov viu a túnica de seu filho Yossêf, eu vejo que ele pensou de mesmo modo: “Um homem sem nada é contado como morto”. Agora, este passúk/verso de Vayetse é profético. Aqui mesmo, o Ráshi também diz: “[Ele chorou] porque viu através de ruach haKodesh/inspiração Divina que ela não entraria com ele para ser enterrada [Bereshit Rabah 70:12]”. E veja: eu investiguei e vi que vayevech tem guemátria 38 e o atbash é 450, a mesma guemátria de מתי meti (“minha morta/meu morto”). E a primeira vez que esta palavra aparece na Torá é no passúk גר ותושב אנכי עמכם תנו לי אחזת קבר עמכם ואקברה מתי מלפני Guer-vetoshav anochi imachem tenu li achuzat-kever imachem veekbera meti milfanai, “Peregrino e morador sou entre vós; daime posse de um terreno para sepultura, entre vós, e enterrarei minha morta que está diante de mim” (Bereshit 23:4, Chaiyê Sarah). É aqui que o patriarca Avraham busca enterrar Sarah na caverna de Machpelah (e ele mesmo seria enterrado lá junto com ela). Mas, o Midrash vê que no caso de Ya’acov e Rachel isso não ocorreria. E por isso Ya’acov chorou em uma ocasião alegre como esta – do seu encontro e beijo com Rachel. Contudo, como é a natureza da profecia, existem outras possibilidades para a sua realização. Está escrito: וישק יעקב לרחל וישא את קלו ויבך Vayishak Ya’akov le-Rachel vayisa et-kolo vayevech, “E Ya’acov beijou a Rachel, e levantou sua voz e chorou”. A guemátria albam destas quatro palavras (vayisa et-kolo vayevech/e levantou sua voz e chorou) do verso é 1379, com mais o kolel para cada um das palavras temos o valor de 1383 – a mesma guemátria do passúk ויקנאו בו אחיו ואביו שמר את הדבר Vayekanu-vo echav veaviv shamar et-hadavar, “E seus irmãos invejaram-no, e seu pai esperou o fato” (Bereshit 37:11, Vayeshev) e a mesma de “E eles então escaparão pela sua maldade? Em Tua ira, subjuga Seu povo, ó Eterno” (Tehilim 56:7). Entretanto, eles não escaparam e de fato os irmãos de Yossêf precisaram de expiação. O Ari”zal explica que os Assarah Haruguêi Malchut (“Os Dez Mártires”) foram um guilgul/reencarnação dos irmãos de Yossêf (Sha’ar HaGuilgulim, hakdamah 34-39). E pelo seu kibud av (a mitsvá de “honrar o pai”) e por ter se restringido de matar Ya’acov, Elifaz ganhou zechut/mérito. O kibud av também foi uma mitsvá de seu pai Essáv, assim como a restrição de tentar matar, pois Essáv disse que somente “Quando chegarem os dias de luto de meu pai, então matarei meu irmão Ya’acov” (Bereshit 27:41). Elifaz era ligado b’sód/misticamente ao seu primo mais jovem Reuven, ambos primogênitos, quem agiu como ele: Vayishma Reuven vayatsilehu miyadam vayomer lo nakenu nafesh, “E Reuven escutou, e livrou-o das mãos deles e disse: Não o mataremos” (Bereshit 37:21, Vayeshev). Reuven “escutou” em seu coração o ruach/espírito de Elifaz. E a guemátria de ראובן Reuven é 259, a mesma de אליפז בן עדה Elifaz ben Adah (Bereshit 36:10, Vayishlach).
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Um pensamento sobre “A TÚNICA DE YOSSÊF”
Shalom agradeço mais uma vez essas belas palavras santas ministradas pelo senhor Rabino Avraham!
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